Arquivo de maio de 2017

Relação amorosa: a importância de manter a clareza na comunicação

terça-feira, 23 de maio de 2017

 

O amor, por vezes, é idealizado de tal forma que nunca nós, humanos mortais, sentiríamos. É necessário aprender a voar com os pés no chão, porque talvez o “viveram felizes para sempre” seja encontrado apenas nos filmes. Há quem diga que sofrer por alguém, não é amor, e não é para ser. Será que é coisa do destino?! Ficamos tristes, sentimos injustiçados e rejeitados por uma pessoa que estávamos apostando todas as fichas, mas não foi dessa vez. Quantas vezes já repetimos internamente: “Não foi dessa vez”?!

Depois de algumas tentativas consideráveis, sem atingir o objetivo, fica difícil acreditar que iremos viver uma história bonita. Foram tantas tentativas, que já sabemos o caminho de cor e salteado. Contudo, o que muitas vezes passa despercebido é o motivo que levou ao rompimento. Não, não foi seu cabelo sempre bagunçado ou os kg a mais. Uma das causas dos términos dos relacionamentos afetivos-amorosos, é a comunicação, ou melhor dizendo, a falha em nos comunicar.

Quando queremos ‘A’, e deixamos subentendido que queremos ‘A’, possivelmente não seremos atendidos, vamos nos frustrar e ficar chateados porque a outra pessoa não ofertou o que estávamos precisando. Acabamos nos afastando da pessoa que queríamos estar próximos, começamos a imaginar que a outra pessoa não está nem aí para a gente. Ficamos monossilábicos e falamos friamente, porque “poh, como que ciclano não se deu por conta, nem desculpas pediu?!” Como consequência disso, ciclano começa a se afastar (já que o papo está difícil e não estamos disponíveis), confirma o que suspeitávamos desde o início. Será que pedimos de maneira clara e objetiva, por aquilo que estávamos precisando?

Mesmo que fulano tenha empatia desenvolvida, ainda não tem superpoderes para ler nossa mente e saber o que de fato, precisamos. Parece soar como algo tão bobo, mas o quesito achismo – dar a entender, é algo muito poderoso, porque podemos achar qualquer coisa sobre qualquer coisa, mas achar isso ou aquilo, não significa que estamos dizendo que de fato, é isso ou aquilo. Aí, a probabilidade de entendermos de maneira distorcida o que acontece, é altíssima.

É inegável que em algum momento, vamos sentir magoados e vamos magoar quem amamos, porque a perfeição em se relacionar, é utopia. Porém, é necessário ficar atento para alguns cuidados que podem ser cruciais ao buscarmos por uma relação afetiva-amorosa, saudável. Seguem eles:

 Avalie a situação conforme a descrição dos fatos em si e não sobre o que você entendeu sobre a situação;
 Seja essencialmente verdadeiro.
 Respeite seus sentimentos e suas escolhas. Respeite os sentimentos e escolhas de quem você ama.
 Antes de criar uma expectativa sobre o andamento do relacionamento, certifique-se de que tem chances de acontecer.
 Quando estiver na dúvida se você conseguiu falar o que pretendia, peça feedback. Solicite que a pessoa lhe fale o que você acabou de dizer;
 Se estiver precisando de um colo, de um abraço. Peça! É gratificante e prazeroso receber colo e abraçar quem você ama;
 Monitore o tom e o volume da voz. Às vezes, você pode falar tão alto, que a pessoa não conseguir lhe ouvir;
 Pensar sobre o que você pensou, poderá lhe ajudar a ser mais assertivo;
 Leve em consideração as suas escolhas e preferências, flexibilize quando necessário;
 Manifeste seu afeto. Um cartão com meia dúzia de palavras genuínas, pode ser mais fortalecedor do que uma caixa de bombons suíços;
 Ofereça disponibilidade quando quiser e puder estar disponível;
 Reconheça e valide cada objetivo atingido. Vibre e comemore junto;
 Evite criticar algo que você não gosta no ouro. Em vez disso, queixe-se e expresse o que você sente. A criticidade não ajudará a resolver o seu problema;
 O medo faz parte de nossas vidas, mas ele não precisa ter o controle sobre ela. Esteja disposto a enfrenta-lo, esteja disposto a tentar mudar o que está lhe incomodando;
Se coloque no lugar do outro. Seja humilde.

