Arquivo de maio de 2014

Boa noite de sono – Como a TCC pode ajudar com a insônia

quarta-feira, 14 de maio de 2014

insonia

Hoje em dia, é comum ouvirmos queixas sobre o sono; na maioria das noites dormimos muito menos do que as sete ou oito horas recomendadas. Em uma sociedade que prioriza o trabalho e recheia nossas agendas com atividades, arranjar tempo para dormir vira um luxo. Entretanto, dormir é uma necessidade vital para nossa saúde, segurança e bem-estar geral. Quando dormimos, recarregamos nosso cérebro, permitindo que ele consolide conhecimentos e memórias adquiridos durante o dia. Sono insuficiente já foi correlacionado com o aumento da incidência de acidentes automotivos, baixo desempenho no trabalho, e problemas nos relacionamentos interpessoais. A privação do sono também aumenta os riscos de pressão alta, doenças cardíacas, diabetes, obesidade e derrames.

Dificuldades no sono são comumente vinculadas a problemas como estresse, depressão ou ansiedade. Em muitos casos, as pessoas têm insônia porque desenvolvem um padrão de comportamentos que interfere nos bons hábitos de sono.

Psicólogos que trabalham com a linha Cognitivo-Comportamental podem ajudar na mudança destes comportamentos e na identificação de pensamentos, sentimentos e emoções que possam interferir em uma boa noite de sono. Além disso, se a insônia for decorrente de transtornos como depressão ou ansiedade, o psicólogo irá tratá-los diretamente, o que por conseqüência melhorará a qualidade do sono.

O psicólogo lhe ajudará a identificar situações estressoras e comportamentos que possam estar interferindo no sono. Para isto, uma das técnicas que podem ser utilizadas é um “diário do sono” com informações sobre a rotina, comportamentos e pensamentos que envolvem a hora de dormir. Por exemplo, o hábito de ver televisão na cama pode prejudicar o sono, e o psicólogo auxiliará a encontrar alternativas para que isto não ocorra. Também são ensinadas técnicas de relaxamento que ajudarão a desacelerar a mente e o corpo antes de ir para a cama.

Alguns dos seguintes passos podem ajudar a modificar hábitos e melhorar a qualidade do sono. São eles:

1)  Criar um ambiente tranqüilo para dormir;
2)  Evitar discussões e situações estressantes perto da hora de dormir;
3)  Manter uma rotina de horários para dormir e acordar;
4)  Limitar as sonecas ao longo do dia;
5)  Exercitar-se regularmente;
6)  Evitar refeições pesadas tarde da noite;
7)  Limitar o uso de nicotina e cafeína;
8)  Evitar olhar muito no relógio e verificar quantas horas de sono restam;
9)  Anotar os pensamentos que causam ansiedade na hora de dormir;

É importante lembrar que o psicólogo cognitivo-comportamental irá avaliar cada caso individualmente, priorizando o bem estar e as necessidades de cada paciente.
Encontre na WP um profissional capacitado para auxilia-lo.

Fonte: http://www.apa.org/helpcenter/sleep-disorders.aspx

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A TCC para Transtornos do Espectro Autista

quinta-feira, 8 de maio de 2014

autismo

De etiologia multifatorial e ainda não totalmente determinada, os transtornos do espectro autista (TEA) são caracterizados por um grande impacto em diversas áreas de funcionamento – também por isso, são conhecidos como Transtornos Globais do Desenvolvimento. Falta de respostas para as emoções de outras pessoas, falta de modulação do comportamento, uso insatisfatório de sinais sociais e uma fraca integração dos comportamentos sociais, emocionais e de comunicação são freqüentemente encontrados (Camargos Jr. et al, 2005). Utiliza-se a nomenclatura “espectro” nesta classe de transtornos devido à sua complexidade, pois indivíduos diagnosticados com algum dos TEA tendem a apresentar o mesmo tipo de sintoma; entretanto, estes podem variar em termos de intensidade e freqüência. Além disto, o diagnóstico diferencial dentro do próprio espectro muitas vezes é confuso, visto que não há uma fronteira clara entre um transtorno e outro (Amâncio, 2010).

