Arquivo de agosto de 2017

Uma perspectiva saudável sobre as emoções.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Mais do que nunca, hoje em dia temos pressa. Pressa em conquistar os objetivos, pressa em ter respostas, pressa em realizar os sonhos, pressa em viver a semana para chegar o final de semana… temos pressa em viver. A única coisa que não temos pressa é em sentir! Hoje em dia, sentimentos parecem ser “coisas” desagradáveis, e as emoções “só servem” pra atrapalhar. Com essas crenças, muitas vezes as pessoas se encontram presas em ciclos viciosos, tentando amortecer ou fugir das próprias emoções, como se elas fossem a causa de todos os problemas.
Entretanto, sentir é uma parte muito importante de estar vivo! Nossas emoções nos trazem pistas valiosas sobre os nossos valores e nos fazem lembrar quem realmente somos.
Parece assustador, não é mesmo? Para se permitir sentir, é importante entender melhor sobre as emoções:

▪️ As emoções não são boas nem ruins, certas ou erradas. Sentimentos simplesmente “são”, existem. Julgar as próprias emoções não nos ajuda a aceitá-las, bem pelo contrário.

▪️ Há uma diferença entre sentir uma emoção e ter um determinado comportamento a respeito.

▪️ Emoções não duram para sempre. Não importa quão intenso seja seu sentimento, ele vai mudar até diminuir e, eventualmente, outro sentimento novo aparecerá.

▪️ Quando você sente uma emoção forte, não precisa necessariamente fazer nada a respeito. Você precisa, sim, reconhecer a emoção e senti-la.

▪️ Você não pode se livrar de suas emoções, pois elas são fundamentais à nossa sobrevivência. Busque aceitar as emoções quando elas surgirem, pois elas são parte da experiência humana.

Muitas pessoas têm dificuldades e prejuízos ao longo da vida por não saber lidar com suas emoções. A psicoterapia cognitivo-comportamental leva a um caminho de auto conhecimento profundo, além de ter uma série de técnicas para regulação emocional.

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PORQUÊ PRECISAMOS FALAR SOBRE O FILME “O MÍNIMO PARA VIVER”.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

 

O filme “O Mínimo Para Viver” busca retratar a realidade dos Transtornos Alimentares, e vem suscitando muitas opiniões e críticas dos profissionais que trabalham com estes transtornos ao redor do mundo. Nossa maior preocupação vem do fato do filme estar disponível para qualquer pessoa que tenha acesso ao Netflix, independente desta ter ou não um Transtorno Alimentar ou manifestado problemas de comportamento alimentar. O sofrimento das personagens fica palpável ao espectador, tanto nas situações onde a protagonista precisa se alimentar, quanto quando a mesma faz uso de métodos purgativos. Todos os pensamentos e estratégias da personagem são voltados para evitar o sofrimento decorrente da perda do controle e do ganho de peso e, apesar dos problemas da atriz não serem ignorados pelas pessoas a sua volta, ele nunca é abordado de uma maneira efetiva.

O filme mostra a luta da personagem para tentar manter o controle das emoções, dos pensamentos e dos comportamentos; e o sofrimento que isto gera através da relação dela com a comida e com o seu peso. Em diversos momentos conseguimos notar o quanto as personagens acabam associando o seu valor pessoal à um número na balança.

Sabe-se que os Transtornos Alimentares dependem de uma série de fatores para se instaurar, e um desses fatores é a exposição à conteúdos relacionados ao corpo e ao alimento – daí a grande preocupação com a estreia do filme. E baseados nesta preocupação pedimos cuidado ao assistir este filme, pois há um grande potencial de ativação de gatilhos emocionais e comportamentais.

Com base no conhecimento acerca dos sintomas e sinais dos Transtornas Alimentares, bem como na experiência no estudo e tratamento dos mesmos, criamos este guia para ajudar na detecção destes gatilhos. Este guia não substitui tratamento psicológico e médico para Transtornos Alimentares, tampouco incentiva que o filme seja assistido. A intenção é ajudar com possíveis emoções e pensamentos que possam surgir enquanto você assiste ao filme; ou alguns dias depois.

1- Se você tem ou já teve algum Transtorno Alimentar, discuta com os profissionais que acompanham o seu tratamento sobre assistir ou não o filme.

2- Pergunte-se: “Por que eu quero assistir este filme?” “Este assunto me atrai de forma diferente que outros filmes?” “Por que?”

3- Lembre-se que “O Mínimo para Viver” é um filme que busca retratar a situação de pessoas que sofrem de Anorexia Nervosa. Embora tenha feito um bom trabalho em diversos aspectos, é APENAS um filme, e por isso “romantiza” a realidade. Muitas pessoas podem experimentar Transtornos Alimentares de formas diferentes dos personagens do filme.

4- Se a qualquer momento você notar que está se comparando com a personagem, ou pensando em incorporar as “ideias” dela na sua rotina alimentar, pare de assistir ao filme imediatamente!

5- Se você se sentir desconfortável com o seu corpo, também pare de assistir ao filme imediatamente.

6- Quando terminar de assistir ao filme, dedique alguns minutos a pensar sobre o que está pensando e sentindo. Se ficar muito incomodado(a), busque ajuda.

Acreditamos que o filme poderia ter mais cuidado nas questões referentes ao tratamento, pois dá a entender que chegar ao fundo do poço é crucial e que dependemos de um “despertar espiritual” para ter a força necessária para enfrentar os desafios que o transtorno nos traz. Ao contrário do retratado no filme, o fundo do poço na Anorexia Nervosa muitas vezes não oferece um retorno, muito pelo contrário: geralmente a única coisa que se encontra lá é o óbito.

A Terapia Cognitivo-Comportamental é a terapia com maior índice de sucesso no tratamento de Transtornos Alimentares e na reestruturação de uma relação saudável com o alimento. Anorexia Nervosa é o mais letal dos transtornos psiquiátricos, e por isso tem que de ser levado muito a sério. Se você percebe que você ou pessoas ao seu redor apresentam alterações no padrão alimentar, medo intenso de estar acima do peso, restrições e recusas alimentares e/ou pensamentos obsessivos acerca de peso e forma corporal, busque ajuda.

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