Lembrar que os itens citados não são regras, que não existem manuais, receitas de bolo a serem seguidas para ter sucesso no campo amoroso, já é um grande passo. Descobrir o caminho, requer coragem e motivação, mas o objetivo final é o mesmo para todos: diminuir os ruídos da relação para que ela seja plena e satisfatória.

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Em tempos de “13 reasons why” e “baleia azul”: como atentar-se aos jovens?

terça-feira, 16 de maio de 2017

 

Nas últimas semanas, as redes sociais deram palco para discussões e reflexões sobre a série que está sendo veiculada pelo Netflix “13 reasons why”. Nesta série são abordados alguns temas recorrentes do nosso dia-a-dia, como bullying, violência, suicídio, entre outros.
Não raras vezes, crianças e adolescentes são os principais protagonistas destes temas, assim como mostrado na série. As situações vivenciadas pelos personagens da ficção são muito semelhantes da nossa realidade.

Sabemos que episódios de bullying não são recentes e que causam danos tanto físicos, quanto psicológicos, e que dependendo do nível que a vítima é atingida, não poucas vezes, faltam recursos psíquicos para lidar com tais situações e que por falta de alternativa a “melhor” escolha é dar fim a própria vida, como aconteceu em “13 reasons why”.
Outro ponto que precisamos destacar que foi abordado na série e que se faz tão importante no desenvolvimento de crianças e adolescentes, são as relações familiares. No seriado foram apresentadas relações distantes, abusivas. Os pais não “conheciam” seus filhos, não sabiam quando estes precisavam de algum auxílio ou quando necessitavam ser escutados. E relações assim, não são tão difíceis de serem encontradas por aí.

Outro assunto que repercutiu no mundo todo, quase que no mesmo período da série, foi o jogo da Baleia Azul (blue whale), que teve seu início na Rússia. Este jogo atinge crianças e adolescentes via diferentes redes sociais, em que uma pessoa, denominada no jogo como “curador”, faz contato com estes jovens para passar as instruções de cada nível do jogo. São no total 50 níveis, que envolvem colocar-se em risco, automutilação, e o final do jogo seria o próprio suicídio.
Geralmente, quando os jovens estão passando por algum sofrimento, tendem a dar alguns sinais, e é imprescindível o olhar atento dos responsáveis. Podem apresentar: queda no desempenho escolar, isolamento social, descuido com a aparência, alterações na rotina, sono, alimentação, mudanças de comportamento de modo geral, entre outros.
É importante que pais e responsáveis permitam relações mais próximas com as crianças e adolescentes, facilitando o diálogo e a expressão emocional. Esquecer os julgamentos é um bom aliado na hora da conversa.

Números do CVV: 141 para ligações de todo Brasil; 188 para ligações apenas no Rio Grande do Sul.

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A culpa é da mãe

terça-feira, 16 de maio de 2017

Durante muitos anos as mães foram injustamente responsabilizadas por tudo que fugisse do “normal”, ou desejável, em seus filhos. Desde o Autismo até o próprio sexo da criança. Responsáveis pela criação, elas eram tidas como únicas responsáveis pelas “mal-criações” das crianças. Muita injustiça foi e ainda é feita, e muito sofrimento foi e ainda é provocado naqueles indivíduos responsáveis pelo que há de mais difícil e arriscado entre tudo o que envolve a perpetuação da nossa espécie: a gestação, o parto e a presença de um vínculo que suporte a dor, o medo, a pressão e a culpa, e que permita a negação de suas próprias necessidades e coloque a sua própria subsistência em risco para que um bebê – metade seu, metade de outra pessoa – nasça, sobreviva e se torne adulto.

Para que qualquer pessoa exista, uma mulher deve se tornar gestante e, por pelo menos nove meses, vai ter seu corpo, sua mente e sua vida transformados. Mesmo que ela não crie seu filho, sua vida já mudou para sempre. A gestação e parto são grandiosos atos de generosidade. As mulheres não se tornam mães só por ou para elas, elas se tornam mães para o mundo e, apesar disso, o mundo não se mostra suficientemente grato às mulheres pela sua doação, que envolve muitos riscos, mas que permite que continuemos existindo enquanto espécie. Então, sim, a culpa é da mãe.

As mães não são somente as mulheres que dão à luz. E a elas devemos ser gratos também. A mãe é a mulher que se torna a figura feminina de referência na vida de um ser humano, a mulher que se responsabiliza (e leva a culpa), que cuida, orienta, dá afeto e limites a alguém que ela adote como seu filho. Essa adoção pode ser formal ou informal, fruto de uma escolha ou das circunstâncias. A mãe é a avó, a tia, a vizinha, a amiga, a professora… não importa quem, desde que ame e cuide como mãe.

Mais do que um título adquirido ao se dar à luz a um bebê, a maternidade é como caracterizamos uma relação onde uma mulher investe mais do que tempo, mais do que energia, mais do que afeto, e muitas vezes mais do que imagina ser capaz de investir, em alguém. Qualquer mulher que faça isso é um exemplo de generosidade, ou seja, é uma mãe.

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Comportamentos abusivos. Ainda que devastador, como pode passar despercebido?

terça-feira, 16 de maio de 2017

 

Recentemente um reality show nos proporcionou momentos de indignação e tomada de consciência. As discussões e brigas, que algumas vezes se tornaram físicas, entre os participantes Emily e Marcos, no Big Brother Brasil, despertaram algumas questões na cabeça dos telespectadores. Para simplificarmos, podemos pensar em questionamentos de duas ordens: “Como a participante não se deu conta de que ela estava sendo abusada física e psicologicamente?” Ou “Se isso é abuso, eu acabo de descobrir que sofro com isso cotidianamente”.
Enquanto que aqueles que compartilham da primeira questão sentem-se abismados ao perceber que, para Emily, as atitudes de Marcos eram compreensíveis (por ele afirmar ter problemas psicológicos, pelo confinamento, pela privação de sono, etc), para aqueles telespectadores que se espantaram diante da denúncia feita por parte do público de que o que se passava era de fato um exemplo clássico de abuso, o que houve foi uma descoberta capaz de ressignificar as experiências de uma vida inteira. E é falando de uma vida inteira submetidos ou normalizando agressões psicológicas, físicas e até sexuais, que poderemos tentar compreender por que pode ser tão difícil identificar tais vivências como excessos que podemos enquadrar em abusos, de diferentes ordens.
Os comportamentos abusivos estão presentes e são considerados “normais” ou “justificáveis” nas mais diversas esferas da nossa sociedade. Nas relações de trabalho, nas relações professor-aluno, nas relações entre colegas na escola, nas relações românticas, nas relações pai/mãe-filho, médico-paciente, policial-(suposto)infrator, cuidador-pessoa dependente, etc. Elas ocorrem sob o nome da hierarquia, da regra do mais forte, da justiça, da sobrecarga, do desequilíbrio, e até, por mais absurdo que isso seja, do “amor”.
Independente da máscara que o abuso use, ele nunca passa sem deixar marcas, sem causar sofrimento e dano de diversas formas e níveis. O abuso não faz alguém crescer e se tornar melhor, e, quando falamos de crianças, as deixa vulneráveis para a possibilidade de não saber identificar um comportamento como abusivo e se esquivar, defender ou proteger da ação potencialmente, ou confirmadamente, destrutiva dirigida a ela. A criança é abusada e não é protegida por aqueles responsáveis por viabilizar e manter a sua existência no mundo: os adultos. Esses adultos são, na maioria das vezes, mais do que criaturas grandes das quais a sua vida (casa, comida, saúde, estudos) depende, eles são também pessoas às quais as crianças estão ligadas por uma questão que vai além da sua vontade ou capacidade de controlar: o apego, o amor.
Não é coerente esperar que alguém que lhe deu a vida e que, aparentemente, luta para mantê-la, vá querer fazer qualquer coisa que possa destruí-la. A incoerência faz com que o abuso (desde a infância) seja tão inconcebível que nós não somos, literalmente, capazes de identificá-lo sem um olhar crítico. Resta esperar que o ocorrido em rede nacional sirva de alerta para despertar um julgamento crítico por parte de todos aqueles que, assim como Emily, não reconheciam a violência em cada uma das várias atitudes abusivas do participante expulso.

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