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Que país é este?

terça-feira, 17 de abril de 2018

 

O assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes no Rio de Janeiro mobilizou não apenas a opinião pública do ponto de vista político e humanitário, mas teve um alcance muito maior, talvez não explicitado ou tornado-se consciente ainda. Na verdade, a crescente violência, a crise ética e econômica, a falta de equidade no tratamento das pessoas nas diferentes instâncias da sociedade reflete-se no sentimento de desesperança, de vulnerabilidade, de revolta e de medo, fato que inclusive venho percebendo em pacientes no consultório. E não é somente diante do assassinato da Marielle e do Anderson, com motivação política, mas das centenas de assassinatos que ocorrem todos os dias.

Se alguns dos transtornos de ansiedade, grande parte das vezes, revelavam uma distorção da realidade, atenção seletiva a fatos isolados e a uma antecipação negativa dos fatos, o que podemos dizer hoje? Diante da realidade que vivemos, certo estado de alerta é fator de proteção, assim como a mudança de alguns hábitos que anteriormente não nos colocavam numa situação de vulnerabilidade. O que devemos dizer para os nossos pacientes? Hoje temos dados inegáveis desta realidade e o que nos resta é trabalhar estratégias de enfrentamento adaptativas que os levem a, por um lado, se protegerem e, por outro, a seguirem suas rotinas e buscarem qualidade de vida. O importante é que, com os cuidados adequados ao contexto que se apresenta, que a pessoa não comece a ter comportamentos evitativos e de isolamento, pois isso vai reforçar a manutenção da ansiedade e trazer outras consequências para as suas vidas.

A violência urbana pode ser um gatilho para pessoas com predisposição aos transtornos de ansiedade, depressão e stress ou agravar casos em que a doença já está presente. Além disso, mesmo quando não desenvolvem algum transtorno psicológico, muitas pessoas tornam-se sobressaltadas e hipervigilantes. Hoje as notícias não são divulgadas somente na TV, rádio ou mídia escrita. O principal meio de propagação de casos de violência tem sido as redes sociais e, quando um fato é relatado, sempre vai ter alguém que já viveu ou tem familiar ou um conhecido que passou por tal situação.

Além disso, as crianças hoje são criadas, desde pequenas, com a ideia de que vivemos num mundo perigoso, pois existem assaltos, assassinatos, pedofilia, briga entre gangues de traficantes em qualquer bairro ou horário. Imagine-se, então, como serão daqui alguns anos as crianças que cresceram num mundo assim. Muito provavelmente teremos um número significativo de transtornos de ansiedade e aumento do nível de stress, maior distanciamento entre as pessoas, talvez hábitos de rua menos frequentes, etc.

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TDAH e suas implicações no casamento

segunda-feira, 16 de abril de 2018

 

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade é uma condição neurológica caracterizada por um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade. De causa genética, surge na infância e se estende por toda a vida. Todas as áreas da vida do indivíduo são afetadas: inicialmente a acadêmica – prejuízos no desempenho escolar e, posteriormente, no trabalho –
dificuldades em cumprir prazos, atrasos frequentes e falta de organização, e no casamento.

A atividade cerebral responsável pelo comportamento, autocontrole e organização está comprometida, gerando tais prejuízos. À saber:

➖ dificuldade em executar as tarefas diárias da casa, sobrecarregando a(o) companheira(o);
➖ dificuldade em lembrar de compromissos agendados e, quando lembram, raramente chegam no horário combinado;
➖ esquecem de pagar contas, e não conseguem executar um planejamento financeiro;
➖ grande dificuldade em aprender com os erros. Repetem o mesmo erro como se fosse a 1ª vez;
➖ podem ser hiperfocados no trabalho, destinando muito tempo a projetos que, muitas vezes, não serão concluídos. Destinam pouco tempo e envolvimento para a(o) companheira(o);
➖ apresentam comportamento impulsivo – tomam decisões precipitadas e impensadas, sem compartilhar com a(o) companheira(o);
➖ manifestam certa inconstância nas opiniões: pensam uma coisa, falam outra e executam uma terceira;
➖ manifestam comportamento hedonista. Se recusam a fazer aquilo que incomoda ou que é monótono e “mergulham” no que dá prazer. Sobra emoção e falta razão.

