Seria eu um impostor?

Por Everton Poubel Santana em 14 de fevereiro de 2018

 

Algumas pessoas possuem essa impressão, essa ideia de que, por mais conquistas que elas consigam, por mais bem-sucedidas que se tornem, em um determinado momento as outras pessoas saberão: aqui se apresenta uma fraude! E por mais esforço que se faça a sensação não vai embora, passam dias, meses e anos e aquele estado permanece o mesmo. Na psicologia essa forma de pensar e sentir é conhecida como síndrome do impostor.

Acometendo mais as mulheres que os homens, essa síndrome tem sido bastante estudada nos EUA, revelando que diversos profissionais bem-sucedidos acreditam que suas conquistas, pessoais ou profissionais, foram frutos de sorte, acaso ou fatores externos (apesar das provas contrárias). A pessoa passa a acreditar tanto que é incompetente que começa a usar mecanismos de auto sabotagem, muitas vezes dando uma atenção exagerada aos detalhes no trabalho, estudo e/ou vida pessoal; ou ainda não usando toda a sua capacidade por medo de falhar.

Esses mecanismos de auto sabotagem já são velhos conhecidos na Terapia Focada no Esquema. Nessa modalidade de psicoterapia esses comportamentos são tidos como formas de enfrentamento disfuncionais que respondem a estruturas mentais chamadas de esquemas (sendo esses adaptativos ou desadaptativos). Os esquemas desadaptativos surgem na infância por conta de necessidades infantis que não foram satisfatoriamente correspondidas. No caso da síndrome do impostor, possivelmente, as necessidades infantis de independência, competência e de incentivo a espontaneidade foram prejudicados, criando esquemas rígidos quanto a própria capacidade do indivíduo.

E agora? Sendo esses esquemas bastante rígidos e de difícil mudança, será que a pessoa com a síndrome do impostor não poderá abandonar esses pensamentos e comportamentos desadaptativos? Não criemos pânico! Como escrito anteriormente, existe a Terapia Focada no Esquema. A partir do uso desse tipo de psicoterapia, o terapeuta busca “curar” os esquemas desadaptativos utilizando-se de técnicas cognitivas, comportamentais e vivenciais. No trabalho com esquemas se destaca o foco na origem destes para que seja possível o terapeuta e cliente acessarem e mudarem a forma como a pessoa interpreta cada esquema. O psicólogo busca, na relação com o cliente, fornecer o antídoto que ele precisa para as necessidades infantis que não foram atendidas. No caso da síndrome do impostor, é possível o terapeuta fornecer um ambiente de independência, estimulando a espontaneidade e auxiliando o cliente ao sucesso e reconhecimento de suas capacidades, ao mesmo tempo que se combate padrões comportamentais de auto sabotagem.

Dessa forma, se você leitor se identifica com os padrões aqui explicados sobre a síndrome do impostor, a Terapia Focada nos Esquemas se mostra como um caminho interessante para você começar a abandonar essa forma de autoconceito de incapacidade que se apresenta na sua vida. Cada pessoa tem uma capacidade infinita para o sucesso, claro que atribuída a muito trabalho duro e, principalmente, autoconfiança. Não viva a sombra daquilo que você poderia ser, viva o potencial que você esconde em si!

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