Arquivo de outubro de 2017

A Vida Secreta de Nossos Filhos

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

 

Muitas discussões e hipóteses já foram levantadas sobre os assassinatos ocorridos na escola em Goiânia na semana passada. Da indiscutível associação entre o bullying e a violência (nas suas diversas faces), até a culpabilização dos pais do jovem agressor, não foram poucas as opiniões a justificar o feito. É um processo natural do ser humano em tentar dar respostas a algo tão agressivo e que leva a um incômodo choque.

Admito que fiquei impressionado negativamente com uma tendência que observei em muitos dos debates: a de definir um culpado e agredi-lo, mesmo que de forma sutil. Digo isto porque talvez valha a pena pensar e analisar que, em parte, um dos mecanismos que levou o jovem a tamanho desatino seja muito semelhante ao que se vê nestas discussões: o instinto binário do ódio. Quando cada um de nós é agredido e tem este ataque avaliado como intencional e injusto reage com raiva e dicotomiza a realidade em eu e “aqueles”. Neste momento, “aqueles” deixam de ser iguais a nós, são desumanizados e “coisificados”; portanto fica autorizado, inconscientemente ou não, que não mais sejam vistos como seres humanos dignos de empatia, compreensão e respeito. Muitas das atrocidades mundialmente realizadas a grupos minoritários e até mesmo à nações inteiras têm este fenômeno em seu DNA.

Se por um lado a raiva e o ódio são emoções encontradas nos animais e seu caráter adaptativo é inegável, também são componentes de dimensões sombrias de nossa natureza em todos os tempos. Seu aparecimento se dá em contextos de frustração e agressão. No caso do adolescente que atirou contra diversos colegas de aula e que por muito pouco não teve mais mortes e o seu suicídio como desfecho final, não foi diferente. Sabe-se com sólidas referências que a rejeição social é um dos fatores mais correlacionados com a violência, inclusive nitidamente identificáveis em outras tragédias semelhantes a esta, como a de Columbine, Realengo etc – que inclusive serviram como uma espécie de inspiração ao jovem, segundo seu testemunho.

Vale também a reflexão sobre a atual capacidade de monitoramento das famílias e dos agentes cuidadores sobre nossas crianças e adolescentes nos diferentes contextos de suas vidas. Se num passado mais distante, os contextos eram a escola, a casa, as amizades de rua-bairro e a literatura; hoje, com o advento da internet com todas suas redes sociais, os limites da interação humana mediada por máquinas atingiu dimensões nunca antes imaginadas. O problema que surge é a diminuição na capacidade de atenção e controle sobre o que está realmente acontecendo na vida deles. Esperar que adolescentes que estão no processo de consolidação de suas identidades pessoais sejam “transparentes” e explícitos sobre todos seus pensamentos e sentimentos é, no mínimo, ingênuo. Há de se buscar relações de maior cumplicidade, empatia e compaixão com os jovens. E mais, não considerar que por serem jovens (e portanto oscilantes, instáveis, impulsivos e cheios de confusões) não podem estar passando por conflitivas muito sérias e para as quais podem estar despreparados para lidar.

 

 

Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone

O que é avaliação Neuropsicológica?

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

 

A neuropsicologia é uma área de estudo que investiga a relação entre o funcionamento do nosso cérebro, as chamadas funções cognitivas (atenção, memória, raciocínio, planejamento e tomada de decisão), e o comportamento expresso, tanto em condições de normalidade como também em condições patológicas.

É uma área de estudo multidisciplinar, sendo seus conhecimentos compartilhados por diferentes profissionais da saúde, como médicos (psiquiatras, neurologistas, geriatras), psicólogos, fonoaudiólogos, além de profissionais das áreas da educação e aprendizagem, como pedagogos.

Na prática clínica, a atuação do neuropsicólogo pode abranger dois contextos principais: avaliação e reabilitação. A avaliação neuropsicológica procura, através de testagens formais e complementares, investigar o funcionamento cognitivo do indivíduo, relacionando-o com seu comportamento atual, dificuldades, queixas e demanda. Na maior parte dos casos as avaliações são realizadas em condições nas quais existe suspeita de que algo no funcionamento cognitivo do indivíduo não está bem. Esses problemas podem se dever a diversos fatores, sejam desenvolvimentais (como em Transtornos de Aprendizagem, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), situacionais ou adquiridos ao longo da vida (como Traumatismo Crânio-Encefálico, Acidente Vascular Cerebral, tumores, demências). A avaliação também é uma ferramenta capaz de auxiliar psicólogos e psiquiatras em dúvidas diagnósticas, bem como no comprometimento de certos quadros psicopatológicos para o funcionamento atual do indivíduo. Já a reabilitação procura a recuperação, compensação ou, em alguns casos, a redução dos prejuízos cognitivos e comportamentais causados por condições anormais do desenvolvimento, situações adquiridas ao longo da vida ou até mesmo em virtude de processos neurodegenerativos próprios do envelhecimento.

A avaliação neuropsicológica, em geral, é realizada em um espaço limitado de tempo, podendo levar em média de 5 a 8 sessões (variando conforme o caso e a demanda do paciente). Da aplicação de testagens, são realizadas entrevistas tanto com o paciente quanto com familiares a fim de fornecer informações adicionais importantes para compreensão do caso. A avaliação finaliza-se por meio da elaboração de um laudo neuropsicológico, tendo este como característica a descrição do perfil neuropsicológico atual do paciente, bem como prestar esclarecimentos acerca dos possíveis questionamentos levantados no momento do encaminhamento.

A Wainer Psicologia realiza diversas avaliações psicológicas e neuropsicológicas.

Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone

A tragédia em Minas Gerais: mais um alerta sobre a negação dos transtornos mentais.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

 

A tragédia ocorrida na creche municipal em Janaúba-MG com a morte de, até o momento, cinco crianças além do próprio agente do crime, traz à tona mais uma vez a relação entre violência e transtornos mentais.

É notória a relação entre algumas condições psicopatológicas e a violência impetrada a si ou aos outros. Por exemplo, os casos de episódios depressivos graves, alcoolismo e condições psicóticas (dissociação com a realidade).

No caso do segurança Santos, todas as evidências levam à conclusão que o incêndio foi oriundo do agravamento de seus problemas psiquiátricos, para os quais ele estava em atendimento num CAPS desde 2014. Como em quase todas as tragédias desta natureza, uma rápida vistoria sobre o curso dos comportamentos e atitudes mais recentes do agressor dão pistas, mais do que óbvias, que algo não ia nada bem e que algo severo estava por vir – ele havia comunicado seus familiares que iria se suicidar!

Cada vez mais demonstra ser de extrema importância e urgência uma reflexão de como tendemos a negar ou subestimar os sinais e sintomas dos problemas psicológicos/psiquiátricos, mesmo daqueles que nos são mais próximos. Talvez a grande complexidade da questão esteja ainda num certo preconceito e descrédito quanto à doença mental e as suas possíveis consequências na sociedade. Se o ocorrido não tivesse sido com crianças pequenas, indefesas e cruelmente atacadas, provável que “somente” mais um suicídio tivesse ocorrido sem maiores alardes da mídia. Há de se ser mais atento, cuidadoso e cauteloso na expressão do sofrimento psíquico do outro, bem como a alterações abruptas dos comportamentos dos que convivem conosco.

Diferente de outras condições de saúde onde o grito de dor e o pedido por ajuda são imediatamente acolhidos, as dores do emocional não geram a mesma carga de empatia e compaixão pela maioria.

Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone

Os impactos do câncer de mama na autoimagem

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

 

O câncer afeta a vida das pessoas em diferentes contextos, seja na saúde física, mental e social. Além de causar debilidades físicas, pode ocasionar baixa autoestima, alterações no sono, alimentação, comportamento, entre outros fatores que profissionais e familiares devem estar atentos.

O câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres, sendo o segundo mais frequente respondendo a 22% dos novos casos a cada ano. No Brasil, a estatística mantem-se alta podendo levantar a hipótese de que, o diagnóstico e tratamento estão sendo realizados quando o câncer já está em estágio avançado. Quanto mais cedo se realizar o diagnóstico melhor o prognóstico do paciente.

A lei brasileira teve avanços significativos para o tratamento do câncer nos últimos anos. Em 2012, foi decretada a lei nº 12.732 visa que o paciente que for diagnosticado com neoplasia maligna receberá todos os tratamentos necessários através do Sistema Único de Saúde (SUS), no prazo de 60 dias após firmado o diagnóstico em laudo patológico. No ano seguinte, foi decretada a lei nº 12.802 de 24 de abril de 2013, que quando existir condições técnicas a paciente será submetida à reconstrução mamária, no caso de impossibilidade de reconstrução imediata, a paciente terá acompanhamento e garantia da realização da cirurgia após alcançar as condições clínicas necessárias.

Esses avanços vêm a contribuir na autoestima dessas pacientes, facilitando a passagem pelo processo de tratamento, podendo assim auxiliar na aceitação do novo corpo. Mas o acompanhamento psicológico continua sendo muito importante para que as pacientes e seus familiares tenham escuta e consigam expressar suas dificuldades, limitações, angústias que envolvem a doença.

Além de vestirmo-nos de rosa, faça seu exame e caso perceba algo diferente procure um especialista. Não postergue o diagnóstico!

Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone

Solidão e vazio

terça-feira, 3 de outubro de 2017

 

Enquanto não atravessarmos a dor de nossa própria solidão, continuaremos a nos buscar em outras metades. Para viver a dois, antes, é necessário ser um” (Fernando Pessoa).

O mundo contemporâneo vive uma certa fluidez nas relações. Segundo o conceito de Modernidade Líquida, construído pelo sociólogo Zygmunt Bauman, as relações transformam-se, tornam-se voláteis na medida em que os parâmetros concretos de classificação dissolvem-se. Trata-se da individualização do mundo, em que o sujeito agora se encontra “livre”, em certos pontos, para ser o que conseguir ser mediante suas próprias forças.

A individualização, a competitividade, a crítica e o egoísmo, tornam as relações interpessoais cada vez mais difíceis. As pessoas estão cada vez mais sozinhas, não no sentido literal da palavra, mas no fato de sentirem-se sozinhas, com uma profunda sensação de vazio e isolamento. Podemos estar em meio a uma multidão de pessoas, e mesmo assim, ter um sentimento genuíno de solidão, de desamparo e de desamor.

É neste contexto, que nós profissionais da saúde temos cada vez mais, nos deparado com a procura de pacientes que buscam ajuda emocional por se sentirem sozinhos e desemparados, revelando dificuldade em encontrar um par, manter um relacionamento, lidar com diversos problemas e tomar decisões. Frases como: – Eu me sinto tão só; – Eu não tenho com quem contar; – Eu não tenho ninguém pra conversar; fazem parte desta problemática.

O processo de fortalecimento emocional em psicoterapia, favorece o tratamento desta autopercepção de solidão, o desenvolvimento de potencialidades e regulação emocional através de uma relação terapêutica saudável. Se você possui esse sentimento recorrente de vazio e solidão, sente-se com frequência triste, desanimado e com baixa autoestima, procure um psicólogo e faça uma consulta de avaliação.

Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone