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Adolescência: relação construtiva entre pais e filhos.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

 

O desenvolvimento humano ocorre em constante interação entre a socialização, história de vida, vínculos estabelecidos e recursos do contexto.

Do ponto de vista do adolescente, as inúmeras mudanças biopsicossociais por que passa, podem ser acompanhadas por vários conflitos internos, decorrentes da busca incessante por autonomia e protagonismo; da tendência à desconstrução de valores e crenças adquiridos na família e reconstrução de novos ideais a partir da interação com seus pares.
Na infância, é natural que os pais exerçam significativa influência na educação identidade e formação da personalidade dos filhos. Na adolescência, esta influência pode ficar fragilizada diante do leque de possibilidades de novas experiências oferecidas pelo contexto social, principalmente no que se refere aos grupos de iguais. Nesta fase, a subjetividade constrói-se na interação com novos encadeamentos de ideias que podem influenciar na percepção de si, do outro e do mundo.

A sociedade contemporânea sugere muitos desafios ao adolescente, assim como do ponto de vista dos pais, agregam-se outras demandas na educação e formação dos filhos.
Neste âmbito, pergunta-se: como está a comunicação entre pais e filhos adolescentes? Como vocês pais estão lidando com suas emoções e crenças nesta nova etapa da vida de seus filhos? Qual o reflexo disso na convivência familiar? Para uma relação saudável, é fundamental ter consciência de suas emoções e buscar mecanismos de equilíbrio entre o emocional e a resolução de eventuais conflitos. Nossas atitudes estão diretamente relacionadas com a interpretação que fazemos sobre os fatos. Portanto, fazer um treino de questionar os pensamentos é essencial para identificar interpretações erradas sobre as situações cotidianas, que muitas vezes podem gerar fragilidade e até quebra de laços parentais com o filho adolescente. Uma relação construtiva entre pais e filhos está pautada no autoconhecimento e auto regulação emocional, na empatia , no vínculo e na comunicação assertiva.

* As informações contidas nesta publicação não substituem a avaliação de um profissional da área da saúde mental.


Sobre a autora:
Daniela Maria Ladeira Reis é Psicóloga em Salvador/BA, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e Mestre em família na sociedade contemporânea.

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Eu não consigo desligar, e agora?

quarta-feira, 23 de maio de 2018

 

Você já sentiu como se não conseguisse desligar a sua mente? Por mais que você queira e tente, você continua com diversos pensamentos, que estão lhe impedindo de descansar? Mesmo na hora de dormir, você continua pensando nas atividades do dia e planejando o dia seguinte?

Acredite, você não está sozinho! É cada vez mais frequente ouvirmos relatos de pessoas com este sentimento de que não consegue controlar os seus pensamentos e que eles estão aparecendo cada vez em maior quantidade. Podemos pensar que uma das causas desta aceleração e descontrole é a contemporaneidade, que exige cada vez mais de nós, que nos cobra mais resultados e sempre em tempo recorde. O excesso de informações e de cobranças faz com que nosso cérebro sempre esteja conectado, sempre produzindo e sempre sendo levado ao esgotamento.

Além de muitas informações, quem passa por estas situações também compartilha da rotina “multitarefas”. Trabalho, estudo, cuidar da casa, cuidar dos filhos, ter um tempo com o cônjuge, ir na academia, ir ao mercado, cuidar dos pets, ir na reunião da escola dos filhos, ir naquela consulta agendada há meses, desenvolver o projeto que o chefe pediu semana passada… é muita coisa, não é mesmo?

Todos esses compromissos ficam em nossa mente, como se não quisessem ser esquecidos, e isso faz com que comecemos a pensar na frase do título: eu não consigo desligar. Nosso dia parece que precisa ter mais que 24 horas para que possamos realizar todas as atividades que deveríamos, e esta impossibilidade de realizarmos todas as tarefas, ou estes excessos de pensamentos podem desencadear quadros ou episódios de mal-estares ou ansiedade.

Podemos dizer que hoje a sociedade em que vivemos não tem mais o equilíbrio de saber quando é o momento de agir e quando é o momento de parar: ela é em um todo mantida em excessos. Esses excessos de informações, de exigências, de necessidades, de prazeres, de buscas incansáveis, acabaram trazendo malefícios para a nossa saúde física e mental. Além de não conseguirmos acalmar os pensamentos, esta nossa aceleração nos traz cansaço físico, sono alterado, dificuldade de concentração em uma atividade apenas, memória prejudicada e dores pelo corpo sem causa aparente.

Não conseguir controlar a quantidade e os momentos em que os pensamentos aparecem (na hora de dormir, por exemplo), é algo muito desagradável. Neste momento a psicologia pode nos ajudar a entender estes pensamentos de forma singular e ajudar a entender toda a ansiedade e estresse envolvidos neste processo. A psicologia pode trabalhar de maneira focal no presente, apoiando cada paciente de maneira específica. Quando percebemos que estes pensamentos estão prejudicando nossa rotina, fazendo com que percamos tempo de descanso ou tempo de lazer, precisamos buscar ajuda especializada. Vivemos em um mundo cada vez mais apressado, onde desacelerar se tornou essencial para mantermos a nossa saúde física e mental!


Sobre a autora:
Psicóloga Patrícia Godinho Poloni – CRP 07/27232.
Especializanda em Avaliação Psicológica pelo Centro Universitário da Serra Gaúcha – FSG.
Trabalha com Avaliação Psicológica e atendimento psicoterapêutico a adultos.
E-mail: polonifernandes@gmail.com
Facebook: https://www.facebook.com/psicologapatriciapoloni/

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Síndrome de Burnout: A crise do sujeito do século XXI.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

 

Ao longo destes aproximados últimos dois anos, diariamente ao ligarmos a televisão ouvimos noticias referentes a crise financeira que o Brasil está enfrentando. Por conta dela, grande parte da população está aumentando sua jornada de trabalho, e mais frequentemente fazendo as chamadas horas extras ou quando não, atendendo telefonemas, respondendo a e-mails, trocando mensagens e, de uma forma ou de outra, mascarando o trabalho como forma de lazer. As pessoas estão trabalhando mais e vivendo com menos qualidade de vida.

Trabalhar se faz necessário para a sobrevivência humana de uma forma mais digna. Partindo deste pressuposto, é correto afirmar que o trabalho está relacionado a características culturais, variando de cultura para cultura e com características individuais. De uma forma geral, segundo estudos de Maslow, estão elas direcionadas à segurança, estabilidade e relacionamento social que consecutivamente influenciará a autoestima e a realização pessoal.

Porém, o que muitas pessoas desconhecem, é que o trabalho em excesso além de acarretar danos físicos pode gerar consequências psíquicas, como a Síndrome de Burnout. Esta síndrome se caracteriza por uma experiência de cunho negativo das constituições emocionais e cognitivas referentes ao trabalho e as pessoas que estão associadas ao mesmo, o que deriva de uma resposta de estresse crônico. Com isso, o sujeito pode vir a apresentar o que chamamos de exaustão mental, em que ele apresenta dificuldades em depositar energia nas atividades que anteriormente desempenhava na rotina do seu trabalho. Pensar em Burnout é como pensar em um copo com água. A cada gota que cai, o copo fica mais cheio, e a cada dia que passa o colaborador sente-se mais desmotivado e mais insatisfeito, o que respinga em sua percepção de si, dos outros e do mundo, dando origem a sentimentos de desvalor que influenciam negativamente a sua autoestima.

Cabe concluir destacando alguns pontos, como por exemplo, a diferença entre a síndrome de Burnout do estresse é a ausência de empatia constante do profissional frente às demandas emocionais dos demais. Além disso, nem todas as pessoas que têm longa jornada de trabalho irão desenvolver Burnout, pois a sua origem também está associada a uma pré-disposição de origem individual, não se tornando assim uma regra.

* As informações contidas nesta publicação não substituem a avaliação de um profissional da área da saúde mental.


Sobre a autora:
Tatieli da Silva Bitencourt é graduanda do 8º Semestre de Psicologia pela UNICNE – Centro Universitário Cenecista de Osório e aluna na Wainer Psicologia.

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GRATIDÃO!

sábado, 19 de maio de 2018

 

Pode parecer filosofia de autoajuda, mas é pura neurociência: o nosso cérebro é incapaz de reclamar e sentir gratidão ao mesmo tempo. A gratidão é uma emoção positiva que pode ser construída pelos nossos pensamentos. Quando nos sentimos gratos pelas nossas conquistas, e pelas pessoas queridas que temos em nossas vidas, passamos a ativar o sistema de recompensa do cérebro. Esse sistema fica localizado em uma área conhecida como Núcleo Accumbens, e é o responsável pelo prazer e sensação de bem-estar.

Quando o cérebro identifica que algo de bom aconteceu, o sentimento de gratidão entra em ação e ocasiona a liberação de uma substância chamada de dopamina, (neurotransmissor responsável por transmitir mensagens de prazer). Dessa forma, pessoas que manifestam gratidão apresentam níveis mais elevados de emoções positivas, e satisfação com a vida em geral.

Mas para gratidão existir, nós precisamos construí-la em nossos pensamentos. A grande maioria das pessoas vive preocupada em conquistar coisas e planejar sonhos futuros. Não que isso esteja errado, afinal somos movidos pelos nossos sonhos e ambições. Entretanto, também é importante que possamos apreciar todo o processo, sendo capazes de reconhecer tanto conquistas grandes, quanto as pequenas vitórias do dia a dia, coisas materiais ou relacionamentos importantes.

Além da dopamina, o sentimento de gratidão estimula as vias cerebrais responsáveis pela liberação da ocitocina, hormônio encarregado pelo afeto, e pela tranquilidade. A ocitocina ajuda a reduzir a ansiedade, o medo e o pânico, trazendo uma sensação de paz e bem-estar. Com isso, podemos concluir que ao exercitar o sentimento de gratidão, também estaremos desenvolvendo uma melhor relação com estados mentais tóxicos e desnecessários. Gerar pensamentos de gratidão é uma escolha única e pessoal!

* As informações contidas nesta publicação não substituem a avaliação de um profissional da área da saúde mental.


Sobre a autora:
Luanda Farala é Psicóloga – CRP 07/27938, formada em Psicologia pela PUCRS.
Trabalha com orientação psicológica online fundamentada nas abordagens da Psicologia Positiva e Cognitivo-Comportamental. Organiza grupos de Mindfulness e Oficinas de Criatividade.
E-mail para contato: psicofarala@gmail.com

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E quando é uma dor que não se vê?

sábado, 19 de maio de 2018

 

Quantas vezes nos sentimos indispostos, com dores musculares, tensionais ou talvez percebemos um resfriado se instaurando e ligamos o alerta? Sabemos que quando sentimos alguma dor ou desconforto físico, nosso desempenho poderá ser prejudicado: seja no trabalho, na faculdade ou nas mais variadas atividades de vida diária. Aprendemos que temos que respeitar nosso corpo, ouvir os sinais que ele nos dá e quando nos machucamos temos o direito ao resguardo para nos recuperarmos.

Mas e quando é uma dor que não se “vê”? Quando a dor não é na perna, no estômago ou nas costas? E quando estamos machucados, mas as feridas não são visíveis e não requerem antissépticos, curativos ou ataduras? Precisamos falar sobre esta dor, aprender a ouvi-la, compreendê-la e respeitá-la.

É preciso refletir sobre todas as vezes em que ignoramos a nossa tristeza, nossas decepções e frustrações dizendo a nós mesmos que elas passarão e que não temos tempo para isso pois precisamos trabalhar, produzir, atender às expectativas e atingir os objetivos. Afinal, não se trata de nenhuma perna quebrada que efetivamente nos impediria de trabalhar, não é mesmo? Pois, na verdade, as nossas vivências e o nosso estado emocional tem tanto, ou até mais, impacto no nosso bem estar quanto as nossas condições de saúde física. Nós somos constituídos daquilo que fazemos, pensamos e sentimos e nosso bem estar psíquico e emocional é tão importante quanto o nosso bem estar físico.

Não olhar para um fenômeno não irá fazê-lo desaparecer, apenas nos deixará alheios a ele. Quando não olhamos para nossa dor e não acolhemos nossos sentimentos, nós abrimos mão de compreendê-los, aceitá-los e vivenciá-los – processos essenciais para nossa saúde emocional.

Mas, afinal o que fazer então quando é uma dor que não se vê? Acredito que o primeiro passo é, simplesmente, passar a olhar para ela. Respeite a sua dor, respeite seus limites e ouça os sinais do seu corpo. Compreender e o que se passa dentro de você é primordial para a manutenção de sua saúde mental e o psicólogo é o profissional formado e capacitado para te auxiliar nesta jornada.

* As informações contidas nesta publicação não substituem a avaliação de um profissional da área da saúde mental.


Sobre a autora:
Lídia Kafer é Psicóloga clínica graduada pela Universidade Feevale. Atua em Novo Hamburgo/RS.
E-mail para contato: lidia.kafer@gmail.com

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A interferência da Tecnologia na Qualidade de Vida

quarta-feira, 16 de maio de 2018

 

Quando falamos em qualidade de vida, precisamos avaliar quanto tempo estamos investindo em nós mesmos e na qualidade das nossas relações. Não há dúvidas de que a tecnologia ajudou muito no acesso à comunicação. Não existem fronteiras para conversar com amigos e acessar informações de forma rápida, tanto pessoais como profissionais. No entanto, algumas pessoas sentem-se esgotadas pelo volume de entrada de demandas, envio de vídeos, grupos em redes sociais, marcações em mensagens… Antes, gastávamos tempo contando algo interessante que vimos, um filme ou uma reportagem. Investíamos nas conversas e nas relações, o que possibilitava conversar e conhecer verdadeiramente o outro. Hoje apenas compartilhamos o link do conteúdo.

Nesta nova era da comunicação, não há barreiras de tempo ou distância. O que antes era exclusividade dos executivos nas empresas, agora tornou-se algo comum. A pessoa se ausenta fisicamente do seu trabalho, mas “não desliga” porque continua sendo questionada ou envolvida em assuntos de trabalho, independente do horário. Pode ser férias, feriado ou final de semana, as demandas continuam. Assim como não conseguimos nos desconectar dos problemas pessoais enquanto trabalhamos, com o acesso à internet, sair do trabalho e esquecer dos problemas é algo quase impossível.

Além disso, as pessoas perderam a etiqueta nas comunicações. De um lado publicam a intimidade nas redes sociais e por outro, sentem-se à vontade para comentar o que quiserem. Independente do impacto que pode causar no outro. Muitas vezes, perdem o limite e privacidade. É como se estivéssemos administrando a nossa vida por trás de um computador ou celular, trabalho, amigos, família, estudo e até lazer. Assim como as nossas obrigações, como ir ao mercado e pagar uma conta, tudo pode ser feito através de um aplicativo.

O que era para ser uma facilidade, tornou-se um modo de vida. O uso indiscriminado da tecnologia é considerado grande fonte de estresse e a melhor receita é utilizar com bom senso. A tendência para os próximos anos é que aprenderemos a conviver com a tecnologia, de forma que não prejudique as nossas relações. Um Psicólogo pode ajudá-lo a tomar o controle da sua vida, reorganizar a sua rotina, descobrir atividades que lhe deem prazer, encontrar os seus verdadeiros valores, incentivá-lo a lutar pelos seus sonhos e dar significado à sua vida.

* As informações contidas nesta publicação não substituem a avaliação de um profissional da área da saúde mental.


Sobre a autora:
Francine é psicóloga, cursando Especialização em Terapia Cognitivo-Comportamental.
E-mail para contato: francine.psico@gmail.com
Página Facebook: Psicóloga Francine

 

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Os desafios de um Psicoterapeuta

quarta-feira, 16 de maio de 2018

 

Desde a graduação vivemos muitos desafios: o primeiro estágio, as primeiras vivências profissionais, o “colocar a mão na massa”; os desafios diários que vão germinar o nosso crescimento e junto dele a certeza sobre a escolha profissional. Uma certeza tão gratificante que, ao desenvolver em nós o desejo de olhar e cuidar do outro, faz com que, às vezes, nos esqueçamos de cuidar e olhar para nós mesmos. Ao optar por cuidar dos outros, criamos como que cascas, que nos fortalecem e endurecem para poder suportar a dor do outro.
Contudo, aparecem casos que nos fazem sentir e lembrar quem somos e de onde viemos. E não seria diferente comigo.

Gostaria aqui de compartilhar minha emoção em atender uma adolescente que chamarei de Anna*. Uma adolescente de 17 anos, moradora de um abrigo da capital gaúcha. Chegou encaminhada para atendimento psicológico por conta das crises de ansiedade. Uma menina fisicamente forte, mas de um olhar tão triste, que foi me contagiando assim que começamos a conversar. Pensei: “não deveria ser o contrário?”; “não deveria eu passar esperança para ela”? E com estes questionamentos fiquei por dias, trabalhando em mim a falta de respostas, as quais, enfim, nunca teremos todas.

Mas Anna me colocou a prova. O fato é este. Sua história difícil, de menina abandonada, privada de afeto, família, e já mãe de uma criança de dois anos. Anna ainda ansiava por ser filha, tinha tantos buracos afetivos que não encontrava forças para o papel de mãe. Em seu discurso pontuava o desejo de voltar a viver com a mãe, prometendo a si que as coisas seriam então diferentes, projetando uma mãe a lhe esperar. A realidade me aparece em toda a sua dureza, crueza. A impotência toma conta de mim. Gostaria de dizer-lhe que tudo ficaria bem, que sua mãe lhe esperava, de braços abertos para ela e a neta. Mas, a realidade dizia que, nos três anos em que estivera no abrigo, sua mãe não lhe visitou, nem sequer ligou.
Anna, quantas por aí? Quantos desafios esta menina mulher ainda tem para passar? O quanto tenho a aprender?

A experiência muitas vezes vem de situações difíceis, mas assim como o conhecimento, tem que nos acompanhar. A esperança compõe nossa prática e é ingrediente fundamental para ajudar quem nos procura. Os desafios acontecem a cada dia, a cada hora, a cada minuto, a todo instante.
Trabalhar com saúde mental requer muito cuidado, principalmente porque lidamos com diversas fragilidades, que perpassa várias áreas da vida humana, e isso inclui a nossa própria.

* As informações contidas nesta publicação não substituem a avaliação de um profissional da área da saúde mental.


Sobre a autora:
Tatiele é Psicóloga e Terapeuta do Esquema.

 

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Fome na alma, comida nenhuma acalma

quarta-feira, 16 de maio de 2018

 

A comida é frequentemente usada como válvula de escape dos problemas e sentimentos. Momentos de estresse, de raiva, tédio, ansiedade, decepções, tristezas, entre outros, são motivos para “atacar a geladeira”. Quem nunca viu aquela cena típica de filme do personagem atacando um pote de sorvete após uma decepção?

Comer no intuito, mesmo que inconsciente, de suprir um vazio ou a angústia que está sentindo, costuma não funcionar. O grande problema é que o sentimento não passa e após os episódios de deslize ou compulsão, o indivíduo fica se sentindo ainda pior por ter comido demais ou o que não devia.

O primeiro passo para a mudança é identificar se você “desconta na comida” sua ansiedade e outros sentimentos, ou seja, se frequentemente sua fome não é física, mas sim emocional. Diferencie fome e vontade de comer. A partir daí, você estará tornando isso consciente e pode pensar em outras possibilidades para lidar com seus sentimentos.

A fome física aparece gradualmente, enquanto a emocional vem de repente. A fome física não é seletiva. A fome emocional é seletiva, faz com que você sinta vontade de alimentos específicos, geralmente os ricos em açúcar. Com a fome emocional, você acaba comendo além do limite e posteriormente tem sentimentos de culpa e perda de controle.

Anote. Se você faz acompanhamento nutricional, sabe que é recomendado no início da reeducação alimentar anotar o que você come durante o dia. Passe a anotar também o que você estava sentindo quando se alimentou, ou pelo menos faça isso mentalmente. A partir daí, você pode identificar o que está sentindo e a causa.

Quebre o ciclo. Ao invés de comer para o ilusório “alívio” dos sentimentos, você pode: conversar com alguém sobre o que está sentindo; praticar meditação; usar de exercícios físicos para redução de ansiedade; e usar atividades/hobbies que lhe agradem e não tragam prejuízos.

Não substitua a comida por outros vícios e compulsões, aprenda maneiras eficazes de lidar com as emoções negativas. Afinal, a alma se alimenta de novas experiências e novos desafios, esse é o prato principal!

* As informações contidas nesta publicação não substituem a avaliação de um profissional da área da saúde mental.

 


 

Sobre a autora:
Taciana Pillonetto
Psicóloga formada pela Universidade de Caxias do Sul. Atua em Caxias do Sul / RS, com ênfase na terapia cognitivo-comportamental no atendimento de crianças, adolescentes, adultos e famílias.
E-mail para contato: tacianapillonetto@gmail.com

 

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Medicação: O uso (in)devido

quarta-feira, 16 de maio de 2018

A medicação é parte integrante da rotina de inúmeros indivíduos, quiçá todos. Passar na farmácia mensalmente/semanalmente para pegar os ‘remédios’ prescritos já é tão importante quanto passar no mercado para comprar a comida. Será que tudo isso é mesmo necessário? A utilização de medicamentos é importante, sim. Se estivermos sofrendo com alguma dor ou buscamos a remissão de algum sintoma, a utilização é imprescindível. Os medicamentos controlam e amenizam os sintomas que sentimos quando estamos doentes, proporcionando maior sensação de bem-estar. No entanto, deve-se ter precaução no que diz respeito ao seu excesso e/ou a prescrição indiscriminada.

No que diz respeito aos psicofármacos (medicação utilizada para o tratamento de doenças mentais), principalmente, é necessária cautela para sua indicação, que deve ser feita perante rigorosa avaliação. Seguir os critérios diagnósticos para a sintomatologia, com conhecimentos básicos da história de vida e história da doença é necessário para poder fazer a prescrição acurada e poder tratar o que realmente está acometendo o paciente. Uma conversa de 5 ou 10 minutos não é suficiente para prover todas estas informações. Ainda, referente ao medicamento, deve-se avaliar suas indicações e contraindicações, efeitos colaterais e mecanismo de ação, além da sua eficácia através das pesquisas.

Além disso, outro ponto importante para se prestar atenção é a consciência na ingestão dessas medicações – item fundamental – pois, o que tem acontecido em demasia é a utilização imprudente por parte dos pacientes. Interrupções na sua ingestão são feitas por conta própria, sem a indicação do profissional prescritor; é o caso do “eu já estou melhor e não preciso mais deles”. Isso quando não decidem retomar sua utilização “porque estou me sentindo um pouco triste de novo”, por exemplo; gerando um ciclo repetitivo de “auto ingestão” equivocada e leviana de retirada e retomada do medicamento, não levando em consideração os riscos estabelecidos à saúde, podendo piorar o quadro e agravar sintomas.

Há, inclusive, que se considerarem os indícios e reportagens existentes a respeito do envolvimento das indústrias farmacêuticas no incentivo a prescrição de certos medicamentos, sobretudo aqueles referentes às doenças do século – depressão, ansiedade e estresse -, que acarretam em prescrições exageradas por parte dos médicos, sem correta avaliação do quadro. Isto em troca de algum benefício da empresa produtora como recompensa pelas vendas.

A combinação medicamentos + terapia é essencial para os bons resultados e melhora em saúde mental. Se não estão sendo usados adequadamente, interferem diretamente nos resultados da terapia, trazendo grandes danos aos usuários. Ouça seu médico. Medicamentos exigem cuidado!

* As informações contidas nesta publicação não substituem a avaliação de um profissional da área da saúde mental.

 


Sobre a autora:
Daniele Port
Psicóloga em Concórdia – SC Coach pela Sociedade Brasileira de Coach.
E-mail para contato: danni.port@hotmail.com

 

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Qual a função da ansiedade na nossa vida?

quarta-feira, 16 de maio de 2018

 

Lidar com a ansiedade não é fácil. Tem dias que nos sentimos ansiosos, aflitos, como se estivéssemos correndo contra o tempo, sem sossego. Por vezes, entramos em uma luta contra a ansiedade e não queremos que ela faça parte da nossa vida. Entretanto, você sabia que a ansiedade tem uma função muito importante na nossa sobrevivência? Que ela nos protege das situações de perigo?

A ansiedade é uma reação normal do nosso organismo diante de uma situação que nosso cérebro interpretou como ameaçadora. Por exemplo, se estamos andando e um carro vem em nossa direção, rapidamente iremos correr daquela situação de risco. Desta forma, quando nos sentimos ameaçados, é a ansiedade que contribui para lutarmos ou fugirmos.

Acontece que nem sempre essa ameaça é real. Por vezes, ficamos assustados ao pensar que não vamos conseguir concluir determinada tarefa, que aquela mancha na pele pode ser sinal de uma doença, que as pessoas estão falando mal de nós, etc. Tais preocupações, quando não são transformadas em ações práticas, aumentam a ansiedade, pois estamos deixando nosso cérebro em alerta como se situações de perigo estivessem acontecendo o tempo todo.

Quando ficamos tão ansiosos e apreensivos com o futuro, esquecemos de viver o presente. O curioso é que às vezes ficamos nos preocupando desnecessariamente, buscando ter uma certeza sobre o que acontecerá no futuro. Na verdade, nossa única certeza é justamente o momento presente, razão pela qual precisamos priorizá-lo.

Aceitar que a ansiedade faz parte da nossa vida já é um grande passo. Podemos pensar na ansiedade como aquela visita inesperada e desagradável que chega na nossa casa. Mesmo sentindo o desconforto, podemos concordar em receber as sensações de ansiedade. Assim, ao invés de lutar contra tais sensações, podemos aceitá-las. Na verdade, quanto mais resistirmos à ansiedade, mais estaremos prolongando e intensificando o sofrimento.

Da mesma forma como interpretamos algumas situações como ameaçadoras e avisamos nosso cérebro que estamos em perigo, também podemos informá-lo que estamos bem. Quando respiramos bem devagar e deixamos o ar sair lentamente, estamos nos acalmando e transmitindo ao nosso cérebro a mensagem de que não há perigo. No dia a dia, se tirarmos um tempinho para respirar calmamente, é bem provável que nos sintamos melhores.

Por sua vez, quando a ansiedade se torna muito intensa, há o risco dela se transformar em Transtornos de Ansiedade, os quais geram inúmeros prejuízos na nossa vida, dificultando nossos relacionamentos, nosso trabalho e nossas interações sociais. Dessa forma, a ansiedade passa a ser patológica, sendo necessário a busca por um profissional da saúde mental, como o psicólogo, a fim de que sejam realizados o diagnóstico e o tratamento adequados.

É importante percebermos que ansiedade faz parte de nós e que nós não somos a nossa ansiedade. Assim que a nossa ansiedade diminuir, não precisamos ficar com a expectativa de que nos livramos dela para sempre, pois ela é necessária para vivermos e continuarmos vivos. Que saibamos aceitar a ansiedade, estando mais conectados com o momento presente e procurar ajuda quando necessário.

* As informações contidas nesta publicação não substituem a avaliação de um profissional da área da saúde mental.

 


 

Sobre a autora:
Jéssica Limberger
Psicóloga – CRP 07/23126. Mestra em Psicologia Clínica. Doutoranda em Psicologia Clínica – UNISINOS
Telefone para contato: (54) 99912 2023
E-mail para contato: jessica.limberger.psi@gmail.com

 

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