Da sutileza de um fazer

Por Márcia Werner em 17 de janeiro de 2018

 

A terapia é um dos poucos espaços onde podemos estar “a sós”. É eu e eu! Eu a dialogar com meus medos, meus problemas, ou meus desafios. Tem mais alguém ali? Sim, um alguém especial. Um alguém que tenha capacidade empática de perceber que têm determinados assuntos que eu ainda não estou pronto para falar. Um alguém que me ajuda a traçar um plano terapêutico, mas que sabe que em alguns momentos eu vou precisar de uma pausa no processo para simplesmente chorar, pois tem outras coisas mais com as quais eu não estou conseguindo lidar.

Cada paciente é um mundo descortinado a nós, psicólogos clínicos! Se entregar para um estranho não é fácil, portanto, fazer terapia é um super desafio! É para corajosos. Acompanhar o processo terapêutico também é um super e apaixonante desafio! Não julgar; tarefa nada fácil, mas imprescindível neste ofício. Ver marcas dolorosas irem pouco a pouco se transformando é simplesmente incrível! Como no Documentário “Canto de Cicatriz”, é “praticar o verbo dolorir, colorir a dor”!

Na terapia, alguns descobrem que se deixaram para trás, outros percebem que correram rápido demais. E tudo isso acontece “só conversando”. Na TCC, Terapia Cognitivo-Comportamental, com a qual eu trabalho utilizo algumas técnicas, registros, exercícios, etc. Porém, a maior parte do processo acontece “só conversando” como já questionaram. Entretanto, não é uma conversa de comadre. Não é um conselho de Padre. Tampouco uma conversa de bar. Sem desmerecer nenhuma dessas conversas tão importantes quanto a conversa travada no consultório. A Conversa com “C” maiúsculo ocorre em um contexto muito delicado, pois o paciente se entrega, se mostra frágil, triste, ansioso ou aterrorizado.

E aceita o convite para viajar com o psicólogo. E a viagem é a bordo de quê? Não, não é de trem bala. Nem de avião a jato. Às vezes é de carruagem. Outras vezes vamos de helicóptero para avistar de cima. Por vezes precisamos de um submarino para tocar as profundezas. Quem define a velocidade não é o motorista, este precisa sentir quando é hora de acelerar, ou quando é hora de pisar no freio, ou até mesmo parar. Paremos por aqui, pois hoje …

O psicólogo leva junto na viagem sua bagagem de teorias e técnicas para usar. Fazer isso não é mole não! Se faz necessária muita empatia, sutileza, leveza, porque é fundamental respeitar o tempo do paciente. Precisa ter capacidade técnica que não é adquirida de hoje para amanhã, é construída mediante muito esforço, pesquisa e estudo. Este ofício exige grande responsabilidade para gerar e demonstrar confiança. Nesta viagem ambos avistarão paisagens áridas e inóspitas, mas também irão vislumbrar lindos campos, frondosas árvores e jardins floridos. Na viagem às vezes precisamos corrigir rotas. E, ao final dela, o paciente segue às vezes sem olhar para trás, pois agora não precisa mais do seu par. Leva o que aprendeu e se torna seu próprio terapeuta! Oi, muito prazer! Este é o meu fazer! O fazer da sutileza!

Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone

Janeiro Branco

Por Cláudia Moraes em 16 de janeiro de 2018

O que é a campanha Janeiro Branco?

É uma ação que torna o mês de janeiro um marco para que todos reflitam, debatam e para que se planejem estratégias em prol da saúde mental, buscando soluções políticas, sociais e culturais para que o adoecimento emocional seja conhecido, prevenido e atenuado em todas as esferas e espaços.

No Brasil, 23 milhões de pessoas (12% da população) necessitam de algum atendimento em saúde mental. Pelo menos 5 milhões de brasileiros sofrem com transtornos mentais graves e persistentes. De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria, apesar das políticas de saúde mental priorizarem as doenças mais graves, como esquizofrenia e transtorno bipolar, as mais prevalentes estão ligadas à depressão, ansiedade e a transtornos de ajustamento.

Em todo o mundo, mais de 400 milhões de pessoas são afetadas por transtornos mentais ou comportamentais. Os problemas de saúde mental ocupam cinco posições no ranking das dez principais causas de incapacidade, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo estudos, a alta incidência de transtornos mentais é causada pela grande urbanização, associada com privações sociais. Os grupos mais vulneráveis são homens migrantes e mulheres que residem em regiões de alta vulnerabilidade social, ou seja, regiões de alto desemprego, baixa escolaridade e baixa renda.

As altas taxas encontradas demonstram a necessidade de discutir melhor o atendimento oferecido à população brasileira, repensando o planejamento de políticas de saúde mental. Programas de treinamento e educação para profissionais de cuidados primários precisam ser introduzidos ou aprimorados, juntamente com melhorias nos serviços da rede pública em geral. As políticas públicas devem ser voltadas para reduzir as desigualdades econômicas e melhorar a educação e segurança pública a fim de superar o círculo vicioso da pobreza, da violência urbana e de transtornos mentais, atuando diretamente para a promoção do bem-estar humano.

Além da preocupação com as políticas públicas, na esfera privada, ou seja, dentro de casa, na escola dos filhos, na empresa em que trabalhamos, é de extrema importância que se fale sobre sofrimento psíquico, suas consequências e o que pode ser feito para solucionar questões psíquicas conflitivas. Esse debate promove menos preconceito com as doenças psíquicas, também colabora para que as pessoas que estão passando por dificuldades procurem ajuda.

O Janeiro Branco vem para lembrar-nos de que o sofrimento mental é comum a todos, portanto todas as estratégias que se debrucem sobre este tema, seja no âmbito doméstico, escolar, organizacional e de políticas públicas, colaboram para atenuar a consequência do sofrimento.

E então, vamos conversar sobre o assunto?

Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone

MONTANHA-RUSSA DE EMOÇÕES

Por Daniele Port em 10 de janeiro de 2018

 

Hoje pela manhã eu acordei, arrumei minha cama, lavei meu rosto e tive dificuldades para me arrumar (“Meu Deus! Nada fica legal em mim! Eu engordei… essa camiseta não está legal porque não tenho muito seio… eu poderia ser um pouco mais alta, daí essa calça ficaria bonita…”), desanimada coloquei qualquer coisa e já no café da manhã o dia não começou muito bem, derramei café na toalha limpa, (“URGH! Não toma jeito mesmo, destrambelhado(a)”). Vou para o trabalho, recebo um eventual elogio do patrão por alguma atividade, e mais uma tonelada de coisas para fazer, pra ontem (“Aff! Humpf”). Hora do almoço (“Até que enfim, tenho uns minutinhos pra relaxar! … Oba, hoje tem torta de chocolate de sobremesa”). Mas já está na hora de ir de novo (“Não acredito!”). Novamente trabalho, e trabalho, e mais reuniões, e coisas para fazer, e pessoas para aturar, sem falar nas fofocas (“Jesus! Quanto estresse!”). Opa, lá vem o patrão de cara amarrada (Viish, lá vem bronca pra nós), por fim acabei discutindo com o patrão, quase fui demitida. Retorno pra casa e, depois de limpar e organizar um pouco a casa, tomar banho e jantar, posso fazer alguma coisa de que gosto (“Até que enfim, ufa!”), mas não, já está tarde e estou bastante esgotada (“Caramba, que dia cheio”), acho que vou dormir pois amanhã cedo começa tudo de novo, embarco em uma nova montanha-russa (“Fico imaginando o que me espera amanhã!”), boa noite.

Este ciclo diário de alegrias, tristezas, decepções, frustrações, etc., é o que muitas pessoas vivem constantemente. Você notou o quanto é complicado viver neste turbilhão de emoções fortes? Acrescente a essa receita, ainda, um nível de alta intensidade, de maneira contínua, algumas predisposições e pronto, temos então alguém que, após algumas semanas de exposição a essa rotina emocional intensa estará esgotado emocionalmente e psicologicamente vulnerável (em sofrimento), o que pode predizer a aproximação de alguma psicopatologia. Na verdade, todos nós experimentamos várias emoções diariamente, o que difere é a intensidade com que cada um vive cada uma das emoções.

Como saber, portanto, se o que estou vivenciando é ou não psicopatologia? Bom, pessoas que emocionalmente não estão saudáveis acabam tendo prejuízo em diversas áreas de sua vida (profissional, familiar, social…), como, por exemplo, dificuldade para se relacionar, irritação constante e algumas vezes em excesso, e tudo a deixa pra baixo… Em resumo, seu traço característico é o excesso e está relacionado a situações estressantes que modificam sua forma de ver e viver a vida.

Mas fique tranquilo(a), para auxiliar é recomendado o tratamento farmacológico em combinação com o psicológico, buscando a melhora da qualidade de vida e o desenvolvimento de recursos internos para lidar com o(s) problema(s). Não pense que é fácil viver com instabilidade emocional, pois não é. Enfrentar esse tipo de problema é uma luta onde somente quem é um guerreiro pode enfrentar.

Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone

O vestibular é uma ponte… Acalme-se e atravesse. Dicas para controlar a ansiedade pré-vestibular.

Por Andrea Rapoport em 9 de janeiro de 2018

 

A maioria dos candidatos ao vestibular é formada por jovens, cujo concurso é o maior desafio de suas vidas naquele momento. Além do peso da escolha profissional e da disputa por uma vaga em alguma Universidade renomada, existem diversas pressões que agem no vestibulando que certamente prejudicam suas performances nas datas das provas. Algumas são intrínsecas ao candidato e outras tantas vêm de cenários externos, muitas vezes praticados por aqueles que os amam e os querem ver vencer.

A ansiedade, palavra tão temida, num nível baixo, pode ser positiva, pois deixa o aluno mais focado desde o período de estudos, já que ele identifica que é um evento significativo e com grau de dificuldade e durante as provas também o auxilia a estar num estado mais alerta. O nível muito baixo de ansiedade pode levar a uma despreocupação, descuidos e redução da atenção. Por exemplo, a ansiedade ideal ajuda, antes da prova, o aluno se organizar quanto ao material para levar, pensar no trajeto e no horário para sair, saber quais serão as provas daquele dia. Ao receber a prova, deve estar atento às informações que devem ser preenchidas no cartão de respostas, realizar a leitura de todas as instruções, estar atento para passar as respostas para o cartão, etc.

Entretanto, não é raro a ansiedade ultrapassar este nível ideal e atrapalhar o desempenho nas provas. A terapia cognitivo-comportamental e o coaching oferecem técnicas para manejo da ansiedade e aumento da performance.

1 – Durma bem, pois a qualidade de uma noite de sono é fundamental para recuperar os conhecimentos armazenados na memória durante os estudos.

2 – Uma técnica bastante interessante é a visualização com uma âncora de sucesso.
Escolha uma música que represente um momento de emoções positivas, de realização, de força pessoal. Ao deitar, escute esta música, feche os olhos e inspire o ar lentamente distendendo o abdômen. Segure por alguns segundos e expire lentamente pela boca.
Enquanto isso, leve seus pensamentos para o dia da prova, imagine-se chegando lá, respondendo as questões tranquilamente e saindo satisfeito com o seu desempenho. Através deste exercício o seu cérebro vai vivenciar aquilo que é novo e desconhecido de uma forma positiva e, ao chegar no dia da prova, a situação lhe parecerá familiar e estará associada a uma performance bem sucedida. Lembre-se, pensamentos geram emoções que irão influenciar no resultado. Dessa forma, é fundamental usar estratégias para que seus pensamentos sejam seus aliados.

3 – Na hora da prova, se você perceber que está ansioso, pare e mude o foco. Pare um minuto, relembre a música, cantarole mentalmente, faça a respiração descrita acima e rapidamente você perceberá que haverá uma baixa na ansiedade. Pode mudar o foco também pensando em algo inusitado, como tentar lembrar uma receita, o nome dos jogadores de um time de futebol ou qualquer outra coisa que o distancie daquele momento.

4 – Lembre-se de que cada dia é um dia, a aprovação é resultado de um processo que começa durante o ano de estudos e só termina ao entregar a última prova. Dessa forma, não remoa questões erradas, coisas que poderia ter feito diferente. O pensamento deve ser do presente para o futuro, buscando as experiências de sucesso, as conquistas realizadas como combustível diário para acreditar que é possível e para querer dar o seu melhor.

5 – Não se preocupe com os adversários, você não sabe o quanto eles sabem e se eles têm o controle emocional como aliado. Se a prova estiver difícil, pode estar para a maioria dos candidatos e não só para você.

6 – E para a família, é hora de apoiar. Não adianta apontar o que seu filho poderia ter feito, o importante é demonstrar que independente do resultado, a dedicação será reconhecida e que ele não perderá o amor ou a admiração se não conseguir a aprovação deste vestibular. Existem outros vestibulares e muitos que não são aprovados de primeira, ou na Universidade de sua preferência, depois se tornam profissionais muito bem sucedidos.

Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone

Por que as escolas deveriam ensinar educação emocional?

Por Danielle Aparecida Zacachuca Alves em 3 de janeiro de 2018

 

Vivemos tempos estranhos, onde as escolas tem uma limitação de conteúdo que podem “reproduzir” aos seus alunos. Esse limite se dá, parte por pressão dos pais, que acreditam serem os únicos responsáveis pela formação de seus filhos, uma vez que são os primeiros “culpados”, quando algo em suas personalidades não sai como o esperado e parte pelo Estado, que considera que alguns conteúdos podem vir a criar um certo desconforto, quando são originados por tabus ou temas controversos, ou que não venham a ser transmitidos de forma correta.

O fato é que, devido as demandas diárias, em especial por parte dos pais (carga de trabalho excessiva, jornadas exaustivas, falta de informação necessária para abordar ou lidar com certos assuntos), estes acabam por não saber o que ocorre com seus rebentos, no ambiente escolar. No geral, cria-se o hábito, ao final do dia, de questioná-los com um: “como foi seu dia na escola”, o que prontamente vem com a resposta: “foi bom”. Fim de papo. Ufa! E cada um retorna à suas atividades em seus smartphones.

Porém, a reprodução de comportamentos pouco assertivos aparecem no dia seguinte, e no próximo e no próximo… na escola, nossas crianças não estão preparadas para lidarem com suas frustrações, seja ela uma nota baixa, um crítica de um colega ou de professores, casos de agressões físicas, bullying. Tudo isso, porque não estão preparados para gerenciarem suas emoções. Na maioria das vezes, não conseguem, minimamente, nomear esses sentimentos, o que seria um fato de extrema proteção a estas crianças.

Desta forma, aprender que sentir raiva é importante, quando o nosso senso de justiça é ferido, é de importância fundamental para aprendermos a lidar com o que estamos sentindo, saber expressá-lo, solicitar auxílio para lidar com isso, que tanto incomoda. Assim, as chances destas crianças causarem prejuízos a si e a seus semelhantes diminuem exponencialmente.

Ora! Sentir raiva faz parte do repertório humano, não é mesmo? Assim como a tristeza, a alegria, o medo e tantas outras emoções que aparecem ao longo de nosso dia, durante o convívio com o outro. Só resta saber o que fazer (ou não fazer), quando estas emoções nos inundam.

E o fato desta criança estar inserida num contexto tão importante e tão rico de possibilidades da expressão social, transforma este local num perfeito constrito de indivíduos saudáveis emocionalmente, consigo e com o meio.

Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone

Quero colo, carinho, abraço e beijo, sim!

Por Patrícia Godinho Poloni em 27 de dezembro de 2017

 

Este texto é voltado principalmente para os pais e cuidadores, onde proponho a reflexão sobre a minha seguinte afirmação: é importante criarmos nossas crianças com infinitas demonstrações de carinho.

Quando as crianças crescem sendo embaladas no colo na primeira infância elas tornam-se adultos mais empáticos, saudáveis, produtivos e gentis. Além destas características citadas, estes adultos são consideravelmente menos deprimidos que aqueles que não foram ninados quando bebês.
Em minha experiência profissional já ouvi em demasia que “colo demais deixa as crianças mimadas”, e que “é melhor deixar chorar”. Pois este texto vem dizer o contrário: é impossível “estragar” os pequenos com colo, carinho, AFETO! Segundo pesquisas científicas, o afeto interfere em como os cérebros dos bebês se desenvolvem, e é importante manter estas vivências afetivas por todo o período da infância. Durante a infância os sistemas cognitivos estão se estabelecendo e em constante evolução, sendo assim, se estes pequenos são criados com afeto e segurança, o funcionamento psíquico se desenvolve de uma maneira saudável. Caso estes bebês cresçam chorando muito e não sendo acalmados pelos cuidadores, os sistemas mentais serão desenvolvidos em estresse. Aqueles que não receberam afeto suficiente tendem a ter mais estresse e maior dificuldade em se acalmarem sozinhos, já aqueles que receberam o colo quando crianças, crescem e tornam-se adultos mais adaptados, com menos ansiedade e melhor saúde mental.

O carinho e o contato físico são fundamentais para o desenvolvimento cerebral das crianças, isso desde o nascimento. É importante que os pais tenham tempo de qualidade com seus filhos, para que eles se sintam seguros e amados. Uma criança que sente a presença dos pais, sabe que eles a amam, se fortalece e se sente segura para alcançar todas as suas potencialidades. Um adulto que recebeu o afeto adequado na sua infância tem um comportamento mais saudável, maiores habilidades e é capaz de manter relacionamentos fortes em sua vida adulta.

Mas para quem ainda tem dúvidas ou receios sobre demonstração de afeto, eu lhes apresento a ocitocina – também chamada de hormônio do amor. Este hormônio é influente na formação cerebral, produzido durante a amamentação e também liberado no abraço, no beijo, no carinho. A ocitocina faz com que o cérebro produza a capacidade de vínculo e nos acalma em situações estressantes. O colo, carinho, abraço, beijo: o afeto não “estraga” as crianças, apenas traz benefícios e cria seres humanos mais humanos, seguros e empáticos para a sociedade. Por isso o que eu deixo para finalizar este texto é: não esqueça de demonstrar afeto aos seus filhos, isso fortalecerá os vínculos familiares e, vocês precisam concordar comigo: carinho sempre é muito bom!!

Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone

Dezembro Laranja: principais cuidados e efeitos da exposição ao sol

Por Elisa Steinhorst em 20 de dezembro de 2017

 

Em 2014 a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) deu início ao movimento de combate ao câncer da pele, batizado “Dezembro Laranja”, com a intenção de estimular a população na prevenção e no diagnóstico ao câncer da pele. Desde então, sempre no último mês do ano, a entidade realiza ações para lembrar como evitar o câncer mais comum no país, e convida a população a compartilhar nas redes sociais uma foto vestindo uma peça de roupa laranja, publicando-a com a hashtag #dezembrolaranja.

É de fundamental importância sabermos que o câncer da pele é o tumor maligno mais frequente da humanidade. De acordo com a SBD, estima-se que em 2016 o Brasil tenha diagnosticado mais de 180 mil tumores, sendo o carcinoma espinocelular e o melanoma os de maior mortalidade.

O que fazer então? Fugir do sol completamente? Não. O objetivo da campanha não é tornar o sol um inimigo, mas sim conscientizar a população que a exposição ao sol deve ser feita com alguns cuidados, evitando horários de maior intensidade de radiação solar (10-15h), conhecendo os índices ultravioletas da sua região, usando roupas e chapéus que protejam da irradiação direta do sol e, nas áreas descobertas da pele, o uso do filtro solar, além da vigilância quanto a alterações da pele.

As radiações ultravioletas oriundas do sol, além de promoverem o câncer da pele, favorecem queimaduras solares, catarata, degeneração da retina, manchas, alterações na espessura e enrugamento da pele. As estratégias de proteção solar previnem de forma eficiente todos esses processos.

Apesar de o culto ao bronzeamento pregar diferente, uma pele bronzeada não necessariamente significa saúde. Querer ficar mais moreninho é um direito de todos, mas é preciso ser realista quanto à viabilidade disso (pois algumas pessoas jamais serão morenas), e ao tempo necessário para que esse processo ocorra (tenha paciência!).

Outro ponto importante é a percepção quanto à cor da própria pele. Se você gosta muito de se ver bronzeado, há uma possibilidade de que você se avalie como estando mais branco do que você de fato está. Então, antes de partir para a praia para se “queimar”, pergunte para as pessoas à sua volta se elas acham o mesmo que você a respeito da sua pele. Compare as partes expostas com as não expostas. Reflita se a vontade de se bronzear não vem do desejo de ter uma mudança física qualquer e, se for esse o caso, pense em tudo que você pode fazer para mudar e que não envolve expor a sua pele a danos cumulativos (ou outras atitudes que podem ser prejudiciais à sua saúde).

Caso você sinta que não consegue controlar o seu desejo e impulso de se bronzear, que frequentemente se sente branco ou pálido demais, mesmo que os outros não achem o mesmo a repeito da sua pele, e mesmo que a sua pele já apresente danos provenientes da exposição solar, talvez seja o momento para refletir a respeito das razões para isso. Buscar uma opinião profissional (de psicólogo e/ou dermatologista) pode ser de fundamental importância.

Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone

Tratamento para Transtornos de Ansiedade: quando devo procurar um psicólogo?

Por Karoline Schmitz Arboite em 13 de dezembro de 2017

 

Tem sido muito frequente receber pacientes com sintomas de ansiedade no meu consultório, e diria que essa é uma das queixas principais nos atendimentos que tenho realizado. Os Transtornos Ansiosos são os quadros psiquiátricos mais comuns atualmente, tanto em crianças quanto em adultos. Infelizmente muitas pessoas levam tempo para buscar um tratamento adequado e geralmente já chegam no consultório com prejuízos graves no funcionamento em diversas áreas da sua vida. Por outro lado, cabe salientar que existe tratamento e até cura para esse tipo de transtorno.

Mas quando falamos em transtorno de uma forma geral, o que estamos querendo dizer? Costumo explicar para os meus pacientes que quando falamos que houve um transtorno em nosso dia, por exemplo, virar café no meu uniforme do trabalho, o que estamos querendo dizer? Podemos considerar um “transtorno” alguma situação que causa incômodo, algo que ocorreu que me causou um prejuízo. Levando em consideração o significado da palavra “transtorno” pode-se pensar dessa forma também quando queremos denominar um “transtorno psiquiátrico”, como neste caso, a ansiedade.

A ansiedade gera, portanto, um sentimento vago e desagradável de medo, apreensão, caracterizado por tensão ou desconforto derivado de antecipação de perigo, de algo desconhecido ou estranho. Além disso, muitas vezes acompanha alguns sintomas físicos, tais como: dormência ou formigamento, tremores nas pernas, incapacidade de relaxar, palpitação ou aceleração do coração, sensação de sufocamento, dificuldade de respirar, entre outros.

E quando eu sei se isso que estou sentindo é “normal” ou patológico? Esses sintomas passam a ser reconhecidos como patológicos quando são exagerados ou desproporcionais, quando a pessoa percebe que a ansiedade está atrapalhando a sua vida de forma significativa, interferindo na qualidade de vida, com o seu conforto emocional e/ou no seu desempenho diário.

A Terapia Cognitivo-Comportamental se mostra eficaz para diversos tipos de problemas e transtornos, trazendo resultados em curto prazo na remissão e alívio dos sintomas. Não quer dizer que o tratamento nesta abordagem seja fácil e superficial e que em poucos atendimentos o problema ou transtorno do paciente sejam resolvidos, pelo contrário, quer dizer é que essa abordagem tem uma intervenção mais rápida agindo no primeiro momento na queixa principal do paciente (com foco no problema) e prosseguindo assim com o tratamento conforme a demanda do caso. Os Transtornos de Ansiedade mais comuns são a Fobia Específica, o Transtorno de Ansiedade Social (Fobia Social), o Transtorno e a Síndrome do Pânico, o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) e o Transtorno de Ansiedade Generalizada

Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone

A depressão no idoso

Por Rodrigo Ruis Martins em 7 de dezembro de 2017

 

No Brasil, de acordo com o Estatuto do Idoso, considera-se idoso todo aquele que tiver idade igual ou superior a 60 anos. De acordo com estimativas feitas pelo IBGE, tomando como base o censo de 2010, a população idosa (acima dos 60 anos) deve passar dos atuais 14,9 milhões (7,4% da população), em 2013 , para 58,4 milhões ( 26,7% da população) em 2060. Fácil perceber que em muito pouco tempo, ter mais de 60 anos passa de algo esporádico, difícil de acontecer como era há décadas atrás, para algo muito comum e, porque não, desejado. Afinal, envelhecer é uma dádiva negada a muitos.

Mesmo sendo uma dádiva, é algo que implica em diversas mudanças, não só físicas, mas também sociais, emocionais… Envelhecer é algo que pode ser muito complicado se não tomarmos os devidos cuidados. O surgimento de patologias típicas do envelhecer, aposentadoria, saída dos filhos, diminuição da renda, perda do papel social, perda do companheiro, perda de amigos…Tantas coisas acontecendo em tão pouco tempo podem servir de gatilho para o surgimento de patologias emocionais, como a depressão.

A depressão é o transtorno psiquiátrico mais comum na população idosa, com porcentagens que podem alcançar 20% da população brasileira acima dos 60 anos. Algumas coisas devem ser lembradas quando se fala em depressão, e a principal de todas é que depressão é doença. Sim, uma doença emocional e comportamental, mas uma doença, devendo ser bem enfático nisso, pois não é “frescura, bobeira, falta do que fazer”, nem nada do tipo. E como doença, deve ser olhada como tal, tendo que ser acompanhada e tratada por profissionais psiquiatras e psicólogos qualificados.

Com isso bem claro, outro ponto a ser lembrado é que, ao contrário do linguajar popular, estar “triste, desanimado” não é estar deprimido. Para ser considerado um quadro depressivo, tem que apresentar uma profunda tristeza, que seja contínua por um período prolongado. Manifesta-se com alterações do ciclo do sono (ou dorme muito, ou quase não dorme), no apetite (ou perde o apetite ou passa a comer demasiadamente), e apatia (falta de vontade de fazer atividades do dia a dia, ou mesmo as mais prazerosas) também são sinais de que algo não está indo bem.

Outra característica da depressão, quase sempre ignorada completamente, é a irritabilidade. O indivíduo parece ficar sem paciência com facilidade, tornando-se rude com pessoas próximas. Infelizmente quando se trata de depressão, além dos mitos e dificuldades comuns a própria doença, também devemos enfrentar barreiras sociais, que muitas vezes consideram “normal” tais alterações de humor intensas em idosos. Como se envelhecer sempre significasse tornar-se triste, melancólico e apático. Considera-se também a barreira que o próprio indivíduo tem quanto a intervenções psicológicas, com o argumento de que “gente velha é assim mesmo” e o tão famigerado “gente velha não muda não…”. Não existe idade para cuidar da nossa saúde emocional e comportamental, nem barreiras para isso, sendo indiferente a sua idade.

Sobre o autor:

Rodrigo Ruis Martins, CRP 06/107.982

– Psicólogo Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental pelo Instituto Neurológico de São Paulo
– Hospital Beneficência Portuguesa (INESP) e mestrando em Psicogerontologia pela Faculdade Educatie Hoog.
– Atende adultos e idosos em Mogi das Cruzes/SP e São Paulo/SP há 6 anos.
– E-mail: psicologiarodrigo@outlook.com
– Facebook: facebook.com/psicologorodrigomartins

Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone

Esquemas maternos e sua relação com esquemas iniciais desadaptivos e sintomatologia na infância

Por Wainer Psicologia em 28 de novembro de 2017

 

GWIP – Grupo Wainer de Intervenção e Pesquisa.
Lissia Basso, Amanda Borges Fortes, Cintia Maia, Elisa Steinhorst e Ricardo Wainer.

A Wainer Psicologia Cognitiva apresenta seu Departamento de Pesquisa, o GWIP – Grupo Wainer de Intervenção e Pesquisa. O GWIP tem como principal foco de estudo os processos cognitivos e esquemas psicológicos ao longo do desenvolvimento humano. O grupo realiza pesquisas empíricas e revisões sistemáticas com o enfoque na Teoria de Jeffrey Young (1990), sobre a Terapia do Esquema.

Para entender melhor os estudos produzidos pelo GWIP, devemos compreender o principal conceito da teoria de Jeffrey Young: o Esquema. Todos nós possuímos esquemas, que são padrões emocionais rígidos e inflexíveis (consideramos como verdades incondicionais) relacionados a si próprio ou aos relacionamentos com outras pessoas. Os esquemas são desenvolvidos durante a infância e/ou adolescência e possuem influência na vida adulta, fazendo com que as pessoas adotem comportamentos prejudicais ou apresentem algum grau de sintomatologia. Ou seja, é fundamental lembrar que a criança formará representações de si mesma e do mundo através da relação com os cuidadores primários. Sendo assim, há estudos sendo desenvolvidos na área que têm encontrado relação entre os Esquemas Inicias Desadaptativos (EIDs) com o Estilos Parentais.

Assim, o GWIP elaborou a pesquisa com este objetivo. Nela foram incluídas 63 crianças (29 meninos e 34 meninas, entre 8 e 12 anos) e suas respectivas mães e/ou cuidadoras. Foram aplicados questionários que fizessem o levantamento dos esquemas predominantes entre os dois grupos. Levantaremos aqui, alguns resultados preliminares da pesquisa para ilustrar a integração teórico-prática já encontrada.

Encontrou-se que esquemas de Postura Punitiva nas mães predizem o domínio de Orientação para o Outro nas crianças, fazendo com que estas enfatizem em excesso o atendimento às necessidades dos outros em lugares das suas próprias. O esquema de Autocontrole Insuficiente nas mães predizem o Domínio de Limites Prejudicados nas crianças, que passam a possuir dificuldades em respeitar os direitos dos outros, em cooperar e manter compromissos. Já o esquema de Privação Emocional nas mães predizem o domínio de Supervigilância e Inibição das crianças, fazendo com que estas passem a se esforçar para cumprir regras rígidas, suprimindo seus comportamentos espontâneos.

Assim como estes, há outros resultados que estão sendo encontrados que ressaltam a importância de seguirmos pesquisando nesta área de estudo. Os achados da pesquisa corroboram com a literatura e nos fazem dar maior atenção à qualidade das interações nos primeiros anos de vida, visto que esta influenciará o desenvolvimento psíquico, bem como o entendimento que terá sobre as situações vivenciadas. Para entendermos ainda melhor as sintomatologias e os padrões disfuncionais, é fundamental que novos estudos se concentrem na relação existente entre os EIDs maternos e infantis. Assim, podemos começar a pensar em programas preventivos buscando prevenir padrões psicopatológicos entre pais e filhos.

Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone