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Novembro Azul

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

 

No mês de novembro temos a campanha de prevenção ao câncer de próstata, campanha essa que ainda cai no preconceito de diversas pessoas. Acredito que o melhor remédio para o preconceito é a informação. Ainda que muita gente pense que realizar o exame de toque não seja “coisa de homem” ou mexa com a virilidade masculina, proponho tentar entender o porquê de muitos pensarem assim.

Vivemos em um tempo e em uma cultura em que é exigido um certo comportamento dos homens, que devem ser vistos como machos, viris, não demonstrar sentimentos, dentre outros requisitos. Comportamentos como tirar satisfação com quem cruza o nosso caminho, acabam sendo prestigiados (até certo ponto), em contrapartida que comportamentos como procurar um médico para investigar uma mancha na pele, são notados como afeminados. Me pergunto a quem serve esta ditadura de comportamentos, e o que os homens ganham tendo que se mostrar “fortes”? Força esta, que na maior parte das vezes não faz muito sentido, pois parece ser o antídoto da “força” a decisão de não procurar um diagnóstico precoce que poderia fazer toda a diferença no prognostico de uma doença tão séria. Pensar assim não é sinal de virilidade, mas sim de ignorância.

No Brasil, estima-se que um em cada sete homens terá câncer de próstata. Este é o tipo de câncer que está em segundo lugar como o mais mortal entre os homens, porém, se diagnosticado precocemente as chances de cura são 80% a 90%.

Proponho pensarmos sobre o que é de fato “ser homem”. Se é este descaso com a própria saúde que nos faz ser mais másculos que o sujeito ao nosso lado? Ou o quanto podemos juntar coragem para enfrentar nossos receios e preceitos sobre o que é a masculinidade em si?
Procurar ajuda não é sinal de fraqueza, tampouco de falta de virilidade, mas de amor à vida e às pessoas que nos cercam.

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Terapia Cognitivo-Comportamental e Coaching.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

 

Atualmente muito tem se falado sobre o coaching, sendo divulgado amplamente nas redes sociais como uma forma de aumentar resultados, superar desafios e enfrentar a crise. Por vezes parecem promessas mágicas, o que acaba gerando uma descrença no processo pela forma como é apresentado.

Existem também pessoas que não sabem o que é e acreditam que envolve apenas questões profissionais, sendo interessante este esclarecimento para se compreender que tipo de auxílio buscar a partir de suas necessidades.

A Terapia Cognitivo-Comportamental e o Coaching apresentam vários pontos em comum, especialmente com o Coaching Cognitivo-Comportamental, embora o objetivo e o perfil de pessoas atendidas sejam diferentes. Ambos têm duração breve, sessões estruturadas, utilizando-se de técnicas cientificamente comprovadas para resolução do problema/objetivo definido no início do tratamento ou processo. Existe uma participação ativa do paciente ou coachee (como é chamado o cliente de coaching), que recebe tarefas para realizar entre as sessões para desenvolver as habilidades desejadas, superar obstáculos, enfrentar situações e realizar ações que os aproximem da sua meta. Assim como na psicoterapia, no coaching existe uma compreensão do papel das crenças que a pessoa tem sobre si, sobre o mundo e sobre as outras pessoas, especialmente crenças limitantes ou distorcidas sobre a realidade que se tornam obstáculos para que ela consiga atingir seus objetivos.

Em relação às diferenças, a psicoterapia tem caráter terapêutico e trabalha com pacientes com transtornos psicológicos e psiquiátricos e com grau de sofrimento que esteja afetando sua vida (pessoas disfuncionais nas áreas pessoal, social, profissional), ou ainda que atenda pacientes que não tenham estes transtornos e que busquem o autoconhecimento, enfrentamento de situações específicas, etc.

Por outro lado, o coaching não é indicado para pacientes disfuncionais. É um processo também breve, com número pré-estabelecido de sessões, geralmente variando entre 10 a 12. Atende pessoas que buscam aumento de resultados pessoais e performance, autoconhecimento, definição de um propósito de vida, desenvolvimento na área pessoal e profissional, alcance de metas, desenvolvimento de novas habilidades e competências, melhora na qualidade de vida, transição de área ou de carreira, tomada de decisões que precisam ser bem elaboradas e planejadas devido ao seu impacto, entre outras.

