Qual a função da ansiedade na nossa vida?

Por Jéssica Limberger em 16 de maio de 2018

 

Lidar com a ansiedade não é fácil. Tem dias que nos sentimos ansiosos, aflitos, como se estivéssemos correndo contra o tempo, sem sossego. Por vezes, entramos em uma luta contra a ansiedade e não queremos que ela faça parte da nossa vida. Entretanto, você sabia que a ansiedade tem uma função muito importante na nossa sobrevivência? Que ela nos protege das situações de perigo?

A ansiedade é uma reação normal do nosso organismo diante de uma situação que nosso cérebro interpretou como ameaçadora. Por exemplo, se estamos andando e um carro vem em nossa direção, rapidamente iremos correr daquela situação de risco. Desta forma, quando nos sentimos ameaçados, é a ansiedade que contribui para lutarmos ou fugirmos.

Acontece que nem sempre essa ameaça é real. Por vezes, ficamos assustados ao pensar que não vamos conseguir concluir determinada tarefa, que aquela mancha na pele pode ser sinal de uma doença, que as pessoas estão falando mal de nós, etc. Tais preocupações, quando não são transformadas em ações práticas, aumentam a ansiedade, pois estamos deixando nosso cérebro em alerta como se situações de perigo estivessem acontecendo o tempo todo.

Quando ficamos tão ansiosos e apreensivos com o futuro, esquecemos de viver o presente. O curioso é que às vezes ficamos nos preocupando desnecessariamente, buscando ter uma certeza sobre o que acontecerá no futuro. Na verdade, nossa única certeza é justamente o momento presente, razão pela qual precisamos priorizá-lo.

Aceitar que a ansiedade faz parte da nossa vida já é um grande passo. Podemos pensar na ansiedade como aquela visita inesperada e desagradável que chega na nossa casa. Mesmo sentindo o desconforto, podemos concordar em receber as sensações de ansiedade. Assim, ao invés de lutar contra tais sensações, podemos aceitá-las. Na verdade, quanto mais resistirmos à ansiedade, mais estaremos prolongando e intensificando o sofrimento.

Da mesma forma como interpretamos algumas situações como ameaçadoras e avisamos nosso cérebro que estamos em perigo, também podemos informá-lo que estamos bem. Quando respiramos bem devagar e deixamos o ar sair lentamente, estamos nos acalmando e transmitindo ao nosso cérebro a mensagem de que não há perigo. No dia a dia, se tirarmos um tempinho para respirar calmamente, é bem provável que nos sintamos melhores.

Por sua vez, quando a ansiedade se torna muito intensa, há o risco dela se transformar em Transtornos de Ansiedade, os quais geram inúmeros prejuízos na nossa vida, dificultando nossos relacionamentos, nosso trabalho e nossas interações sociais. Dessa forma, a ansiedade passa a ser patológica, sendo necessário a busca por um profissional da saúde mental, como o psicólogo, a fim de que sejam realizados o diagnóstico e o tratamento adequados.

É importante percebermos que ansiedade faz parte de nós e que nós não somos a nossa ansiedade. Assim que a nossa ansiedade diminuir, não precisamos ficar com a expectativa de que nos livramos dela para sempre, pois ela é necessária para vivermos e continuarmos vivos. Que saibamos aceitar a ansiedade, estando mais conectados com o momento presente e procurar ajuda quando necessário.

* As informações contidas nesta publicação não substituem a avaliação de um profissional da área da saúde mental.

 


 

Sobre a autora:
Jéssica Limberger
Psicóloga – CRP 07/23126. Mestra em Psicologia Clínica. Doutoranda em Psicologia Clínica – UNISINOS
Telefone para contato: (54) 99912 2023
E-mail para contato: jessica.limberger.psi@gmail.com

 

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