Arquivo de fevereiro de 2018

Comportamento Suicida

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

 

Suicídio é o ato intencional de tirar a própria vida. Trata-se de um termo que deriva de dois vocábulos: sui (“de si mesmo”) e cidium (“matar”). É causado, geralmente, por um transtorno mental que pode incluir depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia, alcoolismo, abuso de drogas, entre outros. Além disso, alguns fatores como, por exemplo: dificuldades financeiras, traumas e estresse social também contribuem para o ato.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), ocorrem cerca de 800 mil mortes por suicídio no mundo anualmente. No Brasil, este número é estimado em 12 mil pessoas. Em crianças, situações familiares conflituosas são as causas mais frequentes de suicídio. Em adolescentes, baixa autoestima, bullying e comportamentos de autodestruição são comuns. No que diz respeito aos idosos, a depressão ocasionada pelas limitações na terceira idade (perda de autonomia e doenças) e a perda do cônjuge estão entre as principais causas.

Há diversos mitos a respeito do comportamento suicida. Muitas pessoas acreditam que quem ameaça cometer suicídio quer só chamar a atenção. Esta afirmação é falsa. Todas as ameaças devem ser consideradas, pois podem ser concretizadas. Falar sobre o tema induz a pessoa ao ato? Perguntar não causa comportamento suicida. Na verdade, reconhecer que o estado emocional do indivíduo é real e tentar normalizar a situação induzida pelo estresse são maneiras de reduzir a ideação suicida.

A melhor forma de prevenção é a busca por ajuda. Muitas vezes, porém, uma pessoa com pensamento suicida não encontra apoio e, sim, preconceito. Recebe muitas críticas e acusações, o que agrava ainda mais a sua intenção autodestrutiva. Por isso, precisamos vencer este tabu e trazer informações para a população. Com esta intenção, surgiu o setembro amarelo. Anualmente, no mês de setembro, há uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio, com o objetivo direto de alertar a população a respeito da realidade do suicídio no Brasil e no mundo. Ocorre em locais públicos e particulares e destaca-se pela cor amarela. Se você está passando por esta situação ou conhece alguém que esteja em sofrimento, busque ajuda de um profissional!

Texto escrito por Graciela Gonçalves Bakowicz, psicóloga em São Gabriel/RS.

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O que meu filho tem, é só tristeza?

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

 

Nos dias de hoje muitos pais acabam se deparando com esta pergunta com cada vez mais frequência. O que eu posso lhe responder? Observe com atenção os sinais que seu filho está dando pois pode ser mais que “apenas” tristeza!

A depressão, antes vista somente em adultos, hoje está mais presente na vida das crianças e dos adolescentes, e por isso os pais devem ficar atentos em cada mudança de comportamento de seu filho. Nos adultos o diagnóstico é mais fácil, pois eles conseguem perceber as mudanças, fazem queixas, e a família e os amigos percebem que algo não anda bem. No caso das crianças é muito mais difícil: os pequenos não conseguem ainda entender corretamente e expor o que sentem, não conseguem dar conta que estão em sofrimento e que podem receber ajuda. Geralmente os pais demoram a perceber que o que está acontecendo com os filhos é mais que uma “tristeza”, ou às vezes até confundem com mau comportamento, e a famosa “birra”.

A infância do século XXI trouxe para as nossas crianças situações e experiências frustrantes como: separação dos pais, morte de conhecidos, bullying na escola, abandono, abusos físicos ou psicológicos, mudanças bruscas e alterações no padrão de vida. Além disso, algumas crianças hoje são “mini adultos” e estão com a agenda lotada de compromissos – o que eleva o grau de estresse, dormem pouco, ficam fechadas em ambientes como apartamentos, usam aparelhos eletrônicos excessivamente – diminuindo o contato social, e convivem menos com seus pais. O fator genético também exerce importante influência nos casos de depressão infantil. Cientificamente foi comprovado que quando há casos de depressão na família as chances de a criança também desenvolver depressão aumentam consideravelmente.

A depressão infantil apresenta características diferentes da depressão nos adultos. A criança apresenta irritabilidade, agitação, explosões de raiva e agressividade, tristeza frequente, sensação de culpa e de melancolia, ansiedade, alterações no sono, falta ou excesso de apetite, medo anormal, comportamento introspectivo que não era presente antes, isolamento e falta de contato com os pais, pouca ou nenhuma vontade em querer brincar e sair, falta de ânimo para ir à escola e/ou realizar atividades que costumava gostar.