Focado em soluções e busca de resultados, parte-se do presente (estado atual) em direção ao futuro (onde quer chegar). Neste sentido, estabelece-se um plano de ação e estratégias para colocá-lo em prática, usando-se as forças pessoais como impulsionadoras. Além da ênfase na identificação de forças pessoais, também são considerados os valores (o que é realmente importante para a pessoa), a definição de uma missão (razão de ser) e visão (o que quer alcançar).

O coach exerce o papel de facilitador deste processo, através de técnicas e ferramentas específicas que fazem com que o coachee se desenvolva e encontre as próprias respostas, comprometendo-se ativamente em relação à sua vida e seus resultados. Objetiva-se ainda auxiliar o coachee para que ele desenvolva a capacidade de ser seu próprio coach, ou seja, que aplique o que aprendeu e desenvolveu para que continue o seu caminho de conquistas depois do término do processo.

Com todas estas características, o coaching é uma excelente indicação que pode beneficiar pessoas que não tem demanda para psicoterapia, mas desejam crescimento e desenvolvimento nas áreas pessoal e profissional. Este tem se mostrado muito efetivo e cada vez mais procurado, tanto o life coaching (coaching de vida) como o coaching executivo, que é voltado ao contexto organizacional.

 

 

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É possível curar as feridas emocionais?

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

 

Certa vez encontrei um livro chamado “Caderno de exercícios para aliviar as feridas do coração” e a primeira coisa que pensei foi “Que livro maravilhoso”, mas seguido de um pensamento mais cético “Quanta pretensão destes autores, ora como se fosse fácil curar tais feridas”. Porém, ainda assim, dei uma chance para a leitura.
Será que é possível curarmos nossas feridas emocionais? Simplesmente esquecermos aquilo e aqueles que nos magoaram, machucaram e rejeitaram? Sigo acreditando que não somos capazes de eliminar estas memórias, de apagá-las totalmente dentro de nós. Mas acredito, sim, sem sombra de dúvida que somos capazes de ressignificar, reparar e seguir em frente.

Se existe uma certeza entre nós é que relacionar-se com os outros (não somente relacionamentos amorosos) é difícil pra caramba! Às vezes temos a sensação de estarmos pisando em ovos. Às vezes ficamos cansados demais e achamos que a solidão é bem mais fácil e acolhedora (o que não é verdade).

Aqui acredito que cabe a reflexão e aceitação de que sem empregarmos esforços é impossível que consigamos atingir nossos objetivos de bons relacionamentos e bons vínculos. É a tal da reciprocidade.

Nessa reciprocidade, não cabe orgulho, não cabe pouco amor, pouca atenção, pouco cuidado e pouca proteção. Só tem espaço pra entrega verdadeira e total. Dedicação real em fazer o outro feliz e por consequência ser feliz também!

Faz-se necessário pensar se aquilo que exijo e espero do outro é real, verdadeiro e coerente ou se é capricho meu. Porque se for, jogamos fora. Não existem pessoas e relações perfeitas. O que existe é construção e lutas diárias para ser atendidos em nossas necessidades emocionais, sem ferir as necessidades do meu companheiro(a). É minha responsabilidade também cuidar para que o outro seja atendido em suas necessidades e poder manifestar as minhas, afinal, ninguém tem bola de cristal. Só é possível transbordar amor e ter vínculos seguros quando eu cuido de mim sem descuidar daquele(a) que escolhi pra amar. Sim, escolhi, pois é uma escolha afetiva, mas racional também. Que nos afastemos do pouco afeto e da entrega parcial, afinal, pouca coisa ninguém merece!

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A Vida Secreta de Nossos Filhos

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

 

Muitas discussões e hipóteses já foram levantadas sobre os assassinatos ocorridos na escola em Goiânia na semana passada. Da indiscutível associação entre o bullying e a violência (nas suas diversas faces), até a culpabilização dos pais do jovem agressor, não foram poucas as opiniões a justificar o feito. É um processo natural do ser humano em tentar dar respostas a algo tão agressivo e que leva a um incômodo choque.

