Arquivo de junho de 2017

Dia dos namorados e a construção do amor

terça-feira, 13 de junho de 2017

 

Para maioria das pessoas, o dia dos namorados vem acompanhado de grandes possibilidades, geralmente ligadas a presentes, jantares e principalmente a romance. São justamente estas expectativas, quando colocadas em um nível muito elevado, que levam à frustração e ao desapontamento.

Quando esperamos um dia no ano para poder celebrar o amor, muitas vezes não haverá muito amor sobrando para ser celebrado. Quando nos ocupamos em comparar se nosso par vai fazer algo tão grande quanto, ou maior do que outros casais estão fazendo para poder provar o quanto se importa conosco, estamos na verdade arrumando uma bela armadilha para nós mesmos.

As provas de amor não estão em testes que iremos aplicar na pessoa desejada. As atitudes dizem muito mais sobre a nossa insegurança do que sobre o comportamento de quem estimamos. A maior prova de amor está no dia a dia, na preocupação com o outro, nos pensamentos que nutrimos pela pessoa amada e nas pequenas ações que nos aproximam. É justamente nisso que a grande maioria dos casais acabam pecando, pois o amor dá trabalho.

Não é por que conquistamos alguém que a paixão ou o amor vai durar para a vida toda. Precisamos nos fazer interessantes para o outro, e nesse sentido, criar laços para que possam contar conosco sem que se sintam julgados; onde exista um espaço seguro para partilhar nossas paixões, angustias, medos e nossas maiores dificuldades.

Ninguém ama da mesma maneira, somos todos únicos. E muitas vezes nos prendemos a relacionamentos que nos fazem sofrer, com alguém ausente nas horas de maior necessidade, que parece não estar presente para escutar nossas dificuldades, e, por mais que não faça sentido, ainda ficamos apegados a essas pessoas. Desde muito cedo nós aprendemos a nos relacionar e são essas experiências de vida que acabam nos ditando o quanto contamos com as pessoas, como confiar nelas e abrir nossos sentimentos para as mesmas. Nem sempre somos justos com nós mesmos e acabamos aceitando o “amor” que achamos que merecemos. Um amor cheio de críticas, cheio de vazios, cheio de ciúmes.

Para os casais, e para os solteiros nesse dia dos namorados, vale lembrar que este é o dia de celebrar o amor, mas que a construção dele se faz no nosso dia a dia.

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Terceira Onda das Terapias Cognitivo-Comportamentais

quarta-feira, 7 de junho de 2017

 

A psicologia é um campo de estudo com diversas filosofias e aplicações. Por conta disso, pode haver muita confusão quando uma pessoa se propõe a buscar auxílio de um profissional da área. Dentro da psicologia clínica existem diversas abordagens psicológicas, sendo que entre as mais consolidadas estão as terapias cognitivo-comportamentais.

A aplicação clínica da psicologia comportamental começou nos anos 1950, e foi considerada a “primeira onda” das terapias cognitivo-comportamentais. Nessa época, a preocupação era com a mudança comportamental das pessoas, que era conquistada através dos princípios do condicionamento clássico e da aprendizagem operante. Estas mudanças ocorriam, em sua maioria, através de alterações no ambiente das pessoas. O problema dessa visão voltada exclusivamente a corrigir certos comportamentos, é que ela deixava de lado aspectos psicológicos mais profundos que não deveriam ser negligenciados. Embora esse aspecto tenha mudado muito ao longo da história das terapias comportamentais, há muita desinformação mesmo entre psicoterapeutas, que acreditam que as terapias comportamentais atuais continuam com as mesmas premissas de 50 anos atrás. Por conta dessa concepção bastante desatualizada, acabam rotulando a terapia comportamental de superficial ou mecânica. Entretanto, essas características felizmente não se aplicam à terapia comportamental tal qual ela é hoje.

A “segunda onda” veio com a psicologia cognitiva de Beck. Justamente porque os primeiros terapeutas comportamentais tinham dificuldade em adequar sua forma de trabalho para lidar com pensamentos e sentimentos, Beck propôs um modelo de terapia que foca nas crenças e percepções que o indivíduo tem sobre o mundo e sobre si mesmo. Para a psicologia cognitiva, todo esse conteúdo interno é essencial para a compreensão do indivíduo. Embora haja divergência entre as teorias comportamental e cognitiva, Beck formulou um modelo que unia técnicas comportamentais e cognitivas, e chamou-o de terapia cognitivo-comportamental (TCC). Esse é o modelo de psicoterapia com maior eficácia comprovada para os mais diversos tipos de transtornos e dificuldades, e a terapia cognitivo-comportamental é hoje a terapia mais sólida em relação à validade científica.

Ainda assim, nenhuma terapia tem eficácia universal. Sempre haverá um tipo de pessoa que não se adapta a uma forma de trabalho, e por isso é bastante importante ter alternativas. Além disso, mudanças culturais requerem adequação dos modelos aos novos tempos. Nesse contexto, a partir dos anos 2000, surgiram novos modelos de TCC, que englobam a “terceira onda”. Fazem parte desta onda: Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), Terapia Comportamental Dialética (TCD), Terapia Analítica Funcional (FAP), Terapia Comportamental Baseada em Mindfulness e Aceitação, entre outras. A definição da terceira onda, de acordo com Hayes (2004), é a seguinte:

“Baseada numa abordagem empírica e em princípios, a terceira onda da terapia comportamental e cognitiva é particularmente sensível ao contexto e às funções dos fenômenos psicológicos, não apenas à sua forma, e por isso tende a enfatizar estratégicas de mudanças contextuais e experimentais em acréscimo às mais diretas e didáticas. Esses tratamentos procuram buscar a construção de um repertório [de comportamentos] amplo, flexível e efetivo em vez de uma abordagem muito específica para problemas definidos de maneira muito estreita. (…) A terceira onda reformula e sintetiza gerações anteriores de terapias cognitivas e comportamentais e as levam adiante para questões e domínios previamente trabalhados por outras tradições, na esperança de melhorar tanto a compreensão do ser humano como a dos resultados dos tratamentos.”

As terapias de terceira onda focam em aspectos como: a forma como a linguagem afeta a nossa experiência, a relação terapêutica, o conceito de mindfulness ou estar no presente, o self como contexto e a aceitação.

Desta forma, a terceira onda vem para tornar a terapia comportamental ainda mais abrangente, aprofundada e preocupada não apenas em mostrar resultados, mas também em estabelecer uma relação com as dificuldades humanas num sentido mais amplo e profundo. A terapia comportamental evoluiu para melhor, sem perder a sua preocupação em ser uma terapia que funciona.

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