A minha dica fundamental para você que percebeu alguns destes sinais no seu filho é que se procure um profissional especializado, pois erros ou a demora de diagnóstico e de tratamento podem mascarar os sintomas ou intensificar o quadro. É muito importante que a família preste atenção no comportamento das suas crianças, pois somente assim um quadro de depressão infantil pode ser diagnosticado e tratado efetivamente. As crianças, assim como os adultos, podem ficar tristes, não ter vontade de fazer as suas atividades, ou ficar mal-humoradas, mas é preciso que os pais observem a duração destes sentimentos. Uma família unida, que brinca junto e enfrenta junto as adversidades é o que a criança precisa neste momento.

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Como são as lentes que você está usando?

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

 

Todos os dias somos bombardeados com uma quantidade imensa de informações, sensações, experiências e desafios. Não conseguimos percebê-las da mesma forma nem com a mesma intensidade, mas você já parou para avaliar a quantidade de coisas negativas e positivas com as quais você se depara no dia a dia?

De início parece um pouco difícil fazer a conta, pois de uma maneira geral as coisas positivas acabam passando batidas em relação às negativas. Mas isso não significa necessariamente que a vida seja feita de muito mais coisas ruins do que coisas boas: pode significar que nós estamos treinados para identificar muito mais rápido o que é negativo em detrimento do que é positivo – e isso não é de todo mal! Na verdade, para sobrevivermos, precisamos conseguir identificar as ameaças que nos cercam. O desequilíbrio e os problemas começam quando passamos a enxergar só um lado da moeda. Não conseguirmos mais desvincular nossos pensamentos do conteúdo negativo do que vivenciamos e daquilo que nos cerca pode ser sinal de alerta para buscarmos ajuda.

A vida é colorida e plural. Tem dias em que faz sol, dias de chuva, noites deliciosas de verão e manhãs geladas de inverno. Não estaremos sempre felizes, alegres e radiantes, tampouco o contrário. Conseguir perceber essa diversidade nos ajuda a manejar os desafios que nos são impostos todos os dias de maneira equilibrada e resiliente.

Se você sente dificuldade para tirar as lentes negativas que filtram a sua percepção ou olhar um pouquinho para o outro lado, procure auxílio junto a profissionais qualificados. Cuidar-se é o maior investimento que você pode fazer.

 

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Seria eu um impostor?

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

 

Algumas pessoas possuem essa impressão, essa ideia de que, por mais conquistas que elas consigam, por mais bem-sucedidas que se tornem, em um determinado momento as outras pessoas saberão: aqui se apresenta uma fraude! E por mais esforço que se faça a sensação não vai embora, passam dias, meses e anos e aquele estado permanece o mesmo. Na psicologia essa forma de pensar e sentir é conhecida como síndrome do impostor.

Acometendo mais as mulheres que os homens, essa síndrome tem sido bastante estudada nos EUA, revelando que diversos profissionais bem-sucedidos acreditam que suas conquistas, pessoais ou profissionais, foram frutos de sorte, acaso ou fatores externos (apesar das provas contrárias). A pessoa passa a acreditar tanto que é incompetente que começa a usar mecanismos de auto sabotagem, muitas vezes dando uma atenção exagerada aos detalhes no trabalho, estudo e/ou vida pessoal; ou ainda não usando toda a sua capacidade por medo de falhar.

Esses mecanismos de auto sabotagem já são velhos conhecidos na Terapia Focada no Esquema. Nessa modalidade de psicoterapia esses comportamentos são tidos como formas de enfrentamento disfuncionais que respondem a estruturas mentais chamadas de esquemas (sendo esses adaptativos ou desadaptativos). Os esquemas desadaptativos surgem na infância por conta de necessidades infantis que não foram satisfatoriamente correspondidas. No caso da síndrome do impostor, possivelmente, as necessidades infantis de independência, competência e de incentivo a espontaneidade foram prejudicados, criando esquemas rígidos quanto a própria capacidade do indivíduo.