Admito que fiquei impressionado negativamente com uma tendência que observei em muitos dos debates: a de definir um culpado e agredi-lo, mesmo que de forma sutil. Digo isto porque talvez valha a pena pensar e analisar que, em parte, um dos mecanismos que levou o jovem a tamanho desatino seja muito semelhante ao que se vê nestas discussões: o instinto binário do ódio. Quando cada um de nós é agredido e tem este ataque avaliado como intencional e injusto reage com raiva e dicotomiza a realidade em eu e “aqueles”. Neste momento, “aqueles” deixam de ser iguais a nós, são desumanizados e “coisificados”; portanto fica autorizado, inconscientemente ou não, que não mais sejam vistos como seres humanos dignos de empatia, compreensão e respeito. Muitas das atrocidades mundialmente realizadas a grupos minoritários e até mesmo à nações inteiras têm este fenômeno em seu DNA.

Se por um lado a raiva e o ódio são emoções encontradas nos animais e seu caráter adaptativo é inegável, também são componentes de dimensões sombrias de nossa natureza em todos os tempos. Seu aparecimento se dá em contextos de frustração e agressão. No caso do adolescente que atirou contra diversos colegas de aula e que por muito pouco não teve mais mortes e o seu suicídio como desfecho final, não foi diferente. Sabe-se com sólidas referências que a rejeição social é um dos fatores mais correlacionados com a violência, inclusive nitidamente identificáveis em outras tragédias semelhantes a esta, como a de Columbine, Realengo etc – que inclusive serviram como uma espécie de inspiração ao jovem, segundo seu testemunho.

Vale também a reflexão sobre a atual capacidade de monitoramento das famílias e dos agentes cuidadores sobre nossas crianças e adolescentes nos diferentes contextos de suas vidas. Se num passado mais distante, os contextos eram a escola, a casa, as amizades de rua-bairro e a literatura; hoje, com o advento da internet com todas suas redes sociais, os limites da interação humana mediada por máquinas atingiu dimensões nunca antes imaginadas. O problema que surge é a diminuição na capacidade de atenção e controle sobre o que está realmente acontecendo na vida deles. Esperar que adolescentes que estão no processo de consolidação de suas identidades pessoais sejam “transparentes” e explícitos sobre todos seus pensamentos e sentimentos é, no mínimo, ingênuo. Há de se buscar relações de maior cumplicidade, empatia e compaixão com os jovens. E mais, não considerar que por serem jovens (e portanto oscilantes, instáveis, impulsivos e cheios de confusões) não podem estar passando por conflitivas muito sérias e para as quais podem estar despreparados para lidar.

 

 

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O que é avaliação Neuropsicológica?

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

 

A neuropsicologia é uma área de estudo que investiga a relação entre o funcionamento do nosso cérebro, as chamadas funções cognitivas (atenção, memória, raciocínio, planejamento e tomada de decisão), e o comportamento expresso, tanto em condições de normalidade como também em condições patológicas.

É uma área de estudo multidisciplinar, sendo seus conhecimentos compartilhados por diferentes profissionais da saúde, como médicos (psiquiatras, neurologistas, geriatras), psicólogos, fonoaudiólogos, além de profissionais das áreas da educação e aprendizagem, como pedagogos.

Na prática clínica, a atuação do neuropsicólogo pode abranger dois contextos principais: avaliação e reabilitação. A avaliação neuropsicológica procura, através de testagens formais e complementares, investigar o funcionamento cognitivo do indivíduo, relacionando-o com seu comportamento atual, dificuldades, queixas e demanda. Na maior parte dos casos as avaliações são realizadas em condições nas quais existe suspeita de que algo no funcionamento cognitivo do indivíduo não está bem. Esses problemas podem se dever a diversos fatores, sejam desenvolvimentais (como em Transtornos de Aprendizagem, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), situacionais ou adquiridos ao longo da vida (como Traumatismo Crânio-Encefálico, Acidente Vascular Cerebral, tumores, demências). A avaliação também é uma ferramenta capaz de auxiliar psicólogos e psiquiatras em dúvidas diagnósticas, bem como no comprometimento de certos quadros psicopatológicos para o funcionamento atual do indivíduo. Já a reabilitação procura a recuperação, compensação ou, em alguns casos, a redução dos prejuízos cognitivos e comportamentais causados por condições anormais do desenvolvimento, situações adquiridas ao longo da vida ou até mesmo em virtude de processos neurodegenerativos próprios do envelhecimento.

A avaliação neuropsicológica, em geral, é realizada em um espaço limitado de tempo, podendo levar em média de 5 a 8 sessões (variando conforme o caso e a demanda do paciente). Da aplicação de testagens, são realizadas entrevistas tanto com o paciente quanto com familiares a fim de fornecer informações adicionais importantes para compreensão do caso. A avaliação finaliza-se por meio da elaboração de um laudo neuropsicológico, tendo este como característica a descrição do perfil neuropsicológico atual do paciente, bem como prestar esclarecimentos acerca dos possíveis questionamentos levantados no momento do encaminhamento.

A Wainer Psicologia realiza diversas avaliações psicológicas e neuropsicológicas.

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A tragédia em Minas Gerais: mais um alerta sobre a negação dos transtornos mentais.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

 

A tragédia ocorrida na creche municipal em Janaúba-MG com a morte de, até o momento, cinco crianças além do próprio agente do crime, traz à tona mais uma vez a relação entre violência e transtornos mentais.

É notória a relação entre algumas condições psicopatológicas e a violência impetrada a si ou aos outros. Por exemplo, os casos de episódios depressivos graves, alcoolismo e condições psicóticas (dissociação com a realidade).

No caso do segurança Santos, todas as evidências levam à conclusão que o incêndio foi oriundo do agravamento de seus problemas psiquiátricos, para os quais ele estava em atendimento num CAPS desde 2014. Como em quase todas as tragédias desta natureza, uma rápida vistoria sobre o curso dos comportamentos e atitudes mais recentes do agressor dão pistas, mais do que óbvias, que algo não ia nada bem e que algo severo estava por vir – ele havia comunicado seus familiares que iria se suicidar!

Cada vez mais demonstra ser de extrema importância e urgência uma reflexão de como tendemos a negar ou subestimar os sinais e sintomas dos problemas psicológicos/psiquiátricos, mesmo daqueles que nos são mais próximos. Talvez a grande complexidade da questão esteja ainda num certo preconceito e descrédito quanto à doença mental e as suas possíveis consequências na sociedade. Se o ocorrido não tivesse sido com crianças pequenas, indefesas e cruelmente atacadas, provável que “somente” mais um suicídio tivesse ocorrido sem maiores alardes da mídia. Há de se ser mais atento, cuidadoso e cauteloso na expressão do sofrimento psíquico do outro, bem como a alterações abruptas dos comportamentos dos que convivem conosco.

Diferente de outras condições de saúde onde o grito de dor e o pedido por ajuda são imediatamente acolhidos, as dores do emocional não geram a mesma carga de empatia e compaixão pela maioria.

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Os impactos do câncer de mama na autoimagem

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

 

O câncer afeta a vida das pessoas em diferentes contextos, seja na saúde física, mental e social. Além de causar debilidades físicas, pode ocasionar baixa autoestima, alterações no sono, alimentação, comportamento, entre outros fatores que profissionais e familiares devem estar atentos.

O câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres, sendo o segundo mais frequente respondendo a 22% dos novos casos a cada ano. No Brasil, a estatística mantem-se alta podendo levantar a hipótese de que, o diagnóstico e tratamento estão sendo realizados quando o câncer já está em estágio avançado. Quanto mais cedo se realizar o diagnóstico melhor o prognóstico do paciente.

A lei brasileira teve avanços significativos para o tratamento do câncer nos últimos anos. Em 2012, foi decretada a lei nº 12.732 visa que o paciente que for diagnosticado com neoplasia maligna receberá todos os tratamentos necessários através do Sistema Único de Saúde (SUS), no prazo de 60 dias após firmado o diagnóstico em laudo patológico. No ano seguinte, foi decretada a lei nº 12.802 de 24 de abril de 2013, que quando existir condições técnicas a paciente será submetida à reconstrução mamária, no caso de impossibilidade de reconstrução imediata, a paciente terá acompanhamento e garantia da realização da cirurgia após alcançar as condições clínicas necessárias.

Esses avanços vêm a contribuir na autoestima dessas pacientes, facilitando a passagem pelo processo de tratamento, podendo assim auxiliar na aceitação do novo corpo. Mas o acompanhamento psicológico continua sendo muito importante para que as pacientes e seus familiares tenham escuta e consigam expressar suas dificuldades, limitações, angústias que envolvem a doença.

Além de vestirmo-nos de rosa, faça seu exame e caso perceba algo diferente procure um especialista. Não postergue o diagnóstico!

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Por que não a “cura gay”?

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

No último dia 15, uma polêmica decisão judicial orientou que o Conselho Federal de Psicologia intérprete a resolução 01/99 de forma a não impedir os psicólogos a “promover os estudos ou atendimentos, de forma pertinente, à reorientação sexual”. Mas qual problema disso?

Em primeiro lugar, a pesquisa sobre sexualidade ocorre naturalmente em todo país, e não há nenhuma restrição do CFP nestes casos, como relata a autora do pedido. Em segundo, nenhum homossexual é impedido de receber atendimento referente a sexualidade. O que esta resolução impede é o tratamento com intuito de reverter a sexualidade. Sabe por quê? Simples! Porque não funciona! A psicologia é uma ciência, só se aplica o que funciona comprovadamente. Essas terapias já foram testadas no decorrer dos anos e não só não funcionaram como promoveram muito sofrimento. Estudos apontam que pessoas que se submeteram a mudança de orientação sexual desenvolveram problemas relacionados à angústia, ansiedade e depressão, além de inúmeras tentativas de suicídio.

Orientação sexual não é escolha. Oferecer tratamento pra isso aumenta, e muito, o preconceito. Da a impressão de só é gay quem quer, já que pode se tratar. O Brasil é um dos países que mais comete violência contra homossexuais, preconceito no Brasil é o mesmo que violência. Se a população LGBT precisa de tratamento? Precisa sim. Para conseguir amenizar os efeitos do preconceito que sofrem. Muitas vezes as pessoas levam anos para assumir a sexualidade com medo da repressão social.

Se você tem problemas com sua orientação sexual, procure um psicólogo para se curar!
Ajudaremos a curar o medo, a repressão social, o preconceito que você sofre e que muitas vezes aprendeu a ter de si mesmo por nascer em um dos países mais preconceituosos do mundo. O agressor não procura terapia, mas você pode ser ajudado.

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Suicídio: falar é a melhor solução.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

 

Você já refletiu sobre o porquê de pessoas cometem suicídio? O que as leva a fazer isso? Pois bem, não raras vezes, essas pessoas estão em estado de sofrimento emocional muito grande e acreditam que a única saída para seus problemas é por um fim em sua vida. Dificilmente conseguem encontrar alternativas que possam auxiliar na resolução de problemas.

Segundo dados encontrados no site do CVV (Centro de Valorização da Vida), no Brasil a cada uma hora há uma morte causada por suicídio e neste mesmo período há outras três tentativas. A morte causada por suicídio é superior das mortes causadas por AIDS e maioria dos tipos de câncer. Esses dados causam preocupação, pois ainda é um tabu e pouco discutido, apesar que alguns fatores recentes proporcionaram reflexões e discussões em diferentes contextos com a repercussão da série veiculada pelo Netflix “13 reasons why ” e o jogo “baleia azul”, independente se as críticas foram positivas ou negativas, mas geraram um movimento para falar sobre o assunto suicídio. Já fui questionada se falar sobre suicídio pode vir a induzir mais pessoas a cometer o ato, penso que devemos ter tato ao informar, fugir do senso comum e das críticas, mas fazer com que esta pessoa sinta-se escutada e apoiada, pois esta está passando por um momento bastante delicado e sensível de sua vida.

Conforme dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), que nos desperta esperança, é que de 10 suicídios 9 poderiam ser prevenidos. Fica um alerta para familiares, amigos e, principalmente, profissionais da saúde (frizo este último como um dos mais importantes, devido à responsabilidade e sensibilidade profissional de questionar abertamente sobre possível risco ao suicídio) de atentarem-se às mudanças comportamentais de pessoas/pacientes próximos, tais como drogadição, sexo desprotegido, desmotivação por atividades que antes eram prazerosas, desesperança de que as coisas possam melhorar, entre outras.

Se você acredita que não conseguirá ajudar alguém passando por esta situação, você pode ajudar muito encaminhando a um profissional treinado para tal demanda ou informando os contatos de centros de valorização da vida. Vale ressaltar que o CVV possui contatos via telefone (141 para todo Brasil e 188 para o RS), chat e Skype. Se nos unirmos em prol da vida, conseguiremos, um dia, diminuir as taxas de morte causada por suicídio.

Falar é a melhor solução!

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Reunião de Condomínio.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

 

Mês passado fui a uma reunião no meu condomínio. Pra mim, reuniões de condomínio são sempre chatas, embora racionalmente saiba que são importantes pois tratam de assuntos que interessam a todos. Então, além de ouvir, falar, votar, me propus a fazer um exercício interessante (pelo menos eu achei) que foi o de tentar enxergar como estariam agindo os supostos esquemas dos meus vizinhos. Obviamente não vou identificar ninguém e deixo bem claro que não posso afirmar que os esquemas preponderantes são os que mencionarei. Para que conheçamos nossos esquemas, o ideal é realizarmos uma avaliação com profissional qualificado. Mas no intuito de demonstrar como poderiam agir nossos esquemas em situações cotidianas, escrevo este texto.

Como exemplo, identifiquei o vizinho que talvez tenha esquema de desconfiança/abuso quando ele falou que “fulano pode vir a nos sacanear no futuro”. Este esquema refere-se à expectativa de que os outros, de alguma maneira, tirarão vantagem da pessoa, intencionalmente. As pessoas com este esquema acreditam que os outros vão magoá-las, enganá-las ou desprezá-las. Na infância, essas pessoas podem ter sido abusadas ou tratadas injustamente por pais, cuidadores, irmãos ou amigos. São pessoas que não confiam nos outros, não confiam no mundo.

Também prestei atenção naquela vizinha que não falava em outra coisa senão na segurança, e que estávamos prestes a sofrer assalto, que ela não sabia como isso ainda não tinha acontecido. Logo pensei no esquema de vulnerabilidade. Este esquema se refere à crença segundo a qual a pessoa está sempre prestes a viver uma grande catástrofe (financeira, natural, médica, criminal, etc.) e toma precauções excessivas para se proteger. Normalmente um ou ambos os pais eram muito medrosos e passaram a ideia de que o mundo é um lugar perigoso.

Havia também aquela senhorinha que concordava com tudo e todos, ora se abstendo de votar ora votando conforme a pessoa do seu lado, ou seja, podemos estar falando de um esquema de subjugação em que a crença é que a pessoa deva submeter-se ao controle dos outros a fim de evitar consequências negativas. A pessoa teme que os outros fiquem zangados com ela ou que a rejeitem, a menos que se submeta ao desejo destes. Quem se subjuga ignora seus próprios desejos e sentimentos. Na infância, geralmente um dos pais (ou ambos) era muito controlador.

Há aqueles que tem a crença de que deveriam poder fazer, dizer ou ter tudo o que quisessem, independentemente de isso magoar os outros. Não há nenhum interesse nas necessidades dos outros. Os pais que são excessivamente indulgentes com os filhos e não estabelecem limites sobre o que é socialmente apropriado podem favorecer o desenvolvimento desse esquema de merecimento/grandiosidade. Algumas crianças desenvolvem esse esquema para compensar sentimentos de privação emocional, defectividade ou indesejabilidade social. Já imaginaram se uma pessoa com esse esquema vira síndico?

Também identifiquei, nessa minha “brincadeira” um vizinho que provavelmente tem o esquema de autocontrole/autodisciplina insuficientes, pois quando não aceitaram uma sugestão sua, saiu porta a fora, dizendo que não iria permanecer ali. Tal esquema se refere à incapacidade de tolerar qualquer frustração na busca de objetivos, assim como à incapacidade de conter a expressão de impulsos ou sentimentos. Os pais que não modelaram autocontrole ou não disciplinaram os filhos adequadamente podem predispô-los a ter esse esquema quando adultos.

Vocês podem estar curiosos para saber sobre o meu ou os meus esquemas. Quais estavam mais ativados na reunião? Ah, fiquei prestando tanta atenção nos esquemas alheios que talvez tenha entrado em modo protetor-desligado que é um modo de enfrentamento desadaptativo em que a pessoa apresenta retraimento emocional, desconexão, isolamento, busca de auto conforto, fantasia, distração compulsiva e evitação comportamental. Adota uma postura cínica ou distante para evitar o investimento emocional em pessoas ou atividades.

Mas eu juro que votei bem consciente do que estava fazendo.

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