A “sintonia fina” e o amor que havia entre o casal no início do relacionamento, com o passar do tempo, passa a ser substituída por solidão e raiva. A comunicação do casal fica truncada, cada um fala um “idioma” e o diálogo passa a ser escasso. O cônjuge sobrecarregado é visto pelo outro como “o Sr. das reclamações”. Este, tem a sensação de ter que cuidar de um filho que não é seu ao invés de viver e de compartilhar projetos como um casal. Passa a viver um casamento sozinho, sem a participação do outro e, o cônjuge com TDAH tem a sensação de nunca corresponder às expectativas da sua companheira (o). Por serem dotados de uma “cegueira emocional”, não se veem responsáveis por tal situação achando sempre que o causador é somente o outro, que é visto como um eterno insatisfeito. O cônjuge com TDAH fica alheio às suas falhas mais recentes e confuso com o distanciamento que, pouco à pouco, toma conta do outro cônjuge. Tem dificuldade em reconhecer e compreender as necessidades da(o) companheira(o) e de perceber o momento da vida do casal, principalmente, com a chegada de um filho. A relação à dois torna-se então, um longo e estressante exercício de paciência com prazo de validade. O “campo de batalha” está instalado e, como resultado disso, alguns possíveis desfechos: o divórcio, recheado de mágoas, decepções e sensação de impotência de ambos; a manutenção de um casamento falido e sem amor ou, a busca de ajuda profissional para diagnosticar de forma precisa o cônjuge afetado pelo transtorno e definir um tratamento.

* As informações contidas nesta publicação não substituem a avaliação de um profissional da área da saúde mental.

 


 

Sobre a autora:
Viviane Zini – CRP 07/07068.
Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental pela WP Wainer.
Formação em Terapia do Esquema pela WP Wainer.
Atua como psicóloga clínica em Bento Gonçalves/RS.
Atendimento à crianças, adolescentes e adultos.
E-mail: vivizini68@gmail.com
Facebook: https://www.facebook.com/viviane.zini.9

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Ações da Terapia Cognitiva no enfrentamento de sequelas emocionais da alienação parental

segunda-feira, 16 de abril de 2018

 

Muito fala-se na Síndrome de Alienação Parental (SAP). Entretanto, ainda existem muitas dúvidas a respeito deste assunto. Inicialmente, é importante trazer a definição: a Síndrome de Alienação Parental (na sigla em inglês, PAS), foi um termo designado por um psiquiatra americano, Richard Gardner, em 1985, para se referir ao ato do progenitor que detém a guarda do(a) filho(a), tentar incessantemente “treinar” a criança ou o adolescente para que o mesmo rompa os laços afetivos com o outro genitor, submetendo-os (as) às suas vontades.

O ponto mais paradoxal da SAP é que, justamente a família, independentemente de sua constituição, exerce um papel fundamental na formação do indivíduo. Contudo, porque então, ocorre a alienação parental? Podemos citar como exemplo a separação conjugal. Neste momento, o vínculo familiar é desfeito. Entretanto, quando um dos cônjuges têm dificuldade em aceitar essa perda e, principalmente, ao não deter a guarda do(s) filho(s), existe a possibilidade de, todas as formas, permanecer com a atenção integral deste, a partir da destruição de vínculos com o outro cônjuge, denegrindo, chantageando e treinando a criança ou o adolescente para desfazer o contato com o(a) ex companheiro(a).

A partir daí, as consequências sofridas pelas crianças e adolescentes, são inimagináveis: ansiedade, depressão, perda do rendimento escolar, agressividade, mudança repentina de humor e comportamento, entre outras sequelas emocionais. Principalmente nesse período do desenvolvimento de um ser humano, onde há a construção dos primeiros esquemas e crenças, eles podem levar para a vida adulta inúmeras maneiras disfuncionais de pensamento e de conduta, decorrentes de sentimentos de desvalia. Podemos citar, como por exemplo: “eu não mereço ser amado”; “as pessoas só querem me usar”; “não se pode confiar [nos homens ou nas mulheres]”; “as pessoas são perigosas”; “ninguém nunca vai conseguir me amar”; “sou indigno(a) de confiança”, entre tantos outros pensamentos dessa natureza, que podem corroborar com a sua maneira de agir na idade adulta, visto que as primeiras crenças e esquemas tendem a fazer com que se perpetuem na vida adulta, pois são colocadas como modelos de práticas de enfrentamento em determinadas situações, estabelecendo-se como um comportamento “protetor”, até o momento em que ocorre uma “falha”.

As ações da Terapia Cognitivo-Comportamental na alienação parental, se direciona para muito além da ação sobre os sintomas emocionais decorrentes e são similares ao tratamento do transtorno do estresse pós-traumático. Para tanto, inicialmente é necessário estabelecer um bom vínculo entre paciente e profissional. Cabe ao psicólogo trabalhar as questões vinculares do(a) filho(a) com os seus genitores ou responsáveis, sem desconsiderar a relação da criança ou do adolescente com ambos. Posteriormente, utiliza-se técnicas como psicoeducação, reestruturação cognitiva, técnicas de relaxamento e manejo da ansiedade, que tendem a serem efetivas nas ações e pela busca de bem estar à criança ou ao adolescente.

* As informações contidas nesta publicação não substituem a avaliação de um profissional da área da saúde mental.


Sobre o autor:
Fabrício Armani Idalêncio
Psicólogo, formado pela Ulbra (2006/2)
Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (Wainer Psicologia, 2011).
Formação em Terapia do Esquema (Wainer Psicologia, 2013).
Extensão em Capacitação em Violência Doméstica para Profissionais (Universidade Federal de Santa Catarina, 2016)
Email: fbrpsico@gmail.com

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Conheça o Mindfulness

quinta-feira, 12 de abril de 2018

 

Mindfulness é um método de treinamento mental que trabalha o direcionamento do foco atencional. O treinamento em Mindfulness contempla um estado mental de abertura e aceitação, no qual a atenção é direcionada ao momento presente, de forma intencional, com uma atitude curiosa e não julgadora. Ser Mindfulness é deixar-se permear pelo que acontece a sua volta, sem reagir de forma automática e precipitada.

Todos nós nascemos com essa capacidade, mas infelizmente por algum motivo não a exploramos. Mindfulness, portanto, é uma habilidade que pode ser treinada através de técnicas vivenciais que integram corpo e mente.

O primeiro programa de Mindfulness foi criado em 1982, pelo cientista e médico Jon Kabat-Zinn, na Escola Médica da Universidade de Massachussets. Esse programa foi denominado como MBSR (Mindfulness-Based Stress Reduction), e o seu principal objetivo era reduzir os elevados níveis de estresse detectados em pacientes portadores de dor crônica. O programa não visava diminuir a dor desses pacientes, mas proporcionava mudanças de perspectiva criando um contexto inteiramente diferente, dentro do qual os mesmos aprendiam a lidar de outra forma com as suas dores. À medida que eles aprendiam a focar sua atenção em outras coisas, sentiam que a dor diminuía, e consequentemente o nível de estresse também caia.

Apesar de ter suas raízes no Budismo, Mindfulness é uma prática laica, ou seja, é desvinculada de um contexto cultural, étnico ou religioso. Além disso, você não necessariamente precisa se sentar no chão de pernas cruzadas, ou fazer qualquer outra postura específica. Para praticar Mindfulness você não precisa comprar nenhum equipamento, como por exemplo, tapetes ou almofadas. Você apenas precisa dedicar alguns minutos do seu dia para desenvolver as competências de se estar “mindful”.

O Mindfulness não é complicado. Mesmo quando você sentir que está meditando “errado”, e que sua mente está perdendo o foco, saiba que esse é o momento ideal para perceber como ela funciona. A ideia de que meditar é deixar a mente “em branco” é um grande equívoco. Ninguém consegue “limpar a mente”. Pensar é uma atividade natural e inevitável da mente. O problema só surge quando nos identificamos com os pensamentos e passamos a enxergá-los como verdades absolutas.

Durante a prática de Mindfulness é possível perceber o quanto nossa mente é crítica e julgadora. Muito mais do que imaginamos, principalmente com nós mesmos. Assim que notar a presença dos pensamentos, tente apenas percebê-los como eventos mentais transitórios. Eles chegam, permanecem por um tempo, e depois vão embora. Quando eles chegarem, vão tentar levar embora sua atenção. Quando isso acontecer, não importa quantas vezes seja necessário, volte a sua atenção para o seu foco. Use a respiração como uma espécie de âncora para voltar ao presente.
* As informações contidas nesta publicação não substituem a avaliação de um profissional da área da saúde mental.

 


 

Sobra a autora:
Luanda Farala Martins Muniz
Luanda é formada em Psicologia pela PUCRS 2017/1 (CRP 07/27938). Trabalha com orientação psicologia online fundamentada nas abordagens da Psicologia Positiva e Cognitivo-Comportamental. Faz grupos de Mindfulness e Oficinas de criatividade.
E-mail para contato: psicofarala@gmail.com

 

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Autoestima e infância – um recado para os pais

quinta-feira, 12 de abril de 2018

 

Autoestima é o apreço que se tem por si mesmo, a satisfação com aquilo que somos. A questão é: de onde ela vem? Esta é uma resposta complexa que envolve fatores biológicos, psicológicos e sociais. Porém, dentro dos aspectos psicológicos podemos enfatizar o que a psicologia cognitiva ensina – que aquilo que aprendemos e recordamos sobre os fatos são a base que usamos para dar significado aquilo que nos acontece, são as nossas crenças sobre nós mesmos, os outros e o futuro. Estas crenças são construídas na infância, aquilo que nos acontece vai moldando nossos esquemas mentais, e predirão a forma como iremos interpretar o mundo a nossa volta e a nós mesmos. Portanto, os adultos responsáveis pela criança tem um papel fundamental no estabelecimento destas crenças, podendo auxiliar para que estas sejam funcionais, o que será um preditor de saúde mental no futuro.

Dentre a complexidade que é cuidar de uma criança e contribuir para a formação de uma boa autoestima, alguns aspectos são fundamentais e destacarei um em especial: a visão dos pais sobre o filho. Ela irá interferir nos comportamos em relação a eles, seja por meio de atitudes ou de palavras, por isto sugiro reservar um tempo para pensar: como eu descrevo meu filho? É comum focarmos nos aspectos negativos, naquilo que não está indo bem. Porém, quando a criança é submetida sistematicamente a comentários negativos acerca de si própria irá internalizar estas ideias e estabelecer esta visão de si. Esses pensamentos irão interferir nos seus comportamentos, ou seja, se por exemplo a criança é chamada de terrível, seus comportamentos serão compatíveis com essa visão e cria-se aí um círculo vicioso.

Uma dica valiosa é que os pais possam conhecer seus filhos! Então, você que está lendo pode pensar que obviamente conhece seu filho e melhor que ninguém.
Concordo! Porém o convite é para que possam reservar um tempo diário para estar presente verdadeiramente com a criança e observá-la no contato, deixando os julgamentos de lado por instantes e conhecendo suas preferências, o dinamismo do seu crescimento e seus pontos fortes! Vinte minutos são suficientes, desde que você deixe seu smartphone, a tv, o computador de lado e esteja ali por inteiro. As crianças mudam rapidamente e muitas vezes a visão dos pais está cristalizada, então a ideia é observar a criança com olhares curiosos diariamente e, focar também nas potencialidades, naquilo que ela tem de bom. Feito isto, conte para a criança estas qualidades, elogie, incentive e, quando for necessário corrigir os comportamentos inadequados, faça isso com afeto, sem rotular ela como sendo alguém má, inadequada, inapta, frágil ou qualquer outro adjetivo que a faça com que acredite que não seja capaz de fazer diferente. Ofereça outras maneiras de agir diante da situação problema, diga a ela que você está ali para ajudá-la e que vocês juntos irão conseguir. Garanto que será uma maneira melhor de lidar com as dificuldades e que contribuirá para que ela tenha uma boa visão de si mesma, uma boa autoestima.

* As informações contidas nesta publicação não substituem a avaliação de um profissional da área da saúde mental.

 


 

Sobre a autora:
Bruna Borges Vieira Dal Soto
Psicóloga pela Ucpel, especialista em terapia cognitivo-comportamental pelo Cognitivo. Possui diversos cursos na área de infância e atendimento a adultos.
E-mail para contato: brunaborgesvieira@hotmail.com
Atuação em Pelotas/RS , atendendo crianças, adolescentes e adultos.