E agora? Sendo esses esquemas bastante rígidos e de difícil mudança, será que a pessoa com a síndrome do impostor não poderá abandonar esses pensamentos e comportamentos desadaptativos? Não criemos pânico! Como escrito anteriormente, existe a Terapia Focada no Esquema. A partir do uso desse tipo de psicoterapia, o terapeuta busca “curar” os esquemas desadaptativos utilizando-se de técnicas cognitivas, comportamentais e vivenciais. No trabalho com esquemas se destaca o foco na origem destes para que seja possível o terapeuta e cliente acessarem e mudarem a forma como a pessoa interpreta cada esquema. O psicólogo busca, na relação com o cliente, fornecer o antídoto que ele precisa para as necessidades infantis que não foram atendidas. No caso da síndrome do impostor, é possível o terapeuta fornecer um ambiente de independência, estimulando a espontaneidade e auxiliando o cliente ao sucesso e reconhecimento de suas capacidades, ao mesmo tempo que se combate padrões comportamentais de auto sabotagem.

Dessa forma, se você leitor se identifica com os padrões aqui explicados sobre a síndrome do impostor, a Terapia Focada nos Esquemas se mostra como um caminho interessante para você começar a abandonar essa forma de autoconceito de incapacidade que se apresenta na sua vida. Cada pessoa tem uma capacidade infinita para o sucesso, claro que atribuída a muito trabalho duro e, principalmente, autoconfiança. Não viva a sombra daquilo que você poderia ser, viva o potencial que você esconde em si!

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A verdade sobre o Coaching

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

 

Como psicóloga e coach estava ávida para trazer alguns esclarecimentos sobre a forma como tem sido deturpada a atuação do coach (profissional que trabalha com coaching) na novela “O Outro Lado do Paraíso” da Rede Globo. A emissora apresenta esta questão com interesse comercial, ao divulgar o nome de uma instituição, mencionada por eles, como a melhor do Brasil na Formação em coaching.

Confesso que quando o coaching foi abordado pela primeira vez fiquei muito feliz, pois achei que seria uma oportunidade de divulgar esta técnica que ainda é pouco conhecida no Brasil. Ou, quando conhecida, devido a maus profissionais, acaba parecendo autoajuda ou charlatanismo.

Entretanto, para minha surpresa, a Globo consegue reforçar esta crença, desqualificando o coaching e a psicologia. Adriana, uma advogada, refere ter feito um curso do coach e explica que é um método onde se estabelece uma relação com o cliente em função de um objetivo e que existem algumas técnicas para descobrir dados, motivações. Até aqui a explicação não está tão equivocada, apesar de passar uma ideia de que o coaching é uma metodologia para descobrir coisas que a pessoa não quer dizer, já que ela usa no escritório de advocacia para descobrir informações que os clientes estão omitindo. Além disso, jamais se fala em cura e muito menos em uso da hipnose conforme é colocado na novela. Uma resolução do Conselho Federal de Psicologia de dezembro de 2000 restringe a psicólogos capacitados a prática da hipnose: “Art. 2º – O psicólogo poderá recorrer a Hipnose, dentro do seu campo de atuação, desde que possa comprovar capacitação adequada, de acordo com o disposto na alínea ‘a’ do artigo 1º do Código de Ética Profissional do Psicólogo”.

A formação em coaching não requer graduação em psicologia ou em qualquer outro curso superior. Dessa forma, fica evidente que, embora muitos profissionais sejam bastante qualificados para atuação com questões pertinentes ao coaching, não o são para atender pessoas com sofrimento psíquico ou alguma psicopatologia. Nestes casos, o correto é encaminhar para profissionais da psicologia ou psiquiatria, com formação para tratarem com embasamento científico as questões relativas à saúde mental.

Entretanto, se o profissional for psicólogo e coach, não existe impedimento. O coaching utiliza várias técnicas da terapia Cognitivo-Comportamental, da psicologia positiva e, mesmo aquelas oriundas do próprio coaching, que são cientificamente comprovadas, serão usadas por um profissional habilitado para tratar questões emocionais. Como terapeuta Cognitivo-Comportamental e coach percebo benefícios do uso de algumas ferramentas do coaching no processo terapêutico por tornarem mais claras e objetivas algumas questões que estão sendo trabalhadas. Da mesma forma, os conhecimentos da Psicologia colaboram para o processo de coaching.

