Arquivo de maio de 2015

John Nash e a Esquizofrenia

quarta-feira, 27 de maio de 2015

John Nash

Por Carolina Halperin, Psicóloga na Wainer Psicologia Cognitiva

Neste sábado, dia 23/05/2015, John Nash faleceu juntamente com sua esposa, Alice, quando o táxi em que estavam se envolveu em um acidente. Matemático americano ganhador do Prêmio Nobel pela crianção da Teoria dos Jogos, Nash ficou famoso fora do mundo acadêmico em 2001 ao inspirar o filme Uma Mente Brilhante, que conta a sua história de vida e de luta contra a Esquizofrenia.

A Esquizofrenia é um transtorno mental que costuma dar seus primeiros sinais ao final da adolescência e início da idade adulta. Apesar de poder iniciar de forma abrupta, na maior parte das vezes estes primeiros sinais consistem em quadros de perda de energia, iniciativa e/ou interesses, isolamento, humor depressivo, comportamento e afeto inadequado, negligência com a higiene e a aparência, dentre outros. Após um período com estes sintomas, as pessoas passam a apresentar os sintomas mais característicos da doença: alucinações visuais, auditivas e/ou táteis, delírios, comportamento desordenado e/ou catatônico.

Por muito tempo, a Esquizofrenia foi vista como uma condição intratável, onde a única opção era isolar as pessoas que sofriam com esta doença do convívio social. Embora seja uma doença de curso crônico, com os avanços da Terapia Cognitivo-Comportamental e da Psiquiatria, pacientes com Esquizofrenia podem hoje ter maior controle sobre os sintomas e suas vidas: assim como John Nash.

“Esse homem é um gênio.”

Essa era a única frase na carta de recomendação que os professores de John Nash escreveram para que ele enviasse à Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, onde fez seu doutorado em matemática. Na época, ele tinha menos de 21 anos.

O matemático americano e prêmio Nobel de Economia morreu neste sábado em Nova Jersey, em um acidente de carro. Sua história de vida rendeu um filme, Uma Mente Brilhante.

Nash e sua esposa, Alice, morreram quando o motorista do táxi onde estavam perdeu o controle do carro ao tentar fazer uma ultrapassagem e se chocou contra uma barreira na estrada onde estava, segundo explicou o porta-voz da polícia estadual Gregory Williams.

O casal estava voltando de uma viagem à Noruega, onde Nash havia recebido um prêmio da Academia Norueguesa de Ciências e Letras.

O taxista e o motorista do outro veículo foram hospitalizados com lesões graves.

Valentia

Nash, que tinha 86 anos, foi premiado com o Nobel em 1994 por suas descobertas reunidas na chamada Teoria dos Jogos.

Ele era considerado um dos grandes matemáticos do século 20 e ficou conhecido pela originalidade de seu raciocínio e por sua valentia ao enfrentar problemas difíceis que outros não se atreviam a tentar resolver.

Mas durante boa parte de sua vida, essa força também foi usada para lugar contra a esquizofrenia. Sua batalha contra a doença foi retratada no filme Uma Mente Brilhante, que ganhou quatro estatuetas no Oscar de 2012, inluindo o de melhor filme.

Russell Crowe, que interpretou Nash no filme, tuitou: “Atordoado… Meu coração está com John, Alicia e sua família. Uma parceria incrível. Mentes brilhantes, corações brilhantes…”

Equilíbrio

Nascido em Bluefield, no estado americano de Virginia, em 1928, Nash primeiramente estudou engenharia química na Universidade Carnegie Mellon, onde um de seus professores o convenceu a se especializar em matemática.

Assim, ele se transferei para a Universidade de Princeton, onde se obteve seu doutorado aos 21 anos com sua Teoria sobre os Jogos.

Foi nessa época que o futuro prêmio Nobel começou a desenvolver o chamado “equilíbro de Nash” ou a Teoria dos Jogos, uma de suas principais atribuições na área da matemática que se decida à análise dos processos de tomada de decisões.

Segundo sua teoria, a competição entre dois oponentes pode também ser influenciada pela cooperação entre eles. Por exemplo, os dois rivais podem, individualmente conseguirem seus objetivos máximos se cooperarem ou com o outro, ou não ganhara nada caso se neguem a cooperar.

A vitória ou derrota de uma competição se equilibra com exatidão com as derrotas e as vitórias dos outros participantes.

A teoria é hoje onipresente na economia e em todas as ciências sociais, além de ser aplicada frequentemente em outros campos, como a biologia evolutiva.

Alice

Nesta mesma época, quando já era professor do Massachusetts Institue of Technology (MIT), Nash conheceu Alice, uma estudante de origem salvadorenha.

Eles se casaram em 1957 – e acabaram se separando seis anos mais tarde, embora Alice continuasse a ser uma figura-chave na luta do matemático contra a esquizofrenia.

Depois de anos de internação e de terapias de choque sem resultado, Nash acabou se recuperando aparentemten quando decidou não mais ficar doente, nos anos 80.

“Saí do meu pensamento irracional sem nenhum medicamento além das mudanças hormonais naturais do envelhecimento”, escreveu o matemático em 1996.

Graças também ao apoio de Alice, ele aprendeu a controlar suas alucinações e retornar à docência e à pesquisa nos anos 90. E os dois voltaram a se casar em 2001 – ambos trabalhavam juntos em temas ligados à saúde mental.

Fonte: BBC

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Desconstruindo Mitos sobre Medicações Psiquiátricas

segunda-feira, 25 de maio de 2015
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Por Alexandra Bender Nabinger, Psiquiatra na Wainer Psicologia Cognitiva.

Frequentemente, indivíduos que se deparam com a possibilidade e/ou necessidade de uso de psicotrópicos são “bombardeados” de informações distorcidas a respeito dos medicamentos psiquiátricos. Esta antiga polêmica é sustentada, muito provavelmente, pelo histórico das terapias empregadas no passado (insulinoterapia, eletroconvulsoterapia, e antipsicóticos em alta dosagem) que, de fato, geravam graves efeitos colaterais nos pacientes.
Felizmente, o avanço da neurociência fez com que os tratamentos medicamentosos evoluíssem de forma importante nas últimas décadas. Os psicofármacos atuais são diversos, mais potentes e mais seguros quanto aos efeitos colaterais e adversos. Desta forma, houve melhora da adesão do paciente ao esquema psicofarmacológico proposto e, consequentemente, maior sucesso terapêutico.
Cabe lembrar que, as doenças psiquiátricas apresentam causas multifatoriais e que o componente biológico é apenas uma parcela deste conjunto. Portanto, nem todo transtorno mental necessita de intervenção química. Muitos pacientes apresentam excelente resposta à psicoterapia como única forma de tratamento. Em contrapartida, em significativa parte das vezes que um indivíduo recebe indicação de psicofarmacoterapia há, também, o encaminhamento ao tratamento psicoterápico pela evidência de melhores resultados com esta associação terapêutica.
A grande relevância no esclarecimento das distorções cognitivas a respeito dos psicofármacos é possibilitar aos indivíduos portadores de transtorno psiquiátrico alívio do seu sofrimento. Em outras palavras, o trabalho de psicoeducação pode reduzir o impacto psicossocial gerado pelas doenças mentais, além de combater a perpetuação do preconceito associado tanto ao diagnóstico, quanto ao tratamento.“Medicamento psiquiátrico vicia”

Atualmente, existem diversas classes de psicotrópicos, com diferentes mecanismos de ação. A maioria das medicações utilizadas pela psiquiatria, como antidepressivos e antipsicóticos, não apresenta risco de dependência química. Os fármacos que podem gerar este efeito são os tranquilizantes. No entanto, se o paciente realizar acompanhamento especializado corretamente, é pouco provável que se torne dependente químico destes remédios. Esta classe medicamentosa é prescrita para períodos específicos da vida do indivíduo, sendo o plano de redução e retirada uma regra no tratamento.

“Todo medicamento psiquiátrico deve ser tomado para o resto da vida”

Existem protocolos de tratamento, embasados em evidência científica, que orientam a conduta nas diversas patologias psiquiátricas. O que determina o tempo de tratamento não é o remédio e sim, a própria doença. O plano terapêutico consiste em início, manutenção e retirada ou redução máxima possível, na maioria das vezes.

“Todo medicamento psiquiátrico engorda”

A alteração de peso, muitas vezes atribuída ao uso da medicação é, frequentemente, decorrente da própria doença. Na prática, com a remissão dos sintomas observa-se a recuperação do peso habitual do indivíduo. O avanço da psicofarmacologia tem desenvolvido medicações cada vez mais seletivas e com menor potencial de efeito adverso.

“Não estarei tratando a causa do problema usando medicações, somente aliviando sintomas superficiais”

Como relatado anteriormente, o componente biológico é uma parcela do problema, que deve ser cuidadosamente avaliado. Muitas vezes, sintomas orgânicos impedem o avanço do paciente no processo psicoterápico. Assim, medicamentos podem atuar em sinergia com a psicoterapia.

 “Tomar medicamento psiquiátrico substitui psicoterapia”

Não. O aspecto biológico é um dos fatores, mas não o único. A ressignificação de alguns conteúdos, conscientes ou não, só será atingida através do processo de psicoterapia.

“Antidepressivos causam disfunção sexual”

Assim como outros sintomas, a disfunção sexual pode fazer parte do quadro psiquiátrico em que o indivíduo se encontra. Uma pequena parcela dos pacientes pode apresentar redução da libido, atraso ejaculatório ou anorgasmia, os quais podem ser resolvidos com ajuste de dosagem ou troca de classe de psicofármaco.

“Gestante não pode usar nenhum tipo de medicamento psiquiátrico”

Atualmente, os estudos científicos asseguram o uso de alguns psicofármacos durante toda a gestação. Pesquisas recentes sugerem que o bebê pode sofrer maiores prejuízos relacionados aos sintomas da doença da mãe do que com os efeitos do medicamento.

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Aposentadoria Saudável

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Aposentadoria

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por Milene Petry, Psicóloga na Wainer Psicologia Cognitiva

Quando nos propomos a refletir sobre aposentadorias, vários questionamentos podem surgir acerca desse tema. É senso comum que esta etapa da vida pode gerar diversos conflitos e, por isso, sentimentos ambíguos a respeito da forma como cada indivíduo pode vivenciar esse acontecimento. Ao mesmo tempo que a aposentadoria pode gerar uma expectativa de liberdade e premiação por uma vida produtiva, pode trazer, também sentimentos de perdas tanto financeiras quanto de identificação, status social e manutenção de rotina.

Um estudo do Instituto de Assuntos Econômicos de Londres afirma que o risco de depressão para aposentados pode aumentar em 40%, dados bastante semelhantes dos 37,5% encontrados em estudo realizado pela Faculdade de Medicina do ABC.
Profissionais de diversas áreas concordam que para que seja possível vivenciar essa etapa da vida de uma forma mais saudável é fundamental o planejamento desse momento sobre diversos aspectos. Organização financeira e planejamento de rotina são fundamentais para a manutenção da saúde física e mental, que comumente podem acometer essas pessoas. Nesse sentido, indica-se substituir estímulos gratificastes relacionados a identidade profissional por novas atividades que visem o prazer. Destacam-se as atividades em grupos como dança, artesanato, cinema, teatro e voluntariado. Essas atividades ajudam o novo aposentado a se manter ativo nas relações sociais e minimizando o impacto negativo que a mudança de rotina pode gerar.
Outro aspecto importante a ser considerado é iniciar uma atividade física que, além de ser fundamental na prevenção de doenças cardíacas, estimula a produção de hormônios responsáveis pelo bem-estar e, assim, também ajudam a prevenir a depressão e ansiedade. Entretanto, cabe ressaltar que antes de se iniciar alguma atividade física é necessário fazer uma avaliação médica para que este indique qual a atividade melhor indicada para cada caso.

Contudo, fica clara a importância de um planejamento global para que esse momento de vida não se torne fonte de desesperança. Para isso, existem profissionais especializados em planejamento de aposentaria. Contar com esse auxílio pode ser fundamental para que essa etapa da vida mantenha a autoestima e desenvolvimento pessoal preservados.

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Estratégias para driblar a ansiedade de falar em público

terça-feira, 19 de maio de 2015
Falar em Público

Por Carolina Halperin, Psicóloga na Wainer Psicologia Cognitiva

 

Muitas pessoas vivenciam algum grau de ansiedade ao falar em grupos, mas para algumas pessoas, esta ansiedade se eleva e gera níveis significativos de sofrimento e prejuízo – o que pode ser um sintoma de Fobia Social. A Fobia Social gera sintomas físicos intensos, como náusea, sudorese, aceleração dos batimentos cardíacos e rubor facial. Para algumas pessoas, a ansiedade se torna tão forte que gera o trancamento de cursos e/ou perda de oportunidades de trabalho.
Existem vários tratamentos para a Fobia Social, porém a Terapia Cognitivo-Comportamental tem se mostrado mais eficaz. Por ser um tratamento estruturado e focado em identificar e melhorar distorções de pensamento, a TCC é especialmente eficaz para a ansiedade. Além disso, a parte comportamental agrega diversas técnicas que, comprovadamente, diminuem a ansiedade e ajudam as pessoas a enfrentar seus medos.
Para aqueles que se sentem ansiosos ao falar em público, sem necessariamente ter Fobia Social, seguem algumas dicas:
1- Prepare-se: conheça seu material. Leia atentamente, até que se torne familiar. Não tente memorizar as palavras, apenas se apropriar do conhecimento.
2- Pratique: fale em voz alta, apresente para você mesmo, para familiares e amigos.
3- Leve mais de uma cópia do material e salve-o em mais de um formato: dessa forma, você se sentirá seguro se algum aparato tecnológico falhar.
4- Conheça seu público: com quem exatamente você estará falando? Saber disto ajuda a apropriar a linguagem ao público, para que as pessoas consigam absorver o máximo de informações possível.
5- Conecte-se com as pessoas: durante a apresentação, crie oportunidades de interação. Seu público se conectará com você e sua mensagem com mais facilidade se forem convidados a participar.
6- Esteja descansado: coma bem e beba bastante água no dia da apresentação. Algumas pessoas sentem menos fome quando estão ansiosas, ou abrem mão do descanso para se preparar. Porém, fazer isso leva a ainda mais ansiedade e pode gerar sintomas físicos de cansaço e mal nutrição durante a apresentação. Cuide-se!
7- Chegue mais cedo: 15min de antecedência é o suficiente para se acomodar e preparar os materiais.
8- Água: além de hidratar as cordas vocais, gera uma pequena pausa durante a apresentação.
9- Segure algo nas mãos: muitas pessoas ficam em dúvida de onde posicionar as mãos durante apresentações. Segurar uma caneta, um pointer laser ou um controle para passar os slides diminui esta ansiedade.
10- Respire: respirar fundo antes e durante a apresentação ajudará no relaxamento e na calma durante a sua fala.

Adaptado de: Red Lands Daily Facts 
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O desafio de ser mãe e profissional na atualidade

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Mulher-Maravilha

 

 Por Milene Petry, Psicóloga na Wainer Psicologia Cognitiva

Nos últimos 60 anos, nossa sociedade vem passando por muitas mudanças. Crises econômicas impulsionaram as mulheres a se inserirem no mercado de trabalho e a renda gerada por elas passa a ser fundamental no orçamento familiar. A partir disso, maternidade, que durante séculos foi a principal atividade da mulher, passa a ser adiada e o número de filhos reduzido. Segundo dados do IBGE, 38% das famílias são chefiadas por mulheres e elas 87% das famílias sem cônjuge e com filhos. Apesar disso, as brasileiras são as que menos retornam da Licença Maternidade e decidem adiar esse retorno por diversas razões. Entre elas, destacamos o fato de que a Licença Maternidade no Brasil 3 vezes menor quando comparada a países desenvolvidos como Noruega e Reino Unido. Outro fator importante é a culpa que muitas mulheres enfrentam por ter que deixar seu filho aos cuidados de outra pessoa (babá, avó, escolinha) e culpa também por desejar retornar ao trabalho.

O desafio de conciliar maternidade e carreira está justamente no fato de que uma coisa não exclui a outra. Ser mãe não diminui as responsabilidades com o trabalho. Ser profissional também não alivia a mãe de suas responsabilidades com os filhos, nem da culpa por sua ausência. Ser mãe exige dedicação total no que diz respeito responsabilidades por seu herdeiro. Muitas vezes é necessário que a mãe reduza sua carga horária no trabalho para dar conta da maternidade. Por outro lado, o companheiro também pode assumir algumas tarefas de cuidados com os filhos também pode auxiliar nesse desafio, afinal, a decisão de ter filhos é do casal.

A mãe que trabalha passa menos tempo com o filho do que aquelas que decidem exclusivamente cuidar deles. Mas isso não a faz menos mãe. É necessário reservar um tempo para estar exclusivamente com o filho. Priorizar a qualidade do tempo em que mãe e filho passam juntos pode contar mais do que quantidade de tempo. Mesmo que o filho esteja dormindo quando a mãe chega em casa, o contato entre eles deve ser mantido. Nesses casos, se indica que a mãe entre no quarto do filho e lhe faça um carinho para que o ele se sinta importante e perceba a presença da mãe, pois isso lhe inspira segurança. Indica-se também que a mãe inclua o máximo possível o filho nas atividades da casa, como ir ao supermercado, prepararem juntos a mochila da escola, brincar com jogos interativos e aproveitar o tempo livre sem cumprimento de regras como horários, ler um livro ou contar uma história para criança antes de dormir. São tarefas simples que imprimem na criança a rotina e estilo de vida da sua família além de fazer com que elas se sintam integradas nessa rotina.

Certamente, a realização profissional e pessoal são partes fundamentais na vida de qualquer pessoa. Para que as mães conquistem isso, é necessário que o gerenciamento do tempo seja mais efetivo. Muitas vezes só isso não basta. Criatividade e improvisação também podem fazer toda a diferença!  E vale lembrar, maternidade exige a mesma responsabilidade que a vida profissional, mas cuidar dos nossos “patrõeszinhos”é muito mais prazeroso.

 

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Psicoterapia para idosos: Ainda há tempo para mudanças?

terça-feira, 5 de maio de 2015

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 Por Júlio Carneiro, Psicólogo na Wainer Psicologia Cognitiva

Quando pensamos em tratamento psicológico, talvez a primeira coisa que nos vêm à mente é que a psicoterapia é um recurso que alcança melhores resultados em crianças, adolescentes ou adultos jovens. Essas faixas etárias parecem estar mais sujeitas a crises em seu desenvolvimento ou acidentes psicológicos de percurso, como depressão, crises de ansiedade, perdas traumáticas e outras dificuldades que necessitam de um cuidado profissional. Raramente pensamos em idosos. Somos levados a pensar que nesta etapa da vida o sujeito já passou por crises e dificuldades, alcançando uma estabilidade emocional e uma postura mais contemplativa da vida. A grande questão é que o ser humano necessita de cuidados em todas as suas etapas, e a psicoterapia é um recurso valioso neste momento da vida. Dificilmente imaginamos a existência de psicoterapias especificas para esta população.

O idoso está sujeito a crises tanto quanto um adolescente, porém ela pode aparecer de forma muitas vezes disfarçada e erroneamente interpretada como caprichos da velhice.   O envelhecer exige dos idosos embates que nem sempre são fáceis enfrentar. Entre esses embates encontramos perdas degenerativas, mudanças de papeis na família, trabalho e sociedade e consequentes crises de identidade. Perdas diversas, não apenas do cônjuge, mas também de amigos e conhecidos. Além disso, a aposentadoria é um marco significativo na vida das pessoas e pode acarretar perdas financeiras e diminuição de contatos sociais. Sem contarmos com os maus tratos que muitos sofrem frente ao desrespeito de alguns setores da nossa sociedade, deixando-os mais vulneráveis a pensamentos negativos de culpa, fracasso e morte.

Dessa forma, fica fácil compreendermos o quanto a psicoterapia nesse momento é fundamental para assistir ao idoso. Entre os sintomas mais comuns em idosos, estão: alterações do sono e apetite, dores somáticas, falta de concentração e memória, pensamentos de culpa, morte e fracasso. Reorganizá-los com as melhores estratégias que a psicoterapia pode oferecer é um passo fundamental. A Terapia Cognitiva, dado a sua forma estruturada e focada, tem contribuído muito para uma melhor qualidade emocional do idoso.

O terapeuta cognitivo promove a colaboração de projetos de vida, melhorando sua inserção na família e lhe possibilitando maior autonomia; busca uma qualidade mental e a promoção da longevidade, valorizando o que de melhor se pode ter nesta etapa da vida. Fazendo jus à uma sábia frase: “o nascer é uma possibilidade, viver é um risco, mas envelhecer é um privilégio”.

 

 

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