TDAH e suas implicações no casamento

Por Viviane Zini em 16 de abril de 2018

 

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade é uma condição neurológica caracterizada por um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade. De causa genética, surge na infância e se estende por toda a vida. Todas as áreas da vida do indivíduo são afetadas: inicialmente a acadêmica – prejuízos no desempenho escolar e, posteriormente, no trabalho –
dificuldades em cumprir prazos, atrasos frequentes e falta de organização, e no casamento.

A atividade cerebral responsável pelo comportamento, autocontrole e organização está comprometida, gerando tais prejuízos. À saber:

➖ dificuldade em executar as tarefas diárias da casa, sobrecarregando a(o) companheira(o);
➖ dificuldade em lembrar de compromissos agendados e, quando lembram, raramente chegam no horário combinado;
➖ esquecem de pagar contas, e não conseguem executar um planejamento financeiro;
➖ grande dificuldade em aprender com os erros. Repetem o mesmo erro como se fosse a 1ª vez;
➖ podem ser hiperfocados no trabalho, destinando muito tempo a projetos que, muitas vezes, não serão concluídos. Destinam pouco tempo e envolvimento para a(o) companheira(o);
➖ apresentam comportamento impulsivo – tomam decisões precipitadas e impensadas, sem compartilhar com a(o) companheira(o);
➖ manifestam certa inconstância nas opiniões: pensam uma coisa, falam outra e executam uma terceira;
➖ manifestam comportamento hedonista. Se recusam a fazer aquilo que incomoda ou que é monótono e “mergulham” no que dá prazer. Sobra emoção e falta razão.

A “sintonia fina” e o amor que havia entre o casal no início do relacionamento, com o passar do tempo, passa a ser substituída por solidão e raiva. A comunicação do casal fica truncada, cada um fala um “idioma” e o diálogo passa a ser escasso. O cônjuge sobrecarregado é visto pelo outro como “o Sr. das reclamações”. Este, tem a sensação de ter que cuidar de um filho que não é seu ao invés de viver e de compartilhar projetos como um casal. Passa a viver um casamento sozinho, sem a participação do outro e, o cônjuge com TDAH tem a sensação de nunca corresponder às expectativas da sua companheira (o). Por serem dotados de uma “cegueira emocional”, não se veem responsáveis por tal situação achando sempre que o causador é somente o outro, que é visto como um eterno insatisfeito. O cônjuge com TDAH fica alheio às suas falhas mais recentes e confuso com o distanciamento que, pouco à pouco, toma conta do outro cônjuge. Tem dificuldade em reconhecer e compreender as necessidades da(o) companheira(o) e de perceber o momento da vida do casal, principalmente, com a chegada de um filho. A relação à dois torna-se então, um longo e estressante exercício de paciência com prazo de validade. O “campo de batalha” está instalado e, como resultado disso, alguns possíveis desfechos: o divórcio, recheado de mágoas, decepções e sensação de impotência de ambos; a manutenção de um casamento falido e sem amor ou, a busca de ajuda profissional para diagnosticar de forma precisa o cônjuge afetado pelo transtorno e definir um tratamento.

* As informações contidas nesta publicação não substituem a avaliação de um profissional da área da saúde mental.

 


 

Sobre a autora:
Viviane Zini – CRP 07/07068.
Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental pela WP Wainer.
Formação em Terapia do Esquema pela WP Wainer.
Atua como psicóloga clínica em Bento Gonçalves/RS.
Atendimento à crianças, adolescentes e adultos.
E-mail: vivizini68@gmail.com
Facebook: https://www.facebook.com/viviane.zini.9

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