O importante é saber que o paciente ou cliente deve estar em primeiro lugar, ser respeitado em sua demanda e receber um atendimento de qualidade, embasado na ética profissional. Ou seja, um profissional não pode atuar numa área para a qual não está preparado e nem autorizado. Espero que esta polêmica tenha o efeito contrário ao que imaginamos, que ao invés de desqualificar as áreas, a população comece a pesquisar qual é a formação e qualificação dos profissionais que procuram.

Para finalizar, cabe esclarecer o que é o coaching. De forma resumida, é um processo breve, com número pré-estabelecido de sessões, geralmente variando entre 10 a 12. Atende pessoas que buscam aumento de resultados pessoais e performance, autoconhecimento, definição de um propósito de vida, desenvolvimento na área pessoal e profissional, alcance de metas, desenvolvimento de novas habilidades e competências, melhora na qualidade de vida, transição de área ou de carreira, tomada de decisões que precisam ser bem elaboradas e planejadas devido ao seu impacto, etc.

Focado em soluções e busca de resultados, parte-se do presente (estado atual) em direção ao futuro (onde quer chegar). Nesse sentido, estabelece-se um plano de ação e estratégias para colocá-lo em prática, usando-se as forças pessoais como impulsionadoras. Além da ênfase na identificação de forças pessoais, também são considerados os valores (o que é realmente importante para a pessoa), a definição de uma missão (razão de ser) e visão (o que quer alcançar).

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Nossas dores têm algo a dizer, vamos começar a escutar?

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

 

Dor na cabeça, nas costas, no estômago, na garganta. Você certamente já sentiu algumas destas dores em algum momento de sua vida, não é?

Em alguns momentos de nossa vida, não conseguimos encontrar as palavras para expressar a angústia ou desconforto psicológico que sentimos, e nesta situação o corpo encontra uma maneira de “ser ouvido”: são basicamente assim que as dores chamadas psicossomáticas começam. Algumas vezes, não encontramos as palavras certas para nos expressarmos pois não sabemos nomear exatamente o que sentimos, ou o motivo vai além: preferimos não “mexer” em certos assuntos.

Devemos ter em mente que para sermos indivíduos saudáveis e termos uma vida mais plena, precisamos sempre buscar o equilíbrio entre mente e corpo. Quando existe alguma espécie de desarmonia emocional, é muito comum que o nosso corpo seja afetado, da mesma forma que, quando não existe harmonia no organismo, o psiquismo pode ser prejudicado.

As dores psicossomáticas (psico = mente, soma = corpo) geralmente são abordadas de maneira estritamente orgânica, olhando somente com o viés físico, entendendo e trabalhando com o corpo humano e manipulando-o com intervenções corporais. A psicologia percebe as dores psicossomáticas com a intenção de ouvir o sujeito em sofrimento, entendo-o como um ser com linguagem, desejos, subjetividade. É através destas dores que o sujeito busca trazer para a sua percepção o seu sofrimento, e é pela fala que ele consegue esclarecer as questões que estão lhe trazendo angústia.

Pensamos de forma prática: quem sofre com dores de cabeça de forma intensa e frequente, diariamente tentando diminuir os sintomas, não tem melhor chance de aumento de qualidade de vida se tratar a origem de seus sintomas?

Acumular sentimentos e pensamentos negativos, situações não resolvidas, palavras não ditas e experiências não ressignificadas geram mais do que estresse, ansiedade e depressão. O estado mental de todos nós tem muita influência em nossa saúde física. Estes sentimentos e pensamentos negativos que são acumulados dentro de nós acaba resultando na somatização: nós transferimos para o corpo aquilo que está machucando a nossa mente.

O ser humano tem necessidade de ser ouvido, de receber afeto e empatia, e quando alguma destas necessidades não está sendo preenchida, o corpo fala através das dores.

É importante deixar bem claro: o paciente que apresenta um quadro característico da psicossomática deve ser observado e cuidado de forma integral. Os sintomas físicos devem ser cuidados sim com o auxílio da medicina, e os sintomas psíquicos devem ser trabalhados com a ajuda de um profissional da Psicologia.

Finalizo este texto com palavras que você leitor já deve ter ouvido ao menos uma vez, e que, é uma frase já conhecida porque transmite a realidade de muitas pessoas: “Quando a boca cala, o corpo fala!”.

E você, está sabendo ouvir o seu corpo?

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