Ações da Terapia Cognitiva no enfrentamento de sequelas emocionais da alienação parental

Por Fabrício Armani Idalêncio em 16 de abril de 2018

 

Muito fala-se na Síndrome de Alienação Parental (SAP). Entretanto, ainda existem muitas dúvidas a respeito deste assunto. Inicialmente, é importante trazer a definição: a Síndrome de Alienação Parental (na sigla em inglês, PAS), foi um termo designado por um psiquiatra americano, Richard Gardner, em 1985, para se referir ao ato do progenitor que detém a guarda do(a) filho(a), tentar incessantemente “treinar” a criança ou o adolescente para que o mesmo rompa os laços afetivos com o outro genitor, submetendo-os (as) às suas vontades.

O ponto mais paradoxal da SAP é que, justamente a família, independentemente de sua constituição, exerce um papel fundamental na formação do indivíduo. Contudo, porque então, ocorre a alienação parental? Podemos citar como exemplo a separação conjugal. Neste momento, o vínculo familiar é desfeito. Entretanto, quando um dos cônjuges têm dificuldade em aceitar essa perda e, principalmente, ao não deter a guarda do(s) filho(s), existe a possibilidade de, todas as formas, permanecer com a atenção integral deste, a partir da destruição de vínculos com o outro cônjuge, denegrindo, chantageando e treinando a criança ou o adolescente para desfazer o contato com o(a) ex companheiro(a).

A partir daí, as consequências sofridas pelas crianças e adolescentes, são inimagináveis: ansiedade, depressão, perda do rendimento escolar, agressividade, mudança repentina de humor e comportamento, entre outras sequelas emocionais. Principalmente nesse período do desenvolvimento de um ser humano, onde há a construção dos primeiros esquemas e crenças, eles podem levar para a vida adulta inúmeras maneiras disfuncionais de pensamento e de conduta, decorrentes de sentimentos de desvalia. Podemos citar, como por exemplo: “eu não mereço ser amado”; “as pessoas só querem me usar”; “não se pode confiar [nos homens ou nas mulheres]”; “as pessoas são perigosas”; “ninguém nunca vai conseguir me amar”; “sou indigno(a) de confiança”, entre tantos outros pensamentos dessa natureza, que podem corroborar com a sua maneira de agir na idade adulta, visto que as primeiras crenças e esquemas tendem a fazer com que se perpetuem na vida adulta, pois são colocadas como modelos de práticas de enfrentamento em determinadas situações, estabelecendo-se como um comportamento “protetor”, até o momento em que ocorre uma “falha”.

As ações da Terapia Cognitivo-Comportamental na alienação parental, se direciona para muito além da ação sobre os sintomas emocionais decorrentes e são similares ao tratamento do transtorno do estresse pós-traumático. Para tanto, inicialmente é necessário estabelecer um bom vínculo entre paciente e profissional. Cabe ao psicólogo trabalhar as questões vinculares do(a) filho(a) com os seus genitores ou responsáveis, sem desconsiderar a relação da criança ou do adolescente com ambos. Posteriormente, utiliza-se técnicas como psicoeducação, reestruturação cognitiva, técnicas de relaxamento e manejo da ansiedade, que tendem a serem efetivas nas ações e pela busca de bem estar à criança ou ao adolescente.

* As informações contidas nesta publicação não substituem a avaliação de um profissional da área da saúde mental.


Sobre o autor:
Fabrício Armani Idalêncio
Psicólogo, formado pela Ulbra (2006/2)
Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (Wainer Psicologia, 2011).
Formação em Terapia do Esquema (Wainer Psicologia, 2013).
Extensão em Capacitação em Violência Doméstica para Profissionais (Universidade Federal de Santa Catarina, 2016)
Email: fbrpsico@gmail.com

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