Arquivo de dezembro de 2017

Quero colo, carinho, abraço e beijo, sim!

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

 

Este texto é voltado principalmente para os pais e cuidadores, onde proponho a reflexão sobre a minha seguinte afirmação: é importante criarmos nossas crianças com infinitas demonstrações de carinho.

Quando as crianças crescem sendo embaladas no colo na primeira infância elas tornam-se adultos mais empáticos, saudáveis, produtivos e gentis. Além destas características citadas, estes adultos são consideravelmente menos deprimidos que aqueles que não foram ninados quando bebês.
Em minha experiência profissional já ouvi em demasia que “colo demais deixa as crianças mimadas”, e que “é melhor deixar chorar”. Pois este texto vem dizer o contrário: é impossível “estragar” os pequenos com colo, carinho, AFETO! Segundo pesquisas científicas, o afeto interfere em como os cérebros dos bebês se desenvolvem, e é importante manter estas vivências afetivas por todo o período da infância. Durante a infância os sistemas cognitivos estão se estabelecendo e em constante evolução, sendo assim, se estes pequenos são criados com afeto e segurança, o funcionamento psíquico se desenvolve de uma maneira saudável. Caso estes bebês cresçam chorando muito e não sendo acalmados pelos cuidadores, os sistemas mentais serão desenvolvidos em estresse. Aqueles que não receberam afeto suficiente tendem a ter mais estresse e maior dificuldade em se acalmarem sozinhos, já aqueles que receberam o colo quando crianças, crescem e tornam-se adultos mais adaptados, com menos ansiedade e melhor saúde mental.

O carinho e o contato físico são fundamentais para o desenvolvimento cerebral das crianças, isso desde o nascimento. É importante que os pais tenham tempo de qualidade com seus filhos, para que eles se sintam seguros e amados. Uma criança que sente a presença dos pais, sabe que eles a amam, se fortalece e se sente segura para alcançar todas as suas potencialidades. Um adulto que recebeu o afeto adequado na sua infância tem um comportamento mais saudável, maiores habilidades e é capaz de manter relacionamentos fortes em sua vida adulta.

Mas para quem ainda tem dúvidas ou receios sobre demonstração de afeto, eu lhes apresento a ocitocina – também chamada de hormônio do amor. Este hormônio é influente na formação cerebral, produzido durante a amamentação e também liberado no abraço, no beijo, no carinho. A ocitocina faz com que o cérebro produza a capacidade de vínculo e nos acalma em situações estressantes. O colo, carinho, abraço, beijo: o afeto não “estraga” as crianças, apenas traz benefícios e cria seres humanos mais humanos, seguros e empáticos para a sociedade. Por isso o que eu deixo para finalizar este texto é: não esqueça de demonstrar afeto aos seus filhos, isso fortalecerá os vínculos familiares e, vocês precisam concordar comigo: carinho sempre é muito bom!!

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Dezembro Laranja: principais cuidados e efeitos da exposição ao sol

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

 

Em 2014 a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) deu início ao movimento de combate ao câncer da pele, batizado “Dezembro Laranja”, com a intenção de estimular a população na prevenção e no diagnóstico ao câncer da pele. Desde então, sempre no último mês do ano, a entidade realiza ações para lembrar como evitar o câncer mais comum no país, e convida a população a compartilhar nas redes sociais uma foto vestindo uma peça de roupa laranja, publicando-a com a hashtag #dezembrolaranja.

É de fundamental importância sabermos que o câncer da pele é o tumor maligno mais frequente da humanidade. De acordo com a SBD, estima-se que em 2016 o Brasil tenha diagnosticado mais de 180 mil tumores, sendo o carcinoma espinocelular e o melanoma os de maior mortalidade.

O que fazer então? Fugir do sol completamente? Não. O objetivo da campanha não é tornar o sol um inimigo, mas sim conscientizar a população que a exposição ao sol deve ser feita com alguns cuidados, evitando horários de maior intensidade de radiação solar (10-15h), conhecendo os índices ultravioletas da sua região, usando roupas e chapéus que protejam da irradiação direta do sol e, nas áreas descobertas da pele, o uso do filtro solar, além da vigilância quanto a alterações da pele.

