Arquivo de março de 2016

Existe um limite para a expressão das emoções na internet?

sábado, 26 de março de 2016

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Por Carolina Halperin, psicóloga clínica da Wainer Psicologia.

Já não é novidade para ninguém que as redes sociais são parte do dia-a-dia de grande parte da população. Mais do que um ambiente de troca de experiências e informações, muitas vezes se tornam um espaço para o desabafo. Mas seria essa a função das redes?

Desde o seu lançamento, redes como o Facebook tinham a proposta de conectar as pessoas, facilitar o contato com quem não temos tanto convívio e, dessa forma, aproximar as pessoas. Com o passar do tempo, notou-se um efeito quase contrário: as pessoas se preocupam mais com o que postam nas redes do que com o tempo que passam efetivamente ao lado de pessoas queridas. O impacto social das redes sociais é enorme, influenciando todo o comportamento de gerações e mudando a maneira das pessoas se relacionarem. Afinal, escrever pode ser muito mais fácil que falar!

E assim, vemos cada vez mais as pessoas usando seus perfis na internet para expôr seus pensamentos, opiniões, experiências e sentimentos. Muitas vezes, coisas íntimas e até mesmo constrangedoras; outras vezes, situações que expõem tanto que podem até colocar quem posta em risco.

Como dosar isso? Existe uma “regra” para a expressão? A verdade é que em tempos de internet e acesso livre à informação, todos têm liberdade para postar o que bem entender. Entretanto, as mesmas regras de etiqueta e convívio que levamos na vida “offline” devem ser levadas em consideração. Estar atrás de uma tela não exime de culpa quem ofende alguém na internet, assim como não blinda dos sentimentos. A internet pode e deve ser um ambiente saudável de troca e aproximação, desde que não se torne o único local onde essas trocas ocorrem!

Afinal, nos sentir próximos e conectados com as pessoas não é só um desejo, é uma necessidade humana. As relações que construimos ao longo da vida nos moldam e os feedbacks que recebemos o tempo inteiro são importantes na construção da nossa personalidade.

Caso você ou alguém que você conhece esteja usando as redes para obter apoio, reafirmação ou simplesmente para desabafar sobre tudo o que acontece no seu dia, vale lembrar que talvez seja o caso de procurar um profissional especializado em psicologia para te ouvir e ajudar a enfrentar as dificuldades. Rede social, assim como rede de apoio na “vida real” é muito importante, mas não substitui o psicólogo, que tem o conhecimento específico para ajudar de maneira efetiva.

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Zona de (Des)conforto

segunda-feira, 21 de março de 2016

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Por Lissia Ana Basso, Psicóloga da Wainer Psicologia Cognitiva

 Quantas vezes você já parou para pensar no que você quer para sua vida? Quantas vezes você já selecionou alguns objetivos, metas e planos? Quantas vezes você se organizou para colocá-los em prática?

“Ah, eu quero muito fazer exercício físico, mas agora ainda não vai dar”, “estou doido para viajar e conhecer a Tailândia, mas ainda não é o momento certo”, “esse ano, sem falta, vou resolver minha vida profissional. E afetiva também”

Muitas vezes, o que falamos para justificar o que não estamos fazendo, são coerentes com a nossa realidade. De fato, podem existir outras variáveis que dificultam a realização dos nossos planos. Por exemplo, podemos estar envolvidos em outros projetos, talvez precisamos de um tempo para nos organizar financeiramente, ou até mesmo precisamos dedicar um tempo para investir e no cenário que nos encontramos, não seria possível. Ou talvez, não estamos preparados para isso agora.

Se observarmos essas justificativas e não encontrarmos evidências reais, podemos pensar que as justificativas são utilizadas para aliviar o desconforto de ainda não termos colocado em prática nossos objetivos.

As nossas zonas de conforto são demais! Têm uma força enorme e um poder invejável. Vocês já repararam nas suas zonas de conforto?

Todos nós carregamos por segurança uma zona de conforto, com vários padrões dentro dela. A priori, ela nos traz uma sensação agradável, uma tranquilidade e um bem estar tão aconchegante, que obviamente com tantas sensações confortantes, qual motivo teríamos para deixarmos ela para lá?

O que acontece e certamente não nos damos por conta, é que essa zona de conforto, talvez não seja toda essa maravilha. Podemos dizer que a zona de conforto é aquilo que sempre fizemos, independente se nos faz bem, ou mal. Um dos critérios que podemos utilizar para avaliar os efeitos da zona de conforto é o quanto nos sentimos felizes e motivados, e o quanto sofremos e nos prejudicamos quando agimos de acordo com os padrões pertencentes à ela. As mesmas estratégias, as mesmas respostas, os mesmos comportamentos, as mesmas sensações. Para ficar mais claro, descrevo as ilustrações seguintes: “eu nunca fui selecionada para um emprego que eu sonhava ter e nem quero mais porque já estou conformada com isso”, como também, “ah, porque eu daria o meu melhor, quebraria minha cabeça se não vou ser reconhecido e elogiado. O que adianta?” e “eu nunca dei certo nos relacionamentos amorosos, afinal, ‘o dedo podre’ é meu aliado”. Ou seja, por mais que eu não atingi essas conquistas e seja dolorido lembrar do quanto isso me faz sentir um fracasso, estou acostumada com isso. Me acostumei a suportar e arranjei uma maneira de conviver com essa dor. Que aliás, nem é mais tão dolorida assim. Opa! Esta aí! Reconhecer algo (situação, ambiente, sentimentos) que eu tenha vivido por várias vezes, me faz sentir uma sensação de bem estar, porque afinal, é tão ‘eu’, tão familiar à mim. É o que eu conheço, é o que eu aprendi ao longo da minha vida, é assim que me ensinaram. Por que eu faria diferente? Por que motivos eu me arriscaria?

Podemos optar por ficar na zona de conforto, assim não corremos risco de nos frustrar e então, fica tudo ‘bem’. No entanto, é válido lembrar que ao fazermos isso, estamos fortalecendo ainda mais a zona de conforto, agindo de acordo com ela.  Podemos também enfrentar nossos temores e nos permitir tentar algo diferente do que conhecemos e temos o hábito de fazer. E se for ruim a tentativa? Não tem problema não, podemos voltar para a zona de conforto. Podemos reavaliar as estratégias, modificar e aumentar as habilidades de resolução.

E se for uma experiência agradável?

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O dedo podre

terça-feira, 15 de março de 2016

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Por Lissia Ana Basso, psicóloga da Wainer Psicologia Cognitiva

Pensar sobre a condição atual do seu estado civil e/ou status de relacionamento pode vir acompanhado de uma fisgadinha desconfortável. Afinal, quantos desastres já aconteceram na vida afetivo-amorosa. Quando falo em status de relacionamento não refiro ao que as pessoas informam nas redes sociais ou aquele simbolizado através de um anel prateado ou dourado.

É refletir sobre o que significa esse estar com “tal” status. E mais além, o que representa para cada um, a possível fisgadinha ao lembrar do status atual.

Como é difícil se relacionar. Como é difícil ter uma pessoa para fazer planos, escolher os nomes dos filhos e de repente, passar o resto da vida juntos. Por que isso é tão difícil? É necessário sofrer para ter alguém especial? É preciso aceitar a pessoa que chega de repente e se adaptar a ela, deixando de lado os planos pessoais porque é isso que conta, ‘ter’ alguém?

Muitos já falaram ou escutaram: “eu só posso ter o dedo podre, não é possível” e ainda “pela décima vez estou vivendo a mesma coisa”.
Vamos pensar juntos. Será que viver várias decepções amorosas é ‘normal’? Passar por desilusões amorosas e não se dar por conta do que está por trás do funcionamento que vou chamar de “dedo podre”, é muito comum. Mais do que gostaríamos, com certeza.

Relatos do tipo “ela era tão bacana, tão linda e tão encantadora, mas ela estava indo morar em outra cidade”, ou então “ele era bonito, culto, carinhoso e muito divertido, mas ele recém tinha saído de um relacionamento”, e “ela era sensacional, uma pessoa do bem que me apaixonei, mas ela não sabia o que queria para a vida dela e estava com receio de se machucar”. Esses exemplos ilustram o mesmo padrão de funcionamento do tal “dedo podre”. As pessoas que os deixaram não estavam disponíveis para investir num relacionamento. Ou seja, o dedo podre atraia pessoas magníficas, mas indisponíveis. Logo, após o enamoramento, o coração inunda de tristeza e desesperança.
Se não identificar a razão de se relacionar com pessoas indisponíveis, nem ter o entendimento acerca desse padrão, os resultados sempre serão os mesmos. Não adianta eu plantar laranjas e esperar colher mangas.

Antes de escolher como reagir diante de determinados acontecimentos, as lembranças, memórias e emoções que foram guardadas ao longo da vida são consultadas. Algumas das vivências parecem estar vivas dentro de cada um, mesmo que muitas informações não são conscientes, elas têm forte influência sobre as reações. É possível que as compreensões dos acontecimentos foram registradas desde muito cedo de uma maneira distorcida. É possível que houveram eventos estressores significativos. É possível também, que as necessidades emocionais foram atendidas e satisfeitas. É possível um pouco de cada. As experiências iniciais são fundamentais nas escolhas. São elas que comandam o padrão de funcionamento “dedo podre”. A presença fisgadinha, nada mais é que a confirmação do comando em ação.

E como tirar a fisgadinha de cena? A terapia focada nos esquemas possui antídotos que enfraquecem a disfuncionalidade do “dedo podre”. Para isso, é necessário avaliar, identificar, ressignificar o entendimento do conteúdo armazenado ainda lá na infância e após a reparação, possa construir funcionamentos adaptativos, coerentes com o objetivo de ter uma relação saudável e construtiva.

 

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A dose certa

terça-feira, 8 de março de 2016

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Seu trabalho está fantástico! Não consigo lhe atender no momento, retorno em 10 minutos. Você é especial para mim – A dose certa

Por Lissia Ana Basso, Psicóloga da Wainer Psicologia Cognitiva.

