Autoestima e infância – um recado para os pais

Por Bruna Borges Vieira Dal Soto em 12 de abril de 2018

 

Autoestima é o apreço que se tem por si mesmo, a satisfação com aquilo que somos. A questão é: de onde ela vem? Esta é uma resposta complexa que envolve fatores biológicos, psicológicos e sociais. Porém, dentro dos aspectos psicológicos podemos enfatizar o que a psicologia cognitiva ensina – que aquilo que aprendemos e recordamos sobre os fatos são a base que usamos para dar significado aquilo que nos acontece, são as nossas crenças sobre nós mesmos, os outros e o futuro. Estas crenças são construídas na infância, aquilo que nos acontece vai moldando nossos esquemas mentais, e predirão a forma como iremos interpretar o mundo a nossa volta e a nós mesmos. Portanto, os adultos responsáveis pela criança tem um papel fundamental no estabelecimento destas crenças, podendo auxiliar para que estas sejam funcionais, o que será um preditor de saúde mental no futuro.

Dentre a complexidade que é cuidar de uma criança e contribuir para a formação de uma boa autoestima, alguns aspectos são fundamentais e destacarei um em especial: a visão dos pais sobre o filho. Ela irá interferir nos comportamos em relação a eles, seja por meio de atitudes ou de palavras, por isto sugiro reservar um tempo para pensar: como eu descrevo meu filho? É comum focarmos nos aspectos negativos, naquilo que não está indo bem. Porém, quando a criança é submetida sistematicamente a comentários negativos acerca de si própria irá internalizar estas ideias e estabelecer esta visão de si. Esses pensamentos irão interferir nos seus comportamentos, ou seja, se por exemplo a criança é chamada de terrível, seus comportamentos serão compatíveis com essa visão e cria-se aí um círculo vicioso.

Uma dica valiosa é que os pais possam conhecer seus filhos! Então, você que está lendo pode pensar que obviamente conhece seu filho e melhor que ninguém.
Concordo! Porém o convite é para que possam reservar um tempo diário para estar presente verdadeiramente com a criança e observá-la no contato, deixando os julgamentos de lado por instantes e conhecendo suas preferências, o dinamismo do seu crescimento e seus pontos fortes! Vinte minutos são suficientes, desde que você deixe seu smartphone, a tv, o computador de lado e esteja ali por inteiro. As crianças mudam rapidamente e muitas vezes a visão dos pais está cristalizada, então a ideia é observar a criança com olhares curiosos diariamente e, focar também nas potencialidades, naquilo que ela tem de bom. Feito isto, conte para a criança estas qualidades, elogie, incentive e, quando for necessário corrigir os comportamentos inadequados, faça isso com afeto, sem rotular ela como sendo alguém má, inadequada, inapta, frágil ou qualquer outro adjetivo que a faça com que acredite que não seja capaz de fazer diferente. Ofereça outras maneiras de agir diante da situação problema, diga a ela que você está ali para ajudá-la e que vocês juntos irão conseguir. Garanto que será uma maneira melhor de lidar com as dificuldades e que contribuirá para que ela tenha uma boa visão de si mesma, uma boa autoestima.

* As informações contidas nesta publicação não substituem a avaliação de um profissional da área da saúde mental.

 


 

Sobre a autora:
Bruna Borges Vieira Dal Soto
Psicóloga pela Ucpel, especialista em terapia cognitivo-comportamental pelo Cognitivo. Possui diversos cursos na área de infância e atendimento a adultos.
E-mail para contato: brunaborgesvieira@hotmail.com
Atuação em Pelotas/RS , atendendo crianças, adolescentes e adultos.

 

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