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A verdade sobre o Coaching

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

 

Como psicóloga e coach estava ávida para trazer alguns esclarecimentos sobre a forma como tem sido deturpada a atuação do coach (profissional que trabalha com coaching) na novela “O Outro Lado do Paraíso” da Rede Globo. A emissora apresenta esta questão com interesse comercial, ao divulgar o nome de uma instituição, mencionada por eles, como a melhor do Brasil na Formação em coaching.

Confesso que quando o coaching foi abordado pela primeira vez fiquei muito feliz, pois achei que seria uma oportunidade de divulgar esta técnica que ainda é pouco conhecida no Brasil. Ou, quando conhecida, devido a maus profissionais, acaba parecendo autoajuda ou charlatanismo.

Entretanto, para minha surpresa, a Globo consegue reforçar esta crença, desqualificando o coaching e a psicologia. Adriana, uma advogada, refere ter feito um curso do coach e explica que é um método onde se estabelece uma relação com o cliente em função de um objetivo e que existem algumas técnicas para descobrir dados, motivações. Até aqui a explicação não está tão equivocada, apesar de passar uma ideia de que o coaching é uma metodologia para descobrir coisas que a pessoa não quer dizer, já que ela usa no escritório de advocacia para descobrir informações que os clientes estão omitindo. Além disso, jamais se fala em cura e muito menos em uso da hipnose conforme é colocado na novela. Uma resolução do Conselho Federal de Psicologia de dezembro de 2000 restringe a psicólogos capacitados a prática da hipnose: “Art. 2º – O psicólogo poderá recorrer a Hipnose, dentro do seu campo de atuação, desde que possa comprovar capacitação adequada, de acordo com o disposto na alínea ‘a’ do artigo 1º do Código de Ética Profissional do Psicólogo”.

A formação em coaching não requer graduação em psicologia ou em qualquer outro curso superior. Dessa forma, fica evidente que, embora muitos profissionais sejam bastante qualificados para atuação com questões pertinentes ao coaching, não o são para atender pessoas com sofrimento psíquico ou alguma psicopatologia. Nestes casos, o correto é encaminhar para profissionais da psicologia ou psiquiatria, com formação para tratarem com embasamento científico as questões relativas à saúde mental.

Entretanto, se o profissional for psicólogo e coach, não existe impedimento. O coaching utiliza várias técnicas da terapia Cognitivo-Comportamental, da psicologia positiva e, mesmo aquelas oriundas do próprio coaching, que são cientificamente comprovadas, serão usadas por um profissional habilitado para tratar questões emocionais. Como terapeuta Cognitivo-Comportamental e coach percebo benefícios do uso de algumas ferramentas do coaching no processo terapêutico por tornarem mais claras e objetivas algumas questões que estão sendo trabalhadas. Da mesma forma, os conhecimentos da Psicologia colaboram para o processo de coaching.

O importante é saber que o paciente ou cliente deve estar em primeiro lugar, ser respeitado em sua demanda e receber um atendimento de qualidade, embasado na ética profissional. Ou seja, um profissional não pode atuar numa área para a qual não está preparado e nem autorizado. Espero que esta polêmica tenha o efeito contrário ao que imaginamos, que ao invés de desqualificar as áreas, a população comece a pesquisar qual é a formação e qualificação dos profissionais que procuram.

Para finalizar, cabe esclarecer o que é o coaching. De forma resumida, é um processo breve, com número pré-estabelecido de sessões, geralmente variando entre 10 a 12. Atende pessoas que buscam aumento de resultados pessoais e performance, autoconhecimento, definição de um propósito de vida, desenvolvimento na área pessoal e profissional, alcance de metas, desenvolvimento de novas habilidades e competências, melhora na qualidade de vida, transição de área ou de carreira, tomada de decisões que precisam ser bem elaboradas e planejadas devido ao seu impacto, etc.

