A verdade sobre o Coaching

Por Andrea Rapoport em 13 de fevereiro de 2018

 

Como psicóloga e coach estava ávida para trazer alguns esclarecimentos sobre a forma como tem sido deturpada a atuação do coach (profissional que trabalha com coaching) na novela “O Outro Lado do Paraíso” da Rede Globo. A emissora apresenta esta questão com interesse comercial, ao divulgar o nome de uma instituição, mencionada por eles, como a melhor do Brasil na Formação em coaching.

Confesso que quando o coaching foi abordado pela primeira vez fiquei muito feliz, pois achei que seria uma oportunidade de divulgar esta técnica que ainda é pouco conhecida no Brasil. Ou, quando conhecida, devido a maus profissionais, acaba parecendo autoajuda ou charlatanismo.

Entretanto, para minha surpresa, a Globo consegue reforçar esta crença, desqualificando o coaching e a psicologia. Adriana, uma advogada, refere ter feito um curso do coach e explica que é um método onde se estabelece uma relação com o cliente em função de um objetivo e que existem algumas técnicas para descobrir dados, motivações. Até aqui a explicação não está tão equivocada, apesar de passar uma ideia de que o coaching é uma metodologia para descobrir coisas que a pessoa não quer dizer, já que ela usa no escritório de advocacia para descobrir informações que os clientes estão omitindo. Além disso, jamais se fala em cura e muito menos em uso da hipnose conforme é colocado na novela. Uma resolução do Conselho Federal de Psicologia de dezembro de 2000 restringe a psicólogos capacitados a prática da hipnose: “Art. 2º – O psicólogo poderá recorrer a Hipnose, dentro do seu campo de atuação, desde que possa comprovar capacitação adequada, de acordo com o disposto na alínea ‘a’ do artigo 1º do Código de Ética Profissional do Psicólogo”.

A formação em coaching não requer graduação em psicologia ou em qualquer outro curso superior. Dessa forma, fica evidente que, embora muitos profissionais sejam bastante qualificados para atuação com questões pertinentes ao coaching, não o são para atender pessoas com sofrimento psíquico ou alguma psicopatologia. Nestes casos, o correto é encaminhar para profissionais da psicologia ou psiquiatria, com formação para tratarem com embasamento científico as questões relativas à saúde mental.

Entretanto, se o profissional for psicólogo e coach, não existe impedimento. O coaching utiliza várias técnicas da terapia Cognitivo-Comportamental, da psicologia positiva e, mesmo aquelas oriundas do próprio coaching, que são cientificamente comprovadas, serão usadas por um profissional habilitado para tratar questões emocionais. Como terapeuta Cognitivo-Comportamental e coach percebo benefícios do uso de algumas ferramentas do coaching no processo terapêutico por tornarem mais claras e objetivas algumas questões que estão sendo trabalhadas. Da mesma forma, os conhecimentos da Psicologia colaboram para o processo de coaching.

O importante é saber que o paciente ou cliente deve estar em primeiro lugar, ser respeitado em sua demanda e receber um atendimento de qualidade, embasado na ética profissional. Ou seja, um profissional não pode atuar numa área para a qual não está preparado e nem autorizado. Espero que esta polêmica tenha o efeito contrário ao que imaginamos, que ao invés de desqualificar as áreas, a população comece a pesquisar qual é a formação e qualificação dos profissionais que procuram.

Para finalizar, cabe esclarecer o que é o coaching. De forma resumida, é um processo breve, com número pré-estabelecido de sessões, geralmente variando entre 10 a 12. Atende pessoas que buscam aumento de resultados pessoais e performance, autoconhecimento, definição de um propósito de vida, desenvolvimento na área pessoal e profissional, alcance de metas, desenvolvimento de novas habilidades e competências, melhora na qualidade de vida, transição de área ou de carreira, tomada de decisões que precisam ser bem elaboradas e planejadas devido ao seu impacto, etc.

Focado em soluções e busca de resultados, parte-se do presente (estado atual) em direção ao futuro (onde quer chegar). Nesse sentido, estabelece-se um plano de ação e estratégias para colocá-lo em prática, usando-se as forças pessoais como impulsionadoras. Além da ênfase na identificação de forças pessoais, também são considerados os valores (o que é realmente importante para a pessoa), a definição de uma missão (razão de ser) e visão (o que quer alcançar).

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