E quando é uma dor que não se vê?

Por Lídia Käfer Schünke em 19 de maio de 2018

 

Quantas vezes nos sentimos indispostos, com dores musculares, tensionais ou talvez percebemos um resfriado se instaurando e ligamos o alerta? Sabemos que quando sentimos alguma dor ou desconforto físico, nosso desempenho poderá ser prejudicado: seja no trabalho, na faculdade ou nas mais variadas atividades de vida diária. Aprendemos que temos que respeitar nosso corpo, ouvir os sinais que ele nos dá e quando nos machucamos temos o direito ao resguardo para nos recuperarmos.

Mas e quando é uma dor que não se “vê”? Quando a dor não é na perna, no estômago ou nas costas? E quando estamos machucados, mas as feridas não são visíveis e não requerem antissépticos, curativos ou ataduras? Precisamos falar sobre esta dor, aprender a ouvi-la, compreendê-la e respeitá-la.

É preciso refletir sobre todas as vezes em que ignoramos a nossa tristeza, nossas decepções e frustrações dizendo a nós mesmos que elas passarão e que não temos tempo para isso pois precisamos trabalhar, produzir, atender às expectativas e atingir os objetivos. Afinal, não se trata de nenhuma perna quebrada que efetivamente nos impediria de trabalhar, não é mesmo? Pois, na verdade, as nossas vivências e o nosso estado emocional tem tanto, ou até mais, impacto no nosso bem estar quanto as nossas condições de saúde física. Nós somos constituídos daquilo que fazemos, pensamos e sentimos e nosso bem estar psíquico e emocional é tão importante quanto o nosso bem estar físico.

Não olhar para um fenômeno não irá fazê-lo desaparecer, apenas nos deixará alheios a ele. Quando não olhamos para nossa dor e não acolhemos nossos sentimentos, nós abrimos mão de compreendê-los, aceitá-los e vivenciá-los – processos essenciais para nossa saúde emocional.

Mas, afinal o que fazer então quando é uma dor que não se vê? Acredito que o primeiro passo é, simplesmente, passar a olhar para ela. Respeite a sua dor, respeite seus limites e ouça os sinais do seu corpo. Compreender e o que se passa dentro de você é primordial para a manutenção de sua saúde mental e o psicólogo é o profissional formado e capacitado para te auxiliar nesta jornada.

* As informações contidas nesta publicação não substituem a avaliação de um profissional da área da saúde mental.


Sobre a autora:
Lídia Kafer é Psicóloga clínica graduada pela Universidade Feevale. Atua em Novo Hamburgo/RS.
E-mail para contato: lidia.kafer@gmail.com

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