Fome na alma, comida nenhuma acalma

Por Taciana Pillonetto em 16 de maio de 2018

 

A comida é frequentemente usada como válvula de escape dos problemas e sentimentos. Momentos de estresse, de raiva, tédio, ansiedade, decepções, tristezas, entre outros, são motivos para “atacar a geladeira”. Quem nunca viu aquela cena típica de filme do personagem atacando um pote de sorvete após uma decepção?

Comer no intuito, mesmo que inconsciente, de suprir um vazio ou a angústia que está sentindo, costuma não funcionar. O grande problema é que o sentimento não passa e após os episódios de deslize ou compulsão, o indivíduo fica se sentindo ainda pior por ter comido demais ou o que não devia.

O primeiro passo para a mudança é identificar se você “desconta na comida” sua ansiedade e outros sentimentos, ou seja, se frequentemente sua fome não é física, mas sim emocional. Diferencie fome e vontade de comer. A partir daí, você estará tornando isso consciente e pode pensar em outras possibilidades para lidar com seus sentimentos.

A fome física aparece gradualmente, enquanto a emocional vem de repente. A fome física não é seletiva. A fome emocional é seletiva, faz com que você sinta vontade de alimentos específicos, geralmente os ricos em açúcar. Com a fome emocional, você acaba comendo além do limite e posteriormente tem sentimentos de culpa e perda de controle.

Anote. Se você faz acompanhamento nutricional, sabe que é recomendado no início da reeducação alimentar anotar o que você come durante o dia. Passe a anotar também o que você estava sentindo quando se alimentou, ou pelo menos faça isso mentalmente. A partir daí, você pode identificar o que está sentindo e a causa.

Quebre o ciclo. Ao invés de comer para o ilusório “alívio” dos sentimentos, você pode: conversar com alguém sobre o que está sentindo; praticar meditação; usar de exercícios físicos para redução de ansiedade; e usar atividades/hobbies que lhe agradem e não tragam prejuízos.

Não substitua a comida por outros vícios e compulsões, aprenda maneiras eficazes de lidar com as emoções negativas. Afinal, a alma se alimenta de novas experiências e novos desafios, esse é o prato principal!

* As informações contidas nesta publicação não substituem a avaliação de um profissional da área da saúde mental.

 


 

Sobre a autora:
Taciana Pillonetto
Psicóloga formada pela Universidade de Caxias do Sul. Atua em Caxias do Sul / RS, com ênfase na terapia cognitivo-comportamental no atendimento de crianças, adolescentes, adultos e famílias.
E-mail para contato: tacianapillonetto@gmail.com

 

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