MONTANHA-RUSSA DE EMOÇÕES

Por Daniele Port em 10 de janeiro de 2018

 

Hoje pela manhã eu acordei, arrumei minha cama, lavei meu rosto e tive dificuldades para me arrumar (“Meu Deus! Nada fica legal em mim! Eu engordei… essa camiseta não está legal porque não tenho muito seio… eu poderia ser um pouco mais alta, daí essa calça ficaria bonita…”), desanimada coloquei qualquer coisa e já no café da manhã o dia não começou muito bem, derramei café na toalha limpa, (“URGH! Não toma jeito mesmo, destrambelhado(a)”). Vou para o trabalho, recebo um eventual elogio do patrão por alguma atividade, e mais uma tonelada de coisas para fazer, pra ontem (“Aff! Humpf”). Hora do almoço (“Até que enfim, tenho uns minutinhos pra relaxar! … Oba, hoje tem torta de chocolate de sobremesa”). Mas já está na hora de ir de novo (“Não acredito!”). Novamente trabalho, e trabalho, e mais reuniões, e coisas para fazer, e pessoas para aturar, sem falar nas fofocas (“Jesus! Quanto estresse!”). Opa, lá vem o patrão de cara amarrada (Viish, lá vem bronca pra nós), por fim acabei discutindo com o patrão, quase fui demitida. Retorno pra casa e, depois de limpar e organizar um pouco a casa, tomar banho e jantar, posso fazer alguma coisa de que gosto (“Até que enfim, ufa!”), mas não, já está tarde e estou bastante esgotada (“Caramba, que dia cheio”), acho que vou dormir pois amanhã cedo começa tudo de novo, embarco em uma nova montanha-russa (“Fico imaginando o que me espera amanhã!”), boa noite.

Este ciclo diário de alegrias, tristezas, decepções, frustrações, etc., é o que muitas pessoas vivem constantemente. Você notou o quanto é complicado viver neste turbilhão de emoções fortes? Acrescente a essa receita, ainda, um nível de alta intensidade, de maneira contínua, algumas predisposições e pronto, temos então alguém que, após algumas semanas de exposição a essa rotina emocional intensa estará esgotado emocionalmente e psicologicamente vulnerável (em sofrimento), o que pode predizer a aproximação de alguma psicopatologia. Na verdade, todos nós experimentamos várias emoções diariamente, o que difere é a intensidade com que cada um vive cada uma das emoções.

Como saber, portanto, se o que estou vivenciando é ou não psicopatologia? Bom, pessoas que emocionalmente não estão saudáveis acabam tendo prejuízo em diversas áreas de sua vida (profissional, familiar, social…), como, por exemplo, dificuldade para se relacionar, irritação constante e algumas vezes em excesso, e tudo a deixa pra baixo… Em resumo, seu traço característico é o excesso e está relacionado a situações estressantes que modificam sua forma de ver e viver a vida.

Mas fique tranquilo(a), para auxiliar é recomendado o tratamento farmacológico em combinação com o psicológico, buscando a melhora da qualidade de vida e o desenvolvimento de recursos internos para lidar com o(s) problema(s). Não pense que é fácil viver com instabilidade emocional, pois não é. Enfrentar esse tipo de problema é uma luta onde somente quem é um guerreiro pode enfrentar.

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