Arquivo de fevereiro de 2016

Individual ou em Grupo?

sábado, 27 de fevereiro de 2016

psique

 

Em ambos os formatos de supervisão, o trabalho do supervisor deve sintetizar na sua condução do processo, muitos dos pressupostos da TCC.

O Dr. Ricardo Wainer, colunista mensal da revista Psique, da editora Escala, participou da edição 121 do mês de janeiro, abordando os formatos de supervisão e o trabalho do supervisor.

Destacando que o desenvolvimento das habilidades clínicas em terapia cognitivo-comportamental (TCC) dependem de uma formação robusta baseada em sólidos conhecimentos teóricos e extensiva prática supervisionada. Os formatos de supervisões podem ser individuais ou em pequenos grupos, destacamos o seguinte trecho que fala sobre a principal vantagem das supervisões em grupo:

“O formato em pequenos grupos traz como principal vantagem a possibilidade dos supervisionados aprenderem com os casos dos seus colegas.”

Os estudos de eficiência no ensino de psicoterapia têm demonstrado que a possibilidade de implementação de ambos os formatos de supervisão, em proporções adequadas, é o que resulta em padrões mais avançados, tanto no entendimento teórico, quanto de intervenções clínicas em Terapia.

A revista, que já está nas bancas, possui um excelente conteúdo para aqueles que desejam obter informações relacionadas ao tema desta matéria.

Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone

Como estragar nossos filhos

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Por Francisco Crauss, psicólogo clínico.

filhos

Possivelmente, os problemas com a infância que enfrentamos hoje são muito diferentes do passado.

Atualmente, a sociedade vive em uma cultura hedonista (busca o prazer acima de tudo) e está imersa em uma cultura que privilegia a gratificação imediata, o desejo, o excesso e a autoindulgência. Queremos tudo e queremos agora!

O mercado influencia muito nestas características. Em pouco tempo atrás você não teria esta Smart TV de 40′ na sua sala, o smartphone, o carro, as roupas de marca e tudo mais… Antigamente era difícil, mas hoje você pode (mesmo que não possa). Se não pode, faz em 24x no cartão e paga dois produtos, enforcado pelos juros.

Mas não importa, você tem agora! A espera, o sacrifício, o esforço e a renúncia são palavras que não se aplicam a esta lógica hedonista. Antigamente (quando falo antigamente são +ou- 20 ou 30 anos atrás) não podíamos ter tudo o que queríamos, hoje queremos dar aos nossos filhos tudo o que não tivemos… Pais ficam ansiosos, inseguros e, mergulhados nessas emoções, gratificam os filhos para torná-los mais felizes, pois, nesta lógica, a felicidade está no ter… Brinquedo, salgadinhos, roupas de marca, vídeo game (afinal o Play 4 já está ultrapassado), televisão e ar condicionado no quarto (quando um de nós que está lendo isso pode ter algo desse tipo?).

Hoje podemos tudo… Certo? Materialmente sim, emocionalmente cada vez menos. Nunca taxas de obesidade, depressão, ansiedade e suicídios foram tão altas na história da humanidade. Quanto mais temos, menos somos. Na ansiedade de sermos bons pais, esquecemos de ensinar e oferecer o que de mais importante temos.

No final das contas os filhos vão sentir falta mesmo é do carinho e atenção genuínas que não tiveram e agradecer por todos os “não” que receberam.

Texto baseado no livro “Não sou feliz, e agora?” – Estêvão Bittar

Conheça mais sobre a área clínica da Wainer Psicologia Cognitiva através do nosso site: http://www.wainerpsicologia.com.br/clinica-psicologia-poa-cognitivo-comportamental

Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone

Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

dda

Por Lissia Ana Basso, psicóloga clínica na Wainer Psicologia Cognitiva.

Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH): algumas considerações. Ou seria reflexões? Ou esclarecimentos? Talvez elucidações? Comentários? Olha! Uma flor. Eu adoro jogar. Você gosta de coelhos?

A correria do dia a dia, a junção das mais diversas tarefas e funções fazem com que muitas coisas se atropelem. É o relógio que não despertou, é o atraso para um compromisso, a perda de documentos e objetos, a ansiedade e impulsividade em não conseguir escutar o outro e não conseguir esperar a sua vez. É confiar demais na atenção e na memória e não utilizar instrumentos para facilitar.

Talvez você já tenha passado por situações constrangedoras em função de esquecimentos. Afinal, são tantas atividades rotineiras que às vezes se perde o rumo em pleno caminho. Algum momento há a questionalização: está tudo bem comigo? Minha memória já não está mais a mesma de antes. Isso é normal?
Não sei. Não sabemos. Quando isso acontecer, é necessário fazer uma avaliação para identificar o que está gerenciando esse funcionamento.

De acordo com o quinto Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (APA, 2013) o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) tem início na infância, pode permanecer na adolescência e na fase adulta. Está associado a múltiplos déficits neuropsicológicos, disfunções executivas (Barkley, 1997), e caracteriza-se por dificuldades em focar e manter a atenção, hiperatividade e descontrole de impulsos (APA, 2013).

Pesquisas populacionais revelam que a prevalência do TDAH chega a 5% em crianças e desses, 2,5% seguem com o transtorno na fase adulta, embora os sintomas de hiperatividade sejam mais brandos (APA, 2013). Estudiosos do assunto, sugerem que neurotransmissores encarregados de levar informações aos neurônios, têm um papel importante na fisiopatologia do TDAH e os sintomas podem ocorrer devido às alterações dopaminérgicas e noradrenérgicas (Rohde e Mattos, 2008). No entanto, como em muitas outras doenças, o TDAH provavelmente resulta de uma combinação de fatores e além da genética, possíveis fatores nutricionais, ambientais, lesões cerebrais e o ambiente social podem contribuir para o transtorno (APA, 2013).

Dessa maneira, o TDAH é um transtorno neurobiológico e vejam bem, não tem relação alguma com falta de interesse, inteligência e/ou preguiça. Aqui, vale destacar que muitas pessoas poderão se identificar com os sintomas de desatenção, desorganização, impulsividade e hiperatividade. No entanto, o diagnóstico se dará através de uma avaliação do sofrimento e dos prejuízos funcionais feita por um profissional da saúde capacitado (Safren et al., 2008).

Dr. Leonard Adler, professor de psiquiatria na Escola de Medicina da Universidade de Nova York afirma que 60% das crianças diagnosticadas com TDAH manterão o transtorno na fase adulta. Se o TDAH tem início em torno dos 7 anos de idade, por que alguns são diagnosticados apenas na adultez? Possivelmente porque as pessoas aprendem uma maneira de contornar isso, desenvolvem um hábito para compensar o déficit e se acostumam com a desordem. Contudo, os prejuízos estão presentes. Crianças com TDAH geralmente apresentam dificuldades na escola. Adultos diagnosticados com TDAH frequentemente se deparam com dificuldades na hora de priorizar tarefas e projetos, pois para eles todas as opções são igualmente importantes. A distração tanto em relação a estímulos internos e/ou externos e o descontrole de impulsos, são fatores que dificultam a tomada de decisão, a qual sempre acaba sendo um desafio e requer o bom funcionamento das Funções Executivas (FEs).

Entretanto, no TDAH as FEs são deficitárias e para minimizar as possíveis consequências desagradáveis, é válido utilizar algumas estratégias. Ter ferramentas que possam aprimorar as habilidades de organização e planejamento e praticá-las regularmente, podem fazer uma grande diferença na vida de um adulto com TDAH. A Terapia Cognitivo- Comportamental (TCC) conta com um programa bem-sucedido, que permite através do trabalho conjunto entre paciente-psicoterapeuta, reduzir a disfuncionalidade e a sintomatologia do TDAH.

Referências utilizadas:
American Psychiatric Association. (2013). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-V. (5ªed). Porto Alegre: Artmed.
Barkley, R. A. (1997). Behavioral inhibition, sustained attention, and executive functions: Constructing a unifying theory of ADHD. Psychological Bulletin, 121(1), 65-94. doi: 10.1037/0033-2909.121.1.65
Safren, S. A. (2008). Dominando o TDAH adulto: programa de tratamento cognitivo-comportamental: manual do paciente. (Tratamentos que funcionam). Porto Alegre: Artmed.
Rohde L. A., Mattos, P. & col. (2003). Princípios e práticas em TDAH. Porto Alegre: Artmed.

Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone