Medicação: O uso (in)devido

Por Daniele Port em 16 de maio de 2018

A medicação é parte integrante da rotina de inúmeros indivíduos, quiçá todos. Passar na farmácia mensalmente/semanalmente para pegar os ‘remédios’ prescritos já é tão importante quanto passar no mercado para comprar a comida. Será que tudo isso é mesmo necessário? A utilização de medicamentos é importante, sim. Se estivermos sofrendo com alguma dor ou buscamos a remissão de algum sintoma, a utilização é imprescindível. Os medicamentos controlam e amenizam os sintomas que sentimos quando estamos doentes, proporcionando maior sensação de bem-estar. No entanto, deve-se ter precaução no que diz respeito ao seu excesso e/ou a prescrição indiscriminada.

No que diz respeito aos psicofármacos (medicação utilizada para o tratamento de doenças mentais), principalmente, é necessária cautela para sua indicação, que deve ser feita perante rigorosa avaliação. Seguir os critérios diagnósticos para a sintomatologia, com conhecimentos básicos da história de vida e história da doença é necessário para poder fazer a prescrição acurada e poder tratar o que realmente está acometendo o paciente. Uma conversa de 5 ou 10 minutos não é suficiente para prover todas estas informações. Ainda, referente ao medicamento, deve-se avaliar suas indicações e contraindicações, efeitos colaterais e mecanismo de ação, além da sua eficácia através das pesquisas.

Além disso, outro ponto importante para se prestar atenção é a consciência na ingestão dessas medicações – item fundamental – pois, o que tem acontecido em demasia é a utilização imprudente por parte dos pacientes. Interrupções na sua ingestão são feitas por conta própria, sem a indicação do profissional prescritor; é o caso do “eu já estou melhor e não preciso mais deles”. Isso quando não decidem retomar sua utilização “porque estou me sentindo um pouco triste de novo”, por exemplo; gerando um ciclo repetitivo de “auto ingestão” equivocada e leviana de retirada e retomada do medicamento, não levando em consideração os riscos estabelecidos à saúde, podendo piorar o quadro e agravar sintomas.

Há, inclusive, que se considerarem os indícios e reportagens existentes a respeito do envolvimento das indústrias farmacêuticas no incentivo a prescrição de certos medicamentos, sobretudo aqueles referentes às doenças do século – depressão, ansiedade e estresse -, que acarretam em prescrições exageradas por parte dos médicos, sem correta avaliação do quadro. Isto em troca de algum benefício da empresa produtora como recompensa pelas vendas.

A combinação medicamentos + terapia é essencial para os bons resultados e melhora em saúde mental. Se não estão sendo usados adequadamente, interferem diretamente nos resultados da terapia, trazendo grandes danos aos usuários. Ouça seu médico. Medicamentos exigem cuidado!

* As informações contidas nesta publicação não substituem a avaliação de um profissional da área da saúde mental.

 


Sobre a autora:
Daniele Port
Psicóloga em Concórdia – SC Coach pela Sociedade Brasileira de Coach.
E-mail para contato: danni.port@hotmail.com

 

Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone