Nossas dores têm algo a dizer, vamos começar a escutar?

Por Patrícia Godinho Poloni em 7 de fevereiro de 2018

 

Dor na cabeça, nas costas, no estômago, na garganta. Você certamente já sentiu algumas destas dores em algum momento de sua vida, não é?

Em alguns momentos de nossa vida, não conseguimos encontrar as palavras para expressar a angústia ou desconforto psicológico que sentimos, e nesta situação o corpo encontra uma maneira de “ser ouvido”: são basicamente assim que as dores chamadas psicossomáticas começam. Algumas vezes, não encontramos as palavras certas para nos expressarmos pois não sabemos nomear exatamente o que sentimos, ou o motivo vai além: preferimos não “mexer” em certos assuntos.

Devemos ter em mente que para sermos indivíduos saudáveis e termos uma vida mais plena, precisamos sempre buscar o equilíbrio entre mente e corpo. Quando existe alguma espécie de desarmonia emocional, é muito comum que o nosso corpo seja afetado, da mesma forma que, quando não existe harmonia no organismo, o psiquismo pode ser prejudicado.

As dores psicossomáticas (psico = mente, soma = corpo) geralmente são abordadas de maneira estritamente orgânica, olhando somente com o viés físico, entendendo e trabalhando com o corpo humano e manipulando-o com intervenções corporais. A psicologia percebe as dores psicossomáticas com a intenção de ouvir o sujeito em sofrimento, entendo-o como um ser com linguagem, desejos, subjetividade. É através destas dores que o sujeito busca trazer para a sua percepção o seu sofrimento, e é pela fala que ele consegue esclarecer as questões que estão lhe trazendo angústia.

Pensamos de forma prática: quem sofre com dores de cabeça de forma intensa e frequente, diariamente tentando diminuir os sintomas, não tem melhor chance de aumento de qualidade de vida se tratar a origem de seus sintomas?

Acumular sentimentos e pensamentos negativos, situações não resolvidas, palavras não ditas e experiências não ressignificadas geram mais do que estresse, ansiedade e depressão. O estado mental de todos nós tem muita influência em nossa saúde física. Estes sentimentos e pensamentos negativos que são acumulados dentro de nós acaba resultando na somatização: nós transferimos para o corpo aquilo que está machucando a nossa mente.

O ser humano tem necessidade de ser ouvido, de receber afeto e empatia, e quando alguma destas necessidades não está sendo preenchida, o corpo fala através das dores.

É importante deixar bem claro: o paciente que apresenta um quadro característico da psicossomática deve ser observado e cuidado de forma integral. Os sintomas físicos devem ser cuidados sim com o auxílio da medicina, e os sintomas psíquicos devem ser trabalhados com a ajuda de um profissional da Psicologia.

Finalizo este texto com palavras que você leitor já deve ter ouvido ao menos uma vez, e que, é uma frase já conhecida porque transmite a realidade de muitas pessoas: “Quando a boca cala, o corpo fala!”.

E você, está sabendo ouvir o seu corpo?

Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone