Arquivo de julho de 2016

MINDFULNESS E ACEITAÇÃO – Mas se eu sei como fazer, por que não faço?

sexta-feira, 29 de julho de 2016

post Dr. Francisco

 

Quando percebe, o Francisco acaba, mais uma vez, deixando para última hora o trabalho da faculdade e passando por momentos de ansiedade e estresse para fazer às pressas. Ele sabe, pelas suas experiências passadas, que não deve fazer isso, pois acaba ficando nervoso, sofrendo, correndo, se descabelando, mas, mais uma vez, lá está ele procrastinando novamente. Este tipo de atitude é absolutamente comum no nosso cotidiano. Sabemos como devemos nos comportar, e por quais motivos não fazemos?

Agir com irritação à uma crítica, brigar com as pessoas que amamos quando estamos com raiva, xingar os outros no trânsito, ou simplesmente calarmos quando gostaríamos de expressar nossas opiniões. Sabemos como gostaríamos de agir, mas nossa mente insiste em nos levar para o caminho errado.

Uma coisa é saber, a outra é fazer. Temos nosso lado racional que diz: “Francisco, faz o trabalho antecipadamente, um pouquinho a cada dia, desta forma você não irá desgastar tanto quanto das últimas vezes.” Daí vem nosso lado emocional: “Francisco, por que vai fazer isso hoje, se tem uma semana ainda de prazo? Deixa isso para depois, tem tanta coisa legal pra fazer hoje, por exemplo, fazer nada.” O lado racional faz uma avaliação das experiências passadas e mostra uma conclusão lógica, tentando te levar para o melhor caminho. O lado emocional faz com que nos aproximemos do prazer, evitando o desconforto da forma mais rápida possível.

Mas o que fazer para que possamos escolher nossas ações da forma como gostaríamos? Uma das formas mais eficazes da atualidade é o treinamento do nosso foco atencional, que pode ser chamado também de MINDFULNESS. No momento em que aprendemos a focar nossa atenção no momento presente, sem julgamento e de forma intencional e sincera, nossas atitudes passam a ser mais escolhas e menos reativas. Escolhas são racionais, reações são emocionais. Mas, para isso, é importante treinar. Perceber, descrever e nomear os sentimentos que sentimos é uma forma de estar consciente do que se passa conosco. Quanto mais consciente (ou mais treinado quanto ao foco atencional), menos atitudes reativas temos, pois nos tornamos mais capazes de fazer ESCOLHAS.

Inicialmente, este treino pode ser um pouco ansiogênico, pois não estamos acostumados a observar o que se passa conosco, porém, com o tempo, vai se tornando cada vez mais natural. Por conseguirmos agir em maior concordância com o que queremos, nossa vida vai se tornando mais significativa e experimentamos muito mais bem estar. Atualmente, alguns profissionais da psicologia têm trabalhado com este enfoque, e os resultados clínicos e das pesquisas no tema têm se mostrado animadores. Para se ter maior bem estar, é preciso trabalhar a si mesmo. Vamos nos mexer!

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Protetor desligado: Mode ON.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Post Dra. Lissia 2

 

Não é exagero ou sentimentalismo puro dizer que todos precisam de carinho, cuidado e afeto. Os manuscritos científicos confirmam esses dados, estudiosos do assunto explicam a função evolutiva e o entendimento biológico, que condiz com o que vivenciamos no dia-a-dia. Nós precisamos ser amados, sim! Podemos ser amados e deixar que nos amem. Merecemos estar satisfeitos emocionalmente, pois assim sentiremos fortalecidos e impulsionaremos para desbravar o que não conhecemos.

Até aí, tudo bem. Mas vez ou outra, nos barramos com um probleminha: muitas vezes, somos nós que não aceitamos isso. Passamos a perna em nós mesmos. “Ah, não! Não, não é possível! Que doideira é essa? Nós fizemos propositalmente?” Não de maneira consciente, mas sim. Xiii…

Nossos próprios inimigos são aqueles que perambulam nossas cabeças. Talvez vocês até já ouviram falar neles…. Quando acordam e até não sabermos manejar com eles, pois ficam num looping infinito. E ainda por cima, temos a cara de pau de fortalece-los. Chamamos de estratégias compensatórias, a maneira que respondemos quando nosso inimigo interno resolve acordar do cochilo e dar o ar da graça. As situações potencialmente ameaçadoras, são as responsáveis pelo despertar. Racionalmente, temos noção que provocar sofrimento, não faz sentido algum. Sofremos com isso. E muito. Só que emocionalmente, fica redondinho, redondinho. Todas as peças se encaixam, porque nosso inimigo se apaixona apenas pelo o que ele conhece. Inicialmente, ele não aceita paixões desconhecidas. Os olhos brilham por aquelas já conhecidas e ponto. E ele quer mais e mais. Insaciável.

Quando ele acorda, eu desligo meu emocional. Ou seja: modo racional ATIVAR! Eu vivo, meu coração não deixa de bater, mas eu não sinto a emoção daquilo que estou vivendo. Isso faz um mal danado, mas eu não noto isso, afinal, desliguei o modo emocional. Por qual motivo, razão ou explicação eu faria isso? Simples: quando há uma situação estressora que ativa meu inimigo interno, eu preciso me proteger das coisas sem fundamento que ele me diz. O meu inimigo interno me diz obcecadamente que eu não tenho chance de ser amado, que eu não posso expressar o que sinto porque obviamente as pessoas ririam de mim. Eu admitir que gosto de uma pessoa, que a cia dela me faz bem, que eu sinto falta dela, é incogitável. Assim eu não sofro, eu não me coloco em uma situação vulnerável. Eu não falo e não expresso o que sinto, apenas falo o que penso. Que vergonhoso seria me expor, expor minhas emoções, não é? Então, entre idas e vindas eu digo que está tudo bem, eu engulo o choro, eu desconecto para valer. Não dou chance para que notem o quanto eu estou me sentindo fragilizado. Pedir para conversar com um amigo? Não. Never! Isso é fichinha para mim, tiro de letra. Entretanto, agindo assim eu não me permito sofrer, mas também, eu não me permito sentir.
Bloqueio, preciso me proteger e mantenho o modo racional ativo.

Uma hora dessas pode ser que cansemos looping frenético. Por que convenhamos, é um saco, geralmente acontece as mesmas coisas e o resultado final é você triste, arrasada, magoada, se achando a bizarrice em pessoa. Mas olha só, tem outra alternativa para resolver sua situação: você pode desativar esse modo que tanto lhe perturba, pode enfraquece-lo, não colocar a lenha na fogueira. Sabe?!

É tão bonito se relacionar. É tão bonita a construção de um vínculo afetivo. Poder contar com a presença de alguém especial que você tem admiração, lhe fortalece. Dizer a ela o que você realmente está sentindo (difícil pra caramba), e tirar lá do fundo do coração, é desejar ser amado e deixar-se amar. Sem manuais, apenas com o sentimento puro e genuíno, que deve estar doidinho para ser notado e respirar a liberdade de ser ele mesmo.

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Matéria Zero Hora sobre “Os reflexos da violência urbana no comportamento das famílias”

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Confira o trecho da Dr Elisa Steinhorst publicado em matéria da Zero Hora sobre “Os reflexos da violência urbana no comportamento das famílias”
Confira a matéria completa no site da Zero Hora.

Mesmo “indireta”, violência pode deixar marcas na infância

As crianças, por vezes, nem percebem como seus pais ou responsáveis preocupam-se com a segurança. As orientações de não aceitar a ajuda de estranhos, evitar comentar sobre a rotina de casa e ficar sempre de olho nos pertences são alguns exemplos de como a insegurança tem afetado os hábitos de cada um, mesmo quando a família não tenha sido vítima de algum tipo de atentado. E tanta preocupação, apesar de necessária, pode afetar os pequenos.

– A exposição ao medo durante o desenvolvimento, especialmente na infância, pode ter consequências de longo prazo na vida das pessoas – afirma o psiquiatra Rodrigo Grassi de Oliveira, coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Trauma e Estresse (Nepte), na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

Como possíveis efeitos, a psicóloga clínica Elisa Steinhorst Damasceno aponta uma maior propensão a doenças decorrentes do estresse e da ansiedade, por exemplo, além do desenvolvimento de transtornos psíquicos. Mas a principal consequência, segundo ela, seria a criação de uma geração mais temerosa, menos disposta a tomar riscos, menos aberta ao convívio com pessoas e em locais diferentes – uma geração confinada.

– Penso que uma das consequências do medo é uma atitude conservadora em relação à sociedade em geral e à mudança. Nos tornamos medrosos, intimidados, por causa do medo – completa Ben Highmore, professor do centro de estudos culturais na Universidade de Sussex, no Reino Unido, que tem como principal linha de pesquisa a relação entre medo e segurança.

Há também quem cogite que conviver com a insegurança pode ser um processo adaptativo. Se, nos primórdios, a humanidade escolhia entre lutar ou correr quando diante de um predador, pode ser que a violência seja hoje esse predador. O risco talvez esteja em não ter mais escolha além de se esconder.

 

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Re(investir) em uma relação: vale a pena?

segunda-feira, 18 de julho de 2016

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Quem nunca viveu uma desilusão amorosa, que se manifeste, por favor!
Quantas vezes caímos, nos machucamos, curamos a ferida e nos reerguemos? Firmes e fortes, disponíveis para um possível novo amor?
Você se arrisca mais uma vez e lá pelas tantas começa a encontrar vários obstáculos pelo caminho. Aquilo que antes tinha lhe trazido a sensação de borboletas no estômago, de noites em claro pensando nos planos e nos momentos bonitos que se eternizaram, dá lugar as incertezas, desânimo e tristeza. Às vezes, vamos perder a batalha mais uma vez. Conflitos, ideias divergentes, desentendimentos vão se fazer presentes. Engana-se aquele que entende que precisa sempre estar a mil maravilhas, para que o relacionamento flua.

Porém, o ponto crucial é como as disparidades estão sendo resolvidas. É importante que vocês consigam chegar num consenso, que vocês flexibilizem, que vocês se coloquem um no lugar do outro, que vocês se respeitem. Todos temos limitações, vamos ter dificuldades ao deparar com aquilo que nos amedronta e para o bom andar da carruagem, é necessário estar disposto a mudar. Mudar porque eu acho importante, porque eu desejo essa mudança, mudar porque é por mim.

Algumas vezes, aquela velha tática de colocar na balança e analisar quais são os pontos positivos e negativos em tentar manter um relacionamento vai ser muito útil.

O desfecho de uma relação afetivo-amorosa, vai depender do que vocês acharem que for importante e repito: como vocês irão reagir frente a isso. Que pessoa você quer do seu lado? Que tipo de relacionamento lhe agrada? O que lhe interessa, lhe encanta? O que você admira? Vocês têm os mesmos planos e objetivos? Conseguem ter conversas produtivas? Conseguem reconhecer quando por um motivo “x”, a emoção tomou conta, não conseguiram se expressar da maneira como gostariam e acabaram por ofender o outro? Há conversas sinceras? Cartas na mesa, cara lavada? Respeito? Carinho? Gratidão? Humildade? Sincronicidade? Paixão? Tesão? Cuidado? Leveza?

Lembrem da inexistência do que é certo e do que é errado. Tudo, tudo vai depender de muitas variáveis, muitas questões pessoais, subjetivas, estão imersas. São praticamente nulas as variáveis que estão sob nosso controle.

Quem não arrisca, não petisca de jeito nenhum. Contudo, é evidente que além da disponibilidade para tentar fazer diferente, será necessário ter paciência, dedos cruzados, fôlego recuperado e desejo de dias vindouros.

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É vergonha ou Fobia Social?

segunda-feira, 18 de julho de 2016

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Todas as pessoas sentem vergonha. Desde a mais extrovertida, até a mais tímida: ninguém está imune à ela! Mas você já parou para pensar o que é a vergonha?

Vergonha é uma das nossas emoções mais antigas, que evoluiu conosco conforme evoluímos como espécie. O ser humano sempre foi um animal social, ou seja, que depende do convívio em grupo para o desenvolvimento pleno de suas capacidades físicas e psíquicas. Há muito tempo atrás, se não houvessem parcerias bem consolidadas onde o homem pudesse sair para caçar enquanto a mulher cuidava para que nenhum predador atacasse sua prole, provavelmente não teríamos chegado até aqui! Desde muito pequenos, sentimos e vivemos a importância da troca afetiva e social com os outros. Por isso, o sentimento de pertencimento e de aprovação é tão importante: se não pertencermos a um grupo, se não formos aprovados e aceitos, entendemos que estamos em risco.

É claro que, hoje em dia, muita coisa mudou: desenvolvemos formas refinadas de comunicação, as regras e etiqueta social são completamente diferentes, os riscos que vivemos no dia-a-dia são outros. Mas os sentimentos, esses seguem praticamente intactos! A diferença é que agora damos nome e significado pra eles. Vendo dessa forma, fica claro o porquê de sentirmos vergonha: queremos, precisamos ser aceitos. Sentir vergonha é tão normal e útil quanto sentir fome, pois nos protege de algo que pode nos fazer mal.

Entretanto, o que difere a vergonha da Fobia Social é a intensidade e a frequência do sentimento. A Fobia Social é um transtorno mental prevalente, que gera ansiedade e medo frente à situações de interação social e de desempenho. As dificuldades podem ir desde perguntar as horas para alguém na rua, falar em um grupo, telefonar para pedir uma telentrega, emitir opiniões, até falar em público. Quem tem Fobia Social sente muito medo da avaliação e julgamento do outro, o que muitas vezes gera comportamentos de evitação das situações temidas. Por isso, pode ser muito incapacitante. O tratamento com Terapia Cognitivo-Comportamental tem resultados excelentes no tratamento da Fobia Social, pois é um tratamento estruturado e voltado para metas. Se você desconfia que alguém que você conhece, ou até mesmo você próprio, pode estar com Fobia Social, não hesite em procurar ajuda!

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Entre cores e ventanias

terça-feira, 12 de julho de 2016

Post Dra. Lissia

 

É, dizem que cabeça vazia é oficina do diabo. Às vezes, quando nos distraímos, os “monstrinhos” se prevalecem, se atravessam e ocupam os espaços disponíveis na nossa mente. Quando nos damos por conta, já era. Eles apertam os botõezinhos internos que nos passam o seguinte recado: “não tenta. Pensa com calma, das outras vezes você desconsiderou meu aviso e se ferrou de novo. Vai por mim, me escuta que aí você não vai quebrar a cara”. Outro botão, em formato mais robusto, pode lhe dizer o seguinte: dá uma chance para ele, vai! Ele não consegue te ver algumas vezes, mas é tão gentil quando vocês se encontram”. E um terceiro, pode lhe dizer o seguinte: “não precisa ter pressa não, você tem toda vida pela frente, tem mais é que curtir! Nada de relacionamento sério, por agora. Você não precisa ficar preso nesse momento. Olha seu celular, quantos convites a serem respondidos? Você está no parque de diversões e nem sabe”.

Nem sabe mesmo. Uma tremenda cilada! Tudo que é excesso e tudo que é escasso, pode trazer complicações. É importante que você respeite o seu tempo e lembre dos seus objetivos. Entretanto, antes de mais nada é preciso saber se você, de fato, deseja ter alguém ao seu lado. Não?! Passa a vez?! Sim? E o que você está fazendo para atingir seu objetivo?

Não existe perfeição nos relacionamentos e isso é muito bom. É bom porque vocês vão precisar se (re)conhecer para saber o que fecha e fica redondinho, e o que fica meio bambo. A corda bamba, por mais difícil que pareça, ela ajuda a nos manter atentos, mas se confiarmos no vento, talvez podemos colocar tudo a perder. O que é da nossa responsabilidade, é como vamos agir frente a uma ventania, por exemplo. Se eu vacilar, pode entrar poeira nos meus olhos, e lembra dos botõezinhos? Eles poderão ser ativados, porque eles se viram em uma situação de perigo. Pode ser que eu não consiga enxergar o que está acontecendo na minha frente, vou focar no desconforto dos meus olhos e não vou avaliar a intensidade e direção do vento. É este o ponto cego, em que muitas vezes nos perdemos.
E para se re(encontrar)? O que se faz?

Quem sabe você pede ajuda a pessoa que está ao seu lado? Essa mesma que você conheceu a pouco. Ela está disponível, não? “Ah, mas é tão sem graça. Não me chama tanto a atenção, não rola mais aquela química. Não é o do tipo que eu gosto, aí fica complicado demais. Entende? ” Sim. Entendemos. E justamente por isso! Será que não é o momento de mudar o lado do disco? Mudar a rota, experimentar novos sabores e novos perfumes? Quem sabe é essa pessoa que vai lhe ajudar a minimizar o desconforto que a poeira ocasionou no seu olho. Sim! Pode ser que essa pessoa ainda não saiba como lhe ajudar a enxergar melhor, mas vocês podem arriscar, né? O desconforto está ali, machucando… então, o que tem a perder?

Será o fim dos tempos admitir que os botõezinhos estão a mil e a danada da poeira, atrapalhando a sua visão? Você vai ter que pedir ajuda? “Mas era só o que me faltava, pedir ajuda para aliviar uma poeira no olho, imagina só!? Não, eu consigo resolver!”

Pôh, mas que receio é esse? O quão catastrófico é, o outro saber que você precisa de ajuda? Quão difícil é você expor que está com dificuldades para tirar a poeira do olho? Você pode ficar mais forte, se tudo lhe ocorrer bem. Você pode voltar a enxergar melhor, sem lágrimas e ardência. Sem o incômodo de um inquilino atrapalhando sua percepção. Mas o vivente que está ao seu lado, só vai conseguir fazer algo se você falar o que se passa, o que aconteceu desde quando iniciou a ventania e provocou uma tensão, acionou os botões e deixou sua visão turva.

As ventanias sempre vão existir, às vezes com mais, ou menos frequência. Pensar que a pessoa não lhe estenderá a mão, não vai fazer com que se findem os ventos. Se apoiar no ombro da criatura, não significa ser fraco, significa que você é humilde o suficiente para pedir socorro e proteção, quando achar que está em uma situação de perigo. O que falta para estabilizar e equilibrar a corda bamba, talvez seja sim a aproximação.

Se ela for acontecer, permita que ela seja suave, que ela seja incolor, mas carreguem as tintas para vocês dois, juntos, pintarem o cenário conforme os laços que criarem. Daqui um pouco, vai lhe agradar tanto, que quando existir a ventania, você nem vai notar, pois a criação feita por vocês, embelezou o cenário que antes fora ocupado pela poeira.

 

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Entrevista da psicóloga Carolina Halperin para o Gaúcha Repórter Podcast

sábado, 9 de julho de 2016

Confira a participação da psicóloga Carolina Halpering para o Gúcha Repórter Podcast, falando sobre suicídio, um problema de saúde pública.

O Gaúcha Repórter Podcast desta semana fala sobre prevenção ao suicídio e valorização da vida. Em 19 anos, são 21 mil suicídios no Rio Grande do Sul. A média diária é de três casos, sem contar as tentativas. Normalmente, são fatos que ficam restritos a amigos e familiares.

O programa fala sobre diagnóstico de risco, tratamento e prevenção. Os convidados são o psiquiatra Ricardo Nogueira, do Hospital Mãe de Deus; e a psicóloga Carolina Halperin, da Wainer Psicologia. Apresentação de Leandro Staudt, com produção de Elisandra Borba e edição de áudio de Rudinei Raugust.

CONFIRA:

Gaúcha Repórter Podcast: Suicídio

Entrevista o psiquiatra Ricardo Nogueira e a Psicologa Carolina Halperin com sobre suicídio – PARTE 1

Entrevista o psiquiatra Ricardo Nogueira e a Psicologa Carolina Halperin com sobre suicídio – PARTE 2

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Procura-se alguém que faça bem.

sábado, 9 de julho de 2016

Texto Rafaela

 

Como e quando sabemos que encontramos o amor de nossas vidas?

Relacionar-se com os outros pode ser uma tarefa complicada, assim como encontrar boas relações e que nos façam bem. Isto depende de muitos fatores, e um problema claro é quando idealizamos alguém ou algo e acabamos por nos frustrar com esta relação. Passamos a acreditar que “merecemos” um determinado tipo de relacionamento e criamos estereótipos de pessoas no qual queremos encontrar. Por vezes, buscando esta pessoa ideal e nos frustrando com as pessoas reais que nos envolvemos.

Os relacionamentos amorosos são construídos a partir do afeto e isto é espontâneo. Não conseguimos explicá-los de forma pragmática e racional. Assim como não podemos marcar hora para nos apaixonarmos. A atração que sentimos pelas pessoas está relacionada, também, com experiências de vida. Quando nos relacionamos, inicialmente, compartilhamos ideias, mas nada muito profundo. Com o passar do tempo passamos a compartilhar o tempo, a convivência, e quando nos damos conta, muitas vezes, estamos partilhando e compartilhando a vida. E é neste momento que, efetivamente, descobrimos se encontramos o amor de nossas vidas. Quando deixamos de lado as idealizações e passamos a nos relacionar verdadeiramente com as pessoas.

Apaixonar-se é fácil, relacionar-se nem tanto. Exige paciência, dedicação e investimento. Mas é inegável que bons vínculos são essenciais para nós. Os vínculos bons e seguros em nossas vidas são generosos e recíprocos e não dão espaço para individualismo e egoísmo. E aonde estão? Onde estão estas pessoas generosas e que também desejam se relacionar e investir no outro? Estão por toda a parte.

Um pesquisador da área da neurociência da UNIFESP, Pedro Calabrez, discute em um vídeo sobre o que nos faz felizes é a qualidade de nossas relações. Podemos conquistar cargos, riqueza e status social. Mas a única variável capaz de preencher-nos quanto nossas experiências e projeções de futuro, são os vínculos. Os bons vínculos.

Retomo aqui, a pergunta inicial deste texto. Quando sabemos que encontramos o amor de nossas vidas? Como e quando sabemos que nossos vínculos são bons e saudáveis para nós? Como descobrimos? Aonde os encontramos? Reflexões que talvez não tenham respostas absolutas. Vivenciar e propagar o amor envolve abraço, carinho e convivência. E é assim que as relações amorosas são construídas! Não existe roteiro, protocolo e nem data marcada para encontrarmos aquela pessoa que irá nos transbordar de amor. As relações não se parecem em nada com os contos de fadas, não são feitas de príncipes e princesas, mas sim, de pessoas reais. Pessoas essas que falham, que erram, mas que se desculpam, reparam o erro e que perdoam. É extremamente fácil amar quando as coisas estão bem e felizes, mas amar nas dificuldades e na crise torna mais difícil a relação, porém a consolida. Não devemos amar “apesar de” e sim “junto com”. Amar junto com os defeitos, fragilidades e vulnerabilidades e não amar “apesar dos defeitos”. Fazer do relacionamento uma construção a dois.

Por fim, precisamos tomar consciência de que os relacionamentos são feitos de investimentos de ambos os lados. O amor é construído com base em princípios e valores, como respeito, confiança e empatia mútua. Quando nos conhecemos, nos empoderamos de nossas fragilidades e fortalezas e enxergaremos a realidade ao nosso redor. Assim, será possível perceber o que é importante em um companheiro(a) e relacionamento e, quem sabe, nos depararmos com o amor de nossa vida logo ao lado.

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Sejamos falhos!

segunda-feira, 4 de julho de 2016

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É um tanto delicado admitir quando erramos, afinal, somos orientados para irmos em busca do êxito. Entendimentos diferentes circulam por aí, “mas o que a pessoa tinha na cabeça?”, “sempre se saiu bem”, “fulano falou isso? Não acredito! Não pode ser!”

Pode ser sim, minha gente. Sabemos o quanto é difícil viver e além disso, carregar o peso por não ter dado certo, algumas vezes. Admitir que somos falhos, é uma das tarefas mais aterrorizante que enfrentamos, ou não?!

A pressão pela perfeição nas diversas áreas das nossas vidas, ultrapassa o bom senso. Os relacionamentos afetivo-amorosos, precisam ser como nos filmes onde a princesa encontra o príncipe e vivem felizes para sempre. O destaque no mercado de trabalho, deve vir acompanhado de sucesso e de reconhecimento. Se tudo isso acontecer precocemente, ual! Melhor ainda. A busca pela independência e autonomia, muitas vezes é vista como individualismo, que aliás, é um tema de sucesso nas rodas de conversas.

Parece que em alguns momentos, estamos de ponta cabeça. As gentilezas são escassas, o respeito…. Ah, esse dá para se contar nos dedos, e a humildade…. Como? Que palavra é essa? Onde vemos humildade no nosso dia a dia?

A guerra foi declarada. Caos na saúde, caos no cenário político, caos na economia, caos na educação e caos nas relações interpessoais e afetivas. “Socorro! Para tudo que eu quero descer”, é uma frase que tem ganhado peso a cada dia. Lamentavelmente!

Independente do lado partidário, do nível educacional, das titulações acumuladas com muito esforço, do nível socioeconômico, do estado civil, sejamos humanos. Sejamos humildes. A situação já está preta e contribuir para que ela piore, é dar um tiro nos nossos próprios pés. A individualidade não se trata de ser egoísta, de olhar para o próprio umbigo. Talvez, seja uma estratégia defensiva frente ao cenário rotineiro. A evolução das ciências, das tecnologias e paralelo a isso, as falácias, os crimes, as notícias, a influência da mídia e as atitudes humanas predatórias, proporcionaram maior isolamento pessoal. Não precisamos sair de casa para viver, não é mesmo? Está tudo muito cômodo e o mais importante é que não nos colocamos em risco. Como todo bônus, tem o ônus. Às vezes, também não nos testamos e não tentamos, sentimos coagidos em meio a tanta barbárie, e pode ser que deixemos de expressar nossas opiniões, já que fôlego para lutarmos pelos nossos ideais fora enfraquecido. Talvez, vamos viver no caos que nós mesmos ajudamos a construir. Ok. Não sejamos hipócritas. Temos muita força, mas vez ou outra, parece que tentamos sufoca-la, não a deixamos respirar, pois pode ser perigoso! Aí seguimos na inércia…

A única certeza que temos, é que um dia vamos morrer. Até lá, vão ter dias chuvosos, dias agradáveis, dias com a radiação ultravioleta no maior grau. Vamos viver de incertezas e vamos seguir não tendo o controle sobre o que acontece lá fora. Precisamos nos conscientizar disso. Enfraquecer nossos medos visando o fortalecimento, e para isso meus caros, precisamos colocar o fuço na rua, não no teto e nem no chão. Na rua! Colocar nossa cara a tapa. É difícil sim, sabemos que é. No entanto, entre ser difícil, árduo e consentir, nos vitimizar, tem grande diferença. Mas para isso acontecer, devemos enfrentar o maior monstro de todos os tempos, aquele que se agarra nas nossas costas e nos deixa tão pesados que muitas vezes criamos raízes: nossos próprios medos. E um deles, é o medo de falhar.