Focado em soluções e busca de resultados, parte-se do presente (estado atual) em direção ao futuro (onde quer chegar). Nesse sentido, estabelece-se um plano de ação e estratégias para colocá-lo em prática, usando-se as forças pessoais como impulsionadoras. Além da ênfase na identificação de forças pessoais, também são considerados os valores (o que é realmente importante para a pessoa), a definição de uma missão (razão de ser) e visão (o que quer alcançar).

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Nossas dores têm algo a dizer, vamos começar a escutar?

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

 

Dor na cabeça, nas costas, no estômago, na garganta. Você certamente já sentiu algumas destas dores em algum momento de sua vida, não é?

Em alguns momentos de nossa vida, não conseguimos encontrar as palavras para expressar a angústia ou desconforto psicológico que sentimos, e nesta situação o corpo encontra uma maneira de “ser ouvido”: são basicamente assim que as dores chamadas psicossomáticas começam. Algumas vezes, não encontramos as palavras certas para nos expressarmos pois não sabemos nomear exatamente o que sentimos, ou o motivo vai além: preferimos não “mexer” em certos assuntos.

Devemos ter em mente que para sermos indivíduos saudáveis e termos uma vida mais plena, precisamos sempre buscar o equilíbrio entre mente e corpo. Quando existe alguma espécie de desarmonia emocional, é muito comum que o nosso corpo seja afetado, da mesma forma que, quando não existe harmonia no organismo, o psiquismo pode ser prejudicado.

As dores psicossomáticas (psico = mente, soma = corpo) geralmente são abordadas de maneira estritamente orgânica, olhando somente com o viés físico, entendendo e trabalhando com o corpo humano e manipulando-o com intervenções corporais. A psicologia percebe as dores psicossomáticas com a intenção de ouvir o sujeito em sofrimento, entendo-o como um ser com linguagem, desejos, subjetividade. É através destas dores que o sujeito busca trazer para a sua percepção o seu sofrimento, e é pela fala que ele consegue esclarecer as questões que estão lhe trazendo angústia.

Pensamos de forma prática: quem sofre com dores de cabeça de forma intensa e frequente, diariamente tentando diminuir os sintomas, não tem melhor chance de aumento de qualidade de vida se tratar a origem de seus sintomas?

Acumular sentimentos e pensamentos negativos, situações não resolvidas, palavras não ditas e experiências não ressignificadas geram mais do que estresse, ansiedade e depressão. O estado mental de todos nós tem muita influência em nossa saúde física. Estes sentimentos e pensamentos negativos que são acumulados dentro de nós acaba resultando na somatização: nós transferimos para o corpo aquilo que está machucando a nossa mente.

O ser humano tem necessidade de ser ouvido, de receber afeto e empatia, e quando alguma destas necessidades não está sendo preenchida, o corpo fala através das dores.

É importante deixar bem claro: o paciente que apresenta um quadro característico da psicossomática deve ser observado e cuidado de forma integral. Os sintomas físicos devem ser cuidados sim com o auxílio da medicina, e os sintomas psíquicos devem ser trabalhados com a ajuda de um profissional da Psicologia.

Finalizo este texto com palavras que você leitor já deve ter ouvido ao menos uma vez, e que, é uma frase já conhecida porque transmite a realidade de muitas pessoas: “Quando a boca cala, o corpo fala!”.

E você, está sabendo ouvir o seu corpo?

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Quem sou eu na fila do pão?

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

 

O filósofo Mario Sérgio Cortella, em sua palestra intitulada “Você sabe com quem está falando?”, traz ao público que o assiste a reflexão acerca de quem nós somos dentro do vasto universo. Resumidamente o filósofo explica que somos apenas um indivíduo dentre outros seis bilhões e quatrocentos milhões de sujeitos compondo uma espécie dentre três bilhões de espécies classificadas que vive em um planetinha, que gira em torno de uma estrelinha, que é uma das cem bilhões de estrelas, compondo uma única galáxia entre outras duzentas bilhões de galáxias em um dos universos possíveis e que vai desaparecer! A ideia central é mostrar que nós somos, na verdade, apenas uma parte ínfima de tudo que existe. É importante termos controle sobre o ego para um bom convívio social porém, desta palestra, também tiro um outro ensinamento importante para a saúde mental de todos: somos únicos e devemos nos valorizar!

Muitos têm aqueles conhecidos que, por vezes, se diminuem. Talvez isso possa ter acontecido até mesmo com você. Situações em que há um grande medo de aparecer para as outras pessoas na vida social ou profissional. Sobre a área profissional, que será o foco nesse texto, uma pessoa que não tem por característica vender a si mesma (no caso a ideia de quem ela é dentro do mundo do trabalho), por exemplo, poderá se prejudicar.

Tais pessoas possuem os conhecimentos técnicos necessários e habilidades excelentes para a execução das tarefas, mas pecam pela falta de atitude. Não raro essa falha profissional leva a pessoa ao sofrimento psíquico, sendo porque ela não consegue um emprego, seja porque não consegue clientes ou ainda porque não é um profissional de destaque dentro da sua área. Por causa de tais problemas, por vezes, adoecemos. A auto estima é abalada, perde-se o senso de resolução de problemas e se desenvolve uma crença de incompetência, que, por sua vez, criará um círculo vicioso ao entorno do sujeito, o impedindo de seguir adiante.

A partir da psicoterapia Cognitivo-Comportamental é possível criar novas estratégias para desenvolver o senso de competência e auto eficácia da pessoa, reestruturando erros na sua forma de pensar, que impactarão em seu comportamento e que a ajudarão a se desenvolver como profissional.

Dessa forma, é necessário muitas vezes fazer a pergunta para si mesmo: quem sou eu na fila do pão? Se respondendo a essa pergunta você se achar só mais um nessa vasta fila, possivelmente há uma necessidade de se avaliar os próprios passos dados até o momento e pensar um pouco mais nos próximos que virão. Caso você consiga ver que é único, insubstituível e com infinitas possibilidades em sua vida, então não se diminua. O universo pode até desaparecer um dia, mas você não precisa apagar o seu próprio brilho por causa disso.

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Da sutileza de um fazer

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

 

A terapia é um dos poucos espaços onde podemos estar “a sós”. É eu e eu! Eu a dialogar com meus medos, meus problemas, ou meus desafios. Tem mais alguém ali? Sim, um alguém especial. Um alguém que tenha capacidade empática de perceber que têm determinados assuntos que eu ainda não estou pronto para falar. Um alguém que me ajuda a traçar um plano terapêutico, mas que sabe que em alguns momentos eu vou precisar de uma pausa no processo para simplesmente chorar, pois tem outras coisas mais com as quais eu não estou conseguindo lidar.

Cada paciente é um mundo descortinado a nós, psicólogos clínicos! Se entregar para um estranho não é fácil, portanto, fazer terapia é um super desafio! É para corajosos. Acompanhar o processo terapêutico também é um super e apaixonante desafio! Não julgar; tarefa nada fácil, mas imprescindível neste ofício. Ver marcas dolorosas irem pouco a pouco se transformando é simplesmente incrível! Como no Documentário “Canto de Cicatriz”, é “praticar o verbo dolorir, colorir a dor”!

Na terapia, alguns descobrem que se deixaram para trás, outros percebem que correram rápido demais. E tudo isso acontece “só conversando”. Na TCC, Terapia Cognitivo-Comportamental, com a qual eu trabalho utilizo algumas técnicas, registros, exercícios, etc. Porém, a maior parte do processo acontece “só conversando” como já questionaram. Entretanto, não é uma conversa de comadre. Não é um conselho de Padre. Tampouco uma conversa de bar. Sem desmerecer nenhuma dessas conversas tão importantes quanto a conversa travada no consultório. A Conversa com “C” maiúsculo ocorre em um contexto muito delicado, pois o paciente se entrega, se mostra frágil, triste, ansioso ou aterrorizado.

E aceita o convite para viajar com o psicólogo. E a viagem é a bordo de quê? Não, não é de trem bala. Nem de avião a jato. Às vezes é de carruagem. Outras vezes vamos de helicóptero para avistar de cima. Por vezes precisamos de um submarino para tocar as profundezas. Quem define a velocidade não é o motorista, este precisa sentir quando é hora de acelerar, ou quando é hora de pisar no freio, ou até mesmo parar. Paremos por aqui, pois hoje …

O psicólogo leva junto na viagem sua bagagem de teorias e técnicas para usar. Fazer isso não é mole não! Se faz necessária muita empatia, sutileza, leveza, porque é fundamental respeitar o tempo do paciente. Precisa ter capacidade técnica que não é adquirida de hoje para amanhã, é construída mediante muito esforço, pesquisa e estudo. Este ofício exige grande responsabilidade para gerar e demonstrar confiança. Nesta viagem ambos avistarão paisagens áridas e inóspitas, mas também irão vislumbrar lindos campos, frondosas árvores e jardins floridos. Na viagem às vezes precisamos corrigir rotas. E, ao final dela, o paciente segue às vezes sem olhar para trás, pois agora não precisa mais do seu par. Leva o que aprendeu e se torna seu próprio terapeuta! Oi, muito prazer! Este é o meu fazer! O fazer da sutileza!

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Janeiro Branco

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

O que é a campanha Janeiro Branco?

É uma ação que torna o mês de janeiro um marco para que todos reflitam, debatam e para que se planejem estratégias em prol da saúde mental, buscando soluções políticas, sociais e culturais para que o adoecimento emocional seja conhecido, prevenido e atenuado em todas as esferas e espaços.

No Brasil, 23 milhões de pessoas (12% da população) necessitam de algum atendimento em saúde mental. Pelo menos 5 milhões de brasileiros sofrem com transtornos mentais graves e persistentes. De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria, apesar das políticas de saúde mental priorizarem as doenças mais graves, como esquizofrenia e transtorno bipolar, as mais prevalentes estão ligadas à depressão, ansiedade e a transtornos de ajustamento.

Em todo o mundo, mais de 400 milhões de pessoas são afetadas por transtornos mentais ou comportamentais. Os problemas de saúde mental ocupam cinco posições no ranking das dez principais causas de incapacidade, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo estudos, a alta incidência de transtornos mentais é causada pela grande urbanização, associada com privações sociais. Os grupos mais vulneráveis são homens migrantes e mulheres que residem em regiões de alta vulnerabilidade social, ou seja, regiões de alto desemprego, baixa escolaridade e baixa renda.

As altas taxas encontradas demonstram a necessidade de discutir melhor o atendimento oferecido à população brasileira, repensando o planejamento de políticas de saúde mental. Programas de treinamento e educação para profissionais de cuidados primários precisam ser introduzidos ou aprimorados, juntamente com melhorias nos serviços da rede pública em geral. As políticas públicas devem ser voltadas para reduzir as desigualdades econômicas e melhorar a educação e segurança pública a fim de superar o círculo vicioso da pobreza, da violência urbana e de transtornos mentais, atuando diretamente para a promoção do bem-estar humano.

Além da preocupação com as políticas públicas, na esfera privada, ou seja, dentro de casa, na escola dos filhos, na empresa em que trabalhamos, é de extrema importância que se fale sobre sofrimento psíquico, suas consequências e o que pode ser feito para solucionar questões psíquicas conflitivas. Esse debate promove menos preconceito com as doenças psíquicas, também colabora para que as pessoas que estão passando por dificuldades procurem ajuda.

O Janeiro Branco vem para lembrar-nos de que o sofrimento mental é comum a todos, portanto todas as estratégias que se debrucem sobre este tema, seja no âmbito doméstico, escolar, organizacional e de políticas públicas, colaboram para atenuar a consequência do sofrimento.

E então, vamos conversar sobre o assunto?

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MONTANHA-RUSSA DE EMOÇÕES

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

 

Hoje pela manhã eu acordei, arrumei minha cama, lavei meu rosto e tive dificuldades para me arrumar (“Meu Deus! Nada fica legal em mim! Eu engordei… essa camiseta não está legal porque não tenho muito seio… eu poderia ser um pouco mais alta, daí essa calça ficaria bonita…”), desanimada coloquei qualquer coisa e já no café da manhã o dia não começou muito bem, derramei café na toalha limpa, (“URGH! Não toma jeito mesmo, destrambelhado(a)”). Vou para o trabalho, recebo um eventual elogio do patrão por alguma atividade, e mais uma tonelada de coisas para fazer, pra ontem (“Aff! Humpf”). Hora do almoço (“Até que enfim, tenho uns minutinhos pra relaxar! … Oba, hoje tem torta de chocolate de sobremesa”). Mas já está na hora de ir de novo (“Não acredito!”). Novamente trabalho, e trabalho, e mais reuniões, e coisas para fazer, e pessoas para aturar, sem falar nas fofocas (“Jesus! Quanto estresse!”). Opa, lá vem o patrão de cara amarrada (Viish, lá vem bronca pra nós), por fim acabei discutindo com o patrão, quase fui demitida. Retorno pra casa e, depois de limpar e organizar um pouco a casa, tomar banho e jantar, posso fazer alguma coisa de que gosto (“Até que enfim, ufa!”), mas não, já está tarde e estou bastante esgotada (“Caramba, que dia cheio”), acho que vou dormir pois amanhã cedo começa tudo de novo, embarco em uma nova montanha-russa (“Fico imaginando o que me espera amanhã!”), boa noite.

Este ciclo diário de alegrias, tristezas, decepções, frustrações, etc., é o que muitas pessoas vivem constantemente. Você notou o quanto é complicado viver neste turbilhão de emoções fortes? Acrescente a essa receita, ainda, um nível de alta intensidade, de maneira contínua, algumas predisposições e pronto, temos então alguém que, após algumas semanas de exposição a essa rotina emocional intensa estará esgotado emocionalmente e psicologicamente vulnerável (em sofrimento), o que pode predizer a aproximação de alguma psicopatologia. Na verdade, todos nós experimentamos várias emoções diariamente, o que difere é a intensidade com que cada um vive cada uma das emoções.

Como saber, portanto, se o que estou vivenciando é ou não psicopatologia? Bom, pessoas que emocionalmente não estão saudáveis acabam tendo prejuízo em diversas áreas de sua vida (profissional, familiar, social…), como, por exemplo, dificuldade para se relacionar, irritação constante e algumas vezes em excesso, e tudo a deixa pra baixo… Em resumo, seu traço característico é o excesso e está relacionado a situações estressantes que modificam sua forma de ver e viver a vida.

Mas fique tranquilo(a), para auxiliar é recomendado o tratamento farmacológico em combinação com o psicológico, buscando a melhora da qualidade de vida e o desenvolvimento de recursos internos para lidar com o(s) problema(s). Não pense que é fácil viver com instabilidade emocional, pois não é. Enfrentar esse tipo de problema é uma luta onde somente quem é um guerreiro pode enfrentar.

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O vestibular é uma ponte… Acalme-se e atravesse. Dicas para controlar a ansiedade pré-vestibular.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

 

A maioria dos candidatos ao vestibular é formada por jovens, cujo concurso é o maior desafio de suas vidas naquele momento. Além do peso da escolha profissional e da disputa por uma vaga em alguma Universidade renomada, existem diversas pressões que agem no vestibulando que certamente prejudicam suas performances nas datas das provas. Algumas são intrínsecas ao candidato e outras tantas vêm de cenários externos, muitas vezes praticados por aqueles que os amam e os querem ver vencer.

A ansiedade, palavra tão temida, num nível baixo, pode ser positiva, pois deixa o aluno mais focado desde o período de estudos, já que ele identifica que é um evento significativo e com grau de dificuldade e durante as provas também o auxilia a estar num estado mais alerta. O nível muito baixo de ansiedade pode levar a uma despreocupação, descuidos e redução da atenção. Por exemplo, a ansiedade ideal ajuda, antes da prova, o aluno se organizar quanto ao material para levar, pensar no trajeto e no horário para sair, saber quais serão as provas daquele dia. Ao receber a prova, deve estar atento às informações que devem ser preenchidas no cartão de respostas, realizar a leitura de todas as instruções, estar atento para passar as respostas para o cartão, etc.

Entretanto, não é raro a ansiedade ultrapassar este nível ideal e atrapalhar o desempenho nas provas. A terapia cognitivo-comportamental e o coaching oferecem técnicas para manejo da ansiedade e aumento da performance.

1 – Durma bem, pois a qualidade de uma noite de sono é fundamental para recuperar os conhecimentos armazenados na memória durante os estudos.

2 – Uma técnica bastante interessante é a visualização com uma âncora de sucesso.
Escolha uma música que represente um momento de emoções positivas, de realização, de força pessoal. Ao deitar, escute esta música, feche os olhos e inspire o ar lentamente distendendo o abdômen. Segure por alguns segundos e expire lentamente pela boca.
Enquanto isso, leve seus pensamentos para o dia da prova, imagine-se chegando lá, respondendo as questões tranquilamente e saindo satisfeito com o seu desempenho. Através deste exercício o seu cérebro vai vivenciar aquilo que é novo e desconhecido de uma forma positiva e, ao chegar no dia da prova, a situação lhe parecerá familiar e estará associada a uma performance bem sucedida. Lembre-se, pensamentos geram emoções que irão influenciar no resultado. Dessa forma, é fundamental usar estratégias para que seus pensamentos sejam seus aliados.

3 – Na hora da prova, se você perceber que está ansioso, pare e mude o foco. Pare um minuto, relembre a música, cantarole mentalmente, faça a respiração descrita acima e rapidamente você perceberá que haverá uma baixa na ansiedade. Pode mudar o foco também pensando em algo inusitado, como tentar lembrar uma receita, o nome dos jogadores de um time de futebol ou qualquer outra coisa que o distancie daquele momento.

4 – Lembre-se de que cada dia é um dia, a aprovação é resultado de um processo que começa durante o ano de estudos e só termina ao entregar a última prova. Dessa forma, não remoa questões erradas, coisas que poderia ter feito diferente. O pensamento deve ser do presente para o futuro, buscando as experiências de sucesso, as conquistas realizadas como combustível diário para acreditar que é possível e para querer dar o seu melhor.

5 – Não se preocupe com os adversários, você não sabe o quanto eles sabem e se eles têm o controle emocional como aliado. Se a prova estiver difícil, pode estar para a maioria dos candidatos e não só para você.

6 – E para a família, é hora de apoiar. Não adianta apontar o que seu filho poderia ter feito, o importante é demonstrar que independente do resultado, a dedicação será reconhecida e que ele não perderá o amor ou a admiração se não conseguir a aprovação deste vestibular. Existem outros vestibulares e muitos que não são aprovados de primeira, ou na Universidade de sua preferência, depois se tornam profissionais muito bem sucedidos.

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Por que as escolas deveriam ensinar educação emocional?

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

 

Vivemos tempos estranhos, onde as escolas tem uma limitação de conteúdo que podem “reproduzir” aos seus alunos. Esse limite se dá, parte por pressão dos pais, que acreditam serem os únicos responsáveis pela formação de seus filhos, uma vez que são os primeiros “culpados”, quando algo em suas personalidades não sai como o esperado e parte pelo Estado, que considera que alguns conteúdos podem vir a criar um certo desconforto, quando são originados por tabus ou temas controversos, ou que não venham a ser transmitidos de forma correta.

O fato é que, devido as demandas diárias, em especial por parte dos pais (carga de trabalho excessiva, jornadas exaustivas, falta de informação necessária para abordar ou lidar com certos assuntos), estes acabam por não saber o que ocorre com seus rebentos, no ambiente escolar. No geral, cria-se o hábito, ao final do dia, de questioná-los com um: “como foi seu dia na escola”, o que prontamente vem com a resposta: “foi bom”. Fim de papo. Ufa! E cada um retorna à suas atividades em seus smartphones.

Porém, a reprodução de comportamentos pouco assertivos aparecem no dia seguinte, e no próximo e no próximo… na escola, nossas crianças não estão preparadas para lidarem com suas frustrações, seja ela uma nota baixa, um crítica de um colega ou de professores, casos de agressões físicas, bullying. Tudo isso, porque não estão preparados para gerenciarem suas emoções. Na maioria das vezes, não conseguem, minimamente, nomear esses sentimentos, o que seria um fato de extrema proteção a estas crianças.

Desta forma, aprender que sentir raiva é importante, quando o nosso senso de justiça é ferido, é de importância fundamental para aprendermos a lidar com o que estamos sentindo, saber expressá-lo, solicitar auxílio para lidar com isso, que tanto incomoda. Assim, as chances destas crianças causarem prejuízos a si e a seus semelhantes diminuem exponencialmente.

Ora! Sentir raiva faz parte do repertório humano, não é mesmo? Assim como a tristeza, a alegria, o medo e tantas outras emoções que aparecem ao longo de nosso dia, durante o convívio com o outro. Só resta saber o que fazer (ou não fazer), quando estas emoções nos inundam.

E o fato desta criança estar inserida num contexto tão importante e tão rico de possibilidades da expressão social, transforma este local num perfeito constrito de indivíduos saudáveis emocionalmente, consigo e com o meio.

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Quero colo, carinho, abraço e beijo, sim!

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

 

Este texto é voltado principalmente para os pais e cuidadores, onde proponho a reflexão sobre a minha seguinte afirmação: é importante criarmos nossas crianças com infinitas demonstrações de carinho.

Quando as crianças crescem sendo embaladas no colo na primeira infância elas tornam-se adultos mais empáticos, saudáveis, produtivos e gentis. Além destas características citadas, estes adultos são consideravelmente menos deprimidos que aqueles que não foram ninados quando bebês.
Em minha experiência profissional já ouvi em demasia que “colo demais deixa as crianças mimadas”, e que “é melhor deixar chorar”. Pois este texto vem dizer o contrário: é impossível “estragar” os pequenos com colo, carinho, AFETO! Segundo pesquisas científicas, o afeto interfere em como os cérebros dos bebês se desenvolvem, e é importante manter estas vivências afetivas por todo o período da infância. Durante a infância os sistemas cognitivos estão se estabelecendo e em constante evolução, sendo assim, se estes pequenos são criados com afeto e segurança, o funcionamento psíquico se desenvolve de uma maneira saudável. Caso estes bebês cresçam chorando muito e não sendo acalmados pelos cuidadores, os sistemas mentais serão desenvolvidos em estresse. Aqueles que não receberam afeto suficiente tendem a ter mais estresse e maior dificuldade em se acalmarem sozinhos, já aqueles que receberam o colo quando crianças, crescem e tornam-se adultos mais adaptados, com menos ansiedade e melhor saúde mental.

O carinho e o contato físico são fundamentais para o desenvolvimento cerebral das crianças, isso desde o nascimento. É importante que os pais tenham tempo de qualidade com seus filhos, para que eles se sintam seguros e amados. Uma criança que sente a presença dos pais, sabe que eles a amam, se fortalece e se sente segura para alcançar todas as suas potencialidades. Um adulto que recebeu o afeto adequado na sua infância tem um comportamento mais saudável, maiores habilidades e é capaz de manter relacionamentos fortes em sua vida adulta.

Mas para quem ainda tem dúvidas ou receios sobre demonstração de afeto, eu lhes apresento a ocitocina – também chamada de hormônio do amor. Este hormônio é influente na formação cerebral, produzido durante a amamentação e também liberado no abraço, no beijo, no carinho. A ocitocina faz com que o cérebro produza a capacidade de vínculo e nos acalma em situações estressantes. O colo, carinho, abraço, beijo: o afeto não “estraga” as crianças, apenas traz benefícios e cria seres humanos mais humanos, seguros e empáticos para a sociedade. Por isso o que eu deixo para finalizar este texto é: não esqueça de demonstrar afeto aos seus filhos, isso fortalecerá os vínculos familiares e, vocês precisam concordar comigo: carinho sempre é muito bom!!

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Dezembro Laranja: principais cuidados e efeitos da exposição ao sol

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

 

Em 2014 a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) deu início ao movimento de combate ao câncer da pele, batizado “Dezembro Laranja”, com a intenção de estimular a população na prevenção e no diagnóstico ao câncer da pele. Desde então, sempre no último mês do ano, a entidade realiza ações para lembrar como evitar o câncer mais comum no país, e convida a população a compartilhar nas redes sociais uma foto vestindo uma peça de roupa laranja, publicando-a com a hashtag #dezembrolaranja.

É de fundamental importância sabermos que o câncer da pele é o tumor maligno mais frequente da humanidade. De acordo com a SBD, estima-se que em 2016 o Brasil tenha diagnosticado mais de 180 mil tumores, sendo o carcinoma espinocelular e o melanoma os de maior mortalidade.

O que fazer então? Fugir do sol completamente? Não. O objetivo da campanha não é tornar o sol um inimigo, mas sim conscientizar a população que a exposição ao sol deve ser feita com alguns cuidados, evitando horários de maior intensidade de radiação solar (10-15h), conhecendo os índices ultravioletas da sua região, usando roupas e chapéus que protejam da irradiação direta do sol e, nas áreas descobertas da pele, o uso do filtro solar, além da vigilância quanto a alterações da pele.

As radiações ultravioletas oriundas do sol, além de promoverem o câncer da pele, favorecem queimaduras solares, catarata, degeneração da retina, manchas, alterações na espessura e enrugamento da pele. As estratégias de proteção solar previnem de forma eficiente todos esses processos.

Apesar de o culto ao bronzeamento pregar diferente, uma pele bronzeada não necessariamente significa saúde. Querer ficar mais moreninho é um direito de todos, mas é preciso ser realista quanto à viabilidade disso (pois algumas pessoas jamais serão morenas), e ao tempo necessário para que esse processo ocorra (tenha paciência!).

Outro ponto importante é a percepção quanto à cor da própria pele. Se você gosta muito de se ver bronzeado, há uma possibilidade de que você se avalie como estando mais branco do que você de fato está. Então, antes de partir para a praia para se “queimar”, pergunte para as pessoas à sua volta se elas acham o mesmo que você a respeito da sua pele. Compare as partes expostas com as não expostas. Reflita se a vontade de se bronzear não vem do desejo de ter uma mudança física qualquer e, se for esse o caso, pense em tudo que você pode fazer para mudar e que não envolve expor a sua pele a danos cumulativos (ou outras atitudes que podem ser prejudiciais à sua saúde).

Caso você sinta que não consegue controlar o seu desejo e impulso de se bronzear, que frequentemente se sente branco ou pálido demais, mesmo que os outros não achem o mesmo a repeito da sua pele, e mesmo que a sua pele já apresente danos provenientes da exposição solar, talvez seja o momento para refletir a respeito das razões para isso. Buscar uma opinião profissional (de psicólogo e/ou dermatologista) pode ser de fundamental importância.

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