 

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Como lidar com a tristeza

quinta-feira, 12 de abril de 2018

 

Quando falar da tristeza que muitas vezes esquecemo-nos de mencionar? E acabamos inconscientemente transformando em uma psicopatologia, assim é o que ocorre com a depressão, quando não conseguimos interpretar suas crenças, dá voz aos seus pensamentos. A depressão é atualmente considerada um mal do século, e está sendo vista como um transtorno que mais acomete a sociedade moderna. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), datada em 30 de março de 2017, 300 milhões de pessoas vive com depressão.

Há muitos anos a depressão era considerada como um mal estar, uma melancolia ou apenas uma tristeza repentina. Após anos de estudos, e com alguns precursores renomados da Psicologia, como Aron Beck e Albert Ellis, com estudos voltados para a até então conhecida “melancolia”, a depressão entra no quadro dos transtornos resultante de hábitos e pensamentos arraigados, humor e comportamentos negativos, em decorrência de pensamentos e crenças distorcidas.

Dentre as suas características sintomatológicas estes estão descritos em quatro principais aspectos: emocionais, cognitivos, motivacionais, físicos e vegetativos, com queixas que assume diversas formas como: estados emocionais persistentes e desagradáveis, mudança de atitude frente à vida, sintomas somáticos nem sempre relacionados ao quadro depressivo, e os sintomas somáticos não típicos da depressão. O DSM-5 (Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais), caracteriza o transtorno depressivo por episódios distintos com duração de pelo menos duas semanas, que envolva alterações no afeto, na cognição e em funções neurovegetativas.
No que concerne ao seu tratamento, é necessário um acompanhamento farmacológico para tratamento medicamentoso, pois o medicamento tem um potencializador que age diretamente na inibição da recaptação de serotonina, estabilizando o humor do paciente. Em casos de depressão, é indicada a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), que trabalha na concepção de psicoeducar o paciente, com alívio dos sintomas e estratégias terapêuticas como: agendamento, monitoramento de atividades, reestruturação cognitiva, entre outras.

A depressão é um transtorno do humor que acomete qualquer individuo, seja qual for a faixa etária, e que necessita de ajuda de profissionais para tratamento medicamentoso e também de profissionais de psicologia, para uma compreensão do quadro, das recaídas e alivio da sintomatologia.

* As informações contidas nesta publicação não substituem a avaliação de um profissional da área da saúde mental.

 


 

Sobre a autora:
Emanuelle Pereira Sobrinho é Psicóloga Clínica -Terapia Cognitivo-Comportamental
Psicóloga do Núcleo de Avaliação e Acompanhamento Psicológico-NAAP
Pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Avaliação Psicológica e Psicopatologia, da UNINASSAU
(Campus de Campina Grande-Paraíba)
E-mail para contato: emanuelle_pereira@outlook.com

 

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Comportamento Suicida

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

 

Suicídio é o ato intencional de tirar a própria vida. Trata-se de um termo que deriva de dois vocábulos: sui (“de si mesmo”) e cidium (“matar”). É causado, geralmente, por um transtorno mental que pode incluir depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia, alcoolismo, abuso de drogas, entre outros. Além disso, alguns fatores como, por exemplo: dificuldades financeiras, traumas e estresse social também contribuem para o ato.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), ocorrem cerca de 800 mil mortes por suicídio no mundo anualmente. No Brasil, este número é estimado em 12 mil pessoas. Em crianças, situações familiares conflituosas são as causas mais frequentes de suicídio. Em adolescentes, baixa autoestima, bullying e comportamentos de autodestruição são comuns. No que diz respeito aos idosos, a depressão ocasionada pelas limitações na terceira idade (perda de autonomia e doenças) e a perda do cônjuge estão entre as principais causas.

Há diversos mitos a respeito do comportamento suicida. Muitas pessoas acreditam que quem ameaça cometer suicídio quer só chamar a atenção. Esta afirmação é falsa. Todas as ameaças devem ser consideradas, pois podem ser concretizadas. Falar sobre o tema induz a pessoa ao ato? Perguntar não causa comportamento suicida. Na verdade, reconhecer que o estado emocional do indivíduo é real e tentar normalizar a situação induzida pelo estresse são maneiras de reduzir a ideação suicida.

A melhor forma de prevenção é a busca por ajuda. Muitas vezes, porém, uma pessoa com pensamento suicida não encontra apoio e, sim, preconceito. Recebe muitas críticas e acusações, o que agrava ainda mais a sua intenção autodestrutiva. Por isso, precisamos vencer este tabu e trazer informações para a população. Com esta intenção, surgiu o setembro amarelo. Anualmente, no mês de setembro, há uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio, com o objetivo direto de alertar a população a respeito da realidade do suicídio no Brasil e no mundo. Ocorre em locais públicos e particulares e destaca-se pela cor amarela. Se você está passando por esta situação ou conhece alguém que esteja em sofrimento, busque ajuda de um profissional!

Texto escrito por Graciela Gonçalves Bakowicz, psicóloga em São Gabriel/RS.

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O que meu filho tem, é só tristeza?

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

 

Nos dias de hoje muitos pais acabam se deparando com esta pergunta com cada vez mais frequência. O que eu posso lhe responder? Observe com atenção os sinais que seu filho está dando pois pode ser mais que “apenas” tristeza!

A depressão, antes vista somente em adultos, hoje está mais presente na vida das crianças e dos adolescentes, e por isso os pais devem ficar atentos em cada mudança de comportamento de seu filho. Nos adultos o diagnóstico é mais fácil, pois eles conseguem perceber as mudanças, fazem queixas, e a família e os amigos percebem que algo não anda bem. No caso das crianças é muito mais difícil: os pequenos não conseguem ainda entender corretamente e expor o que sentem, não conseguem dar conta que estão em sofrimento e que podem receber ajuda. Geralmente os pais demoram a perceber que o que está acontecendo com os filhos é mais que uma “tristeza”, ou às vezes até confundem com mau comportamento, e a famosa “birra”.

A infância do século XXI trouxe para as nossas crianças situações e experiências frustrantes como: separação dos pais, morte de conhecidos, bullying na escola, abandono, abusos físicos ou psicológicos, mudanças bruscas e alterações no padrão de vida. Além disso, algumas crianças hoje são “mini adultos” e estão com a agenda lotada de compromissos – o que eleva o grau de estresse, dormem pouco, ficam fechadas em ambientes como apartamentos, usam aparelhos eletrônicos excessivamente – diminuindo o contato social, e convivem menos com seus pais. O fator genético também exerce importante influência nos casos de depressão infantil. Cientificamente foi comprovado que quando há casos de depressão na família as chances de a criança também desenvolver depressão aumentam consideravelmente.

A depressão infantil apresenta características diferentes da depressão nos adultos. A criança apresenta irritabilidade, agitação, explosões de raiva e agressividade, tristeza frequente, sensação de culpa e de melancolia, ansiedade, alterações no sono, falta ou excesso de apetite, medo anormal, comportamento introspectivo que não era presente antes, isolamento e falta de contato com os pais, pouca ou nenhuma vontade em querer brincar e sair, falta de ânimo para ir à escola e/ou realizar atividades que costumava gostar.

A minha dica fundamental para você que percebeu alguns destes sinais no seu filho é que se procure um profissional especializado, pois erros ou a demora de diagnóstico e de tratamento podem mascarar os sintomas ou intensificar o quadro. É muito importante que a família preste atenção no comportamento das suas crianças, pois somente assim um quadro de depressão infantil pode ser diagnosticado e tratado efetivamente. As crianças, assim como os adultos, podem ficar tristes, não ter vontade de fazer as suas atividades, ou ficar mal-humoradas, mas é preciso que os pais observem a duração destes sentimentos. Uma família unida, que brinca junto e enfrenta junto as adversidades é o que a criança precisa neste momento.

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Como são as lentes que você está usando?

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

 

Todos os dias somos bombardeados com uma quantidade imensa de informações, sensações, experiências e desafios. Não conseguimos percebê-las da mesma forma nem com a mesma intensidade, mas você já parou para avaliar a quantidade de coisas negativas e positivas com as quais você se depara no dia a dia?

De início parece um pouco difícil fazer a conta, pois de uma maneira geral as coisas positivas acabam passando batidas em relação às negativas. Mas isso não significa necessariamente que a vida seja feita de muito mais coisas ruins do que coisas boas: pode significar que nós estamos treinados para identificar muito mais rápido o que é negativo em detrimento do que é positivo – e isso não é de todo mal! Na verdade, para sobrevivermos, precisamos conseguir identificar as ameaças que nos cercam. O desequilíbrio e os problemas começam quando passamos a enxergar só um lado da moeda. Não conseguirmos mais desvincular nossos pensamentos do conteúdo negativo do que vivenciamos e daquilo que nos cerca pode ser sinal de alerta para buscarmos ajuda.

A vida é colorida e plural. Tem dias em que faz sol, dias de chuva, noites deliciosas de verão e manhãs geladas de inverno. Não estaremos sempre felizes, alegres e radiantes, tampouco o contrário. Conseguir perceber essa diversidade nos ajuda a manejar os desafios que nos são impostos todos os dias de maneira equilibrada e resiliente.

Se você sente dificuldade para tirar as lentes negativas que filtram a sua percepção ou olhar um pouquinho para o outro lado, procure auxílio junto a profissionais qualificados. Cuidar-se é o maior investimento que você pode fazer.

 

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Seria eu um impostor?

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

 

Algumas pessoas possuem essa impressão, essa ideia de que, por mais conquistas que elas consigam, por mais bem-sucedidas que se tornem, em um determinado momento as outras pessoas saberão: aqui se apresenta uma fraude! E por mais esforço que se faça a sensação não vai embora, passam dias, meses e anos e aquele estado permanece o mesmo. Na psicologia essa forma de pensar e sentir é conhecida como síndrome do impostor.

Acometendo mais as mulheres que os homens, essa síndrome tem sido bastante estudada nos EUA, revelando que diversos profissionais bem-sucedidos acreditam que suas conquistas, pessoais ou profissionais, foram frutos de sorte, acaso ou fatores externos (apesar das provas contrárias). A pessoa passa a acreditar tanto que é incompetente que começa a usar mecanismos de auto sabotagem, muitas vezes dando uma atenção exagerada aos detalhes no trabalho, estudo e/ou vida pessoal; ou ainda não usando toda a sua capacidade por medo de falhar.

Esses mecanismos de auto sabotagem já são velhos conhecidos na Terapia Focada no Esquema. Nessa modalidade de psicoterapia esses comportamentos são tidos como formas de enfrentamento disfuncionais que respondem a estruturas mentais chamadas de esquemas (sendo esses adaptativos ou desadaptativos). Os esquemas desadaptativos surgem na infância por conta de necessidades infantis que não foram satisfatoriamente correspondidas. No caso da síndrome do impostor, possivelmente, as necessidades infantis de independência, competência e de incentivo a espontaneidade foram prejudicados, criando esquemas rígidos quanto a própria capacidade do indivíduo.

E agora? Sendo esses esquemas bastante rígidos e de difícil mudança, será que a pessoa com a síndrome do impostor não poderá abandonar esses pensamentos e comportamentos desadaptativos? Não criemos pânico! Como escrito anteriormente, existe a Terapia Focada no Esquema. A partir do uso desse tipo de psicoterapia, o terapeuta busca “curar” os esquemas desadaptativos utilizando-se de técnicas cognitivas, comportamentais e vivenciais. No trabalho com esquemas se destaca o foco na origem destes para que seja possível o terapeuta e cliente acessarem e mudarem a forma como a pessoa interpreta cada esquema. O psicólogo busca, na relação com o cliente, fornecer o antídoto que ele precisa para as necessidades infantis que não foram atendidas. No caso da síndrome do impostor, é possível o terapeuta fornecer um ambiente de independência, estimulando a espontaneidade e auxiliando o cliente ao sucesso e reconhecimento de suas capacidades, ao mesmo tempo que se combate padrões comportamentais de auto sabotagem.

Dessa forma, se você leitor se identifica com os padrões aqui explicados sobre a síndrome do impostor, a Terapia Focada nos Esquemas se mostra como um caminho interessante para você começar a abandonar essa forma de autoconceito de incapacidade que se apresenta na sua vida. Cada pessoa tem uma capacidade infinita para o sucesso, claro que atribuída a muito trabalho duro e, principalmente, autoconfiança. Não viva a sombra daquilo que você poderia ser, viva o potencial que você esconde em si!

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