A depressão no idoso

Por Rodrigo Ruis Martins em 7 de dezembro de 2017

 

No Brasil, de acordo com o Estatuto do Idoso, considera-se idoso todo aquele que tiver idade igual ou superior a 60 anos. De acordo com estimativas feitas pelo IBGE, tomando como base o censo de 2010, a população idosa (acima dos 60 anos) deve passar dos atuais 14,9 milhões (7,4% da população), em 2013 , para 58,4 milhões ( 26,7% da população) em 2060. Fácil perceber que em muito pouco tempo, ter mais de 60 anos passa de algo esporádico, difícil de acontecer como era há décadas atrás, para algo muito comum e, porque não, desejado. Afinal, envelhecer é uma dádiva negada a muitos.

Mesmo sendo uma dádiva, é algo que implica em diversas mudanças, não só físicas, mas também sociais, emocionais… Envelhecer é algo que pode ser muito complicado se não tomarmos os devidos cuidados. O surgimento de patologias típicas do envelhecer, aposentadoria, saída dos filhos, diminuição da renda, perda do papel social, perda do companheiro, perda de amigos…Tantas coisas acontecendo em tão pouco tempo podem servir de gatilho para o surgimento de patologias emocionais, como a depressão.

A depressão é o transtorno psiquiátrico mais comum na população idosa, com porcentagens que podem alcançar 20% da população brasileira acima dos 60 anos. Algumas coisas devem ser lembradas quando se fala em depressão, e a principal de todas é que depressão é doença. Sim, uma doença emocional e comportamental, mas uma doença, devendo ser bem enfático nisso, pois não é “frescura, bobeira, falta do que fazer”, nem nada do tipo. E como doença, deve ser olhada como tal, tendo que ser acompanhada e tratada por profissionais psiquiatras e psicólogos qualificados.

Com isso bem claro, outro ponto a ser lembrado é que, ao contrário do linguajar popular, estar “triste, desanimado” não é estar deprimido. Para ser considerado um quadro depressivo, tem que apresentar uma profunda tristeza, que seja contínua por um período prolongado. Manifesta-se com alterações do ciclo do sono (ou dorme muito, ou quase não dorme), no apetite (ou perde o apetite ou passa a comer demasiadamente), e apatia (falta de vontade de fazer atividades do dia a dia, ou mesmo as mais prazerosas) também são sinais de que algo não está indo bem.

Outra característica da depressão, quase sempre ignorada completamente, é a irritabilidade. O indivíduo parece ficar sem paciência com facilidade, tornando-se rude com pessoas próximas. Infelizmente quando se trata de depressão, além dos mitos e dificuldades comuns a própria doença, também devemos enfrentar barreiras sociais, que muitas vezes consideram “normal” tais alterações de humor intensas em idosos. Como se envelhecer sempre significasse tornar-se triste, melancólico e apático. Considera-se também a barreira que o próprio indivíduo tem quanto a intervenções psicológicas, com o argumento de que “gente velha é assim mesmo” e o tão famigerado “gente velha não muda não…”. Não existe idade para cuidar da nossa saúde emocional e comportamental, nem barreiras para isso, sendo indiferente a sua idade.

Sobre o autor:

Rodrigo Ruis Martins, CRP 06/107.982

– Psicólogo Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental pelo Instituto Neurológico de São Paulo
– Hospital Beneficência Portuguesa (INESP) e mestrando em Psicogerontologia pela Faculdade Educatie Hoog.
– Atende adultos e idosos em Mogi das Cruzes/SP e São Paulo/SP há 6 anos.
– E-mail: psicologiarodrigo@outlook.com
– Facebook: facebook.com/psicologorodrigomartins

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