Durante muito tempo, estes transtornos foram considerados pouco freqüentes; entretanto, o autismo é o transtorno mais comum dentre os transtornos do desenvolvimento. Estima-se que há cerca de seis indivíduos com TEA a cada mil nascimentos (The Autism Genome Project Consortium, 2007). As anormalidades costumam ser aparentes antes dos três anos de idade, e quanto mais precocemente se dá a intervenção terapêutica, melhor o prognóstico (Montse, Piera & Gracia, 2010).

Tratamentos inovadores, fundamentados em princípios da psicologia cognitiva e, especialmente, na análise aplicada do comportamento, têm se mostrado promissores na amenização dos sintomas e na inserção destes indivíduos na sociedade (Camargos Jr. et al., 2005).

A Terapia Comportamental embasa-se nas teorias sobre o comportamento e a aprendizagem que se desenvolveram a partir do século XX, e que na década de 50 tiveram grande repercussão através obra de Skinner. A teoria de Skinner parte do pressuposto de que comportamento é o que pode ser objetivamente observado e estudado, e assim sendo, pode ser modelado através da administração de reforços (aumentam a freqüência do comportamento) ou punições (diminuem a freqüência do comportamento) (Skinner, 1953). O desenvolvimento da teoria comportamental permitiu o conhecimento a respeito das leis gerais do comportamento, tornando-o mais previsível. Tal conhecimento é o ponto no qual a terapia comportamental se apóia para o desenvolvimento de sua prática clínica (Lima & Wielenska, 1993).

As primeiras pesquisas comportamentais visando compreender a criança com autismo foram as de Ferster (1961) e Ferster e DeMyer (1961, 1962). A contribuição principal de Ferster foi a demonstração explícita e concreta da aplicabilidade dos princípios de aprendizagem com crianças portadoras de distúrbios de desenvolvimento e de que, através de arranjos cuidadosos de certas conseqüências ambientais, o comportamento destas crianças pode ser alterado, aumentando-se seus repertórios comportamentais e diminuindo os comportamentos disruptivos e/ou inadequados. À medida que a terapia comportamental evoluiu, e com base em um conjunto de princípios e procedimentos comprovados, gradativamente os planos de intervenção tornaram-se mais abrangentes e inclusivos (Camargos Jr., 2005).

Dentre os métodos comportamentais atualmente utilizados para o tratamento do espectro autista, destacam-se: Treatment and Education of Autistic and Communication related handicapped Children (TEACCH) – Tratamento e Educação de crianças autistas e com outros prejuízos na comunicação. O método TEACHH é um tratamento baseado em evidências, que vem sendo desenvolvido na Universidade da Carolina do Norte nos últimos 30 anos. Sua premissa básica é habilitar indivíduos com transtornos do espectro autista a viver uma vida mais normal e independente possível, desempenhando papéis significativos na comunidade. Para tal, são utilizadas técnicas de treinamento de habilidades sociais, estímulo precoce à comunicação e à linguagem, estratégias de enfretamento para as crianças e seus familiares, entre outras. Este método faz uso majoritariamente de figuras e rotinas, que aproveitam as habilidades visuais das crianças para que as mesmas mantenham a atenção e interajam com as outras (Teachh Autism Program, 2009).

Outra abordagem é a Lovaas Model of Applied Behavior Analysis (Modelo Lovaas de Análise do Comportamento Aplicada), desenvolvida na Universidade da California em Los Angeles (UCLA) pelo Dr. Ivar Lovaas e a mais utilizada nos Estados Unidos atualmente. Nesta abordagem, o terapeuta trabalha com a criança de 20 a 40 horas semanais, visando a conquista de habilidades sociais e de linguagem. A criança é recompensada quando aprende palavras, permanece sentada ou cumprimenta alguém, por exemplo. Para que a abordagem tenha sucesso, é necessário o comprometimento dos pais, que devem fazer um diário do comportamento da criança (Loovas, 1981).

Assim, o tratamento baseado na Análise do Comportamento visa desenvolver repertórios de habilidades sociais relevantes e reduzir repertórios inadequados, servindo-se de métodos baseados em princípios comportamentais. Para atingir tais resultados, todo o comportamento que se deseja modificar é dividido em pequenos passos, e cada passo realizado tem como conseqüência um reforçador efetivo para o indivíduo. Em contrapartida, comportamentos não desejáveis (estereotipias, evitação do olhar e do contato físico, surtos de choro, por exemplo) são explicitamente não-reforçados e, algumas vezes, punidos. É de extrema importância a realização de um levantamento minucioso de quais comportamentos se quer modificar e, principalmente, de uma análise de quais reforçadores são significativos àquele sujeito (Camargos Jr., 2005).

Para ser eficaz em sua implementação, a análise aplicada do comportamento é dividida em quatro fases: 1) a avaliação comportamental, 2) a seleção de metas e objetivos, 3) a elaboração de programas de tratamento e 4) a intervenção propriamente dita (Windholz, 1995). A fase da avaliação comportamental deve levar em conta as variáveis biológicas e socioculturais, as diferenças individuais e o estágio de desenvolvimento do individuo, visando fornecer informações como: o repertório comportamental do paciente, seu funcionamento no ambiente, a adaptabilidade e funcionalidade dos comportamentos emitidos, as conseqüências dos comportamentos e a relação com outras pessoas (Meyer, 1990).

Baseado nesta avaliação tem inicio a fase da seleção de metas e objetivos individualizados, que abrangerão comportamentos-alvo nas seguintes áreas: interação social, comunicação, habilidades de auto-cuidados, habilidades acadêmicas, e, no caso de indivíduos mais velhos, habilidades de lazer e trabalho. É preciso dar atenção às habilidades básicas, pré-requisitos para qualquer aprendizagem.

A fase de elaboração de programas de tratamento indicará claramente os comportamentos que serão alvo de intervenção e irá promover uma seqüência progressiva de pequenos passos, iniciando com comportamentos mais fáceis e passando para outros mais complexos. Além disso, irá definir claramente os procedimentos de ensino e de ajuda a ser utilizados, além de planejar como reforçar sistemática e eficazmente os comportamentos desejados.

A fase final, onde ocorre a intervenção propriamente dita, reitera o vínculo do paciente e sua família com o terapeuta, visando a manutenção das habilidades adquiridas (Lovaas, 1981). Estudos mostram que uma porcentagem de 48% de todas as crianças com TEA que foram submetidas à análise aplicada do comportamento adquiriram habilidades para permanecer em sala de aula e conviver com crianças saudáveis sem maiores prejuízos (Sallows & Graupner, 2005).

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Treinamento de Terapia Cognitivo-Processual (TCP)

quarta-feira, 7 de maio de 2014

terapiacognitivoprocessual

 

Nos dias 29, 30 e 31 de maio de 2014, a WP- Centro de Psicoterapia Cognitivo-Comportamental estará sediando um treinamento de Terapia Cognitivo-Processual, ministrado pelo Prof. Irismar Reis de Oliveira. O treinamento opedrocorrerá na sede da WP, situada na Rua Santa Cecília, nº 1556, bairro Santa Cecília na cidade de Porto Alegre – RS.

A TCP trabalha de forma sistemática e altamente objetiva todos os níveis de cognição do paciente. Apresenta técnicas inovadoras para cada nível de pensamento, permitindo com que o paciente, muito rapidamente, aprenda como estes diferentes níveis de pensamentos se conectam; levando-o a compreender como tais pensamentos afetam os processos emocionais e comportamentais de sua vida. Sendo assim, a TCP caracteriza-se como um modelo explicativo e de tratamento das “engrenagens” dos pensamentos e, concomitantemente, das emoções/sentimentos e dos comportamentos dos indivíduos.

Mais informações:
http://trial-basedcognitivetherapy.com
wp@wainerepiccoloto.com.br
(51) 3332-3249

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8 sinais de que você pode estar com depressão

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Doença, que atinge cerca de 10% dos brasileiros, é caracterizada por conjunto de sintomas que vão desde tristeza duradoura até problemas para dormir

Depressão: Doença pode dificultar concentração e raciocínio, prejudicando o desempenho no trabalho e nos estudos(Thinkstock)

Depressão: Doença pode dificultar concentração e raciocínio, prejudicando o desempenho no trabalho e nos estudos(Thinkstock)

 

A depressão afeta 350 milhões de pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), e é mais prevalente entre mulheres. No Brasil, cerca de uma em cada dez pessoas sofre com o problema. Embora seja uma doença comum, a moléstia carrega estigmas que dificultam seu diagnóstico precoce e a adesão ao tratamento adequado.
O primeiro deles está no fato de a depressão ser um transtorno mental. “Percebemos que o preconceito com as doenças mentais faz com que muitos pacientes, principalmente os homens, demorem a aceitar que têm o problema e a procurar um médico, atrasando o tratamento”, diz Rodrigo Martins Leite, psiquiatra e coordenador dos ambulatórios do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP.

Limite — Além do preconceito com os transtornos mentais, a dificuldade de interpretar os sintomas faz com que uma pessoa demore a procurar ajuda. Os sinais podem ser confundidos com sentimentos naturais do ser humano, como tristeza, indiferença e desânimo. Esses sentimentos passam a configurar um quadro de depressão clínica quando a variação do humor começa a afetar negativamente vários aspectos da vida do paciente — da produtividade no trabalho e nos estudos às relações com outros indivíduos, passando pela qualidade do sono e a disposição física para realizar as atividades do dia a dia.
“Muitas vezes é difícil diferenciar a tristeza comum da depressão. O humor das pessoas nunca é constante, sempre vai existir uma variação. Uma situação negativa pode desencadear tristeza, luto. Isso é diferente da depressão clínica, que é uma síndrome que vem acompanhada por outros sintomas”, explica Mara Fonseca Maranhão, psiquiatra da Unifesp e do Hospital Albert Einstein.

Definição — Os critérios atuais para diagnóstico da depressão — estipulados por entidades médicas como a OMS e a Associação Americana de Psiquiatria — determinam que, para ser detectada com a doença, uma pessoa deve apresentar ao menos cinco sintomas do transtorno. Entre eles, um deve ser obrigatoriamente o humor deprimido (tristeza, desânimo e pensamentos negativos) ou a perda de interesse por coisas que antes eram prazerosas ao paciente. Os outros sintomas podem incluir alterações no sono, no apetite ou no peso, cansaço e falta de concentração, por exemplo.
Segundo o psiquiatra Rodrigo Leite, os critérios dizem que esse conjunto de sintomas deve ser apresentado pelo paciente na maior parte do dia, todos os dias e durante pelo menos duas semanas para que seja considerado como sinais de depressão. Por isso, estar atento a sintomas como esses — e a duração deles — é importante para que uma pessoa procure um médico e saiba se precisa ser submetida a um tratamento.

Doença do corpo — As causas exatas que levam à depressão ainda não são completamente conhecidas. “Sabe-se que situações como problemas financeiros ou conjugais, desemprego e perda de um ente querido alteram estruturas cerebrais que são sensíveis a hormônios relacionados ao stress, especialmente ao cortisol. Com isso, há um desequilíbrio no cérebro que desencadeia os sintomas depressivos”, explica Leite.

Apesar disso, a depressão não é uma doença apenas do cérebro – e levar esse fato em consideração é essencial para o sucesso do tratamento. “As pessoas precisam saber que, diferentemente do que se pensava antes, a depressão não afeta apenas o cérebro, e o tratamento não depende exclusivamente de antidepressivos. Hoje, sabemos que essa é uma doença de todo o organismo”, diz Rodrigo Leite.
De acordo com o psiquiatra, cada vez mais a ciência mostra que a doença está relacionada a problemas como baixa imunidade, alterações dos batimentos cardíacos e acúmulo de placas de gordura no sangue. Ou seja, a depressão é também um fator de risco a doenças como as cardíacas, incluindo infarto e aterosclerose. “Ainda não está claro de que forma a depressão leva a essas condições, mas sabemos que a relação existe”, diz Leite.

Por esse motivo, o tratamento da depressão não deve incluir apenas antidepressivos. “Pessoas com depressão também precisam evitar hábitos como sedentarismo, tabagismo e má alimentação, que predispõem mais ainda uma pessoa a doenças cardiovasculares. Os pacientes devem saber que mudar esses hábitos é tão importante no tratamento quando os medicamentos.”
Os psiquiatras alertam que as pessoas, assim que notarem que apresentam sintomas depressivos — e que eles são duradouros —, devem consultar um médico. “O tratamento contra a depressão com antidepressivos, psicoterapia e mudanças de estilo de vida é eficaz, principalmente se for iniciado precocemente”, diz Mara Maranhão.

Oito sintomas causados pela depressão

1 – Alteração de Humor
2 – Desinteresse por coisas prazeroras
3 – Problemas relacionados ao sono
4 – Mudanças no apetite
5 – Perda ou ganho de peso
6 – Falta de concentração
7 – Cansaço
8 – Pensamentos recorrentes sobre morte

Fonte: veja.abril.com.br

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Os Esquemas Iniciais Desadaptativos na Relação Conjugal

terça-feira, 6 de maio de 2014

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As experiências relacionais precoces na estruturação da personalidade são destacadas por Young (1990). O autor amplia o modelo de esquemas da terapia cognitivo-comportamental de Aaron Beck, considerando a existência de Esquemas Iniciais Desadaptativos (EIDs), como estruturas interpretativas rígidas, abrangentes, duradouras e disfuncionais, que trazem prejuízos funcionais para o indivíduo, principalmente nos relacionamentos interpessoais (Cecero & Young, 2001).

A eleição do parceiro íntimo e a interação conjugal podem acontecer de forma que contribua para a manutenção dos EIDs do indivíduo (Young et al., 2003). Situações vivenciadas no relacionamento desencadeiam uma interação esquemática entre o casal, que pode aparecer como um padrão repetitivo, autoperpetuado e destrutivo, envolvendo ciclos complexos de respostas cognitivas, comportamentais, emocionais e biológicas (Yoosefi, Etemadi, Bahrami, Fatehizade & Ahmadi, 2010). Sendo assim, os estilos de enfrentamento desadaptativos usados diante da ativação esquemática, que normalmente acontece pela revivência de emoções ou situações que foram familiares ou estressantes nas relações primárias, fazem com que os esquemas do parceiro também sejam ativados (Behary & Young, 2011). Assim, uma espécie de ciclo esquemático de ativações de respostas emocionais, cognitivas e comportamentais infantis pode estabelecer uma interação destrutiva entre o casal.

Dessa forma, as estratégias de enfrentamento, utilizadas no processo esquemático, embasam a explicação sobre os comportamentos mantenedores da dinâmica conjugal disfuncional. A busca pela confirmação do esquema faz com o indivíduo repita vivências infantis, utilizando estratégias desadaptativas de resignação, hipercompensação e evitação na relação amorosa.

Os tratamentos terapêuticos para casais devem estar baseados em intervenções que vão além dos comportamentos disfuncionais, mas que trabalhem também as crenças e as emoções oriundas dos esquemas. A Terapia do Esquema com casais visa o rompimento do ciclo destrutivo da relação, focando na compreensão  e enfraquecimento dos EIDs.

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Outras abordagens no tratamento da dependência do crack

domingo, 4 de maio de 2014

Leia o artigo completo em .pdf

crack

 

RESUMO

O crescimento do uso de crack no Brasil aliado a pouca eficácia de modelos tradicionais de tratamento faz necessária uma investigação de outras abordagens que possam suprir ou complementar tais carências. O objetivo dessa revisão de literatura é apresentar alternativas terapêuticas para o tratamento da dependência do crack, sendo elas: Manejo de Contingências, Terapia de Aceitação e Compromisso, Farmacoterapia, Comunidades Terapêuticas e Políticas de Prevenção ao uso de crack. Essas terapêuticas, quando aliadas aos modelos tradicionais, potencializam o tratamento da dependência
do crack. Novos estudos, na população brasileira, são necessários para aprimorar o tratamento da dependência do crack.

INTRODUÇÃO

O consumo de crack tem aumentado ao longo dos últimos anos (Bastos, Bertoni & Hacker, 2005; Filho, Turchi, Laranjeira & Castelo, 2003). Embora pesquisas sociodemográficas sobre o uso de substâncias psicoativas tenham apontado uma diminuição do uso de cocaína, outros estudos envolvendo pacientes hospitalizados para a desintoxicação e o tratamento da dependência química, apontam para um crescimento significativo da busca de internações para usuários de crack no Brasil (Formiga, Santos, Dumcke ,& Araujo, 2009).

O uso de substâncias psicoativas ilícitas como um todo está associado com índices maiores de criminalidade. Entretanto, quando se trata do crack esses índices aumentam consideravelmente. Em um estudo realizado por Bennett, Holloway and Farrington (2008), foram apresentados índices de criminalidade que eram 2,5 vezes maiores em usuários de cocaína aspirada quando comparados a não usuários; em usuários de crack os índices eram 6 vezes maiores. Sua associação com índices aumentados de criminalidade tem preocupado profissionais e autoridades em todo o país. O uso de crack também está associado com altos índices de mortalidade (Ribeiro, Dunn, Sesso, Lima & Laranjeira, 2007). Alardeado como uma nova droga o crack é, em realidade, apenas uma diferente forma de uso da cocaína: a cocaína fumada.

O crack e suas conseqüências danosas, seguidamente têm obtido destaque na mídia e em publicações científicas. Contudo, poucos avanços têm sido feitos com relação ao tratamento dessa dependência. Kessler e Pechansky(2008) discorrem sobre a pouca eficiência de modelos tradicionais de tratamento, bastante utilizados para o tratamento da dependência química em geral, como os modelos que envolvem uma abordagem multidisciplinar. O objetivo do presente artigo é o de revisar recentes estudos que abordaram o tratamento da dependência de crack buscando encontrar alternativas, outras estratégias que estejam obtendo alguma eficácia no tratamento dessa dependência.

MODELOS TRADICIONAIS NO TRATAMENTO DA DEPENDÊNCIA QUÍMICA

Apesar do problema da dependência química ser de difícil tratamento e taxas de sucesso bastante pobres se compararmos a outros transtornos, a tríade de tratamento com alguma eficácia demonstrada em diversos tipos de dependência e com ampla pesquisa científica a respeito de seus resultados é composta pela Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) (Beck, 1976), Entrevista Motivacional (EM) (Miller & Rollnick , 2001) e Prevenção de Recaída (PR) (Marlatt & Gordon, 1993). A primeira tem foco na mudança de crenças e pensamentos disfuncionais a respeito do uso de substâncias em detrimento dos pensamentos e crenças de maior funcionalidade (Beck, 1976). A segunda preocupa-se principalmente em motivar o sujeito para um processo de mudança bem como, mantê-lo engajado nesse processo (Melo, Oliveira, Araujo & Pedroso, 2008; Miller & Rollnick , 2001). Já a terceira trabalha com a finalidade de identificar armadilhas (mentais ou situacionais) que levam o sujeito a uma recaída e, ainda, fornecer subsídios e ferramentas que o auxiliem caso ocorra um retorno ao uso (Marlatt & Gordon, 1993).

Quando empregadas para o tratamento de cocaína e crack a TCC e a PR vêm mostrando eficácia na modificação de padrões de comportamentos disfuncionais, mais do que engajar e de fato propiciar um período de abstinência inicial. Muito mais do que conseguir fazer com que o paciente se abstenha num primeiro momento, ambas as abordagens psicoterápicas propiciam uma redução do uso ou manutenção da abstinência em longo prazo (Rawson et al., 2005).

Apesar de alguns estudos apontarem para a ineficácia da EM para usuários de cocaína (Marsden et al., 2006), outros apontam para uma eficácia moderada de seus resultados quando utilizado o modelo de intervenção breve de até 4 encontros (Melo, Oliveira, Araujo & Pedroso, 2008). Um estudo recenterealizado por Stein, Herman and Anderson (2009) mostrou uma redução do consumo em pessoas que faziam uso pesado da droga quando comparados ao grupo controle. Contudo, tal resultado não se evidenciou em usuários com menor frequência de uso da cocaína.

Dessa forma, ainda que a TCC, a PR e a EM demonstrem algum resultados no tratamento da dependência de cocaína e crack ainda assim urge a necessidade de novas estratégias com a finalidade de complementar o tratamento, principalmente buscando uma abstinência inicial rápida e duradoura.

Leia o artigo completo em .pdf

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