Arquivo de abril de 2015

As escolhas amorosas não são feitas por acaso

quinta-feira, 30 de abril de 2015

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Por Kelly Paim, Psicóloga na Wainer Psicologia Cognitiva

Muitas pessoas se questionam sobre os motivos de escolhas amorosas erradas e que, geralmente, acabam sendo repetidas ao longo da vida. Além disso, não é rara a experiência de iniciar um relacionamento que parece satisfatório, mas que com o passar do tempo se direciona para uma dinâmica conjugal destrutiva, onde as mesmas insatisfações de outros relacionamentos do passado são sentidas.
Jeffrey Young, criador da Terapia do Esquema, explica que a busca pela manutenção de padrões aprendidos nas relações primárias, principalmente com os cuidadores, é um componente fundamental na escolha amorosa. Isso acontece em um nível muito mais emocional do que racional, o que pode ser entendido por “química” da atração. O autor salienta que a coerência cognitiva e perpetuação de esquemas mentais levam a uma forte atração por relações que mantenham sensações e crenças já existentes em nós (crenças sobre si mesmo, sobre outros e sobre as relações). Com isso, as escolhas amorosas e a permanência em relacionamentos danosos, por exemplo, podem estar baseadas na química que é sentida pela ativação de um ou mais esquemas mentais disfuncionais, que são formados por crenças profundas e sensações decorrentes, principalmente, de experiências nocivas na infância e adolescência com figuras parentais ou com outras relações significativas.
A dinâmica conjugal tende a acontecer de forma que contribua para a manutenção desses esquemas disfuncionais. Situações vivenciadas no relacionamento (situações gatilho) desencadeiam uma interação esquemática entre o casal, que pode aparecer como um padrão autoperpetuado e destrutivo, envolvendo um ciclo complexo de respostas cognitivas, comportamentais, emocionais e biológicas (Yoosefi et al., 2010). Deste modo, uma espécie de ciclo esquemático de ativações de respostas emocionais, cognitivas e comportamentais infantis pode estabelecer uma interação destrutiva entre o casal. Como uma espécie de círculo vicioso, a utilização de estratégias de enfrentamento desadaptativas frente às insatisfações sentidas no relacionamento não permite que as necessidades emocionais sejam compreendidas e satisfeitas na relação.
Por outro lado, Young (1990) entende que as relações íntimas, quando conseguem ser satisfatórias, podem ter um papel fundamental na cura dos esquemas disfuncionais. Com isso, um objetivo importante na terapia individual focada nos esquemas é ajudar os pacientes a realizarem escolhas amorosas mais saudáveis e que consigam modificar um padrão de relacionamento prejudicial. Já a terapia conjugal pode ajudar os parceiros a identificarem e reprocessarem as emoções relacionadas aos esquemas, desenvolvendo estratégias saudáveis para alcançarem suas necessidades emocionais infantis e adultas na relação atual.

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Quando as crianças ficam tristes: nuances da Depressão infantil

quinta-feira, 30 de abril de 2015

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Por Carolina Halperin, Psicóloga na Wainer Psicologia Cognitiva

Assim como adultos, crianças podem se sentir tristes de vez em quando. Mas se estes sentimentos persistirem e interferirem e, comportamentos e atividades normais da infância, é necessário prestar atenção

Um dos problemas mentais mais comuns entre crianças e adolescentes, a depressão pode aparecer em qualquer idade. E embora a depressão infantil seja uma doença séria, com a intervenção apropriada em Terapia Cognitivo-Comportamental, as evidências de melhora são notáveis, levando a uma vida mental saudável na vida adulta.

Embora a causa da depressão seja a combinação da carga biológica com o ambiente, os pais podem tomar alguns cuidados para prevenir ou amenizar muitos dos sintomas.

Conhecer o que é típico do seu filho ajuda a determinar se a criança está ou não deprimida. Se os sintomas (listados abaixo) ocorrerem em múltiplos contextos, como em casa e na escola, e forem crônicos, é importante dobrar a atenção.

A Depressão não é exatamente igual em duas pessoas, e os sintomas variam de acordo com a idade e/ou estágio de desenvolvimento. Além disso, o inicio pode ser súbito ou gradual.

Em crianças mais novas, são comuns comportamentos mais regressivos, irritabilidade, ansiedade de separação e febre, conjuntamente com queixas físicas como dor de cabeça e de barriga. Crianças mais velhas podem relatar que se sentem tristes e bravas, perder o interesse nos amigos e nas atividades e/ou dificuldade de concentração.

Abaixo, seguem alguns sintomas presentes na depressão infantil. Para que o diagnóstico seja feito, é importante e necessária a avaliação de um psicólogo e/ou psiquiatra, para que o tratamento possa ser iniciado e conduzido com sucesso.

Sintomas físicos:
– Mudanças no padrão de sono e alimentar.
– Mudanças nos níveis de energia e de atividade, fatiga, lentidão na fala, nos movimentos ou nos reflexos.
– Queixas de dor, em geral de cabeça ou de barriga.

Sintomas cognitivos:
– Dificuldade de concentração e de memória.
– Pensamentos negativos ou pessimistas.
– Desesperança.
– Baixa auto-estima.
– Foco aumentado nas dificuldades.
– Pensamentos destrutivos sobre morte e suicídio.
– Diminuição ou parada de atividades previamente prazerosas.
– Apatia ou tédio.
– Piora do desempenho acadêmico.
– Aumento da irritação e da hostilidade.
– Insegurança, ansiedade e dependência.
– Mais choro e explosões verbais.
– Tristeza e isolamento.
– Mudanças nos hábitos de higiene.

Fonte: Citzen-Times

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Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) e Terapia Cognitiva: Até onde vão as semelhanças?

quarta-feira, 29 de abril de 2015

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Por Pedro Moser: Estagiário de Psicologia Clínica da Wainer Psicologia, supervisionado por Kelly Paim e Renata Erdos (Psicólogas da Wainer Psicologia)

As terapias de terceira onda estão em evidência no meio clínico e acadêmico, aproximando ainda mais terapeutas que se identificam com diferentes maneiras de trabalhar o sofrimento mental e criando uma nova imagem para as terapias cognitivas. Porém, a discussão sobre as divergências teóricas também é necessária, levando em conta, até mesmo, uma possível disputa científica entre as abordagens que dão título a esta postagem.
A Terapia Cognitiva (TC), desenvolvida por Aaron Beck, foi uma revolução na prática da psicoterapia, capaz de tratar transtornos de humor e ansiedade em poucas sessões. Esta abordagem, que já foi amplamente estudada e testada quanto a sua eficácia, tem como princípios a orientação para o presente, a resolução de problemas e a modificação de crenças, levando a uma mudança de comportamentos. A Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) também é orientada ao presente, mas de uma forma distinta a introduzida pela TC, pois visa uma postura mais contemplativa do que contestadora.
Para começar, a ACT é baseada em uma linha de pesquisa básica desenvolvida pelo psicólogo Steve Hayes: a Teoria do Quadro Relacional (RFT). Este programa de pesquisa é bastante abrangente e se propõe a explicar o funcionamento da mente humana. Dentre as premissas desta abordagem está a de que muitas das nossas ferramentas mentais para a resolução de problemas são ótimas para modificar o ambiente em que vivemos, porém, também são capazes de atuar como armadilhas geradoras de sofrimento, quando aplicadas ao nosso mundo interno. Hayes advoga que existe uma distinção primordial entre dor e sofrimento, sendo a dor uma parte inevitável da vida e o sofrimento um resultado inevitável da tentativa de evitar a dor. Para ele, a dor psicológica é natural e saudável. O autor ainda afirma que contestar pensamentos pode não ter o efeito terapêutico desejado pelos “beckianos”, podendo gerar uma forma de “evitação experiencial” que leva ao sofrimento.
Estas constatações estão estimulando uma série de estudos clínicos que comparam protocolos com diferentes abordagens técnicas e avaliam a eficácia clínica de cada um deles. Com isso, estamos em um momento muito fértil no campo da psicoterapia, pois é através da pesquisa e esclarecimento de conflitos teóricos que melhor conseguimos obter progressos no trabalho clínico. A nova geração das Terapias Cognitivas, que chegou para ampliar horizontes, traz com ela a necessidade de mais pesquisas.
Se quisermos manter o título de “terapias baseadas em evidências” precisamos lidar com essas disputas e incentivá-las. A existência de diferentes “ondas” para embasar a prática dentro da Terapia Cognitiva pode oferecer aos terapeutas ainda mais recursos técnicos. Por outro lado, é fundamental que, além das convergências e divergências entre as teorias, seja sempre considerada, em primeiro lugar, a demanda de cada paciente.

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Terapia do esquema em grupo

segunda-feira, 27 de abril de 2015

 

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Por Renata Erdos, Psicóloga na Wainer Psicologia Cognitiva

A Terapia do Esquema em grupo é uma modalidade que visa atender pacientes com transtornos de personalidade. Estes pacientes, segundo descrições de Young (2003), experienciam seus problemas na interação com outras pessoas, por isso o trabalho em grupo é significativo e altamente recomendado. Esta abordagem segue os mesmos princípios da Terapia do Esquema individual.

O trabalho em grupo proporciona trocas de experiências e aprendizagens entre os participantes que no tratamento individual não são possíveis. Fatores que não estão presentes na terapia individual contribuem para a efetividade do grupo, como por exemplo, suporte e validação pelos membros do grupo, a possibilidade de experimentar de forma segura expressões emocionais e novos comportamentos, vínculos que possam resignificar representações de vínculos inseguros, confrontação empática entre os membros do grupo, expansão da repaternalização limitada (reparar relacionamentos a partir da relação terapêutica) de um membro para o grupo todo, altruísmo, coesão grupal, diversas fontes de informação, modelagem, aprendizado interpessoal, dessensibilização e oportunidade de praticar habilidades sociais.

Comumente os pacientes se referem ao grupo como a “família saudável”. Procura-se promover a coesão do grupo reforçando esta ideia: do grupo como uma “família substituta saudável”. Esta família oferece aos pacientes um “lar seguro” para que possam preencher as lacunas da aprendizagem emocional sobre si mesmos e os outros, o que normalmente acontece em um ambiente saudável.

Como o grupo representa uma “grande família” o papel do terapeuta neste processo é de se comportar como um “bom pai”. Para isso, deve se perguntar o que um bom pai faria, e agir desta forma: ajudar os pacientes a identificar e a suprir suas necessidades primárias não atendidas. Um bom pai não julga e não diferencia seus filhos, assim deve ser a relação do terapeuta com os pacientes do grupo.

As principais técnicas utilizadas são as vivenciais. É feito o trabalho com imagens mentais, role-plays (simulações) e representações de situações em grupo (dramatizações). Os encontros em grupos são apropriados para estas técnicas, pois potencializa o efeito emocional das experiências. Como o grupo representa uma família, a revivência evoca as associações e memórias da família de origem, capazes de reparar as experiências disfuncionais do passado.

 

 

Fontes: Vreeswijk, Broersen e Nadort, 2012; Farrell, 2012; Farrell e Shaw, 2012; Morrison, 2001.

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O papel dos pais no processo de escolha profissional

quinta-feira, 23 de abril de 2015

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Por Cíntia Benso – Psicóloga Organizacional na Wainer Psicologia Cognitiva

A influência dos pais no processo de orientação profissional é um fator inquestionável. Variáveis como nível socioeconômico, desenvolvimento cultural e laboral dos pais impactam na escolha de adolescentes, mesmo que de modo menos diretivo, mas estão presentes. Há também pais que exercem uma influência direta avaliando objetivamente as escolhas profissionais de seus filhos. De acordo com Bardagi e Hutz (2008) os pais são referências de modelos profissionais, apoio e fontes de informações sobre o contexto de trabalho, bem como de valores que embasarão as expectativas profissionais construídas por seus filhos.
Diante deste contexto, torna-se relevante apontar brevemente dois aspectos, entre as diversas variáveis, que podem contribuir ou influenciar negativamente na interação entre pais e filhos, nesse momento em que definem suas escolhas vocacionais e realizarão uma das inúmeras transições no campo profissional ao longo da vida.
Apoio parental é referido na literatura (Whiston e Keller, 2004) como conceito de extrema relevância para o processo de tomada de decisão desde o momento em que os filhos começam a esboçar seus projetos até o momento em que os executam. Marisa Carvalho, membro do Centro de investigação em Psicologia da Universidade do Minho (Portugal), realizou um estudo com o intuito de analisar as perspectivas de pais, filhos, professores e profissionais da orientação em relação ao papel dos pais no desenvolvimento vocacional e concretização dos planos de carreira de seus filhos. Os participantes enfatizaram que a aceitação por parte dos pais das escolhas de seus filhos, o interesse e disponibilidade, a orientação dos pais sobre alternativas de carreira, bem como uma interação familiar caracterizada pelo apoio, comunicação e autonomia são os comportamentos que pais, responsáveis e a escola devem adotar para promover o desenvolvimento de carreira dos adolescentes.
Por outro lado, existem padrões de relacionamento entre pais e filhos que tendem a dificultar o processo de orientação profissional, podendo-se citar o estudo dos pesquisadores Mauro Magalhães, Patrícia Alvarenga e Marco Teixeira (2012). Realizaram uma pesquisa com 199 adolescentes, com idades entre 16 e 22 anos, todos estudantes do terceiro ano do ensino médio de três escolas públicas da cidade de Porto Alegre. Entre as constatações, evidenciou-se que os estilos parentais influenciam no desenvolvimento da decisão vocacional, mas a magnitudade desta dimensão é relativamente baixa. Contudo, um dado por eles reportado enfatiza que a fragilidade na educação, característica presente no estilo parental negligente (os pais não são responsivos e nem exigentes), tende a dificultar que o adolescente se comprometa com seus objetivos de vida.
Diante do exposto, os pais devem ter consciência de seu papel, reconhecer seus limites, evitar culpa, buscar informação e autoconhecimento e desenvolver atitudes mais adaptadas para auxiliarem seus filhos nesse momento de escolha profissional e na vida de um modo geral.

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Adulto também faz arte

quinta-feira, 16 de abril de 2015


Por Júlio Pachalski – Psicólogo Clínico da Wainer Psicologia Cognitiva

Jardim - Capa

O lápis de cor parece ter voltado as mãos daqueles que buscam uma atividade relaxante, seja pelo prazer da pintura ou pelo simples alívio do estresse. Quando nos desafiamos a pensar sobre lazer, passamos necessariamente pela forma como encaramos tal atividade.A leitura sempre acompanhou multidões como hábito de lazer, no entanto, os livros que não param nas prateleiras são outros: livros de colorir.

Esta atividade lúdica, muito comum entre as crianças, tem crescido no mundo todo entre os adultos. As figuras são outras, porém o benefício pode ser o mesmo, estimulando os dois hemisférios cerebrais, ativando áreas responsáveis pela motricidade fina e visão, além de contribuir para o raciocínio lógico e criatividade na mistura das cores. A química cerebral contribuirá com doses de endorfina, devolvendo ao indivíduo um bem estar, reduzido na rotina pelo estresse.

Como qualquer atividade desempenhada, temos o poder de transformá-las em prejuízo, portanto temos que ter cuidado para não empenharmos nestas horas uma rigidez maior do que a prática do lazer permite. Muitas vezes somos muito exigentes ou competitivos, influenciados inclusive por comparações sociais, podendo por em “cheque” a função da pintura, relaxar.

Fonte: Donna, Folha

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Atendimento psicológico virtual

terça-feira, 7 de abril de 2015

Por Rossana Andriola – Psicóloga Clínica da Wainer Psicologia Cognitiva

Psicologia Online

 

O desenvolvimento tecnológico tem possibilitado o surgimento de uma infinidade de recursos, o quais podem ser utilizados de forma favorável para o avanço das comunicações. Neste ensejo, a Psicologia tem se beneficiado do uso adaptativo da internet, ampliando suas práticas mediante este meio. Os atendimentos online ou virtuais estão despontando como uma saída para diversas dificuldades relacionados ao acesso ao tratamento.

Segundo o Conselho Federal de Psicologia em sua Resolução nº 11/2012, o atendimento psicológico pode ser realizado através de orientações psicológicas de no máximo 20 encontros (obtendo um selo do Conselho), em processos seletivos, aplicações de testes validados pelo próprio Conselho, supervisão psicológica e/ou atendimento psicológico eventual de pacientes que encontram-se temporariamente impossibilitados de comparecer em atendimento presencial.

Com esta resolução aumentaram as possibilidades de atendimento facilitando o acesso a pessoas que não dispõe de outro meio, senão o virtual para o tratamento. Atualmente, psicólogos tem testado esta ferramenta principalmente com pacientes que apresentam uma incompatibilidade eventual de horários ou que estão temporariamente indisponíveis (viagens turísticas, intercâmbios, viagens a trabalho) mas que precisam da mesma forma continuarem seu processo terapêutico. O Skype tem se demonstrado como uma das ferramentas mais utilizadas para estas sessões virtuais, possibilitando que o paciente e o terapeuta consigam ter um contato visual.

As sessões virtuais em Terapia Cognitiva Comportamental são estruturadas similarmente ao atendimento presencial, inclusive com tarefas, podendo haver algumas adaptações por conta das particularidades do meio virtual. Enfim, ainda há muito o que se aprender em termos do atendimento mediado pela internet; a Psicologia está dando os primeiros passos para que este instrumento possa ser utilizado de forma a alcançar e beneficiar cada vez mais pessoas.

Fonte: Conselho Federal de Psicologia

 

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Entrevista com o Dr. Ricardo Wainer para O Globo – ‘‘Babilônia’ está cheia de psicopatas’

quinta-feira, 2 de abril de 2015

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“Sou doutor em Psicologia pela PUC-RS, professor titular há 20 anos e o único do Brasil com treinamento de terapeuta e supervisor credenciado pela Sociedade Internacional de Terapia do Esquema. Minha esposa é psicóloga e trabalha comigo, tenho dois filhos e um deles está fazendo Psicologia”


Conte algo que não sei.

Estudos com prisioneiros psicopatas na Holanda, que tem um serviço de saúde mental fantástico e os obriga a se tratarem, mostram até a reversão do quadro. Eles se motivam porque, se tiver algo melhor que ficar preso, legal. O problema são os não motivados.

Há muitos psicopatas no cotidiano?

A psicopatia é um subgrupo da personalidade antissocial. Falta empatia e não se consegue acessar a vulnerabilidade deles. Estão em todos os lugares, e a ficção espelha isso. “Babilônia”, atual novela das nove, está cheia de psicopatas.

Fale mais sobre isso…

Glória Pires é a clássica: fria, excelente articuladora, usa a empatia, mas só quer ganhos materiais. Adriana Esteves já é borderline: impulsiva, se descontrola, é abandonada. O Gabriel Braga Nunes é preguiçoso, antissocial: tem afeto pelos filhos, mas não é laboral, vive do hedonismo. Para os antissociais, a Terapia do Esquema tem resultados muito bons.

Como funciona?

É focada em estruturas que armazenam crenças, verdades absolutas sobre si mesmo, o mundo, os outros, o futuro, regras de relacionamento com o ambiente e estratégias. Supondo que eu seja um antissocial: eu me vejo como solitário, forte, autônomo. Como vejo o outro? Ou no mesmo nível, e aí eu respeito, ou como um trouxa, e aí eu me aproveito dele. Um dos modelos é mudar o peso desses esquemas, as distorções do pensamento. Para transtornos mais graves de personalidade (borderline, narcisistas, paranoides), dependência química grave, desvios alimentares e depressão atua-se nos esquemas primitivos, que se formam muito cedo, em torno dos 10 anos de idade.

De onde vêm os esquemas?

Primeiro, da base genética: as crianças nascem mais ou menos ansiosas ou extrovertidas, com amabilidade diferente e neuroticismo que vão determinar a necessidade de afeto, limites, expressão. Depois, as experiências com cuidadores (pais, mães, parentes, professores). São esquemas antigos, as pessoas não têm acesso verbal a eles. Como acessar essa memória? Ativa-se a emoção com imagens (a pessoa se lembra de flashes, de algumas situações). Aí se busca a ressignificação das memórias e o fornecimento do suporte que faltou.

Pai e mãe podem evitar isso?

Há cinco tarefas evolutivas: a necessidade de ser aceito no núcleo familiar: é dos pais o dever de dar afeto, o que é diferente de amor. Depois, autonomia e competência: acreditar na criança e deixar espaço para experimentação. Terceiro, limites realistas. Pais são rígidos demais ou muito permissivos. Quarto, respeito às aspirações e inclinações. E quinto, permitir expressão emocional legítima, positiva ou negativa. O que gera os esquemas não são situações específicas traumáticas, mas o padrão continuado.

Os pais são culpados, então?

Não. A questão não é culpar a pessoa — e essa é a grande nuance — mas fazer com que tenha compaixão consigo. Se o pai bate, o guri pensa que é mau para ter que suportar aquilo. E aí a coisa vai para a vida toda se não for revertida com terapia para que a pessoa perceba que não deveria ter passado por aquilo quando criança e lide com suas dificuldades.


Fonte: O Globo

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