O que meu filho tem, é só tristeza?

Por Patrícia Godinho Poloni em 21 de fevereiro de 2018

 

Nos dias de hoje muitos pais acabam se deparando com esta pergunta com cada vez mais frequência. O que eu posso lhe responder? Observe com atenção os sinais que seu filho está dando pois pode ser mais que “apenas” tristeza!

A depressão, antes vista somente em adultos, hoje está mais presente na vida das crianças e dos adolescentes, e por isso os pais devem ficar atentos em cada mudança de comportamento de seu filho. Nos adultos o diagnóstico é mais fácil, pois eles conseguem perceber as mudanças, fazem queixas, e a família e os amigos percebem que algo não anda bem. No caso das crianças é muito mais difícil: os pequenos não conseguem ainda entender corretamente e expor o que sentem, não conseguem dar conta que estão em sofrimento e que podem receber ajuda. Geralmente os pais demoram a perceber que o que está acontecendo com os filhos é mais que uma “tristeza”, ou às vezes até confundem com mau comportamento, e a famosa “birra”.

A infância do século XXI trouxe para as nossas crianças situações e experiências frustrantes como: separação dos pais, morte de conhecidos, bullying na escola, abandono, abusos físicos ou psicológicos, mudanças bruscas e alterações no padrão de vida. Além disso, algumas crianças hoje são “mini adultos” e estão com a agenda lotada de compromissos – o que eleva o grau de estresse, dormem pouco, ficam fechadas em ambientes como apartamentos, usam aparelhos eletrônicos excessivamente – diminuindo o contato social, e convivem menos com seus pais. O fator genético também exerce importante influência nos casos de depressão infantil. Cientificamente foi comprovado que quando há casos de depressão na família as chances de a criança também desenvolver depressão aumentam consideravelmente.

A depressão infantil apresenta características diferentes da depressão nos adultos. A criança apresenta irritabilidade, agitação, explosões de raiva e agressividade, tristeza frequente, sensação de culpa e de melancolia, ansiedade, alterações no sono, falta ou excesso de apetite, medo anormal, comportamento introspectivo que não era presente antes, isolamento e falta de contato com os pais, pouca ou nenhuma vontade em querer brincar e sair, falta de ânimo para ir à escola e/ou realizar atividades que costumava gostar.

A minha dica fundamental para você que percebeu alguns destes sinais no seu filho é que se procure um profissional especializado, pois erros ou a demora de diagnóstico e de tratamento podem mascarar os sintomas ou intensificar o quadro. É muito importante que a família preste atenção no comportamento das suas crianças, pois somente assim um quadro de depressão infantil pode ser diagnosticado e tratado efetivamente. As crianças, assim como os adultos, podem ficar tristes, não ter vontade de fazer as suas atividades, ou ficar mal-humoradas, mas é preciso que os pais observem a duração destes sentimentos. Uma família unida, que brinca junto e enfrenta junto as adversidades é o que a criança precisa neste momento.

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