Arquivo de setembro de 2017

Por que não a “cura gay”?

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

No último dia 15, uma polêmica decisão judicial orientou que o Conselho Federal de Psicologia intérprete a resolução 01/99 de forma a não impedir os psicólogos a “promover os estudos ou atendimentos, de forma pertinente, à reorientação sexual”. Mas qual problema disso?

Em primeiro lugar, a pesquisa sobre sexualidade ocorre naturalmente em todo país, e não há nenhuma restrição do CFP nestes casos, como relata a autora do pedido. Em segundo, nenhum homossexual é impedido de receber atendimento referente a sexualidade. O que esta resolução impede é o tratamento com intuito de reverter a sexualidade. Sabe por quê? Simples! Porque não funciona! A psicologia é uma ciência, só se aplica o que funciona comprovadamente. Essas terapias já foram testadas no decorrer dos anos e não só não funcionaram como promoveram muito sofrimento. Estudos apontam que pessoas que se submeteram a mudança de orientação sexual desenvolveram problemas relacionados à angústia, ansiedade e depressão, além de inúmeras tentativas de suicídio.

Orientação sexual não é escolha. Oferecer tratamento pra isso aumenta, e muito, o preconceito. Da a impressão de só é gay quem quer, já que pode se tratar. O Brasil é um dos países que mais comete violência contra homossexuais, preconceito no Brasil é o mesmo que violência. Se a população LGBT precisa de tratamento? Precisa sim. Para conseguir amenizar os efeitos do preconceito que sofrem. Muitas vezes as pessoas levam anos para assumir a sexualidade com medo da repressão social.

Se você tem problemas com sua orientação sexual, procure um psicólogo para se curar!
Ajudaremos a curar o medo, a repressão social, o preconceito que você sofre e que muitas vezes aprendeu a ter de si mesmo por nascer em um dos países mais preconceituosos do mundo. O agressor não procura terapia, mas você pode ser ajudado.

Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone

Suicídio: falar é a melhor solução.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

 

Você já refletiu sobre o porquê de pessoas cometem suicídio? O que as leva a fazer isso? Pois bem, não raras vezes, essas pessoas estão em estado de sofrimento emocional muito grande e acreditam que a única saída para seus problemas é por um fim em sua vida. Dificilmente conseguem encontrar alternativas que possam auxiliar na resolução de problemas.

Segundo dados encontrados no site do CVV (Centro de Valorização da Vida), no Brasil a cada uma hora há uma morte causada por suicídio e neste mesmo período há outras três tentativas. A morte causada por suicídio é superior das mortes causadas por AIDS e maioria dos tipos de câncer. Esses dados causam preocupação, pois ainda é um tabu e pouco discutido, apesar que alguns fatores recentes proporcionaram reflexões e discussões em diferentes contextos com a repercussão da série veiculada pelo Netflix “13 reasons why ” e o jogo “baleia azul”, independente se as críticas foram positivas ou negativas, mas geraram um movimento para falar sobre o assunto suicídio. Já fui questionada se falar sobre suicídio pode vir a induzir mais pessoas a cometer o ato, penso que devemos ter tato ao informar, fugir do senso comum e das críticas, mas fazer com que esta pessoa sinta-se escutada e apoiada, pois esta está passando por um momento bastante delicado e sensível de sua vida.

Conforme dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), que nos desperta esperança, é que de 10 suicídios 9 poderiam ser prevenidos. Fica um alerta para familiares, amigos e, principalmente, profissionais da saúde (frizo este último como um dos mais importantes, devido à responsabilidade e sensibilidade profissional de questionar abertamente sobre possível risco ao suicídio) de atentarem-se às mudanças comportamentais de pessoas/pacientes próximos, tais como drogadição, sexo desprotegido, desmotivação por atividades que antes eram prazerosas, desesperança de que as coisas possam melhorar, entre outras.

Se você acredita que não conseguirá ajudar alguém passando por esta situação, você pode ajudar muito encaminhando a um profissional treinado para tal demanda ou informando os contatos de centros de valorização da vida. Vale ressaltar que o CVV possui contatos via telefone (141 para todo Brasil e 188 para o RS), chat e Skype. Se nos unirmos em prol da vida, conseguiremos, um dia, diminuir as taxas de morte causada por suicídio.

Falar é a melhor solução!

Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone

Reunião de Condomínio.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

 

Mês passado fui a uma reunião no meu condomínio. Pra mim, reuniões de condomínio são sempre chatas, embora racionalmente saiba que são importantes pois tratam de assuntos que interessam a todos. Então, além de ouvir, falar, votar, me propus a fazer um exercício interessante (pelo menos eu achei) que foi o de tentar enxergar como estariam agindo os supostos esquemas dos meus vizinhos. Obviamente não vou identificar ninguém e deixo bem claro que não posso afirmar que os esquemas preponderantes são os que mencionarei. Para que conheçamos nossos esquemas, o ideal é realizarmos uma avaliação com profissional qualificado. Mas no intuito de demonstrar como poderiam agir nossos esquemas em situações cotidianas, escrevo este texto.

Como exemplo, identifiquei o vizinho que talvez tenha esquema de desconfiança/abuso quando ele falou que “fulano pode vir a nos sacanear no futuro”. Este esquema refere-se à expectativa de que os outros, de alguma maneira, tirarão vantagem da pessoa, intencionalmente. As pessoas com este esquema acreditam que os outros vão magoá-las, enganá-las ou desprezá-las. Na infância, essas pessoas podem ter sido abusadas ou tratadas injustamente por pais, cuidadores, irmãos ou amigos. São pessoas que não confiam nos outros, não confiam no mundo.

Também prestei atenção naquela vizinha que não falava em outra coisa senão na segurança, e que estávamos prestes a sofrer assalto, que ela não sabia como isso ainda não tinha acontecido. Logo pensei no esquema de vulnerabilidade. Este esquema se refere à crença segundo a qual a pessoa está sempre prestes a viver uma grande catástrofe (financeira, natural, médica, criminal, etc.) e toma precauções excessivas para se proteger. Normalmente um ou ambos os pais eram muito medrosos e passaram a ideia de que o mundo é um lugar perigoso.

Havia também aquela senhorinha que concordava com tudo e todos, ora se abstendo de votar ora votando conforme a pessoa do seu lado, ou seja, podemos estar falando de um esquema de subjugação em que a crença é que a pessoa deva submeter-se ao controle dos outros a fim de evitar consequências negativas. A pessoa teme que os outros fiquem zangados com ela ou que a rejeitem, a menos que se submeta ao desejo destes. Quem se subjuga ignora seus próprios desejos e sentimentos. Na infância, geralmente um dos pais (ou ambos) era muito controlador.

Há aqueles que tem a crença de que deveriam poder fazer, dizer ou ter tudo o que quisessem, independentemente de isso magoar os outros. Não há nenhum interesse nas necessidades dos outros. Os pais que são excessivamente indulgentes com os filhos e não estabelecem limites sobre o que é socialmente apropriado podem favorecer o desenvolvimento desse esquema de merecimento/grandiosidade. Algumas crianças desenvolvem esse esquema para compensar sentimentos de privação emocional, defectividade ou indesejabilidade social. Já imaginaram se uma pessoa com esse esquema vira síndico?

Também identifiquei, nessa minha “brincadeira” um vizinho que provavelmente tem o esquema de autocontrole/autodisciplina insuficientes, pois quando não aceitaram uma sugestão sua, saiu porta a fora, dizendo que não iria permanecer ali. Tal esquema se refere à incapacidade de tolerar qualquer frustração na busca de objetivos, assim como à incapacidade de conter a expressão de impulsos ou sentimentos. Os pais que não modelaram autocontrole ou não disciplinaram os filhos adequadamente podem predispô-los a ter esse esquema quando adultos.

Vocês podem estar curiosos para saber sobre o meu ou os meus esquemas. Quais estavam mais ativados na reunião? Ah, fiquei prestando tanta atenção nos esquemas alheios que talvez tenha entrado em modo protetor-desligado que é um modo de enfrentamento desadaptativo em que a pessoa apresenta retraimento emocional, desconexão, isolamento, busca de auto conforto, fantasia, distração compulsiva e evitação comportamental. Adota uma postura cínica ou distante para evitar o investimento emocional em pessoas ou atividades.

Mas eu juro que votei bem consciente do que estava fazendo.

Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone