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Tratamento para Transtornos de Ansiedade: quando devo procurar um psicólogo?

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

 

Tem sido muito frequente receber pacientes com sintomas de ansiedade no meu consultório, e diria que essa é uma das queixas principais nos atendimentos que tenho realizado. Os Transtornos Ansiosos são os quadros psiquiátricos mais comuns atualmente, tanto em crianças quanto em adultos. Infelizmente muitas pessoas levam tempo para buscar um tratamento adequado e geralmente já chegam no consultório com prejuízos graves no funcionamento em diversas áreas da sua vida. Por outro lado, cabe salientar que existe tratamento e até cura para esse tipo de transtorno.

Mas quando falamos em transtorno de uma forma geral, o que estamos querendo dizer? Costumo explicar para os meus pacientes que quando falamos que houve um transtorno em nosso dia, por exemplo, virar café no meu uniforme do trabalho, o que estamos querendo dizer? Podemos considerar um “transtorno” alguma situação que causa incômodo, algo que ocorreu que me causou um prejuízo. Levando em consideração o significado da palavra “transtorno” pode-se pensar dessa forma também quando queremos denominar um “transtorno psiquiátrico”, como neste caso, a ansiedade.

A ansiedade gera, portanto, um sentimento vago e desagradável de medo, apreensão, caracterizado por tensão ou desconforto derivado de antecipação de perigo, de algo desconhecido ou estranho. Além disso, muitas vezes acompanha alguns sintomas físicos, tais como: dormência ou formigamento, tremores nas pernas, incapacidade de relaxar, palpitação ou aceleração do coração, sensação de sufocamento, dificuldade de respirar, entre outros.

E quando eu sei se isso que estou sentindo é “normal” ou patológico? Esses sintomas passam a ser reconhecidos como patológicos quando são exagerados ou desproporcionais, quando a pessoa percebe que a ansiedade está atrapalhando a sua vida de forma significativa, interferindo na qualidade de vida, com o seu conforto emocional e/ou no seu desempenho diário.

A Terapia Cognitivo-Comportamental se mostra eficaz para diversos tipos de problemas e transtornos, trazendo resultados em curto prazo na remissão e alívio dos sintomas. Não quer dizer que o tratamento nesta abordagem seja fácil e superficial e que em poucos atendimentos o problema ou transtorno do paciente sejam resolvidos, pelo contrário, quer dizer é que essa abordagem tem uma intervenção mais rápida agindo no primeiro momento na queixa principal do paciente (com foco no problema) e prosseguindo assim com o tratamento conforme a demanda do caso. Os Transtornos de Ansiedade mais comuns são a Fobia Específica, o Transtorno de Ansiedade Social (Fobia Social), o Transtorno e a Síndrome do Pânico, o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) e o Transtorno de Ansiedade Generalizada

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A depressão no idoso

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

 

No Brasil, de acordo com o Estatuto do Idoso, considera-se idoso todo aquele que tiver idade igual ou superior a 60 anos. De acordo com estimativas feitas pelo IBGE, tomando como base o censo de 2010, a população idosa (acima dos 60 anos) deve passar dos atuais 14,9 milhões (7,4% da população), em 2013 , para 58,4 milhões ( 26,7% da população) em 2060. Fácil perceber que em muito pouco tempo, ter mais de 60 anos passa de algo esporádico, difícil de acontecer como era há décadas atrás, para algo muito comum e, porque não, desejado. Afinal, envelhecer é uma dádiva negada a muitos.

Mesmo sendo uma dádiva, é algo que implica em diversas mudanças, não só físicas, mas também sociais, emocionais… Envelhecer é algo que pode ser muito complicado se não tomarmos os devidos cuidados. O surgimento de patologias típicas do envelhecer, aposentadoria, saída dos filhos, diminuição da renda, perda do papel social, perda do companheiro, perda de amigos…Tantas coisas acontecendo em tão pouco tempo podem servir de gatilho para o surgimento de patologias emocionais, como a depressão.

A depressão é o transtorno psiquiátrico mais comum na população idosa, com porcentagens que podem alcançar 20% da população brasileira acima dos 60 anos. Algumas coisas devem ser lembradas quando se fala em depressão, e a principal de todas é que depressão é doença. Sim, uma doença emocional e comportamental, mas uma doença, devendo ser bem enfático nisso, pois não é “frescura, bobeira, falta do que fazer”, nem nada do tipo. E como doença, deve ser olhada como tal, tendo que ser acompanhada e tratada por profissionais psiquiatras e psicólogos qualificados.

Com isso bem claro, outro ponto a ser lembrado é que, ao contrário do linguajar popular, estar “triste, desanimado” não é estar deprimido. Para ser considerado um quadro depressivo, tem que apresentar uma profunda tristeza, que seja contínua por um período prolongado. Manifesta-se com alterações do ciclo do sono (ou dorme muito, ou quase não dorme), no apetite (ou perde o apetite ou passa a comer demasiadamente), e apatia (falta de vontade de fazer atividades do dia a dia, ou mesmo as mais prazerosas) também são sinais de que algo não está indo bem.

Outra característica da depressão, quase sempre ignorada completamente, é a irritabilidade. O indivíduo parece ficar sem paciência com facilidade, tornando-se rude com pessoas próximas. Infelizmente quando se trata de depressão, além dos mitos e dificuldades comuns a própria doença, também devemos enfrentar barreiras sociais, que muitas vezes consideram “normal” tais alterações de humor intensas em idosos. Como se envelhecer sempre significasse tornar-se triste, melancólico e apático. Considera-se também a barreira que o próprio indivíduo tem quanto a intervenções psicológicas, com o argumento de que “gente velha é assim mesmo” e o tão famigerado “gente velha não muda não…”. Não existe idade para cuidar da nossa saúde emocional e comportamental, nem barreiras para isso, sendo indiferente a sua idade.

Sobre o autor:

Rodrigo Ruis Martins, CRP 06/107.982

– Psicólogo Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental pelo Instituto Neurológico de São Paulo
– Hospital Beneficência Portuguesa (INESP) e mestrando em Psicogerontologia pela Faculdade Educatie Hoog.
– Atende adultos e idosos em Mogi das Cruzes/SP e São Paulo/SP há 6 anos.
– E-mail: psicologiarodrigo@outlook.com
– Facebook: facebook.com/psicologorodrigomartins

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Esquemas maternos e sua relação com esquemas iniciais desadaptivos e sintomatologia na infância

terça-feira, 28 de novembro de 2017

 

GWIP – Grupo Wainer de Intervenção e Pesquisa.
Lissia Basso, Amanda Borges Fortes, Cintia Maia, Elisa Steinhorst e Ricardo Wainer.

A Wainer Psicologia Cognitiva apresenta seu Departamento de Pesquisa, o GWIP – Grupo Wainer de Intervenção e Pesquisa. O GWIP tem como principal foco de estudo os processos cognitivos e esquemas psicológicos ao longo do desenvolvimento humano. O grupo realiza pesquisas empíricas e revisões sistemáticas com o enfoque na Teoria de Jeffrey Young (1990), sobre a Terapia do Esquema.

Para entender melhor os estudos produzidos pelo GWIP, devemos compreender o principal conceito da teoria de Jeffrey Young: o Esquema. Todos nós possuímos esquemas, que são padrões emocionais rígidos e inflexíveis (consideramos como verdades incondicionais) relacionados a si próprio ou aos relacionamentos com outras pessoas. Os esquemas são desenvolvidos durante a infância e/ou adolescência e possuem influência na vida adulta, fazendo com que as pessoas adotem comportamentos prejudicais ou apresentem algum grau de sintomatologia. Ou seja, é fundamental lembrar que a criança formará representações de si mesma e do mundo através da relação com os cuidadores primários. Sendo assim, há estudos sendo desenvolvidos na área que têm encontrado relação entre os Esquemas Inicias Desadaptativos (EIDs) com o Estilos Parentais.

Assim, o GWIP elaborou a pesquisa com este objetivo. Nela foram incluídas 63 crianças (29 meninos e 34 meninas, entre 8 e 12 anos) e suas respectivas mães e/ou cuidadoras. Foram aplicados questionários que fizessem o levantamento dos esquemas predominantes entre os dois grupos. Levantaremos aqui, alguns resultados preliminares da pesquisa para ilustrar a integração teórico-prática já encontrada.

Encontrou-se que esquemas de Postura Punitiva nas mães predizem o domínio de Orientação para o Outro nas crianças, fazendo com que estas enfatizem em excesso o atendimento às necessidades dos outros em lugares das suas próprias. O esquema de Autocontrole Insuficiente nas mães predizem o Domínio de Limites Prejudicados nas crianças, que passam a possuir dificuldades em respeitar os direitos dos outros, em cooperar e manter compromissos. Já o esquema de Privação Emocional nas mães predizem o domínio de Supervigilância e Inibição das crianças, fazendo com que estas passem a se esforçar para cumprir regras rígidas, suprimindo seus comportamentos espontâneos.

Assim como estes, há outros resultados que estão sendo encontrados que ressaltam a importância de seguirmos pesquisando nesta área de estudo. Os achados da pesquisa corroboram com a literatura e nos fazem dar maior atenção à qualidade das interações nos primeiros anos de vida, visto que esta influenciará o desenvolvimento psíquico, bem como o entendimento que terá sobre as situações vivenciadas. Para entendermos ainda melhor as sintomatologias e os padrões disfuncionais, é fundamental que novos estudos se concentrem na relação existente entre os EIDs maternos e infantis. Assim, podemos começar a pensar em programas preventivos buscando prevenir padrões psicopatológicos entre pais e filhos.

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Novembro Azul

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

 

No mês de novembro temos a campanha de prevenção ao câncer de próstata, campanha essa que ainda cai no preconceito de diversas pessoas. Acredito que o melhor remédio para o preconceito é a informação. Ainda que muita gente pense que realizar o exame de toque não seja “coisa de homem” ou mexa com a virilidade masculina, proponho tentar entender o porquê de muitos pensarem assim.

Vivemos em um tempo e em uma cultura em que é exigido um certo comportamento dos homens, que devem ser vistos como machos, viris, não demonstrar sentimentos, dentre outros requisitos. Comportamentos como tirar satisfação com quem cruza o nosso caminho, acabam sendo prestigiados (até certo ponto), em contrapartida que comportamentos como procurar um médico para investigar uma mancha na pele, são notados como afeminados. Me pergunto a quem serve esta ditadura de comportamentos, e o que os homens ganham tendo que se mostrar “fortes”? Força esta, que na maior parte das vezes não faz muito sentido, pois parece ser o antídoto da “força” a decisão de não procurar um diagnóstico precoce que poderia fazer toda a diferença no prognostico de uma doença tão séria. Pensar assim não é sinal de virilidade, mas sim de ignorância.

No Brasil, estima-se que um em cada sete homens terá câncer de próstata. Este é o tipo de câncer que está em segundo lugar como o mais mortal entre os homens, porém, se diagnosticado precocemente as chances de cura são 80% a 90%.

Proponho pensarmos sobre o que é de fato “ser homem”. Se é este descaso com a própria saúde que nos faz ser mais másculos que o sujeito ao nosso lado? Ou o quanto podemos juntar coragem para enfrentar nossos receios e preceitos sobre o que é a masculinidade em si?
Procurar ajuda não é sinal de fraqueza, tampouco de falta de virilidade, mas de amor à vida e às pessoas que nos cercam.

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Terapia Cognitivo-Comportamental e Coaching.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

 

Atualmente muito tem se falado sobre o coaching, sendo divulgado amplamente nas redes sociais como uma forma de aumentar resultados, superar desafios e enfrentar a crise. Por vezes parecem promessas mágicas, o que acaba gerando uma descrença no processo pela forma como é apresentado.

Existem também pessoas que não sabem o que é e acreditam que envolve apenas questões profissionais, sendo interessante este esclarecimento para se compreender que tipo de auxílio buscar a partir de suas necessidades.

A Terapia Cognitivo-Comportamental e o Coaching apresentam vários pontos em comum, especialmente com o Coaching Cognitivo-Comportamental, embora o objetivo e o perfil de pessoas atendidas sejam diferentes. Ambos têm duração breve, sessões estruturadas, utilizando-se de técnicas cientificamente comprovadas para resolução do problema/objetivo definido no início do tratamento ou processo. Existe uma participação ativa do paciente ou coachee (como é chamado o cliente de coaching), que recebe tarefas para realizar entre as sessões para desenvolver as habilidades desejadas, superar obstáculos, enfrentar situações e realizar ações que os aproximem da sua meta. Assim como na psicoterapia, no coaching existe uma compreensão do papel das crenças que a pessoa tem sobre si, sobre o mundo e sobre as outras pessoas, especialmente crenças limitantes ou distorcidas sobre a realidade que se tornam obstáculos para que ela consiga atingir seus objetivos.

Em relação às diferenças, a psicoterapia tem caráter terapêutico e trabalha com pacientes com transtornos psicológicos e psiquiátricos e com grau de sofrimento que esteja afetando sua vida (pessoas disfuncionais nas áreas pessoal, social, profissional), ou ainda que atenda pacientes que não tenham estes transtornos e que busquem o autoconhecimento, enfrentamento de situações específicas, etc.

Por outro lado, o coaching não é indicado para pacientes disfuncionais. É um processo também breve, com número pré-estabelecido de sessões, geralmente variando entre 10 a 12. Atende pessoas que buscam aumento de resultados pessoais e performance, autoconhecimento, definição de um propósito de vida, desenvolvimento na área pessoal e profissional, alcance de metas, desenvolvimento de novas habilidades e competências, melhora na qualidade de vida, transição de área ou de carreira, tomada de decisões que precisam ser bem elaboradas e planejadas devido ao seu impacto, entre outras.

Focado em soluções e busca de resultados, parte-se do presente (estado atual) em direção ao futuro (onde quer chegar). Neste sentido, estabelece-se um plano de ação e estratégias para colocá-lo em prática, usando-se as forças pessoais como impulsionadoras. Além da ênfase na identificação de forças pessoais, também são considerados os valores (o que é realmente importante para a pessoa), a definição de uma missão (razão de ser) e visão (o que quer alcançar).

O coach exerce o papel de facilitador deste processo, através de técnicas e ferramentas específicas que fazem com que o coachee se desenvolva e encontre as próprias respostas, comprometendo-se ativamente em relação à sua vida e seus resultados. Objetiva-se ainda auxiliar o coachee para que ele desenvolva a capacidade de ser seu próprio coach, ou seja, que aplique o que aprendeu e desenvolveu para que continue o seu caminho de conquistas depois do término do processo.

Com todas estas características, o coaching é uma excelente indicação que pode beneficiar pessoas que não tem demanda para psicoterapia, mas desejam crescimento e desenvolvimento nas áreas pessoal e profissional. Este tem se mostrado muito efetivo e cada vez mais procurado, tanto o life coaching (coaching de vida) como o coaching executivo, que é voltado ao contexto organizacional.

 

 

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É possível curar as feridas emocionais?

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

 

Certa vez encontrei um livro chamado “Caderno de exercícios para aliviar as feridas do coração” e a primeira coisa que pensei foi “Que livro maravilhoso”, mas seguido de um pensamento mais cético “Quanta pretensão destes autores, ora como se fosse fácil curar tais feridas”. Porém, ainda assim, dei uma chance para a leitura.
Será que é possível curarmos nossas feridas emocionais? Simplesmente esquecermos aquilo e aqueles que nos magoaram, machucaram e rejeitaram? Sigo acreditando que não somos capazes de eliminar estas memórias, de apagá-las totalmente dentro de nós. Mas acredito, sim, sem sombra de dúvida que somos capazes de ressignificar, reparar e seguir em frente.

Se existe uma certeza entre nós é que relacionar-se com os outros (não somente relacionamentos amorosos) é difícil pra caramba! Às vezes temos a sensação de estarmos pisando em ovos. Às vezes ficamos cansados demais e achamos que a solidão é bem mais fácil e acolhedora (o que não é verdade).

Aqui acredito que cabe a reflexão e aceitação de que sem empregarmos esforços é impossível que consigamos atingir nossos objetivos de bons relacionamentos e bons vínculos. É a tal da reciprocidade.

Nessa reciprocidade, não cabe orgulho, não cabe pouco amor, pouca atenção, pouco cuidado e pouca proteção. Só tem espaço pra entrega verdadeira e total. Dedicação real em fazer o outro feliz e por consequência ser feliz também!

Faz-se necessário pensar se aquilo que exijo e espero do outro é real, verdadeiro e coerente ou se é capricho meu. Porque se for, jogamos fora. Não existem pessoas e relações perfeitas. O que existe é construção e lutas diárias para ser atendidos em nossas necessidades emocionais, sem ferir as necessidades do meu companheiro(a). É minha responsabilidade também cuidar para que o outro seja atendido em suas necessidades e poder manifestar as minhas, afinal, ninguém tem bola de cristal. Só é possível transbordar amor e ter vínculos seguros quando eu cuido de mim sem descuidar daquele(a) que escolhi pra amar. Sim, escolhi, pois é uma escolha afetiva, mas racional também. Que nos afastemos do pouco afeto e da entrega parcial, afinal, pouca coisa ninguém merece!

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A Vida Secreta de Nossos Filhos

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

 

Muitas discussões e hipóteses já foram levantadas sobre os assassinatos ocorridos na escola em Goiânia na semana passada. Da indiscutível associação entre o bullying e a violência (nas suas diversas faces), até a culpabilização dos pais do jovem agressor, não foram poucas as opiniões a justificar o feito. É um processo natural do ser humano em tentar dar respostas a algo tão agressivo e que leva a um incômodo choque.

Admito que fiquei impressionado negativamente com uma tendência que observei em muitos dos debates: a de definir um culpado e agredi-lo, mesmo que de forma sutil. Digo isto porque talvez valha a pena pensar e analisar que, em parte, um dos mecanismos que levou o jovem a tamanho desatino seja muito semelhante ao que se vê nestas discussões: o instinto binário do ódio. Quando cada um de nós é agredido e tem este ataque avaliado como intencional e injusto reage com raiva e dicotomiza a realidade em eu e “aqueles”. Neste momento, “aqueles” deixam de ser iguais a nós, são desumanizados e “coisificados”; portanto fica autorizado, inconscientemente ou não, que não mais sejam vistos como seres humanos dignos de empatia, compreensão e respeito. Muitas das atrocidades mundialmente realizadas a grupos minoritários e até mesmo à nações inteiras têm este fenômeno em seu DNA.

Se por um lado a raiva e o ódio são emoções encontradas nos animais e seu caráter adaptativo é inegável, também são componentes de dimensões sombrias de nossa natureza em todos os tempos. Seu aparecimento se dá em contextos de frustração e agressão. No caso do adolescente que atirou contra diversos colegas de aula e que por muito pouco não teve mais mortes e o seu suicídio como desfecho final, não foi diferente. Sabe-se com sólidas referências que a rejeição social é um dos fatores mais correlacionados com a violência, inclusive nitidamente identificáveis em outras tragédias semelhantes a esta, como a de Columbine, Realengo etc – que inclusive serviram como uma espécie de inspiração ao jovem, segundo seu testemunho.

Vale também a reflexão sobre a atual capacidade de monitoramento das famílias e dos agentes cuidadores sobre nossas crianças e adolescentes nos diferentes contextos de suas vidas. Se num passado mais distante, os contextos eram a escola, a casa, as amizades de rua-bairro e a literatura; hoje, com o advento da internet com todas suas redes sociais, os limites da interação humana mediada por máquinas atingiu dimensões nunca antes imaginadas. O problema que surge é a diminuição na capacidade de atenção e controle sobre o que está realmente acontecendo na vida deles. Esperar que adolescentes que estão no processo de consolidação de suas identidades pessoais sejam “transparentes” e explícitos sobre todos seus pensamentos e sentimentos é, no mínimo, ingênuo. Há de se buscar relações de maior cumplicidade, empatia e compaixão com os jovens. E mais, não considerar que por serem jovens (e portanto oscilantes, instáveis, impulsivos e cheios de confusões) não podem estar passando por conflitivas muito sérias e para as quais podem estar despreparados para lidar.

 

 

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O que é avaliação Neuropsicológica?

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

 

A neuropsicologia é uma área de estudo que investiga a relação entre o funcionamento do nosso cérebro, as chamadas funções cognitivas (atenção, memória, raciocínio, planejamento e tomada de decisão), e o comportamento expresso, tanto em condições de normalidade como também em condições patológicas.

É uma área de estudo multidisciplinar, sendo seus conhecimentos compartilhados por diferentes profissionais da saúde, como médicos (psiquiatras, neurologistas, geriatras), psicólogos, fonoaudiólogos, além de profissionais das áreas da educação e aprendizagem, como pedagogos.

Na prática clínica, a atuação do neuropsicólogo pode abranger dois contextos principais: avaliação e reabilitação. A avaliação neuropsicológica procura, através de testagens formais e complementares, investigar o funcionamento cognitivo do indivíduo, relacionando-o com seu comportamento atual, dificuldades, queixas e demanda. Na maior parte dos casos as avaliações são realizadas em condições nas quais existe suspeita de que algo no funcionamento cognitivo do indivíduo não está bem. Esses problemas podem se dever a diversos fatores, sejam desenvolvimentais (como em Transtornos de Aprendizagem, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), situacionais ou adquiridos ao longo da vida (como Traumatismo Crânio-Encefálico, Acidente Vascular Cerebral, tumores, demências). A avaliação também é uma ferramenta capaz de auxiliar psicólogos e psiquiatras em dúvidas diagnósticas, bem como no comprometimento de certos quadros psicopatológicos para o funcionamento atual do indivíduo. Já a reabilitação procura a recuperação, compensação ou, em alguns casos, a redução dos prejuízos cognitivos e comportamentais causados por condições anormais do desenvolvimento, situações adquiridas ao longo da vida ou até mesmo em virtude de processos neurodegenerativos próprios do envelhecimento.

A avaliação neuropsicológica, em geral, é realizada em um espaço limitado de tempo, podendo levar em média de 5 a 8 sessões (variando conforme o caso e a demanda do paciente). Da aplicação de testagens, são realizadas entrevistas tanto com o paciente quanto com familiares a fim de fornecer informações adicionais importantes para compreensão do caso. A avaliação finaliza-se por meio da elaboração de um laudo neuropsicológico, tendo este como característica a descrição do perfil neuropsicológico atual do paciente, bem como prestar esclarecimentos acerca dos possíveis questionamentos levantados no momento do encaminhamento.

A Wainer Psicologia realiza diversas avaliações psicológicas e neuropsicológicas.

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A tragédia em Minas Gerais: mais um alerta sobre a negação dos transtornos mentais.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

 

A tragédia ocorrida na creche municipal em Janaúba-MG com a morte de, até o momento, cinco crianças além do próprio agente do crime, traz à tona mais uma vez a relação entre violência e transtornos mentais.

É notória a relação entre algumas condições psicopatológicas e a violência impetrada a si ou aos outros. Por exemplo, os casos de episódios depressivos graves, alcoolismo e condições psicóticas (dissociação com a realidade).

No caso do segurança Santos, todas as evidências levam à conclusão que o incêndio foi oriundo do agravamento de seus problemas psiquiátricos, para os quais ele estava em atendimento num CAPS desde 2014. Como em quase todas as tragédias desta natureza, uma rápida vistoria sobre o curso dos comportamentos e atitudes mais recentes do agressor dão pistas, mais do que óbvias, que algo não ia nada bem e que algo severo estava por vir – ele havia comunicado seus familiares que iria se suicidar!

Cada vez mais demonstra ser de extrema importância e urgência uma reflexão de como tendemos a negar ou subestimar os sinais e sintomas dos problemas psicológicos/psiquiátricos, mesmo daqueles que nos são mais próximos. Talvez a grande complexidade da questão esteja ainda num certo preconceito e descrédito quanto à doença mental e as suas possíveis consequências na sociedade. Se o ocorrido não tivesse sido com crianças pequenas, indefesas e cruelmente atacadas, provável que “somente” mais um suicídio tivesse ocorrido sem maiores alardes da mídia. Há de se ser mais atento, cuidadoso e cauteloso na expressão do sofrimento psíquico do outro, bem como a alterações abruptas dos comportamentos dos que convivem conosco.

Diferente de outras condições de saúde onde o grito de dor e o pedido por ajuda são imediatamente acolhidos, as dores do emocional não geram a mesma carga de empatia e compaixão pela maioria.

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Os impactos do câncer de mama na autoimagem

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

 

O câncer afeta a vida das pessoas em diferentes contextos, seja na saúde física, mental e social. Além de causar debilidades físicas, pode ocasionar baixa autoestima, alterações no sono, alimentação, comportamento, entre outros fatores que profissionais e familiares devem estar atentos.

O câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres, sendo o segundo mais frequente respondendo a 22% dos novos casos a cada ano. No Brasil, a estatística mantem-se alta podendo levantar a hipótese de que, o diagnóstico e tratamento estão sendo realizados quando o câncer já está em estágio avançado. Quanto mais cedo se realizar o diagnóstico melhor o prognóstico do paciente.

A lei brasileira teve avanços significativos para o tratamento do câncer nos últimos anos. Em 2012, foi decretada a lei nº 12.732 visa que o paciente que for diagnosticado com neoplasia maligna receberá todos os tratamentos necessários através do Sistema Único de Saúde (SUS), no prazo de 60 dias após firmado o diagnóstico em laudo patológico. No ano seguinte, foi decretada a lei nº 12.802 de 24 de abril de 2013, que quando existir condições técnicas a paciente será submetida à reconstrução mamária, no caso de impossibilidade de reconstrução imediata, a paciente terá acompanhamento e garantia da realização da cirurgia após alcançar as condições clínicas necessárias.

Esses avanços vêm a contribuir na autoestima dessas pacientes, facilitando a passagem pelo processo de tratamento, podendo assim auxiliar na aceitação do novo corpo. Mas o acompanhamento psicológico continua sendo muito importante para que as pacientes e seus familiares tenham escuta e consigam expressar suas dificuldades, limitações, angústias que envolvem a doença.

Além de vestirmo-nos de rosa, faça seu exame e caso perceba algo diferente procure um especialista. Não postergue o diagnóstico!

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