Arquivo de julho de 2017

Instagram e a busca de valor.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

 

Na última década, houve importante crescimento no uso e disseminação de mídias sociais. Além do surgimento de novas plataformas, como Instagram e Snapchat, o número de indivíduos que possuem perfis em alguma rede social ascendeu de forma impressionante. Apenas o Instagram possui 700 milhões de perfis, enquanto o Facebook conta com quase 2 bilhões usuários! Números tão altos levam-nos a refletir sobre o impacto das redes sociais em nossas vidas.

Um estudo recente conduzido na Inglaterra pela Royal Society of Mental Health, com a participação de 1500 jovens entre 16 e 24 anos, buscou identificar associação entre uso de mídias sociais e saúde mental. Nessa pesquisa, o Instagram apareceu como a rede social que exerce o pior impacto à autoestima e satisfação com imagem corporal de seus usuários, além de intensificar sintomas de depressão e ansiedade. De fato, essa ferramenta, que se destina especialmente ao compartilhamento de fotos, é tomada por imagens de vidas ricas, luxuosas e perfeitas, seja de personalidades do cinema, televisão, música e esporte, ou de indivíduos que se tornaram famosas na própria rede. Embora estilos de vida extravagantes despertem naturalmente a curiosidade das “pessoas comuns”, vê-los na tela de um celular, ao mesmo tempo tão próximos e tão distantes, pode causar grande sofrimento emocional. Além disso, observa-se no Instagram que mesmo as “pessoas comuns” – isto é, indivíduos que não são celebridades famosas – utilizam essa rede como forma de divulgação pessoal.

As redes sociais são um terreno fértil a comparações e busca de valorização. Em seu modelo dos Esquemas Iniciais Desadaptativos, Jeffrey Young inclui os construtos de Defectividade/Vergonha e de Busca de aprovação social. O primeiro esquema refere-se à sensação de ser inferior, falho e defeituoso, enquanto o outro diz respeito à necessidade aprovação externa. Com frequência, esses esquemas aparecem juntos, pois o sujeito que se sente defeituoso pode recorrer à validação de outras pessoas para assim sentir-se especial e com valor. Assim, a aprovação torna-se algo que o indivíduo precisa para enxergar seu valor, passando a sofrer quando ela não vem.
Embora todos nós possamos experimentar os efeitos positivos e negativos dessas das mídias sociais, quando se possui o esquema de defectividade/vergonha, enxergar a vida alheia perfeita pode exacerbar as sensações de que sua própria vida é ruim e sem valor. Além disso, pode-se recorrer ainda à busca de validação externa para assim conseguir valorizar suas próprias características, tornando-se então dependentes de likes e comentários elogiosos. É claro que não precisamos abolir redes sociais ou fazer uma campanha para a extinção do Instagram, mas lembrar que nossa vida e especialmente nosso valor estão além do que é apresentado na rede, já está de bom tamanho!

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As Terapias de 3ª Onda.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

 

Nas últimas duas décadas, as Terapias de Terceira Onda vêm se destacando como um grupo de novas abordagens que adicionam extensões às Terapias Cognitivo-Comportamentais tradicionais. As Terapias de Terceira Onda englobam um grupo heterogêneo de tratamentos, como a Terapia de Aceitação e Compromisso, Terapia Comportamental Dialética, Terapia do Esquema, Psicoterapia Analítico Funcional, Terapia Metacognitiva, Terapia Focada na Compaixão e Terapias baseadas em Mindfulness. Estas terapias sugiram em um contexto em que a Terapia Cognitivo-Comportamental regular nem sempre era aceita universalmente por todos os clientes, que poderiam encontrar barreiras conforme sua percepção do tratamento. Estudos realizados nos últimos anos, embasam o suporte empírico das abordagens de Terceira Onda, que têm mostrado taxas de adesão superiores a outros tratamentos.

As Terapias de Terceira Onda adicionam uma percepção ativa e aceitação de cognições e estados emocionais experienciados como negativos pelos indivíduos, ampliando o foco da mudança cognitiva e comportamental. Estas psicoterapias enfatizam a compreensão da função das cognições, abandonando às intervenções voltadas para a mudança de seu conteúdo. Ou seja, o que estou pensando não é tão importante quanto o que eu faço com o que estou pensando. O mecanismo mantenedor dos comportamentos disfuncionais é compreendido como um déficit de habilidades, e intervenções comportamentais são utilizadas para criar e fortalecer novos repertórios comportamentais. Estratégias de metacognição, mindfulness, aceitação, regulação emocional, dialética, espiritualidade, compaixão, valores pessoais e foco no relacionamento cliente-terapeuta foram formalmente adicionadas aos tratamentos e são enfatizadas nestas abordagens. Desta forma, as Terapias de Terceira Onda propõem a ideia de mudar o relacionamento do cliente (e também do terapeuta) com suas próprias experiências internas encorajando abertura à estados emocionais que podem ser aversivos em nome da busca de valores pessoais importantes.

Para os terapeutas, as Terapias de Terceira Onda enfatizam a aquisição de competências interpessoais que facilitam e promovem a manutenção do vínculo com os clientes, habilidades especialmente importantes no trabalho com clientes de difícil adesão. Para os clientes, as Terapias de Terceira Onda oferecem a possibilidade de adquirir habilidades para voltar suas ações em direção à metas de vida importantes, em ambiente acolhedor e validante, trabalhando momento a momento a aceitação da realidade como ela é (e assim podendo trabalhar para mudar o próximo momento!).

Bibliografia: Kahl, Winter, & Schweiger, 2012.

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Emagrecedores: poção mágica ou veneno?

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Nos últimos dias, uma notícia sacudiu os meios de comunicação: a venda de remédios emagrecedores foi liberada no Brasil. E todos que trabalham com saúde e comportamento alimentar deveriam estar preocupados com isso!

O principal componente destas medicações é a Anfetamina, um poderoso estimulante que age de forma muito similar à cocaína no cérebro: gera sensações de euforia, elimina a fadiga e, também, diminui ou tira o apetite. As Anfetaminas atraem por prometerem resultados rápidos na balança sem “esforço”: basta tomar um comprimido e sua vida muda, sem a necessidade de alterações nos hábitos. Mas será que é assim mesmo?

Os efeitos colaterais das Anfetaminas são gravíssimos e podem deixar sequelas físicas e mentais, pois a sobrecarga gerada no cérebro e no corpo com o uso contínuo desta substância é alta. Pensamentos suicidas, surtos maníacos, psicose e apatia são só algumas (assustadoras) opções.

Além disso, temos que considerar que todas as pessoas carregam consigo uma carga genética com sintomas e doenças que podem se manifestar ou não de acordo com a exposição ambiental. Por exemplo: uma pessoa com tendências genéticas para dependência química não será um alcoolista se nunca tomar bebida alcoólica. Assim, é extremamente irresponsável expor as pessoas à Anfetamina, visto que esta substância poderia desencadear doenças psiquiátricas como: dependência química, transtorno de humor bipolar, depressão, síndrome do pânico, transtornos alimentares, dentre outros.

Embora pareça tentador, fórmulas mágicas não existem. Uma parcela muito grande das pessoas que perderam peso utilizando estas medicações recuperou todo o peso perdido, e muitas vezes aumentou ainda mais. Pode parecer banal, mas enquanto as pessoas que buscam uma melhor forma física não melhorarem seu relacionamento com a comida, nenhuma “poção mágica” será efetiva.

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