Que sejamos falhos, caramba! Seja qual for, somos passíveis de mudança, pela falha. Que possamos evoluir e crescer. Que consigamos lidar com a falha do outro. Essa, talvez seja a pior de todas… Assistir alguém falhar. Sentir a vergonha alheia, saber do erro do outro pode nos causar mais desconforto, principalmente quando se trata de uma pessoa de destaque, de um ídolo. Mais uma vez, precisamos lidar com a frustração porque a pessoa errou, não fez aquilo que tínhamos por direito e nos deixaram de mãos vazias. Como defesa a nossa necessidade não atendida, mostramos repulsa e criticidade.

A intolerância de lidar com o fracasso é como uma pedra que sempre vai incomodar no nosso sapato. Podemos até nos acostumar, pois com o tempo de uso o sapato poderá moldá-la junto aos nossos pés. E tudo bem, né? Ninguém vê que ela está ali. No entanto, eu, mais do que ninguém, sei da existência dela e da tamanha dor que ela me causa pois me impossibilita de caminhar com a leveza e conforto que mereço.

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Alcoolismo: falta ou medo de informação?

segunda-feira, 4 de julho de 2016

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“Eu não sou um alcoólatra, eu bebo socialmente. Não sou do tipo que bebe destilados em mesas de bar, ou que tem tremores se fico sem beber.” Geralmente quando falamos com alguém sobre o seu uso abusivo de álcool, ouvimos algo assim. O que é interessante é que se questionamos, por exemplo, sobre o uso abusivo de paracetamol, para aliviar a enxaqueca desse mesmo indivíduo, dizendo para ele que o uso abusivo desse medicamento pode causar danos sérios ao fígado, geralmente a pessoa lhe ouve, demonstra espanto com a notícia, e logo trata de buscar atendimento com um neurologista para iniciar um tratamento e encontrar medicamentos alternativos para a dor de cabeça. E por que ela não diz “Eu não abuso de paracetamol, eu só tomo porque tenho dor de cabeça. Não tomo paracetamol na veia para a dor passar, e nem tenho tremores se fico sem tomar.”? O indivíduo não diz isso sobre o uso desse medicamento, pois seu consumo excessivo não é tão gratificante quanto o do álcool, e sua interrupção não impacta tanto na vida do indivíduo, quanto a interrupção do álcool parece impactar.

Quanto mais rápido e intenso é o prazer que sentimos ao utilizarmos uma substância, maior o poder aditivo que ela tem. Quanto mais rápida e fácil for a associação entre a substância e o prazer que se sente, mais intensas e difíceis de apagar serão as memórias relacionadas ao uso. Há várias razões por trás do grande empenho dos indivíduos que abusam de álcool, ou outras substâncias, em defender o uso e minimizar o impacto negativo dele. O álcool “ajuda” com a depressão, proporcionando prazer e relaxamento logo após o uso – mas agrava o quadro depressivo ao longo do tempo, além de comprometer o funcionamento de medicamentos antidepressivos. O álcool diminui a ansiedade basal e permite “esquecer dos problemas” – o que muitas vezes faz com que o indivíduo postergue a solução destes e, pior, crie novos problemas sob efeito do álcool. Beber “dá coragem” para aqueles que sofrem de ansiedade social, possibilitando uma interação que não ocorreria sem o uso dessa substância – e que estará, se não tratada com terapia, sempre dependente do uso.
Infelizmente, como o uso do álcool é aceito e estimulado socialmente, e os danos mais sérios à saúde não são percebidos imediatamente, há ainda pouca crítica a respeito do seu uso excessivo. Não podemos nos enganar, entretanto. Os prejuízos ao cérebro e ao sistema digestório ocorrem a cada uso, assim como o aumento do risco de câncer, diabetes e morte violenta, entre muitas outras perdas.

Se você gosta de bebidas alcoólicas, não faça uso abusivo. É pelo uso abusivo que a dependência começa, e quando a dependência se instaura, o tratamento envolve a abstinência total. Para sempre.

A Terapia Cognitivo-Comportamental é a modalidade terapêutica com melhores resultados no tratamento do uso abusivo e dependência de substâncias. Se esse for o seu caso, procure ajuda para reequilibrar a sua vida e encontrar-se livre para dizer não ao que lhe prejudica e pode comprometer o seu futuro.

 

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