As radiações ultravioletas oriundas do sol, além de promoverem o câncer da pele, favorecem queimaduras solares, catarata, degeneração da retina, manchas, alterações na espessura e enrugamento da pele. As estratégias de proteção solar previnem de forma eficiente todos esses processos.

Apesar de o culto ao bronzeamento pregar diferente, uma pele bronzeada não necessariamente significa saúde. Querer ficar mais moreninho é um direito de todos, mas é preciso ser realista quanto à viabilidade disso (pois algumas pessoas jamais serão morenas), e ao tempo necessário para que esse processo ocorra (tenha paciência!).

Outro ponto importante é a percepção quanto à cor da própria pele. Se você gosta muito de se ver bronzeado, há uma possibilidade de que você se avalie como estando mais branco do que você de fato está. Então, antes de partir para a praia para se “queimar”, pergunte para as pessoas à sua volta se elas acham o mesmo que você a respeito da sua pele. Compare as partes expostas com as não expostas. Reflita se a vontade de se bronzear não vem do desejo de ter uma mudança física qualquer e, se for esse o caso, pense em tudo que você pode fazer para mudar e que não envolve expor a sua pele a danos cumulativos (ou outras atitudes que podem ser prejudiciais à sua saúde).

Caso você sinta que não consegue controlar o seu desejo e impulso de se bronzear, que frequentemente se sente branco ou pálido demais, mesmo que os outros não achem o mesmo a repeito da sua pele, e mesmo que a sua pele já apresente danos provenientes da exposição solar, talvez seja o momento para refletir a respeito das razões para isso. Buscar uma opinião profissional (de psicólogo e/ou dermatologista) pode ser de fundamental importância.

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Tratamento para Transtornos de Ansiedade: quando devo procurar um psicólogo?

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

 

Tem sido muito frequente receber pacientes com sintomas de ansiedade no meu consultório, e diria que essa é uma das queixas principais nos atendimentos que tenho realizado. Os Transtornos Ansiosos são os quadros psiquiátricos mais comuns atualmente, tanto em crianças quanto em adultos. Infelizmente muitas pessoas levam tempo para buscar um tratamento adequado e geralmente já chegam no consultório com prejuízos graves no funcionamento em diversas áreas da sua vida. Por outro lado, cabe salientar que existe tratamento e até cura para esse tipo de transtorno.

Mas quando falamos em transtorno de uma forma geral, o que estamos querendo dizer? Costumo explicar para os meus pacientes que quando falamos que houve um transtorno em nosso dia, por exemplo, virar café no meu uniforme do trabalho, o que estamos querendo dizer? Podemos considerar um “transtorno” alguma situação que causa incômodo, algo que ocorreu que me causou um prejuízo. Levando em consideração o significado da palavra “transtorno” pode-se pensar dessa forma também quando queremos denominar um “transtorno psiquiátrico”, como neste caso, a ansiedade.

A ansiedade gera, portanto, um sentimento vago e desagradável de medo, apreensão, caracterizado por tensão ou desconforto derivado de antecipação de perigo, de algo desconhecido ou estranho. Além disso, muitas vezes acompanha alguns sintomas físicos, tais como: dormência ou formigamento, tremores nas pernas, incapacidade de relaxar, palpitação ou aceleração do coração, sensação de sufocamento, dificuldade de respirar, entre outros.

E quando eu sei se isso que estou sentindo é “normal” ou patológico? Esses sintomas passam a ser reconhecidos como patológicos quando são exagerados ou desproporcionais, quando a pessoa percebe que a ansiedade está atrapalhando a sua vida de forma significativa, interferindo na qualidade de vida, com o seu conforto emocional e/ou no seu desempenho diário.

A Terapia Cognitivo-Comportamental se mostra eficaz para diversos tipos de problemas e transtornos, trazendo resultados em curto prazo na remissão e alívio dos sintomas. Não quer dizer que o tratamento nesta abordagem seja fácil e superficial e que em poucos atendimentos o problema ou transtorno do paciente sejam resolvidos, pelo contrário, quer dizer é que essa abordagem tem uma intervenção mais rápida agindo no primeiro momento na queixa principal do paciente (com foco no problema) e prosseguindo assim com o tratamento conforme a demanda do caso. Os Transtornos de Ansiedade mais comuns são a Fobia Específica, o Transtorno de Ansiedade Social (Fobia Social), o Transtorno e a Síndrome do Pânico, o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) e o Transtorno de Ansiedade Generalizada

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A depressão no idoso

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

 

No Brasil, de acordo com o Estatuto do Idoso, considera-se idoso todo aquele que tiver idade igual ou superior a 60 anos. De acordo com estimativas feitas pelo IBGE, tomando como base o censo de 2010, a população idosa (acima dos 60 anos) deve passar dos atuais 14,9 milhões (7,4% da população), em 2013 , para 58,4 milhões ( 26,7% da população) em 2060. Fácil perceber que em muito pouco tempo, ter mais de 60 anos passa de algo esporádico, difícil de acontecer como era há décadas atrás, para algo muito comum e, porque não, desejado. Afinal, envelhecer é uma dádiva negada a muitos.

Mesmo sendo uma dádiva, é algo que implica em diversas mudanças, não só físicas, mas também sociais, emocionais… Envelhecer é algo que pode ser muito complicado se não tomarmos os devidos cuidados. O surgimento de patologias típicas do envelhecer, aposentadoria, saída dos filhos, diminuição da renda, perda do papel social, perda do companheiro, perda de amigos…Tantas coisas acontecendo em tão pouco tempo podem servir de gatilho para o surgimento de patologias emocionais, como a depressão.

A depressão é o transtorno psiquiátrico mais comum na população idosa, com porcentagens que podem alcançar 20% da população brasileira acima dos 60 anos. Algumas coisas devem ser lembradas quando se fala em depressão, e a principal de todas é que depressão é doença. Sim, uma doença emocional e comportamental, mas uma doença, devendo ser bem enfático nisso, pois não é “frescura, bobeira, falta do que fazer”, nem nada do tipo. E como doença, deve ser olhada como tal, tendo que ser acompanhada e tratada por profissionais psiquiatras e psicólogos qualificados.

Com isso bem claro, outro ponto a ser lembrado é que, ao contrário do linguajar popular, estar “triste, desanimado” não é estar deprimido. Para ser considerado um quadro depressivo, tem que apresentar uma profunda tristeza, que seja contínua por um período prolongado. Manifesta-se com alterações do ciclo do sono (ou dorme muito, ou quase não dorme), no apetite (ou perde o apetite ou passa a comer demasiadamente), e apatia (falta de vontade de fazer atividades do dia a dia, ou mesmo as mais prazerosas) também são sinais de que algo não está indo bem.

Outra característica da depressão, quase sempre ignorada completamente, é a irritabilidade. O indivíduo parece ficar sem paciência com facilidade, tornando-se rude com pessoas próximas. Infelizmente quando se trata de depressão, além dos mitos e dificuldades comuns a própria doença, também devemos enfrentar barreiras sociais, que muitas vezes consideram “normal” tais alterações de humor intensas em idosos. Como se envelhecer sempre significasse tornar-se triste, melancólico e apático. Considera-se também a barreira que o próprio indivíduo tem quanto a intervenções psicológicas, com o argumento de que “gente velha é assim mesmo” e o tão famigerado “gente velha não muda não…”. Não existe idade para cuidar da nossa saúde emocional e comportamental, nem barreiras para isso, sendo indiferente a sua idade.

Sobre o autor:

Rodrigo Ruis Martins, CRP 06/107.982

– Psicólogo Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental pelo Instituto Neurológico de São Paulo
– Hospital Beneficência Portuguesa (INESP) e mestrando em Psicogerontologia pela Faculdade Educatie Hoog.
– Atende adultos e idosos em Mogi das Cruzes/SP e São Paulo/SP há 6 anos.
– E-mail: psicologiarodrigo@outlook.com
– Facebook: facebook.com/psicologorodrigomartins

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