Você consegue expressar sentimentos negativos sobre outras pessoas sem o uso de linguagem abusiva? Você é capaz de exercer e expressar suas opiniões, e/ou pedir o que é seu por direito? Você tem facilidade em reconhecer as realizações de outras pessoas? Você aceita críticas sem ser defensivo? Você se sente confortável para aceitar elogios? Você recusa os pedidos de amigos, familiares ou colegas de trabalho? Você solicita ajuda quando precisa? E aí, você é assertivo?

A assertividade refere-se à habilidade de saber expressar sentimentos e opiniões, fazer valer os direitos e vontades de uma maneira clara, direta e honesta, não violando a si nem ao outro. Para ser assertivo, é necessário autoconhecimento, saber dos seus limites, avaliar a situação, refletir sobre qual caminho seguir e se colocar no lugar do outro. Como resultado, acresce a possibilidade de atingir metas pessoais e/ou partilhadas, mantendo os seus direitos e dignidade. Além disso, sustenta relacionamentos de um modo saudável ao fornecer equilíbrio para que as partes sejam igualmente atendidas, validadas e satisfeitas.

No entanto, contrastando com a comunicação assertiva, temos de um lado a passividade e por outro, a agressividade. Polos extremos e disfuncionais.

Na comunicação passiva, os indivíduos se encontram num conflito sistemático pois relutam em expressar opiniões próprias e sentimentos, mas também apresentam dificuldade para recusar os pedidos de outros. Assim, concordam com opiniões e desejos da maioria com intuito de não causar encrenca e indisposição. Por diversas vezes sentem-se inadequados, evitam determinados assuntos, expressam frases longas e desconexas, justificam-se repetidamente e fazem muitos pedidos de desculpa, anulando suas necessidades. O resultado disso é a manutenção de uma visão de si distorcida e negativa, bem como o sentimento de estar sendo usado. O cenário é caracterizado por submissões, desgosto, medo e frustrações.

A comunicação agressiva é caracterizada pelo desprezo quanto aos sentimentos e desconsideração frente as necessidades do outro. Os indivíduos se irritam facilmente, não apresentam dificuldade em reclamar quando insatisfeitos, apontam a falha e/ou erro no outro. Esperam que os outros se adaptem aos seus costumes e pensam como seres superiores. Desprezam feedback e satisfazem as suas próprias necessidades de maneiras inadequadas, na maior parte, de forma reivindicativa, ameaçadora, insultuosa e hostil. Estas respostas incluem: falar alto, interrupções e perguntas antes que o outro acabe de responder, excessiva utilização do eu e expressões de vanglória.

É válido refletirmos sobre isso. São questões simples, mas que geram confusões enormes por não se ter clareza. Os achismos. Esses, são os tops no quesito desentendimentos. Certifiquem-se quanto a clareza na fala. Às vezes, não somos tão assertivos quanto ao que gostaríamos de dizer/fazer. Peçam feedback. Expressem suas ideias e emoções. Não é feio, não é errado, não vai fazer mal algum. Uma frase pode ter diversos significados, dependendo do entendimento de cada um. Lembrem-se: a maneira como nos comunicamos irá refletir nos resultados. Saber aceitar ponto de vista diferentes, evitar julgamentos e conclusões precipitadas, falar, pedir e conversar de uma maneira apropriada, é uma questão de treino. Entretanto, é necessário estar apto para mudar e se expor. Requer motivação, automonitoramento e paciência para desenvolver a habilidade de uma comunicação satisfatória. Vale a tentativa!

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Com a SAÚDE AFINADA

quinta-feira, 3 de março de 2016

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Exaustão emocional, despersonalização e percepção de baixa realização pessoal e profissional são alguns dos principais indicativos do burnout em terapeutas.

O Dr. Ricardo Wainer, colunista mensal da revista Psique, da editora Escala, participou da edição 122 do mês de fevereiro, abordando os principais indicativos do burnout em terapeutas.

Destacando que dentre os fatores de risco para o desenvolvimento do burnout em psicoterapeutas estão o trabalho com pacientes graves, agendas diárias com excesso de atendimentos, abordagens teóricas altamente empáticas na relação terapêutica, além de aspectos da própria história de vida do profissional, como, por exemplo, história pessoal de traumatização. Destacamos o seguinte trecho que fala sobre dados de pesquisas das terapias de 3ª geração:

“Algumas pesquisas das terapias de 3ª geração têm demonstrado que o risco de adoecimento emocional dos profissionais da psicologia e psiquiatria são bem mais elevados do que se imagina.”

O profissional da saúde mental deve ter sempre na lembrança que ele é como o afinador de uma orquestra e, assim sendo, ele também deve buscar estar com suas capacidades e habilidades calibradas para a plenitude de seu fazer.

A revista, que já está nas bancas, possui um excelente conteúdo para aqueles que desejam obter informações relacionadas ao tema desta matéria.

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