Arquivo de dezembro de 2016

Final do ano e estresse

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

pots Dra. Mari

A chegada do final do ano é perpassada por diversos acontecimentos que envolvem desde preparativos para festas e programação de férias, até a reavaliação de acontecimentos do ano e finalização de pendências para o começo do próximo ano – tudo isso em poucos dias. Esses acontecimentos tendem a despertar um “mix” de emoções, como medo, preocupações e ansiedade, podendo tomar uma proporção exagerada. Além disso, algumas pessoas podem pensar que nesse prazo curto tudo terá que ser solucionado.

É como se o final do ano fosse o limite para solucionar o que não foi feito durante o ano inteiro e, diante disso, ficam mais agitadas e estressadas. O estresse acaba aparecendo e interferindo em um momento de festas e celebrações, de reflexão e conquistas, maximizando o que não foi concluído e minimizando as conquistas realizadas, podendo surgir muitas frustrações que desencadeiam sentimentos de tristeza e autocrítica.

Aqueles que resolveram bem os conflitos e objetivos ao longo do ano geralmente se sentem bem. Do contrário, podem surgir temores. O problema não está tanto no que as pessoas não fizeram, mas na reação ao que não foi feito. Costumamos nos torturar tanto com culpas, e em muitos casos provocamos mais estragos pensando em algo que pode acontecer, do que naquilo que devemos fazer para resolver o problema.

Para Beck, autor da terapia cognitivo-comportamental, a forma como as pessoas pensam influencia significativamente em suas emoções e atitudes. Assim, entende-se que emoções e comportamentos disfuncionais são decorrentes de maneiras disfuncionais de pensar. Essas formas de pensamento são chamadas de distorções cognitivas. Diante disso, a catástrofe é uma das distorções que ganha uma proporção exagerada nessa época do ano, na qual as pessoas acham que o que aconteceu ou vai acontecer durante o ano é tão terrível e insustentável que não serão capazes de suportar. Assim como o filtro negativo, em que o foco é quase exclusivamente nos aspectos negativos que não foram alcançados e raramente são notados os positivos. A distorção do tipo “E se eu tivesse feito diferente…” é um outro pensamento que interfere e gera muita culpa e ansiedade. Alguns pensamentos mágicos também podem surgir, como por exemplo “se não finalizar tudo o que tinha proposto algo de ruim poderá acontecer”, entre outros.

Para reagir bem a essas dificuldades é importante não apostar todas as expectativas no final do ano. No entanto, se não deixarmos essa reflexão apenas para o final do ano, resolvendo e ajustando nossas metas ao longo do ano, teremos uma forma mais realista de pensar e resolver. Dessa forma, as pendências podem ser concluídas, os erros podem ser corrigidos e os acertos até melhorados.

Dicas importantes:

✔ organize-se para alcançar suas metas, pois o planejamento pode ajudar a evitar a ansiedade;

✔ evite culpar-se por objetivos não alcançados, talvez ele possa ser transferido para o próximo ano;

✔ busque o bem-estar nos pequenos acontecimentos do dia a dia; uma vez que são eles que proporcionam o fortalecimento psicológico imprescindível ao ser humano;

✔ se você não sabe qual a sua forma de pensar e o quanto ela pode estar atrapalhando no seu comportamento, a terapia cognitivo-comportamental poderá auxiliar nesse processo.

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Empatia como uma forma de auto controle

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

texto - Dr. Liur

 

Época de final de ano, época de reflexões sobre tudo aquilo que passou e de criar metas para o ano que está chegando.
Diversas vezes nos deparamos com as frustrações e os fracassos de não conseguir seguir com as metas que nos propomos nos anos anteriores, sejam pelos mais variados aspectos. Fica também a ansiedade de conseguir cumprir novas metas, assim como começa a diminuir o desejo de criar novos objetivos. Como consequência, nosso humor e nossa auto eficácia acabam afetados negativamente.
Ao invés de apenas colocar a responsabilidade do cumprimento das nossas metas em nossa motivação, ou em nossa força de vontade, proponho uma visão um pouco diferente, tanto no que diz respeito ao nosso autocontrole, como no que diz respeito a empatia.

Observamos que tanto a impulsividade, como o egoísmo são dois lados de uma mesma moeda, sendo que o outro lado seria a empatia, a capacidade de conseguir se colocar no lugar de outras pessoas.
Quando colocamos em pratica as metas para o próximo ano, um exercício que vale a pena fazer é tentar ser mais empático com o seu EU futuro, pensar se as atitudes que você está tomando agora vão ser bem recebidas quando o final do ano chegar, em outras palavras, praticar o auto controle, sendo mais empático consigo mesmo, deixando de lado alguns prazeres imediatos e sendo menos impulsivo e egoísta com o seu EU de agora.

Quando nossos impulsos chegam num nível onde começamos a ter sofrimento, seja para nós, como para as pessoas que estão a nossa volta, esta seria uma boa hora de procurar um terapeuta cognitivo-comportamental para tentar entender e ajudar a resolver as questões que temos mais dificuldade.

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Automutilação: uma forma de externalizar a dor interna

sábado, 17 de dezembro de 2016

post djúlia

 

A automutilação, ou cutting, são cortes provocados pelo próprio indivíduo, não necessariamente com uma ideação suicida, mas sim, na maioria das vezes, como uma tentativa de aliviar sua dor emocional. Percebe-se em consultório, uma progressiva demanda de comportamentos de automutilação, principalmente casos que envolvam adolescentes. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 20% da população de jovens têm comportamentos de automutilação.

Alguns transtornos envolvem o cutting, tais como: transtornos de humor, ansiedade, traços de personalidade, transtornos alimentares, entre outros. O comportamento de automutilar-se não tem o objetivo de chamar a atenção, representa uma estratégia do sujeito “anestesiar” suas próprias emoções aliviando fisicamente o sofrimento emocional.

As famílias devem atentar-se às expressões emocionais, podendo prevenir que haja intolerantes dores sentimentais e conflitos do dia-a-dia que possam ser silenciados em autoagressões. A comunicação eficaz na família é de grande importância para que o jovem se sinta seguro, valorizado e confiante. Além disso, é fundamental a família atentar-se ao que pode estar acontecendo em sua dinâmica, já que esse comportamento pode estar denotando algumas carências. É importante mostrar-se disponível para escutar o adolescente que precisa de cuidado.

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O bullying e suas vítimas

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Texto Vanessa Marques

 

Bullying é uma palavra de origem inglesa que significa “intimidação”. O termo é uma derivação de “bully” que, por sua vez, significa “valentão”. Bullying ficou conhecida, então, como as formas de atitudes agressivas – sejam elas verbais ou físicas – que acontecem sem aparente razão ou motivação clara.

Um dos fatores que confundem os pais, principalmente em alguns casos de bullying com crianças pequenas, é sobre o fato de ser difícil de aceitar que existem crianças maldosas, pois como muitos dizem: “isso é coisa de criança”, “crianças são ingênuas”, “crianças não fazem o mal”. Lamentavelmente, sabemos que esse paradigma não é real, pois, existem sim crianças maldosas, podendo ter comportamentos cruéis, principalmente quando estão no comando de grupos onde conseguem manipular outras crianças. Isso pode ocorrer por diferentes motivos, talvez nem tenhamos todas as respostas.

Para caracterizar o Bullying é necessário considerarmos a intencionalidade, a recorrência e a falta de justificativa. Esse ato difere-se de uma “brincadeira”, pois quando se trata de uma brincadeira, todos os envolvidos se divertem, o que não ocorre nessas circunstâncias onde a vítima interpreta como agressão, não gostando do que foi feito ou dito, ou ainda não conseguindo se livrar e colocar um fim ou limite, principalmente pela sua característica de frágil e/ou indefesa.

Quando o Bullying ocorre, é possível percebermos pelo menos 3 tipos de papéis, o agressor, a vítima e o expectador. Por vezes o expectador busca ficar neutro, até para evitar ser a próxima vítima. Se perceber atitudes no seu filho como não querer mais frequentar a escola, manifestação e queixas físicas próximo do horário de ir para escola, choro fácil, irritabilidade, ansiedade, desmotivação, alteração de humor, sono e/ou apetite, entre outros sintomas, além de acompanhá-lo a escola, busque a orientação de um profissional da área da Psicologia para poder conversar sobre o caso. A busca de informações especializadas somado ao início de um tratamento efetivo, colabora para medidas relacionadas a redução dos danos psicológicos, aumento e fortalecimento das capacidades cognitivas e emocionais saudáveis da criança.

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As 5 necessidades emocionais. Terapia do Esquema.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

post dra. lissia

 

A Teoria Focada em Esquemas, construída por Jeffrey Young, aponta que para sermos adultos saudáveis, todos nós, sem caráter de exceção, precisamos de alguns itens básicos – cinco necessidades emocionais são necessárias para que a saúde psíquica, se desenvolva no seu maior potencial. Quais são essas necessidades emocionais que tanto falamos? Na sequência, uma breve descrição de cada uma delas:

➡ Aceitação e conexão
É necessário sentir que somos aceitos e importantes, que nossos cuidadores nos acolham afetivamente, atendam nossas solicitações de ajuda, que nos protejam quando estivermos sentido vulneráveis e nos confortem quando estivermos assustados. Cada um precisa de frequências, intensidades e afetos diferentes. É preciso saber identificar e prover de maneira adequada, aquilo que é solicitado.

➡ Autonomia e Competência
Para ir em busca de conquistas e sonhos, é necessário conhecer nossas habilidades e competências. Para isso, é fundamental que nos mostrem o caminho, nos ensinem e motivem a arriscar. Se houver o auxílio e suporte apropriado, mais facilmente buscaremos pela independência e pela realização pessoal.

➡ Limites realistas
A frustração precisará estar presente em nossas vidas e é inegável a importância de aprendermos os limites, as regras, as combinações. No entanto, precisamos atentar para a flexibilidade ou para a rigidez em demasia, não soar passividade, nem hostilidade.

➡ Espontaneidade e lazer
Todos nós sabemos que existem exigências, compromissos, condutas éticas e ideais a serem respeitados. Contudo, os momentos de lazer e divertimento, o cuidado com a saúde e com os relacionamentos interpessoais, os momentos de felicidade e auto expressão, deveriam ser primordialmente lembrados e investidos.

➡ Liberdade de expressão e emoções válidas
Temos o direito de posicionarmos, de opinarmos, de pedir pelo que necessitamos emocionalmente e sermos atendidos. Nada de ficar consentindo e instruindo para ficarmos quietinhos porque não fica adequado, ou porque alguém reprovará. A saúde e bem-estar emocional, são intrinsicamente mais importantes que status e aceitação social.

Enquanto somos crianças, vamos construir uma base para cada uma dessas demandas e nossas mães e/ou cuidadoras, serão as nossas principais provedoras. Ao longo da vida, iremos nos relacionar com várias pessoas que poderão nos ofertar aquilo que precisamos. Entretanto, apenas as construções de vínculos saudáveis possibilitarão satisfazer nossas necessidades emocionais.

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